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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 09 de outubro de 2018 às 06:44
A tecnologia blockchain tem o potencial para fazer coisas incríveis. Ela pode fornecer um registro de monitoramento digital e imutável de transações; ser usada para validar a baixo custo a integridade dos dados; e ajudar empresas e pessoas físicas a concordarem, em nível mundial, com a real situação do mercado sem depender de um intermediário caro.

Isso é alcançado por meio de uma inteligente combinação de incentivos econômicos e criptografia, e garante que, a qualquer momento, registros digitais revelem o verdadeiro “consenso” entre as principais partes envolvidas. Quando se trata de compartilhar os registros e meios financeiros digitais, o blockchain pode substituir a necessidade de confiança entre as partes, ou a necessidade de uma autoridade central para validar e assegurar os registros de transações.

Contudo, ao avaliar os modelos de negócio do blockchain, é interessante entender o que a tecnologia não pode fazer.

Pense no problema de rastrear bebês dentro de uma ala hospitalar ou além dela. Isso é um problema seríssimo. As consequências de um bebê ser confundido com outro podem ser muito graves. Portanto, uma grande finalidade da tecnologia blockchain é a possibilidade de armazenar os registros com a localização atual de um bebê de forma que esses dados sejam imutáveis e validados.

Porém, há um grande problema ao utilizar o blockchain para resolver esse tipo de questão. Os registros digitais podem ser imutáveis e validados, mas como alguém sabe qual registro digital está ligado a qual bebê? Para vincular uma entrada no blockchain a um bebê de verdade, precisamos fornecer-lhe um identificador físico com uma etiqueta física ou, em um mundo mais futurista, um pequeno chip ou registro de genoma digital que ligue o bebê ao seu registro digital. E é nesse ponto que o blockchain falha. Ela não consegue ajudar nesse processo, e não consegue validar se o passo mais importante da verificação está acontecendo corretamente.

Na interface entre o mundo off-line e sua representação digital, a utilidade da tecnologia ainda depende fortemente de intermediários confiáveis para que a “última milha” seja de fato vencida entre um registo digital e uma pessoa física, empresa, dispositivo ou evento. Em nosso exemplo, a tecnologia teria que confiar nos seres humanos para fazer a correta e inequívoca correspondência entre o bebê e o registro digital. Se eles errarem ou manipularem os dados inseridos em um sistema em que se acredita que os registros são íntegros a posteriori, isso pode ter consequências muito graves.

Por um lado, se a relação entre uma pessoa e seu prontuário médico é estabelecida com sucesso e o problema da última milha é resolvido, então o blockchain pode não apenas ser usado para assegurar a integridade dos dados, mas também para dar controle às pessoas sobre como suas informações médicas são utilizadas (para uma pesquisa acadêmica, um aplicativo de atividades físicas ou o desenvolvimento de medicamentos, por exemplo).

Há outros exemplos semelhantes. Dentro do marketing, uma questão que muitas vezes surge é a de um teste de mercado pago por um anunciante que pode não combinar com o público alvo a que se destina. O anunciante pode pensar que está pagando para exibir um anúncio de uma Lamborghini para um homem de trinta anos, mas, na verdade, o anúncio pode ser exibido para um professor universitário que dirige uma minivan e que não pretende comprar outro carro para os filhos destruírem, mas que gosta de sonhar com um carro novo. Ou, até pior, o anúncio pode ser visto por um robô. A tecnologia blockchain pode rastrear qual identificador digital está associado aos espectadores de um anúncio, mas não consegue verificar se é de fato uma pessoa ou se é genuína a intenção de compra. Conferir quem realmente está por trás do identificador digital requer uma validação off-line. Conferir a seriedade de aparentes intenções de compra talvez esteja além de qualquer tecnologia que possuímos hoje.

Mas, pelo lado positivo, a tecnologia blockchain pode ser usada para mudar o relacionamento entre criadores de conteúdo digital, anunciantes e consumidores. Anunciantes podem recompensar os usuários por sua atenção, dando-lhes acesso a conteúdo online exclusivo pelo qual teriam que pagar. Criadores de conteúdo podem explorar novos modelos de monetização usando recursos do blockchain para realizar transações melhores a baixo custo. Embora os consumidores odeiem micropagamentos por causa da dor de cabeça que eles causam — micropagamentos são como um detestável “taxímetro” na cabeça do consumidor — isso poderia reformular como os paywalls e as assinaturas funcionam nos bastidores de diferentes domínios digitais. Além disso, se não estamos preocupados com a validação humana no teste de mercado, mas, em vez disso, queremos garantir o domínio dos registros digitais, como os dados de navegação, então o blockchain pode funcionar perfeitamente. Uma das questões que enfrentamos constantemente para definir os aspectos econômicos da vida privada é o problema de direitos de propriedade sobre os dados. E o blockchain está perfeitamente posicionada para defini-los.

À medida que o ecossistema em torno da tecnologia blockchain se desenvolve, surgem novos tipos de intermediários que transformam o problema da última milha, de manter os registros digitais em sincronia com seus equivalentes off-line, em oportunidades reais de negócio. Enquanto a tecnologia está em fase inicial, à medida que esses complementos principais são aperfeiçoados, o blockchain tem o potencial de reformular as bases do domínio dos dados digitais e das plataformas digitais que usamos diariamente.

Fonte: HBRB
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 09 de outubro de 2018 às 06:43
Um restaurante despretensioso chamado Chop House Burger em Dallas oferece milkshakes caseiros, batatas fritas com parmesão trufado e seis receitas inovadoras de hambúrgueres. Aberto há oito anos, o restaurante atua em um setor em que 80% dos novos concorrentes fecham as portas nos primeiros cinco anos. Em sua história de origem, há uma pista do motivo pelo qual alguns produtos (e negócios) têm sucesso enquanto a maioria não resiste e desaparece.

A hamburgueria surgiu a partir de uma sofisticada churrascaria, a The Dallas Chop House, que fica a duas quadras de distância. A Chop House era conhecida por seus cortes bovinos como o de filé de costela, filé mignon e raquete, maturados no local com sal marinho do Himalaia. Em um esforço para diversificar o menu, os proprietários passaram também a oferecer um hambúrguer gourmet, tornando-se um dos pratos mais populares do cardápio, apesar das outras refinadas opções de carnes. Decidiram, então, abrir um restaurante com esse tema.

A maioria de nós não atua no ramo de restaurantes, e nem todos temos uma empresa já estabelecida para testar ideias. No entanto, a identificação prévia da demanda é crucial, seja para a abertura de uma nova empresa ou simplesmente para o lançamento de um novo produto.

Em fevereiro, o banco de dados dos investidores de capital de risco da CB Insights foi analisado em detalhes para identificação dos fatores que contribuem para o fracasso de novos negócios. Após investigação feita em 101 startups malsucedidas, descobriu-se que a ausência de demanda para o produto ou serviço oferecido ocorreu em 42% dos casos. Os analistas descreveram a situação com a cruel expressão “desnecessário para o mercado”.

Esse único erro prejudicou muito mais as empresas do que notórios desafios encarados por startups como fluxo de caixa (29%), concorrência (19%) e inadequação do momento (13%), entre outros.

Os resultados das análises suscitam a questão: como empreendedores ou desenvolvedores de novos produtos podem testar suas ideias antes de investir o tempo e o capital necessários para que se concretizem? Como identificar ideias com potencial para o sucesso em vez de desperdiçar esforços naquelas fadadas ao fracasso?

Aqui estão três estratégias que valem ser consideradas:

Procure concorrentes que alcançaram o sucesso. Quando se trata de identificar demanda, os competidores bem-sucedidos são bons indicadores, e não uma ameaça como consideram muitos empreendedores. Ser pioneiro em um mercado pode ter suas vantagens, mas chegar depois garante perspectivas extras.

Se você lançasse hoje um software de edição de fotos, uma cerveja ou um serviço de locação de carros, poderia confiar que sua oferta seria entendida, e haveria certa demanda. Sim, ainda teria que atrair seu público-alvo. Além disso, teria que se diferenciar da concorrência. E, ainda assim, seu produto ou negócio poderia acabar fracassando por diversas razões. No entanto, você ao menos estaria em território previamente explorado.

Empresas do ramo de entrega de refeições como a Seamless e a Grubhub são ótimos exemplos de negócios consolidados a partir de demandas comprovadas por antecessoras. A Yelp comprou a Eat24 para alavancar a base de clientes. A Uber estendeu o modelo bem-sucedido do serviço de motoristas para a entrega de refeições e criou a UberEats, que atualmente supera o serviço de compartilhamento de carona em alguns mercados. E a plataforma de pagamento Square adquiriu a Caviar, possibilitando que proprietários de restaurantes aceitem cartão de crédito como forma de pagamento e façam entregas de maneira simplificada.

Perder a concorrência para empresas de sucesso é o receio mais comum de quem entra no território delas. O risco é real. No mercado de entrega de refeições, as empresas se diferenciaram buscando novas parcerias com restaurantes, expandindo para novas áreas e oferecendo precificação diversificada. Contudo, nem todos os setores apresentarão tais oportunidades.

Por fim, é importante considerar os números. No estudo da CB Insights, apenas 19% das startups fracassadas alegaram que foram engolidas pela concorrência, enquanto menos da metade justificou o fracasso pela falta de demanda.

Consulte os registros de buscas realizadas. As pessoas digitam no Google quando precisam encontrar um produto para solucionar um problema. Por meio da pesquisa de palavras-chave, os empreendedores conseguem identificar o que as pessoas têm pesquisado e, consequentemente, avaliar a demanda de um produto ou serviço.

De acordo com a ferramenta de pesquisa por palavras-chave Ahrefs, 27 mil pessoas procuram mensalmente por “alternativas ao Photoshop”; 4 mil buscam “cortador de grama automático”; e cem procuram por “serviço de contabilidade para caminhoneiros”.

Cada uma dessas expressões tem variações, aumentando o resultado de buscas feitas mensalmente. A demanda potencial também pode ser estimada por pesquisas mais amplas, desviando o foco de uma solução específica e demonstrando a existência de um problema que você poderá solucionar.

Considerando os exemplos acima, “como editar fotos”, “não tenho tempo para cortar o gramado” ou “guia de contabilidade para caminhoneiros” são buscas que valem a pena ser analisadas.

Não há um padrão definido quanto ao volume de buscas para que se confirme uma boa demanda. Será necessário interpretar os dados considerando as particularidades do setor e os objetivos do negócio. Entretanto, é um bom sinal confirmar que existe procura de um produto ou serviço como o seu. Caso decida colocar a ideia em prática, divulgações na Google AdWords ou SEO podem conectá-lo a essas mesmas pessoas.

Analise a promessa da sua marca. As pessoas não compram produtos e, sim, promessas. Em geral, elas não sabem realmente como é possuir determinado produto até que o comprem. Elas não gastam dinheiro por quaisquer benefícios concretos. Elas pagam pelas promessas contidas no anúncio e relatadas nos depoimentos.

Essa compreensão é fundamental para quem deseja testar um novo produto ou serviço, pois indica não ser necessário que o produto esteja finalizado para confirmação da demanda de uma ideia.

Você pode desenvolver um texto publicitário para uma oferta hipotética e testá-la realizando pesquisas ou entrevistas com clientes em potencial. É claro que o teste de demanda será mais preciso se os clientes tirarem a carteira do bolso. A modalidade de pré-venda tal como a oferecida pela Kickstarter é uma boa opção para isso.

Não há um sistema perfeito para garantir a existência da demanda por um produto ou serviço, mas isso não significa que você não deva fazer a devida diligência. Falências custam caro, podendo resultar em perda de capital, desperdício de tempo e perda de confiança. Alguns dos desafios revelados pelo estudo da CB Insights são difíceis de estimar — como o melhor momento para ingressar no mercado, a contratação das pessoas certas e as mudanças táticas necessárias após lançamento do negócio. Contudo, a demanda é um componente-chave que pode ser pré-validado, mesmo que parcialmente.

Uma previsão de demanda bem elaborada teria permitido que aqueles 42% de empresas do estudo da CB Insights colocassem em prática ideias mais sólidas, o que as deixaria mais bem preparadas para evitar o fracasso comercial e alcançar o sucesso mais rapidamente.

Afinal, quanto menos desvios fizermos, mais rapidamente atingiremos nossos objetivos.

Fonte: HBRB