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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 16 de outubro de 2018 às 13:07
Há muito os economistas especializados em desenvolvimento tentam descobrir por que algumas economias emergentes têm um desempenho melhor do que as outras a longo prazo. Examinamos a mesma questão em nossa última pesquisa e encontramos um elemento que não tem recebido a atenção de outros pesquisadores: a frequente e intensa dinâmica competitiva que pode ser encontrada nas economias emergentes mais bem-sucedidas – uma mentalidade competitiva que criou uma nova geração de empresas produtivas e calejadas que aspiram à liderança global.

Esse achado pode parecer contraintuitivo: não é verdade que muitas economias emergentes cuidam de seus campeões nacionais e os protegem da concorrência? A resposta mais curta que encontramos em nossa pesquisa seria “Não”. Na verdade, em certa medida, as melhores empresas desses mercados emergentes são mais competitivas do que as de economias avançadas como as dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Para nossa pesquisa, avaliamos 71 economias emergentes; identificamos 18 que conquistaram um crescimento rápido e consistente do PIB nos últimos 50 e 20 anos. Esse grupo inclui não apenas os suspeitos de sempre da Ásia — China, Coreia do Sul e Cingapura —, mas também países menos óbvios, como Etiópia e Vietnã.

Quando examinamos seu histórico mais de perto, descobrimos que esses 18 países “fora da curva” tinham duas vezes mais companhias com faturamento acima de US$ 500 milhões que outros na mesma faixa econômica. Uma quantidade maior de grandes empresas significa que os ganhos são distribuídos de maneira mais ampla do que aconteceria se fossem em menor número, mas indica também que a concorrência interna pode ser feroz. De fato, é muito mais difícil para esses sem-número de empresas em mercados emergentes bem-sucedidos chegar ao topo e ali permanecer. Mais da metade das que alcançaram o primeiro quintil em termos de lucratividade entre 2001 e 2003 foram derrubadas de seu posto dez anos depois, entre 2010 e 2015. Em comparação, 62% das empresas estabelecidas em economias ricas permaneceram no primeiro quintil na mesma década. Nos Estados Unidos, 68% permaneceram na mesma posição; no Reino Unido, o número chega a 76%.

Um levantamento que conduzimos com empresas em sete países também trouxe algumas surpresas. As empresas de mercados emergentes com melhor desempenho inovam de maneira mais agressiva do que suas rivais nas economias avançadas desenvolvidas: 56% de sua receita vem de novos produtos e serviços, contra 48% nos países ricos. Essas empresas também investem quase duas vezes mais do que as de economias desenvolvidas, se medirmos a proporção entre gasto de capital e depreciação. E são mais ágeis: em média, tomam decisões importantes de investimento seis a oito vezes mais rápido ou em 30-40% menos tempo.

Além disso, no que se refere àquela métrica tão prezada pelos analistas e investidores da bolsa de valores, ou seja, rendimentos totais para acionistas, essas empresas também se superaram. Entre 2014 e 2016, o primeiro quartil de empresas nas economias de melhor desempenho geraram rendimentos totais para acionistas de 23%, em média, contra 15% das empresas do primeiro quartil em países com renda alta.

A supremacia de empresas de mercados emergentes é evidente em rankings como o Fortune Global 500; desde 2000, mais de 160 dessas empresas entraram na lista. Além de serem responsáveis por quase 25% do faturamento e do lucro líquido global, empresas de mercados emergentes contribuíram desproporcionalmente com 40% do crescimento da receita e do lucro líquido de todas grandes companhias de capital aberto entre 2005 e 2016.

Há algumas lições evidentes aqui para todas as economias, e não apenas para as emergentes. Permitir e até mesmo incentivar a concorrência interna traz resultados não apenas para as empresas sobreviventes, mas também para a economia como um todo. As corporações de sucesso nas economias emergentes de melhor desempenho atuam como catalisadoras da mudança, por meio de investimentos e capacitação de seus fornecedores. Muitos destes são pequenas e médias empresas que tendem a ser menos produtivas do que as de maior porte, mas mesmo assim são essenciais à geração de empregos. Ao trazê-las para dentro dos seus ecossistemas, as empresas competitivas maiores ajudam a estabelecer as melhores práticas de operação e de gestão, e podem acelerar e incentivar a adoção de tecnologia.

Ao mesmo tempo em que nossa pesquisa descobriu que o nível de inovação das empresas é alto, também percebemos que as políticas públicas desempenham um papel importante. Em economias emergentes que se destacam, os tomadores de decisão trabalham em conjunto com o setor privado para definir uma agenda de desenvolvimento, e também racionalizam regulações e barreiras para o crescimento. Sim, alguns governos dão suporte para novas empresas, inclusive financeiro, com o objetivo de ajudá-las a crescer. Isso ocorreu em países como Coreia do Sul e Cingapura. No entanto, o máximo de êxito obtido foi nos lugares onde o suporte era focado e com prazos determinados. O objetivo maior é tornar as empresas, e a economia como um todo, mais competitivas.

Podemos observar isso com facilidade quando observamos o histórico de produtividade desses países. Separamos em 35 setores, incluindo 15 de manufatura e 20 de serviço, o crescimento total da produtividade na economia entre 1965 e 2012. Para a maioria dos países com ótimo desempenho, observamos que o crescimento de longo prazo era predominantemente gerado pelo aumento da produtividade em setores específicos, e não em um mix de setores. Em outras palavras, o sucesso depende menos de encontrar a combinação certa de setores, e mais de identificar fontes de vantagens competitivas — e estimular, de maneira contínua, melhoras na produtividade desses setores.

A descoberta é mais um sinal de que a dinâmica da concorrência é essencial para as empresas — e de que os países que alcançam essa dinâmica prosperam.

Fonte: HBRB 
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 16 de outubro de 2018 às 13:02
Há um tempo a China deixou de ser sinônimo de baixa qualidade. O movimento de globalização dos últimos anos – e o forte investimento em P&D – têm feito dela uma potência empreendedora. Em uma escala comparável ao tamanho do país.

Repare bem. Hoje, todo mundo está usando, vestindo ou tocando em alguma coisa que veio da China. As roupas, a bolsa e o guarda-chuva são exemplos que vão perdendo força perto dos notebooks, celulares e produtos de alta tecnologia que ganham o selo “made in China”. Na minha busca como empreendedor por inovação, uma coisa ficou clara: ninguém vai entender o mundo hoje se não entender a China.

O problema é que nós, no mundo ocidental, não fomos preparados para entender o Oriente. Tudo o que estudamos da história humana aconteceu da metade do mapa-múndi para cá. É como se enxergássemos o mundo cegos do olho direito. Queremos ganhar mercado e conhecer os benchmarks na América Latina, Europa e América do Norte. Mas não nos arriscamos a entender mais profundamente a outra metade do planeta.

Foi por isso que aceitei o convite da Endeavor para participar de uma Missão de Empreendedores para a China: 5 dias intensos de mentorias e visitas às maiores empresas do país, acompanhado de outros 16 empreendedores da nossa rede.

Volto dessa viagem com a visão ampliada, compreendendo um pouco mais o jeito de pensar do país que se considera o Império do Meio e nos coloca, em seu mapa-múndi, lá no canto do planeta.

Compartilho com você minhas descobertas da viagem — e o que trago na bagagem depois de voltar do outro lado do mundo.

O Império do Meio

Na missão da Endeavor, visitamos Beijing (antigamente chamada de Pequim), que concentra o poder político e muito da força econômica do país; depois fomos para Shenzhen, cidade que tinha 100 mil habitantes há 30 anos e hoje é do tamanho de São Paulo. E, por fim, conhecemos Hong Kong, que viveu sob domínio inglês até 1997. Dali, meus sócios e eu também visitamos Xangai e Hangzhou, cidade que concentra algumas das maiores empresas de tecnologia da China, como o Alibaba.

Em paralelo à viagem, decidi estudar a história chinesa, para entender com mais profundidade tudo o que fôssemos encontrar por lá. Descobri, por exemplo, que a China foi a maior economia do mundo em 18 dos últimos 20 séculos. Em 1400, só para você ter uma ideia, eles representavam 30% da economia mundial. Um terço do mundo!

Apesar disso, eles nunca exploraram o que estava além de suas fronteiras. Diferente dos europeus, não se dedicaram a grandes navegações para expandir o comércio e o domínio territorial. Preferiram investir na defesa contra inimigos, criando construções protecionistas gigantescas como a Muralha da China.

Por essa razão, nós não conhecemos muito sobre eles.

Além disso, nos últimos 200 anos, alguns acontecimentos históricos como a Guerra do Ópio no século XVIII, a ascensão do Imperialismo do governo britânico e a explosão populacional fragilizaram a economia chinesa

Essa história começou a mudar a partir de 1976 com o presidente Deng Xiaoping instaurando um regime capitalista de estado autoritário. Com ele, veio também um período de abertura econômica, urbanização, reorganização geográfica e entrada de capital estrangeiro que alimentou o plano de desenvolvimento das cidades litorâneas do país, hoje grandes potências.

Com tudo isso acontecendo nos últimos 40 anos, hoje, 55% da população chinesa mora na cidade. Em um país com cerca de 1 bilhão e 400 milhões de pessoas, essa nova organização social tem um impacto enorme na economia. É preciso construir escolas, creches, hospitais, ruas, garantir transporte público, alimento…Dessa necessidade, veio o grande boom da economia, protagonizado pela construção civil.

Esse crescimento oferece ao país uma vantagem competitiva única de escala de produção. Por essa razão, o mundo começou a ir até a China, mesmo que ela nunca tenha ido para o mundo. Nós vamos atrás dos produtos que eles são capazes de fabricar!

Quando Steve Jobs recorreu à China para lançar o iPhone

Poucas semanas antes do primeiro iPhone ser lançado, em 2007, Jobs levou para a equipe um problema que poderia comprometer o plano: o protótipo da tela que ele usava estava todo riscado. Até então, as telas de celular eram de plástico. Não havia tecnologia para produzir telas de vidro touchscreen com a precisão exigida pela Apple.  De tanto usar ou deixar no bolso, em contato com carteira, moeda ou chaves, a tela de plástico acabaria riscando em poucos meses. Seria preciso criar e produzir uma versão de tela em vidro.

Uma equipe de diretores da Apple viajou, então, para Shenzhem em busca de uma fábrica que produzisse as novas telas em velocidade recorde, a tempo do lançamento. Em 5 dias, eles fizeram a cotação. Em 10 dias montaram a fábrica, antes mesmo de assinar o contrato. Segundo esse artigo do New York Times, o gestor da operação reuniu cerca de 8 mil operários que estavam em seus dormitórios, dentro do complexo fabril.

“Cada empregado recebeu um biscoito e uma xícara de chá, foi conduzido à estação de trabalho e, em menos de 30 minutos, eles começaram um turno de 12 horas, encaixando as telas de vidro no aparelho. Em 96 horas, a planta já produzia a um ritmo de 10 mil iPhones por dia.”

Em comparação, esse mesmo projeto levaria 9 meses para se realizar nos Estados Unidos, por conta do volume de pessoas mobilizadas e da logística necessária.

É uma eficiência incomparável!

De produtos Xing Ling aos produtos High Tech

Há 20 anos, a pauta de exportação da China era essencialmente roupas, brinquedos, isqueiros, guarda-chuvas…Produtos sem valor agregado. A escala de produção e o custo barato da mão-de-obra eram os principais fatores de competitividade.

Hoje, 90% dos computadores, 75% dos celulares e 80% dos painéis solares do mundo são produzidos por lá! Essa nova face da indústria chinesa é resultado de um investimento pesado em Pesquisa & Desenvolvimento. Uma das empresas que conhecemos, por exemplo, foi a Huawei Technologies, fabricante de equipamentos de telecomunicações, celulares, tablets e notebooks. Dos US$100 bilhões que eles faturam anualmente, 20% é direcionado a P&D. E do total de 200 mil funcionários, 80 mil trabalham diretamente com inovação e criação de produtos.

Podemos enxergar essa mudança estratégica do país na lista das maiores empresas de tecnologia do mundo. Há 5 anos, apenas 2 das 20 companhias eram chinesas. Hoje, são 9. Até 202, a expectativa é chegar em 13.


Gigantes chinesas

Você já deve ter ouvido falar que empresas como o Google e o Facebook não operam na China, por se recusarem a disponibilizar os dados de seus usuários ao governo chinês. O resultado dessa proibição é o surgimento de três gigantes, nativas: a Tencent, criadora do WeChat, o Baidu, uma espécie de Google chinês e o Alibaba, segundo maior e-commerce do mundo.

Qualquer empresa que seja relevante no mercado chinês é, por consequência, relevante no mundo porque tem à sua disposição um mercado com quase 1 bilhão e meio de pessoas

Das visitas que fizemos, o que me chamou a atenção é o movimento “Go Global” das empresas chinesas. Se, por muitos anos eles produziam tecnologia, peças e equipamentos para outras marcas globais, agora se dedicam a construir sua própria marca, com a mesma escala de produção incomparável, mas a um preço ainda menor.

Essa tendência de globalização, financiada por um amplo apoio do governo e somada ao investimento massivo em P&D fazem da China a potência econômica que cresce a taxas meteóricas todo ano – e planeja crescer 6,5% em 2018. Mais do que isso: coloca também o país na corrida pela liderança em Inteligência Artificial.

Pelo menos é o que o governo chinês pretende fazer, dando apenas 3 passos.

Os três passos da China

Até 2025, a China pretende liderar o mercado de Inteligência Artificial, em todas as dimensões. O plano envolve iniciativas como a criação de um parque de desenvolvimento em Beijing, publicação de patentes e pesquisas que já superam o volume produzido pelos EUA e a formação massiva de professores e profissionais de AI.

Na prática, o plano é dividido em três marcos:

2020: Encostar nos líderes mundiais em reconhecimento de voz, deep learning, machine learning e interação homem-máquina;

2025: Liderar alguns segmentos específicos;

2030: Ser o líder absoluto em AI e o país que define as tendências no mundo.

Volto da China com uma nova dimensão do que é crescimento. Ela é, de fato, um mundo à parte. Possui empresas com 220 mil funcionários, fábricas inteiras geridas por robôs sem um ser humano nem para monitorar…E, mais do que isso, tem consciência do próprio tamanho, o que faz tudo por lá ser “o maior e o melhor do mundo”.

Essa é a China que conheci. E que me faz agora, não só enxergar o mapa-múndi por inteiro, mas também manter os olhos bem abertos para tudo o que vem de lá porque – é quase certo! – nosso futuro será chinês.

Fonte: Endeavor