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Estratégia & Marketing Postado em quarta-feira, 05 de dezembro de 2018 às 13:34
Impactar o consumidor onde ele estiver é fundamental, mas nada adiantará se o conteúdo não for bom o bastante para atrair olhares, gerar risadas e até dar bons sustos.

Não é difícil entender porque a mídia Out of Home (OOH) precisa ser altamente impactante. Basta você pensar na quantidade de estímulos que recebemos quando saímos na rua: atravessamos vias, observamos os semáforos, checamos a hora no relógio, cumprimentamos um conhecido, namoramos uma peça na vitrine da loja. E, antes mesmo de nos darmos conta, já fizemos o caminho até o nosso destino sem perceber muitos detalhes por onde passamos.

No meio do caminho ficou a mídia OOH, seja no ponto do ônibus, no outdoor ou nos relógios da cidade. Aquela mídia cheia de boas intenções — e que custou um bom investimento — ficou sem ser notada porque não chamou a atenção do transeunte apressado e concentrado em sua rotina. A verdade é que não basta estar no meio do trajeto do consumidor em potencial. Às vezes não basta nem estar um palmo à frente do nariz dele.

Para despertar a atenção das pessoas, a mídia OOH precisa ser tão criativa e atrativa quanto bem localizada.

Está achando tarefa difícil despertar a atenção do consumidor distraído? Então confira abaixo uma seleção de 10 ações de mídia OOH que não passaram em branco e fizeram o consumidor parar para observá-las por causa de seu grande impacto.

1 – Colégio cria videogame em ponto de ônibus

Se a atual geração de estudantes não tira os olhos dos celulares para enxergar uma ação publicitária que está bem ao lado deles, o jeito é levar um pouco do que eles consomem no celular para o painel do ponto de ônibus. Sim, estamos falando de games! O Colégio pH, localizado no Rio de Janeiro, desenvolveu um jogo para os estudantes testarem seus conhecimentos para o vestibular. O game podia ser acessado no painel de um abrigo de ônibus que ficava próximo a uma unidade do colégio. A ação visava promover o cursinho preparatório para o vestibular oferecido pelo colégio.



2 – Netflix aproveita clima de aeroporto e anuncia série em bandejas do raio-x

Existe um lugar mais improvável para ser impactado por uma mídia OOH do que a fila para o raio-x em um aeroporto? E justamente por ser tão improvável é que se torna tão inesquecível. A Netflix escolheu esse ambiente para promover a segunda temporada da série Narcos, cuja trama se desenvolve em torno do tráfico de drogas e do cartel de Medellín, liderado por Pablo Escobar. Como a série tem um clima de fuga, a inserção de um anúncio em pleno aeroporto foi bastante adequada. A propaganda apareceu dentro das bandejas do raio-x em grandes aeroportos. O anúncio trazia as imagens dos pertences de Pablo Escobar, como se ele tivesse colocado ali para passar pela máquina de raio-x.



3 – Boticário homenageia mães com ação emocionante em elevadores

Os elevadores de diversos edifícios residenciais em São Paulo foram a plataforma escolhida pela Boticário para explorar sua mídia OOH. A empresa promoveu sua marca por meio de uma campanha para presentear as mães com mensagens enviadas por seus filhos. A ação, que era em comemoração do Dia das Mães, funcionava assim: o filho que desejasse enviar uma mensagem para sua mãe devia entrar no site indicado pela Boticário, se cadastrar e enviar a mensagem e uma foto de sua mãe. A homenagem era, então, direcionada para o endereço do condomínio cadastrado e aparecia no display fixado dentro dos elevadores. Não precisa nem dizer o quanto essa mídia foi inesquecível, principalmente para as mamães, que ficaram emocionadas com a homenagem.



4 – Um balão, um bueiro e uma mídia de impacto do filme “It – A Coisa”

Esse case é a prova de que não é necessário gastar rios de dinheiro para fazer uma ação de mídia OOH realmente impactante. A equipe de publicidade do filme “It – A Coisa” mostrou que uma referência bem posicionada no cenário do dia a dia das pessoas pode levar o recado da marca e ainda produzir mídia espontânea. A grande estratégia foi utilizar dois ícones do filme: o balão vermelho e o bueiro. A poucos dias da estreia internacional do filme no cinema, a equipe amarrou balões vermelhos em bueiros de Sydney, na Austrália.

A intervenção ainda era acompanhada pela frase pintada no chão: “It (A Coisa) está mais perto do que você pensa” e a data do lançamento do filme. Quem conhece a trama do longa com certeza se arrepiou ao passar perto desses bueiros e, claro, fez fotos para as redes sociais.



5 – Comediante conversa com público em painel de ponto de ônibus

A Sony levou muito a sério o conceito de interação com os consumidores na hora de divulgar o reality show “Entubados”, em São Paulo. A empresa utilizou um painel de ponto de ônibus, na avenida Paulista, para reproduzir a imagem ao vivo do comediante Danilo Gentili, que era o apresentador do programa. Por meio de câmeras em um estúdio, o comediante via as pessoas que chegavam no ponto, e de frente para uma filmadora que reproduzia sua imagem para o display do painel, ele conversava com o público.

6 – Spotify explora humor em outdoors e ganha atenção do público

Uma campanha divertida do Spotify chamou a atenção de quem passava pelas ruas de algumas grandes cidades de 14 países. A empresa usou outdoors simples e painéis luminosos para contar à população sobre os hábitos musicais inusitados de seus assinantes, durante o ano de 2016. As “confissões” do Spotify trouxeram casos engraçados, como o do usuário que ouviu a música “Sorry”, de Justin Bieber, 42 vezes no Dia dos Namorados. No Brasil uma das frases exibidas nos outdoors foi: “Para as 1,078 pessoas que ouviram a playlist Partiu Praia no dia mais frio do ano: vocês são loucos!”. O humor é uma estratégia antiga, mas infalível para a publicidade e as mídias de OOH podem e devem abusar dela.



7- Walkers constrói uma máquina de vendas acionadas por tweet

A estratégia da amostra grátis é uma antiga aliada de qualquer marca que deseja tornar seu produto conhecido e que queira mimar o consumidor com um presentinho. Nesse case de mídia OOH essa estratégia ganha dimensões muito mais impressionantes: a Walkers transforma um painel de ponto de ônibus em uma máquina de “venda” de batatas, que é aciona por tweets. A ação fez parte da campanha “faça-nos um sabor”, em Londres, e distribuía gratuitamente pacotes de batatas para aqueles usuários que enviasse um tweet para @Walkers_busstop. A propaganda chamou atenção tanto pela tecnologia de acionar a máquina via twitter, quanto pela imagem do ex-jogador de futebol, Gary Lineker, que era transmitida no display, dando a impressão de que ele estava mesmo ali, jogando as batatas para os usuários.

8 – Painel do McDonald’s muda mensagem de acordo com o trânsito

Painel luminoso e dinâmico já não é mais novidade, certo? Mas e se ele mudar a mensagem de acordo com a situação do trânsito? Foi o que o McDonald’s fez no Reino Unido: instalou em ruas movimentadas painéis que exibem uma propaganda comum se o trânsito estiver tranquilo. Mas, se o dia for de engarrafamento, eles exibem uma mensagem de encorajamentos aos motoristas, dizendo que há uma luz no fim do túnel: uma unidade do fast food. A ideia é que, em algum momento, o motorista parado no trânsito lerá a mensagem, se divertirá com a proposta e, por que não, aceitará o conselho de se dirigir até a luz no fim do túnel.

9 – Painel com realidade aumentada promove Pepsi e alguns bons sustos

Se imagine tranquilamente esperando pelo ônibus quando, de repente, um meteoro vem em sua direção. E se fosse um leopardo ou um ataque alienígena? Foi exatamente isso que a Pepsi fez na New Oxford Street, em Londres, por meio de um anúncio extraordinário, utilizando realidade aumentada em um painel de ponto de ônibus. O display fica transparente por um momento, revelando o que há por trás dele na rua. De repente, a tela exibe imagens que se sobrepõem à imagem da rua, como a do meteoro e a do leopardo, dando a impressão que eles estão bem ali ao lado mesmo.

10 – Mídia física ou digital? A Clear Channel optou pelos dois ao mesmo tempo

Já reparou que muitos dos players de tecnologia optam por alguns dos formatos de mídia mais tradicionais? O Spotify, o Facebook, a Apple, o eBay e o Google têm campanhas baseadas em anúncios de mídia Out of Home espalhados pela cidade. Na prática, OOH é “mensagem certa, lugar certo, hora certa” e a Musicbed deu um passo além da maioria: um anúncio colado no outdoor, com uma mensagem para uma pessoa, em um local… do outro lado da rua, em frente ao seu escritório. Essa pessoa, um publicitário bastante influente, notou a mensagem, assim como todo mundo no seu prédio, que logo foi parar nas mídias sociais.

O argumento final da Musicbed era, quase ironicamente, reforçar o poder da publicidade. Sua plataforma de música valoriza os anúncios de publicidade personalizados e, por isso, queria chamar a atenção de publicitários, para enfim, alcançar os anunciantes.

Fonte: Endeavor
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 27 de novembro de 2018 às 14:49
Há muito tenho andado obcecado e otimista quanto à promessa e ao potencial da inteligência artificial (IA) para mudar — bem, quase tudo. No ano passado, fiquei impressionado com a rapidez com que a aprendizagem automática estava se desenvolvendo e senti-me preocupado que tanto a Nokia quanto eu estivéssemos um pouco lentos em sua implementação. O que eu poderia fazer para me educar e ajudar a empresa?

Como presidente da Nokia, tive a sorte de ter acesso a vários dos principais pesquisadores de Inteligência Artificial (IA) do mundo. No entanto, só entendi partes do que eles disseram e fiquei frustrado quando alguns de meus parceiros de discussão pareciam mais interessados em mostrar seu conhecimento avançado sobre o assunto do que em realmente querer que eu entendesse “como de fato isso funciona.”

Passei algum tempo reclamando. Então percebi que, como CEO e Presidente de longa data, eu caíra na armadilha de ser definido por meu papel: havia me acostumado a ter as respostas prontas. Em vez de tentar descobrir o básico de uma tecnologia aparentemente complexa, tinha me habituado a ter outra pessoa fazendo o trabalho pesado.

Por que não estudar aprendizagem automática e depois explicar o que eu havia aprendido para os outros que estavam às voltas as mesmas dúvidas? Isso poderia ajudá-los e, ao mesmo tempo, melhorar a imagem da aprendizagem automática na Nokia.

Voltando para a escola

Depois de uma rápida busca na internet, encontrei os cursos de Andrew Ng no Coursera, uma plataforma de aprendizagem on-line. Andrew se revelou um excelente professor que genuinamente quer que as pessoas aprendam. Eu me diverti muito ao me familiarizar de novo com programação, depois de um intervalo de quase 20 anos.

Uma vez que terminei o primeiro curso de aprendizagem automática, continuei com dois cursos de acompanhamento especializado em Aprendizagem Profunda e outro curso focando em Redes Neurais Convolucionais, que são mais comumente aplicados à análise de imagens digitais. À medida que me familiarizei mais com o assunto, passei algum tempo lendo pesquisas e artigos sobre a arquitetura da aprendizagem automática e algoritmos, que não foram ensinados nos cursos de Andrew. Depois de três meses e seis cursos, aprendi tanto algoritmos simples como muitas das arquiteturas mais complexas, fazendo um projeto com cada um deles para obter uma compreensão prática.

Assim, parti para a parte mais difícil: como explicar a essência da aprendizagem automática da maneira mais simples possível, mas sem simplificá-la demais. Criei a apresentação que gostaria que alguém tivesse feito para mim. (Ela está no YouTube, e, até agora, foi vista por quase 45 mil pessoas. Disponibilizei-a para, entre outros, todo o gabinete finlandês, muitos dos comissários da União Europeia, um grupo de embaixadores das Nações Unidas e 200 alunas adolescentes para despertar seu interesse por ciência. Muitas empresas tornaram obrigatório que seus gestores assistissem à minha introdução à aprendizagem automática.)

Milhares de funcionários da Nokia assistiram à minha apresentação e se inspiraram nela. Muitos de nosso pessoal de Pesquisa e Desenvolvimento me procuraram para confessar que estavam um pouco envergonhados pelo fato de seu presidente estar codificando sistemas de aprendizagem automática e de eles nem sequer haverem começado. Contudo, disseram-me que agora estavam dedicando seu tempo livre para estudar aprendizagem automática e trabalhar nos primeiros projetos da Nokia. Música para meus ouvidos.

Mas esse foi apenas o primeiro passo.

Os cinco passos para a competência em IA

Eu queria criar uma forma de promover uma maior compreensão da aprendizagem automática — não apenas para engenheiros, mas para todos na Nokia. Para tanto, a parte mais valiosa da minha experiência foi criar um modelo para “Os cinco passos para a competência em IA.” Espero que líderes de todos os setores industriais possam aprender com esses cinco passos enquanto buscam ideias sobre como usar a aprendizagem automática em seu trabalho:

Faça todo mundo aprender o ABC da IA.  Planejamos nos familiarizar com os fundamentos da aprendizagem automática como um processo obrigatório, assim como conhecer o código de conduta da empresa. Criaremos um teste on-line. Todos os funcionários deverão adquirir um pouco de conhecimento sobre aprendizagem automática.

A questão não é apenas que cada um descubra que pode entender de aprendizagem automática. Há um significado mais profundo: que a aprendizagem é algo que precisamos fazer ao longo de nossa vida e que podemos entender alguns assuntos bem complicados, mesmo que no começo não acreditemos nisso. Se conseguirmos surpreender o pessoal que trabalha para nós com sua capacidade de aprender coisas novas, isso pode ser muito positivo — para eles e para a empresa.

Crie um grupo competente de especialistas. Quando um líder de negócios ou alguém, aliás, tem uma ideia — “Ei, poderíamos economizar rios de dinheiro se fizéssemos isso” ou “Poderíamos tornar esse produto mais competitivo se conseguíssemos ensinar um sistema de aprendizagem automática para ajudar” — teremos um grupo de especialistas para avaliar a ideia e decidir, “Sim, podemos fazer isso” ou “Vamos tentar e ver no que dá” ou “Sem chance.” Esse grupo poderia ser um centro de competência interno ou até ser terceirizado para outra empresa de IA.

Esses cientistas de dados cairiam de paraquedas na equipe de Pesquisa e Desenvolvimento de uma unidade genérica de uma empresa para mostrar como fazer o que é necessário. Com cada projeto, eles deixarão pessoas preparadas que agora têm experiência prática e estão mais informadas sobre a aprendizagem automática. Eles transmitirão seu conhecimento e, ao mesmo tempo, quando retornarem ao centro de competência centralizado, poderão compartilhar sua experiência sobre o que funciona na prática.

Por falar nisso, é importante centralizar, pois no atual mercado de talentos, tão disputado, é muito mais fácil recrutar os mais talentosos em aprendizagem automática se eles souberem que irão trabalhar com colegas com talentos semelhantes.

Pareamento de sistemas robustos de TI e estratégia de dados. Precisamos construir sistemas de TI que possam combinar qualquer subconjunto de informações a que a empresa tenha acesso com qualquer outro subconjunto para reunir as informações exatas e necessárias para implementar um sistema de aprendizagem automática específico. (Isso pode se tornar complicado pela legislação de privacidade nos diferentes países.) Configurar um repositório de dados é um trabalho puramente de TI. A estratégia da metade da equação envolve antecipar e prever nossas necessidades futuras de dados. Em três ou cinco anos, haverá aspectos da nossa empresa em que nossa competitividade será amplamente definida pelos sistemas de aprendizagem automática que implementaremos. Precisamos olhar para a frente para entender e adquirir os dados de que necessitamos no momento a fim de preparar os sistemas que serão cruciais para nossa competitividade.

Implemente a aprendizagem automática internamente. Há numerosos trabalhos que podem ser mais bem feitos e com mais rapidez se você aumentar o contingente de pessoas que realizam essas tarefas com a aprendizagem automática. Para isso, precisamos mudar o comportamento das pessoas para que enxerguem tudo o que as cerca como uma oportunidade de automatizar.

Integre a aprendizagem automática a produtos e serviços. Devemos analisar constantemente maneiras de aprimorar a aprendizagem automática para melhorar a competitividade com nossos clientes.

Como esses cinco passos são partes igualmente importantes para o futuro da IA, devem ser implementados simultaneamente. Enquanto começamos a ensinar os fundamentos da aprendizagem automática a nossos funcionários, podemos iniciar a construção da infraestrutura de TI, buscando talentos e, em parceria com nossas equipes de TI já existentes, trabalharmos para incluir as competências da aprendizagem automática em nossos produtos e serviços. Ao elevarmos o nível de todos os diferentes elementos de nossas habilidades de aprendizagem automática simultaneamente, cada elemento pode se conectar com cada parte que alcança e melhorá-la. Em vez de uma parte restringir as outras, todas avançam juntas, compartilhando lições, gerando novas ideias e ganhando força.

Costumo me descrever como empreendedor. Quando você tem uma mentalidade empreendedora tudo é de sua responsabilidade. Você realmente se importa e suas ações transmitem isso alto e bom som.

Eu poderia ter apenas apoiado o CEO da Nokia e a equipe de gestão ao falar sobre a necessidade de dar o pontapé inicial em uma rápida retomada da aprendizagem automática. Mas falar é fácil. Tomar atitude para que as pessoas possam ver e se motivar a copiá-la é melhor do que qualquer discurso intelectual de impacto. O fato de o presidente de uma empresa global ter voltado à escola e aprender uma parte crucial de tecnologia foi inovador o suficiente para chamar a atenção das pessoas e incentivá-las a agir por conta própria.

Fonte: HBRB