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Economia & Finanças Postado em quarta-feira, 17 de maio de 2017 às 13:07
A economia brasileira voltou a crescer no primeiro trimestre deste ano e saiu da pior recessão de sua história, aponta o indicador do nível de atividade do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (15).
O chamado Índice de Atividade Econômica, o IBC-Br, registrou crescimento de 1,12% de janeiro a março, na comparação com o trimestre anterior (outubro a dezembro de 2016).
O IBC-BR é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB). Os números oficiais do PIB do primeiro trimestre deste ano, porém, serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente no dia 1º de junho.
O país entrou na chamada "recessão técnica", que se caracteriza por dois trimestres seguidos de contração do Produto Interno Bruto (PIB), no segundo trimestre de 2015, quando houve um tombo de 1,9% na atividade econômica.
Se o IBGE confirmar o resultado positivo no primeiro trimestre, o Brasil terá interrompido uma série de oito trimestres consecutivos de recuo do nível de atividade.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2015, o PIB teve uma retração de 3,8% e, no ano passado, a economia registrou um encolhimento de 3,6%. Para 2017, a previsão dos bancos é de uma alta de cerca de 0,5% no PIB.
Como a retração nos anos de 2015 e 2016 superou a dos anos 30, essa é a pior crise já registrada na economia brasileira. O IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) dispõem de dados sobre o PIB desde 1901.
O que diz a equipe econômica
Na semana passada, em cerimônia que marcou um ano da gestão do presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, antecipou que o Brasil já registrou crescimento econômico no primeiro trimestre deste ano, mas acrescentou que o país ainda vive os efeitos da recessão.
"A recessão que encontramos foi maior que a depressão de 1930 e 31. O tempo do verbo é no passado. A recessão que 'vivemos'. O Brasil já voltou a crescer, mas estamos ainda vivendo os efeitos da recessão. O desemprego está elevadíssimo, deve crescer ainda um pouco, pois tem reação um pouco mais lenta a retomada, mas começa a cair no segundo semestre", declarou o ministro Meirelles na ocasião.
Os dados ainda não mostram uma recuperação consistente. O comércio varejista, por exemplo, registrou em março a maior queda para o mês em 14 anos e, no primeiro trimestre, apresentou um recuo de 3%. A produção industrial, por sua vez, caiu 1,8% em março na comparação com fevereiro - foi o março mais fraco desde o início da série histórica, em 2002 -, embora tenha subido 0,6% no primeiro trimestre.
Para tentar reaquecer a economia, o governo Michel Temer tem anunciado medidas como a liberação de saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O Banco Central também vem reduzindo a taxa Selic, o que deve se traduzir em queda dos juros dos empréstimos bancários.
Mês de março e doze meses
Apesar da recuperação no primeiro trimestre, os dados do BC mostram que, somente em março, o nível de atividade registrou retração de 0,44% na comparação com fevereiro. Neste caso, a comparação foi feita após ajuste sazonal.
Foi a primeira queda do indicador neste ano e o maior recuo mensal desde agosto de 2016 - quando foi registrado um tombo de 0,66% no nível de atividade calculado pelo BC. Sem ajuste, houve uma alta de 9,28% no IBC-Br em março deste ano.
Já no acumulado em 12 meses até março, ainda segundo a autoridade monetária, a prévia do PIB (indicador dessazonalizado) do Banco Central registrou contração de 2,78% (sem ajuste, a queda é de 2,63%).
IBC-Br x PIB
Embora o cálculo seja um pouco diferente, o IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.
Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE. O Banco Central já informou anteriormente que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado.
Recentemente, o BC atualizou a metodologia de cálculo, incorporando novos indicadores, com destaque para a utilização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) em substituição à Pesquisa Mensal de Emprego (PME), além de outras mudanças.
Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, os juros básicos estão em 11,25% ao ano.
Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto os juros sobem, pessoas e empresas ficam menos dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.
Para 2017, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 3% e 6%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Neste ano, o mercado financeiro, e também a autoridade monetária, acreditam que a inflação oficial ficará abaixo da meta central de 4,5% - algo que não acontece desde 2009. O Banco Central tem dito que mira no centro da meta de inflação de 4,5% nos anos de 2017 e de 2018.Fonte: G1
Economia & Finanças Postado em quarta-feira, 17 de maio de 2017 às 12:53
“Ainda não podemos dizer que as pessoas estão otimistas, mas podemos dizer que estão menos pessimistas”. Foi assim que Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, abriu o Recover Money 2017 – evento que debateu a recuperação de crédito e do País e que aconteceu nesta semana, em São Paulo.
A sensação que tínhamos antes, de acordo com ela, é que o fundo do poço não chegaria nunca – e isso afeta a expectativa de todos. Contudo, essa sensação está começando a se estabilizar – e isso é muito positivo, porque traz alguma esperança e reflete nos indicadores de confiança.
“No fim do processo de impeachment, os indicadores de confiança subiram por esperança. Agora, isso acontece por um movimento mais consistente”, argumenta. “A minha avaliação é que esse processo de confiança vai se consolidar nos próximos meses, mas ainda em 2017 não teremos toda a recuperação”. O que ela acredita é que a confiança deverá se juntar à percepção de como está o país – os dois sendo positivos.
Para Zeina, a inflação é como a febre. Quando surge de repente e parece passar rápido, não deve ser assustadora. Mas, vivemos uma inflação teimosa que ameaçava sair do controle. E ela é como a febre que não cede: o erro do governo foi ignorar essa tendência. “Com o time econômico avançando, a reação natural é a inflação cair”, diz, comentando sobre a situação atual.
Mas, considerando o passado, era evidente que a inflação não se acertaria sozinha. Como ela acredita, enquanto a capacidade do governo de pagar a divida ainda é posta em dúvida, empresas não acumulam grandes crenças, a economia não anda, a inflação não cai, o Banco Central (BC) perde o controle do processo – e essa esse o cenário antes do impeachment. “O mercado financeiro chegou a precificar desse cenário”, diz, o que incluía a previsão de cotação de dólar de R$ 6 para 2018. “É mérito do governo de hoje a redução da inflação”, afirma. “Ela não teria caído sozinha”, afirma.
Crise fiscal
No Recover Money de 2016, Zeina afirmou que a origem da crise é fiscal. E ela ainda sustenta essa ideia. “Começamos a ter resultados fiscais cada vez piores, o que foi feito é pior do que as ‘pedaladas’”, afirma. Os dados que mostram os resultados do governo caíram, não acompanhando a dívida do mesmo – que só aumentou. “Entender que a crise é fiscal é fundamental. Se as pessoas duvidam da capacidade do governo de honrar suas dívidas, não há a possibilidade de o país se estabilizar”, afirma.
Por isso, o mérito é do governo, que topou as reformas e chamou uma equipe econômica confiável – e não política. “Diagnóstico correto, time e capacidade de aprovação de reformas são a combinação para o sucesso da melhoria”, afirma.
Envelhecimento
Zeina afirma que é também um problema que a população esteja envelhecendo ao mesmo tempo em que gastamos muito com previdência – e é uma pena que a reforma não tenha dado certo na gestão FHC. “A expectativa de vida aumentou, enquanto as pessoas não têm a quantidade de filhos que tinham antes”, afirma. “As despesas previdenciárias foram 13% do PIB em 2016 e vai aumentar junto com o aumento da população idosa”.
Ainda somos um país jovem, no bônus demográfico, gastando o que países idosos gastam com previdência. Nesse sentido, ela afirma que, sem a reforma, viraremos um grande Rio de Janeiro: 50% da receita do Estado está comprometida com funcionários inativos. “Não se trata apenas de pagar contas, mas não deixar políticas públicas colapsarem”, argumenta.
Atitude
O fato é que o diagnóstico dessa situação foi feito e uma primeira medida foi tomada: a Regra do Teto – da famosa “PEC do Teto”. Isso vai obrigar entes públicos a mudar a forma como agem. “A Regra do Teto vai ajudar a garantir, sendo cumprida, que a dívida publica pare de subir e se estabilize”, explica. “Mas, sem a Reforma da Previdência, ela implodirá”.
Entre questões que ela destaca como ainda necessárias, está a necessidade de flexibilizar a possibilidade de demissão em cargos públicos. “Outra discussão que tende a crescer é a universidade publica gratuita, que é ocupada majoritariamente por pessoas ricas e deveria ser pagas por quem pode pagar”, aponta.
Atualidade
Hoje, Zeina destaca que a taxa neutra de juros – calculada a partir da subtração da inflação prevista da taxa Selic – está em queda. A expectativa dela é que o BC corte a Selic, chegando a um dígito nos próximos meses. “Acho que podemos nos surpreender com as arrumações da economia que estão acontecendo”, aponta.
Para ela, essa arrumação vai mudar o país, dando abertura para mais mudanças. “Precisamos cortar juros, aprovar a previdência – ou o país vai desandar”, argumenta.
Política monetária
Como afirma a economista-chefe, a política monetária ainda funciona. E por mais que a crise seja fiscal, a insegurança jurídica no empréstimo de crédito é um dos fatores que mais impactam. “Nossa recuperação de crédito é baixa. Com o custo que há no empréstimo de crédito, não vale a pena emprestar. E é natural que a busca por crédito caia no processo de crise, contudo, mas aqui é excepcional, porque os bancos puxam o freio no cenário de inadimplência”, afirma. Isso piora ainda mais a crise.
Também nesse cenário, aconteceu o aumento da confiança nesse sentido – mas ela ainda não é totalmente positiva. E ela ressalta: o fato de a Justiça ser sempre favorável ao devedor piora essa situação. “Destruímos o mercado de crédito bancário”, diz. E o pior disso tudo está relacionado a realidade de Pessoa Jurídica.
Cenário
O número de endividados ainda é alto. E os bancos públicos não poderão ajudar – isso pode levar a diminuição ainda maior da Selic. Outro ponto é o mercado de trabalho. “Se pudéssemos ter mais mudanças de salário ou de jornada, teríamos menos demissões”, diz. “A insegurança jurídica também afeta nesse ponto: o empresário contrata já sabendo que pode haver um problema jurídico no futuro”. A boa noticia no mercado de trabalho é a estabilização – reflexo do aumento de confiança.
A confiança do consumidor também está melhorando – o que caracteriza um consumidor menos pessimista, ajustando o orçamento. Nesse sentido, ela destaca que o maior problema não é a Pessoa Física, mas a Jurídica.
Contexto mundial
Considerando o cenário internacional, Zeina diz que, primeiro, precisamos dizer que é preciso ter sorte na vida – Lula teve muita, com o cenário que internacional em que viveu as gestões como presidente. “Dilma, não. Ela não tem sorte”, diz. “Temer, por sua vez, teve alguma – mas é bom que não tenha muita, porque se o Brasil ficar feliz demais não fará as Reformas”. Analisando a atualidade, ela ressalta que o ambiente internacional é propicio à economia.
Contudo, a produtividade do Brasil, quase sendo alcançada pela da China, preocupa. Assim como o bônus demográfico, já citado. “Estamos com a produtividade travada”, diz. “Somos improdutivos em tudo, menos na agropecuária”. Isso significa que o Custo Brasil afeta a todos. “Precisamos de políticas horizontais para melhorar o ambiente para todos, não só para alguns grupos”, conclui.
Fonte: Novarejo