Notícias


Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 22 de maio de 2018 às 06:54
Duas décadas antes de Daniel Goleman começar a escrever sobre inteligência emocional nas páginas da HBR, ele conheceu sua santidade, o 14º Dalai Lama, em Amherst College, que mencionou ao jovem jornalista da área de ciências do The New York Times estar interessado em se reunir com cientistas. Assim teve início uma longa e profícua amizade, uma vez que Goleman, ao longo dos anos, incumbiu-se de organizar uma série do que ele chama de “diálogos ampliados” entre o líder espiritual budista e pesquisadores de campos que vão de ecologia a neurociências. Durante os 30 anos subsequentes, conforme Goleman levava adiante seu trabalho como psicólogo e teórico de administração, ele passou a ver o Dalai Lama como um líder incrivelmente incomum. E por isso ficou compreensivelmente maravilhado quando, na ocasião em que seu amigo completava 80 anos, foi convidado a escrever um livro que mostrasse a abordagem compassiva do Dalai Lama em relação aos problemas mais espinhosos do mundo.

Lançado em junho de 2015, Uma força para o bem, que se vale da formação em ciência cognitiva de Goleman, bem como de sua longeva relação com o Dalai Lama, é tanto uma exploração da ciência e do poder da compaixão como uma convocação para ação. Interessada no livro e em como as ideias do Dalai Lama a respeito da compaixão influenciaram o pensamento de Goleman acerca de inteligência emocional, conversei, por telefone, com Goleman. A seguir, trechos editados de nossa conversa.

Vamos começar com algumas definições. O que é compaixão, conforme você a descreve? Parece bastante com empatia, um dos maiores componentes da inteligência emocional. Existe diferença?

Sim, uma diferença importante. Três tipos de empatia são importantes para a inteligência emocional: empatia cognitiva, a capacidade de entender o ponto de vista de outra pessoa; empatia emocional, o talento de sentir o que o outro está sentindo; e preocupação empática, a habilidade de perceber o que o próximo precisa de você. Cultivar todos os três tipos de empatia, que têm origem em partes distintas do cérebro, é importante para estabelecer relacionamentos sociais.  Mas compaixão leva a empatia mais além. Quando você sente compaixão, sente-se angustiado quando vê outra pessoa angustiada — e por isso quer ajudá-la.

Por que formular essa distinção?



De maneira simples, a compaixão diferencia compreender e se preocupar. É o tipo de amor que os pais nutrem por um filho. Cultivá-lo de maneira mais ampla significa estendê-lo para outras pessoas em nossas vidas e para aquelas que conhecermos.

Acredito que no ambiente de trabalho, essa atitude tem um efeito muito positivo, seja no modo como nos relacionamos com colegas, na maneira como nos portamos quando lideramos, ou ainda na forma como nos relacionamos com clientes e consumidores. Uma atitude positiva em relação a outra pessoa cria o tipo de ressonância que estabelece confiança e lealdade e faz com que as interações sejam harmoniosas. E o oposto disso — quando você não faz nada para demonstrar que se preocupa — cria angústia, desarmonia e causa um enorme problema em casa e nos negócios.

Quando você descreve dessa maneira fica difícil não concordar que se você tratar bem as pessoas, as coisas vão se desenrolar melhor do que se fizer o contrário; ou que se você se preocupar com elas, as pessoas também se preocuparão com você. Então, por que você acha que isso não acontece naturalmente? É uma coisa cultural? Ou uma confusão equivocada sobre quando é apropriado haver competição?


Acho que muito frequentemente há confusão no pensamento das pessoas de que se sou simpático com outra pessoa ou se me preocupo com o interesse dos outros, não estou pensando em mim. A patologia que isso causa é a seguinte: “bom, vou apenas me preocupar comigo e não com o outro”. E isso, claro, é o tipo de atitude que traz um grande número de problemas para o campo profissional e pessoal. Mas compaixão também inclui a própria pessoa. Se notarmos que ao nos protegermos e nos certificarmos de que estamos bem — e também ter certeza de que o outro está bem —, isso cria uma estrutura diferente para se trabalhar com outras pessoas e para cooperar com elas.

Você pode me dar um exemplo de como isso pode funcionar no mundo dos negócios?


Existe uma pesquisa realizada com os principais vendedores e gerentes de consumidores que descobriu que o ponto mais baixo de desempenho advinha do tipo de atitude “vou conseguir o melhor contrato possível agora e não interessa como isso afeta a outra pessoa”, o que significa que talvez você possa fazer a venda, mas perderá o relacionamento. Porém, no ponto mais alto, os principais funcionários eram tipificados pela atitude “trabalharei por meus clientes e também por mim; serei completamente honesto com eles e atuarei como seu conselheiro. Se o contrato conseguido não for o melhor que poderiam obter, vou avisá-los porque isso irá fortalecer o relacionamento, ainda que eu possa perder essa venda em particular”. E acho que isso captura a diferença entre a atitude do “eu primeiro” e do “vamos fazer com que todos saiam satisfeitos” que estou sugerindo.

Como cultivaremos compaixão se não a sentimos?



Neurocientistas têm estudado recentemente a compaixão, e lugares como Stanford, Yale, Berkeley e University of Wisconsin, Madison, entre outros, vêm testando metodologias para aumentar a compaixão. Atualmente existe uma certa tendência para incorporar mindfulness ao ambiente de trabalho, e verifica-se que há dados do Max Planck Institute que mostram que aumentar mindfulness provoca, de fato, um efeito na função cerebral, mas que os circuitos afetados não são aqueles ligados à preocupação ou à compaixão. Em outras palavras, não existe um estímulo automático de compaixão somente com mindfulness.

Ainda assim, nos métodos tradicionais de meditação nos quais mindfulness no ambiente de trabalho se baseia, ambos estavam sempre relacionados, para que se praticasse mindfulness em um contexto no qual também se cultiva compaixão.

Em Stanford, por exemplo, foi desenvolvido um programa que incorpora versões seculares de métodos que têm origem em práticas religiosas. Envolve uma meditação na qual se cultiva uma atitude de bondade afetuosa, ou de preocupação, ou de compaixão em relação às pessoas. Primeiro você faz isso por você; depois, para aqueles que ama; e então para os que você apenas conhece; e, por fim, para todos. E isso tem o efeito de municiar os circuitos responsáveis por compaixão no cérebro, fazendo com que esteja mais propenso a agir daquela forma quando surgir uma oportunidade.

Você afirmou que o Dalai Lama é um tipo de líder muito característico. Existe algo que nós, como líderes, podemos aprender com seu estilo único de liderança?



Ao observá-lo ao longo dos anos e depois trabalhando neste livro para o qual o entrevistei extensivamente, e, claro, estando imerso na literatura acerca de liderança, três coisas me impressionaram.

A primeira é que ele não está comprometido com nenhuma organização; ele não faz parte do mundo dos negócios, não é líder de partido, é um cidadão livre no mundo; e isso o deixou livre para lidar com os problemas mais complicados existentes no mundo. Acho que à medida que um líder está comprometido com uma empresa ou com um resultado em particular, isso cria um tipo de miopia do que é possível e do que é importante; o foco se restringe ao resultado do próximo trimestre ou à próxima eleição. Ele está muito além disso; pensa em gerações e no que é melhor para a humanidade como um todo. Por ter uma visão tão expansiva, pode comprometer-se com os maiores desafios, em vez daqueles pequenos, restritos e definidos.

Desse modo, acredito que existe uma lição aqui para todos nós, que é nos perguntarmos se há alguma coisa que limita nossa visão, que limita nossa capacidade de se preocupar? E há uma maneira de ampliar isso?

A segunda é que ele coleta informações de todos os lugares. Encontra-se com chefes de estado e com mendigos; pega informações de pessoas de todos os estratos da sociedade como um todo. Delinear uma rede tão ampla, permite que ele entenda situações de uma maneira muito profunda, e possa analisá-las de muitas formas distintas e chegar a soluções que não são limitadas por ninguém. E acho que essa é outra lição que todos os líderes podem aprender com ele.

E a terceira seria a extensão de sua compaixão, que eu acredito ser um ideal que podemos buscar: é ilimitada, ele parece se preocupar com todos e com o mundo de forma geral.

Você diz que o livro é uma convocação para ação. O que você espera que as pessoas façam depois de lê-lo?


O livro é uma convocação para ação, mas uma bastante razoável. O Dalai Lama é um grande crente na análise profunda dos problemas e em deixar que as soluções surjam dessas análises. E ele também é apaixonado por pessoas que estão agindo agora, não se sentido passivas, inúteis, sem ter aquela ideia de “qual o propósito? Não vou viver para colher os frutos”, mas, em vez disso, começam as mudanças agora, mesmo que elas só venham a ser colhidas pelas gerações futuras.

E minha esperança, como a dele, é ajudar as pessoas a entenderem o que podem fazer ao se depararem com problemas que são tão vastos — criar uma economia mais inclusiva; tornar o mundo mais significativo; fazer o bem e não somente o necessário; acabar com injustiças e iniquidades, corrupção e conluios na sociedade, seja nos negócios, na política ou na religião; ajudar a salvar o meio-ambiente; a esperança de que um dia os conflitos sejam resolvidos com diálogo e não guerras.

São questões muito importantes, mas todos podem fazer algo para levar as coisas para o caminho certo, ainda que seja somente acabar com uma cisão e se tornar amigo de alguém que pertence a outro grupo. Na verdade, isso tem um resultado final poderoso, que é o fato de que caso você tenha dois grupos em alguma parte do mundo que possuem grande inimizade um com o outro e mesmo assim algumas pessoas nesses grupos gostam umas das outras, isso é porque elas tiveram contato pessoal — possuem amigos naquele outro grupo. Por isso algo tão simples como se dirigir a alguém com quem se tem uma cisão é uma coisa profundamente poderosa.

Fonte: HBRB
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 22 de maio de 2018 às 06:49
As principais Megatendências apresentadas em 2017 estão se consolidando e refletindo no comportamento do consumidor e no mercado. Confira a seguir se o seu negócio se adaptou a nova realidade lendo as principais mudanças que estão ocorrendo.

1. A diversificação do status: o status está migrando do ter para o ser. Busque alternativas para que sua marca oriente ou desafie o consumidor a ser uma pessoa melhor, seja na área física, mental, cognitiva, social ou espiritual.

2. A era pós-demográfica: a crescente democratização dos meios de comunicação oportunizou uma diversidade de discursos sobre quem as pessoas podem ser. Pense em como o seu negócio pode valorizar a liberdade das pessoas, respeitando as escolhas de cada consumidor.

3. Prosumer: O consumidor está participando cada vez mais da concepção, produção e execução dos produtos e serviços. Envolva os clientes na criação de novos projetos e produtos, o resultado será mais genuíno e eles terão o maior orgulho de promover a sua marca por aí.

4. Eu sou único: as pessoas esperam ser tratadas como únicas e isto deve ser incorporado nos produtos e serviços oferecidos a elas. É preciso conhecer o consumidor e abrir espaço para que ele colabore com os seus produtos e serviços, para que ele se sinta especial em meio à massa.

5. Contexto local: a produção e consumo locais voltaram como uma alternativa econômica e ecologicamente mais atrativa. Repense a procedência dos seus produtos valorizando fornecedores locais e promova ações que demonstrem o quanto a sua marca se importa com a cidade e as pessoas que moram nela.

6. Playsumers: tornar os produtos e os processos mais fáceis e divertidos é uma demanda urgente para qualquer negócio. Mais do que vender, agregue momentos de entretenimento ao processo de compra.

7. Negócios do bem: como o seu negócio torna o mundo um lugar melhor? Pode-se pensar que é muito caro, mas o objetivo é oferecer soluções que se encaixam nos processos já existentes do negócio, como resultado você ganha a colaboração e admiração dos consumidores.

8. Conectando pessoas: seja um hub social, promova um nicho cultural e aproxime pessoas com interesses em comum. Aproveite o espaço físico e virtual do seu negócio para engajar as pessoas em um estilo de vida que a sua marca se identifica.

9. Tecnologia relevante: a relevância da tecnologia está intimamente relacionada à qualidade de vida que proporciona às pessoas. Tudo bem se você ainda não usa nenhuma tecnologia em seu negócio, mas quando for investir, tenha certeza que ela realmente vai impactar positivamente a vida das pessoas.

10.Informação conveniente: as marcas devem ser transparentes e entregar apenas informações que realmente interessam ao consumidor, especialmente em momento oportuno. Conteúdo virou um grande ativo. Por isso, ofereça aos seus clientes somente algo que realmente tenha impacto positivo em suas vidas.

Fonte: Couromoda