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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 10 de abril de 2018 às 20:42
Já se sabe que não é mais possível encarar o mundo atual, em constante revolução, sem uma boa dose de abertura à mudança. Mas como realmente efetivar a abertura? É o que Kate Sweetman, consultora e autora do livro Reinvention: accelerating results in the age of disruption, aborda em um texto para a Rotman Management Magazine, apresentando sua “fórmula da reinvenção”. Para ela, a capacidade de reinvenção é atualmente a habilidade mais importante que existe, não só para as organizações, mas para todos os indivíduos.

Na visão de Sweetman, existir na era atual significa que a mudança pode vir de qualquer lugar – e, em geral, é movida pela tecnologia e exige um novo modelo de negócio. “A boa notícia é que, como a mudança pode vir de qualquer lugar, também pode vir de você – de seus colegas, de sua organização, de sua rede”, afirma a especialista.

A velocidade, acredita, tende a aumentar cada vez mais – a ponto de se prever uma versão da Lei de Moore aplicada à velocidade de mudança no ambiente de negócios global. “Para quem não sabe, Gordon Moore foi um dos fundadores da Intel. Em 1965, ele predisse que conforme as coisas avançassem, o número de transístores por polegada quadrada em um circuito integrado – por exemplo, um microchip – dobraria a cada ano. Como se sabe, sua predição se confirmou. Esse fato, e a tecnologia por trás dele, são o que está orientando boa parte da atividade disruptiva que vemos hoje. E a mudança organizacional em si vai precisar ter essa mesma velocidade da tecnologia.”

Essa mudança acontece, segundo a especialista, em três graus – e todos podem segui-los para melhorar seu desempenho. O primeiro é melhoria contínua: consistentemente aprimorar suas habilidades para obter resultados. O segundo é a renovação – atualizar-se a fim de dar um salto significativo de desempenho. E o terceiro, e mais poderoso, é a reinvenção, que envolve repensar totalmente o modelo de negócio e a capacidade de enfrentar a concorrência e produzir.

“Em um nível individual, reinvenção envolve mudanças centrais em nosso modelo mental, nosso conjunto de habilidades e de comportamentos – o que coletivamente leva a uma nova ‘marca pessoal’. Poderia até significar repensar o caminho de sua carreira e ocupação. Para organizações, a reinvenção vem com uma forte necessidade de repensar o negócio todo: hoje, tudo, de estratégia e processos a pessoas, cultura, portfólio de produto e imagem de marca, está em questão. Organizações, é claro, não conseguem mudar a menos que as pessoas mudem; e as pessoas não conseguem mudar a menos que as organizações mudem”, pondera.

Aí é que entra a fórmula da reinvenção, que ela desenvolveu com seu coautor Shane Cragun e com colaboradores como David Ulrich e W. Norman Smallwood. A fórmula consiste de um algoritmo com seis elementos:

* Insatisfação (I):As coisas só começam a acontecer depois que se sente uma necessidade interna poderosa para a mudança.

* Foco (F):A partir da necessidade, é preciso certificar-se de que há um futuro desejado que seja suficientemente convincente e articulado para gerar um movimento para a frente.

* Alinhamento (A):Significa garantir que a infraestrutura apropriada está instalada – processos, ferramentas, estrutura, finanças, sistemas – para permitir a execução do foco sem falhas.

* Execução (E):Significa garantir um plano de jogo abrangente, com marcos claros bem estabelecidos.

* Liderança (L): A mudança exige que uma liderança de exceção esteja estabelecida.

* custo (C): Os cinco elementos anteriores precisam sobrepujar o custo real da mudança, ou seja, o custo do esforço de reinvenção.

O algoritmo pode ser escrito assim:

Reinvenção = (I x F x A x E) L > C

“Descobrimos que os mais bem-sucedidos agentes de mudança usam uma combinação de arte com ciência para fazer aflorar a transformação. A fórmula da reinvenção é a parte ‘ciência’ da equação, e os aspectos de habilidade e comportamentais de quem promove a reinvenção são a porção ‘arte’”, explica Sweetman.

Entre os setores de atividade que mais precisam se reinventar, citados em seu livro, a indústria alimentícia é uma das que está em um ponto de virada crítico. Sweetman afirma que cada vez mais consumidores buscam escolhas naturais, orgânicas, e isso está tirando as empresas de alimentos industrializados uma fatia de mercado importante. “As 25 maiores empresas de alimentos e bebidas dos EUA perderam mais de US$ 18 bilhões em valor desde 2009. A questão é: os líderes do setor podem reinventá-lo rápido o suficiente para reverter a situação?”

Para demonstrar a importância da reinvenção, a especialista faz, por fim, uma analogia com icebergs derretendo, que, a cada ano, tornam-se menos relevantes. “Nós nos referimos a isso como ‘índice de derretimento’. Ou seja, se você é o líder de uma empresa, é importante se fazer quatro perguntas regularmente [veja o quadro acima]. Saber responder a elas pode ser a diferença entre vida e morte de uma organização.

Fonte: Revista HSM