Notícias


Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 09 de abril de 2019 às 17:18
A questão da importância de ter equipes mais diversas, com pluralidade de ideias, gêneros, orientações e experiências de vida, é algo que vem entrando na pauta das grandes empresas, de diferentes segmentos da economia, em todo o mundo. Embora muitas companhias já tenham desenvolvido políticas internas para ampliar as presenças de mulheres, pessoas com deficiência, negros e profissionais LGBT em seu quadro, as dificuldades que esses grupos ainda enfrentam para galgar posições mais elevadas no mercado de trabalho são árduas.

Segundo relatórios o relatório Perfil Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil, elaborado pelo Instituto Ethos, mulheres representam 13,6% dos cargos executivos no país. Embora correspondam a 54% da população brasileira, segundo o IBGE, pessoas negras são apenas 4,7% dos ocupantes de cargos executivos.

Cada grupo possui seus desafios peculiares na inserção em altas hierarquias das empresas. “Mulheres em áreas como engenharia e tecnologia, por exemplo, ainda enfrentam barreiras significativas. Pessoas trans raramente chegam às grandes empresas, ainda que contem com excelente formação. Pessoas com deficiência, por sua vez, estão sujeitas à lógica de cumprimento de cotas, o que raramente abre espaço para o desenvolvimento de carreira para além das áreas operacionais. A hora de promover mudanças e agora e as empresas têm papel fundamental neste debate”, sentencia Ricardo Sales, sócio-fundador da Mais Diversidade.

Com a proposta de auxiliar empresas a desenvolverem seus pilares de diversidade e inclusão, a consultoria, que tem entre seus clientes empresas como Itaú, Skol, Brasken, Siemens e Agência Africa, cria um braço para atuar em uma área que considera crucial para ajudar a melhoras essas estatísticas. Com a divisão Diversidade na Liderança, a empresa se propõe a ser uma intermediária entre profissionais negros, trans, mulheres e pessoas com deficiência e as vagas de mais alto escalão do meio corporativo.

De acordo com Sales, o principal objetivo da Diversidade na Liderança é auxiliar as empresas a avançar em seus processos de inclusão, promovendo mudanças significativas na sociedade e também no ambiente de negócios. “As empresas interessadas em preencher uma vaga ou formar pipeline de sucessores para posições de liderança poderão contar com o apoio da consultoria para identificação e seleção de talentos diversos e capacitados para aquela posição. Nosso papel será encontrar e entrevistar previamente pessoas negras, LGBTs, com deficiência ou mulheres em áreas predominantemente masculinas que estejam aptas a desempenhar funções gerenciais, de coordenação à presidência de conselho”, explica o porta-voz da Mais Diversidade, que também tem João Torres como sócio.

Para o profissional, além das razões estruturais que criam disparidades sociais entre diferentes grupos populacionais e econômicos, a falta de contato entre empresas e profissionais gabaritados acaba sendo um dos impeditivos para o aumento da diversidade em postos de liderança. “Se gente tomar como exemplo a questão racial, é fato que pessoas negras ainda não são maioria nas universidades tidas como de ponta. Por outro lado, graças a uma série de mudanças que aconteceram no País nos últimos 20 anos, a representatividade desta população na universidade cresceu significativamente. Ou seja, não dá mais para dizer que não existem pessoas negras altamente qualificadas. A questão é que muitas empresas sequer sabem onde encontra-las ou não estão posicionadas a favor da diversidade, o que é um fator-chave para a atração de determinados públicos”.

Além de fazer a busca por talentos a partir de solicitação das empresas, a área de curadoria da Mais Diversidade também irá atuar na outra ponta, construindo um banco de profissionais desses grupos que ainda estão longe das posições mais altas do organograma. Candidatos também poderão cadastrar seu currículo no site da consultoria, ficando disponíveis para futuros processos de seleção das empresas. “Diversidade é um dos assuntos da moda, mas não é nenhum modismo. Esta é uma discussão urgente e da qual depende a própria sobrevivência dos negócios”, pontua.

Fonte: Meio e Mensagem