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Economia & Finanças Postado em terça-feira, 03 de julho de 2018 às 06:48
A greve dos caminhoneiros deixou um saldo negativo na indústria: queda na produção, aumento da ociosidade e acúmulo de estoques indesejados. A produção do setor caiu para 41,6 pontos em maio e ficou muito abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa o aumento da queda no indicador. A utilização da capacidade instalada recuou para 63%, o que significa que a ociosidade subiu para 37%.

A pesquisa mostra ainda que o indicador de evolução dos estoques efetivos em relação ao planejado subiu para 53,3 pontos em maio. O indicador varia de zero a cem pontos. Quando fica acima de 50 pontos, mostra que os estoques estão acima do planejado. O emprego também recuou no mês passado e ficou em 48,3 pontos e se afastou da linha divisória dos 50 pontos, o que mostra queda do indicador. “A paralisação dos transportes de carga atingiu a atividade industrial que já estava com dificuldades de se recuperar”, afirma o economista da CNI Marcelo Azevedo.


A Sondagem Industrial destaca que os prejuízos com a greve dos caminhoneiros foi maior nas grandes empresas. Na indústria de grande porte, o índice de evolução da produção recuou para 41,6 pontos em maio e ficou abaixo dos 42,3 pontos registrados nas pequenas. O nível de utilização da capacidade instalada nas grandes empresas caiu 4 pontos percentuais em maio na comparação com abril e ficou em 67%. Nas médias, a queda foi de 2 pontos percentuais e, nas pequenas, de 1 pontos percentual. O indicador de estoque efetivo em relação ao planejado subiu 5,2 pontos em maio frente a abril e alcançou 57,6 pontos. Nas médias, o índice aumentou 0,9 ponto e ficou em 51,4 pontos.

EXPECTATIVAS - A Sondagem Industrial destaca que os prejuízos com a greve dos caminhoneiros também atingiram o otimismo dos empresários. Embora ainda estejam acima dos 50 pontos, os indicadores de expectativas em relação à demanda, à compra de matérias-primas e de quantidade exportada recuaram em junho. O indicador de emprego caiu para 48,9 pontos, mostrando que os empresários preveem mais demissões nos próximos seis meses. 

Diante de um cenário negativo e da redução das expectativas para os próximos seis meses, os empresários estão pouco dispostos a fazer investimentos. O índice de intenção de investimentos caiu para 50,5 pontos em junho. “Com o resultado de junho, são quatro meses consecutivos de redução da intenção de investir”, afirma a Sondagem Industrial. 

Esta edição da pesquisa foi feita entre 4 e 14 de junho com 2.204 indústrias. Dessas, 920 são pequenas, 780 são médias e 504 são de grande porte.

Fonte: CNI