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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 18 de agosto de 2020 às 09:34
O Covid-19 nos trouxe um cenário totalmente novo, as coisas que pareciam simples estão mais difíceis, mas encarar problemas com transparência e se preocupar com o outro são valores que permanecem. Proteger a saúde mental da equipe perante as mudanças é essencial. “Nove em cada dez funcionários que fazem terapia não falam disso no escritório, por medo de preconceito."



Nosso valor é a nossa mente, então temos de a preservar. Admitir fraquezas tornou-se especialmente importante durante a pandemia, onde o peso e as angústias de trabalhar em casa se somam às incertezas da economia mundial. “Temos de ser muito humildes e reconhecer que não tem resposta para todas as perguntas. Mas nós definimos o que é prioritário. Diante disso, o resto vai se acomodando.”


Durante entrevista feita pela ÉpocaNegócios, com a presidente da SAP Brasil, Cristina Palmaka, responde e explica como e por que passou a fazer reuniões com a equipe para falar de saúde mental.


Você faz reuniões periódicas na empresa para falar de saúde mental. Por quê?
A ideia não é fazer uma terapia em conjunto, é entender como uma companhia pode ajudar a gente a estar mais bem preparado, como ajudar os nossos líderes a identificar se tem alguma pessoa em alguma área que está doente, que precisa de apoio. Nove em cada dez funcionários que fazem terapia não falam disso no escritório. Ir ao dentista durante o expediente, tudo bem, ir ao médico, tudo bem, mas fazer terapia... A gente quis tirar esse estigma. Você vai fazer terapia? Não tem problema. Para isso, os gestores têm de estar preparados. Tem sido um aprendizado. Nos ajudou muito. Claro que a gente não esperava estar num momento como esse, de quarentena, de isolamento social. Mas tem sido uma base muito importante para reforçar essa preocupação com os pilares: de corpo, de alma, de toda a nossa parte intelectual também conectada.


Como você encoraja a equipe a embarcar na ideia?
Acho que é pelo exemplo. A gente tenta mostrar que é possível, que é viável. Não dá para a gente fazer esse programa e, quando a pessoa quiser conversar, dizer que não tem tempo. Eu uso muito tempo para conversar com as pessoas. Falar com as pessoas é a coisa mais importante. Contar um pouco das nossas dificuldades, mostrar que tem dia que não é fácil mesmo, ainda mais nessa quarentena. Às vezes parece que a gente não vai aguentar a carga. Porque tem tudo. O espaço físico do trabalho é o mesmo da casa, você tem de administrar todas as rotinas...

Apesar disso, e por causa disso, eu mantive minha terapia pessoal: correr. Meu marido alugou uma esteira, então pude continuar na quarentena. Isso para mim é não negociável. Quando eu não consigo, porque a agenda está cheia, me prejudica muito. O pessoal percebe. Eu falo: hoje eu realmente não estou bem, porque não consegui correr. O exemplo é a melhor ferramenta.


O que a SAP ganha ao zelar pelo bem-estar mental das pessoas?
Diversidade é importante. O setor de tecnologia tem tantas alternativas que, se você tiver todo mundo pensando igualzinho, não vai tirar o melhor de cada situação. Para mim, saúde mental também é assim. Ao aceitar a diferença, o clima fica naturalmente melhor. As pessoas podem trabalhar como elas são. Se a pessoa tem dificuldades e se sente obrigada a representar um personagem quando está no escritório... É muito dispêndio de energia na coisa errada. Você tem de colocar energia naquilo que é importante. Estou aqui para trabalhar, eu sou assim mesmo, é assim que eu agrego, essas são as minhas vulnerabilidades, aqui eu sou forte. Acho que isso se reflete automaticamente em bons resultados.


Como você tem preservado o seu senso de normalidade?
Continuo acordando no mesmo horário de antes da quarentena: 5h45. Sou super de rituais: acordo, tomo banho, me arrumo, todo dia eu faço igual... A única coisa que eu parei de fazer foi colocar sapato. Fico só de meinha e pantufa (risos). O resto está tudo parecido.


Você preserva a sua rotina diária e isso ajuda a preservar você.
Acho que essa é a chave. Pelo menos é o que funciona para mim. Cada um tem de achar aquilo que ajuda, num momento tão diferente. como este. Não dá para ignorar o impacto desta pandemia. A gente nunca passou por isso e espero não ter de passar novamente. Então, é importante manter algumas rotinas, no meio de tanta coisa que a gente teve de adaptar.


O que foi preciso adaptar?
A competência que a gente mais está colocando à prova é a adaptabilidade. A gente tinha uma política de home office, mas fazer de vez em quando é muito diferente de ser obrigado a estar dez semanas sem aparecer no escritório. Mesmo sendo uma empresa de tecnologia, tem muita coisa que a gente adora fazer pessoalmente. Bom, acontece que a vida seguiu e a gente teve de se adaptar. A gente fez demonstrações de produto por teleconferência, com mais de cem pessoas conectadas. Nossos consultores estão implementando projetos remotamente.

Estou fazendo reuniões por vídeo e o pessoal acha o máximo: "Uau, que bom que você entrou". Logo antes da pandemia eu quis fazer a mesma coisa, mas o pessoal falou "não, vai parecer falta de respeito com o cliente". Acho que a gente começa a quebrar alguns paradigmas, nossos e dos clientes, e vai retornar de forma muito diferente. É a minha expectativa.


Como dirigir a equipe numa hora em que você própria não deve ter muitas das respostas?
O mundo dos negócios tem muitos momentos de incerteza, eu já passei por outras crises antes e nunca são fáceis. Essa talvez seja a de maior magnitude, até pelo impacto na vida de pessoas, na saúde. Liderar na incerteza é uma das coisas mais complexas que existem. A gente tem de ser muito humilde e reconhecer que não tem resposta para todas as perguntas. Mas nós definimos o que é prioritário. Diante disso, o resto vai se acomodando. Vamos segurar um pouquinho, tomar as decisões, ver o impacto, ir administrando da maneira mais tranquila possível, e não ter nenhum remorso se precisar mudar algum negócio no meio do caminho.


O que é prioritário?
Estamos muito alinhados aos nossos valores e aos valores da companhia. Um deles é: a coisa mais importante para nós são as pessoas. De verdade. Uma empresa de tecnologia não produz nada, não tem um tangível, não faz coisas, né? Nosso valor são as nossas mentes. Então a gente tem de cuidar. Do ponto de vista da integridade física, da saúde, e da saúde financeira. Globalmente, a gente se comprometeu a não demitir. No Brasil, assinamos o manifesto Não Demita. A gente não sabe o que vai acontecer, mas tem o compromisso de preservar os empregos. É uma mensagem muito importante para o nosso time.


O que você espera para depois da pandemia?
Talvez tenha três grandes aprendizados para as empresas. Um é a digitalização de processos, de documentos. A segunda é a mudança da experiência do consumidor: você não precisa mais ter interação física para finalizar grandes contratos, para fazer compras, seja pessoa física, seja jurídica. O terceiro é na gestão de pessoal. É o mais impactante. O escritório vai ser um lugar para a gente ir só eventualmente. A gente ainda gosta do contato. Mas, principalmente no curto prazo, o retorno vai ser bem devagar.

Do lado pessoal, estou testando algumas coisas na cozinha. Comecei a trabalhar com 16 anos, nunca almocei em casa. Adoro comer fora, sempre tem alguém que cozinha melhor do que eu, mas na limitação a gente tem de sobreviver. Até que não me saí tão mal, não (risos). Eu brinco que a Rita Lobo é a minha nova inspiração, porque ela faz coisas muito práticas. Isso eu vou levar para a minha vida, também.

Fonte: Época Negócios
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 18 de agosto de 2020 às 09:19


Marcas bem preparadas para o posicionamento estratégico com foco no consumidor conseguirão resultados superiores; entenda quais são os desafios.

O varejo tem passado por muitas mudanças nos últimos meses. A transformação digital, que já estava entre as prioridades estratégicas das empresas, passou a ser questão de sobrevivência quando as lojas físicas fecharam as suas portas. De março para cá, o uso de dados, de testes contínuos, adoção de uma cultura ágil e a integração dos canais digitais passaram para o primeiro plano das operações do setor, devido a pandemia do novo coronavírus.

Com o início das medidas de relaxamento, o foco começa a se voltar para a retomada da economia. Ainda que não se saiba a intensidade e o ritmo dessa recuperação, é certo que as marcas bem preparadas conseguirão resultados superiores, pois eles vão refletir diretamente nas decisões tomadas neste momento. Porém, o foco no cliente ainda é o “pulo do gato”.


Desafios dos lojistas para o posicionamento estratégico

Para conseguir uma posição estratégica, os lojistas possuem três grandes desafios. O primeiro deles é ter o controle sobre todos os canais de atendimento para não perder vendas, seguido do gerenciamento do relacionamento com o cliente para poder ativá-los e impulsionar o consumo. Por fim, mas não menos importante, ampliar a capacidade de decisão fundamentada em dados para ter o sortimento correto e o controle da performance de cada ação promocional.

Dessa maneira, aqueles que forem bem-sucedidos nesses três pontos terão vantagens competitivas no relacionamento com o novo perfil de consumidor, que passou a adquirir produtos por meio do WhatsApp e nas redes sociais, inclusive em novas categorias.


Tendências do mercado

Lojas físicas precisam oferecer algo a mais para se destacarem perante outros canais.

Outra tendência que já estava sendo utilizada por muitos varejistas e foi acelerada pela pandemia é a estratégia omnichannel. O aumento do uso da internet para compras, especialmente no setor supermercadista, mostrou que é possível atender as necessidades de suprimentos a partir do varejo online. Com isso, a loja física precisa oferecer, além dos produtos, momentos diferenciados, experiências únicas e descontos/ações “imperdíveis”, para que elas possam se destacar perante outros canais de vendas.

Outro ponto é a utilização de novos meios de pagamentos como o cartão private label, que é um facilitador para o cliente, uma vez que ele não precisa utilizar o seu cartão bancário para efetuar uma compra; e o PIX, que entrará em operação em novembro e vai proporcionar novas oportunidades de negócios, foram outras mudanças provocadas pela pandemia.

Diante desses cenários, podemos concluir que o setor varejista está passando por grandes transformações com a adoção de novas tecnologias e programas de relacionamento para se destacar frente a concorrência. Mas, para que os lojistas tenham sucesso, é essencial se atentar as reais necessidades dos seus consumidores e criar soluções simples que resolvam os seus problemas. Esse será o pulo do gato para as marcas driblarem a crise econômica.

Fonte: Consumidor Moderno