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Estratégia & Marketing Postado em quinta-feira, 05 de dezembro de 2019 às 08:52
O foco estará no que as pessoas querem e necessitam. Isso traz discussões interessantes para reguladores e formuladores de política monetária.

O exercício de tentar prever para onde as coisas vão (no caso preços) é sempre uma constância. Embora isso não faça mais parte do meu dia a dia, esse tipo de análise está sempre comigo, e o que faço aqui é uma reflexão sobre como deverão ser os meios de pagamentos do futuro.
Três definições necessárias para estarmos todos na mesma página. A primeira é que sempre que me referir a dinheiro me referirei a papel-moeda. Aquele real, euro ou dólar que carregamos em nossas carteiras e que é produzido pela casa da moeda dessas jurisdições.

O que entendo como meios de pagamento são as formas como ativos e serviços serão trocados. Aqui cabe menos a discussão de moeda como um todo e mais aquela sobre uma de suas funções, que é a facilitação de trocas de serviços e ativos.
A segunda definição é quanto ao futuro. Considero um horizonte de cinco a dez anos, assim chegarei lá a tempo de ver se estava certo ou não. E de vocês me cobrarem por isso!
A transformação dos meios de pagamento no passado recente é enorme. Um dos alicerces dessa transformação veio à tona com as redes de cartão de débito e crédito (Diners e American Express, seguidas de Visa e Mastercard), que criaram, junto com instituições financeiras, uma infraestrutura de pagamentos, com divisão clara entre os vários agentes da cadeia e segurança jurídica e tecnológica para que as transações fossem feitas com a utilização de cartões plásticos.

O que começou nos EUA na década de 50 com a criação do Diners Club se expandiu rapidamente para outras localidades. Curioso notar que essa que está hoje entre as principais formas de pagamento em muitos países tem seus alicerces na década de 50. Ao menos aqui no Ocidente.
No Oriente, mais especificamente na China, a história é bem diferente. Lá, historicamente, não há um claro desenvolvimento simultâneo entre sistema bancário e de pagamentos. Isso faz com que meios de pagamento possam se desenvolver independentemente das amarras legais que o sistema bancário impõe.
Com isso, os meios de pagamentos puderam passar diretamente do dinheiro para formas digitais diretas, sem intermediários, usando infraestruturas de pagamentos desenvolvidas por empresas de e-commerce ou redes sociais.
A utilização de smatphones para pagamentos via QR-code por meio de WeChat ou Alipay se popularizou rapidamente nos últimos cinco anos por lá. Tanto é que relatos de locais onde não se aceita dinheiro ou cartão de débito/crédito são comuns entre visitantes estrangeiros às maiores cidades chinesas.

Dito isso, vamos agora às  previsões.

1- O papel moeda irá se tornar irrelevante como meio de pagamento
A corrida por ser um país cashless já está claramente aberta, tendo a Suécia como uma das principais apostas.
Considerando as grandes economias, a China é certamente a melhor posicionada nesse quesito. América do Sul e África, em sua maioria, devem acompanhar esse movimento, mas com alguma defasagem.
Quênia é uma exceção dentro da África, tendo hoje grande parte dos pagamentos feitos eletronicamente por meio do M-Pesa.

2- O cartão de crédito/débito irá ter seu papel diminuto
Cinco ou dez anos é pouco tempo para que esse meio de pagamento se torne secundário, ainda mais quando olhamos a diversidade de países/culturas que estamos analisando, mas não consigo ver um aumento de sua participação, principalmente nas grandes economias.
Aqui me refiro especificamente ao uso dos cartões plásticos para efetuar pagamentos. Essa diferenciação é importante porque carteiras digitais (wallets) associadas a cartões de crédito/débito estão com uma utilização crescente.
Com isso, apesar de o cartão plástico perder importância, a utilização dos esquemas de pagamentos que utilizam cartões de crédito/débito cresce muito devido a sua associação com Wallets de pagamento.
São exemplos disso Applepay, SamsungPay, Google Wallet, Iti do itaú no Brasil e MBway em Portugal.

3- Pagamentos via smartphones se tornarão o novo dinheiro
Ter dinheiro quase que será igual a ter bateria no celular. Parece estranho, mas hoje já se consegue fazer pagamentos de quase tudo via QR-codes em vários países do mundo e essa tendência deve continuar.
Curioso notar que hoje uma parte significativa das iniciativas para pagamentos via smartphones do Ocidente estão ancoradas nas redes de cartões de débito/crédito, e para ter acesso a esse meio de pagamento é preciso ter um desses cartões.
A criação de novas redes de pagamento mundial pode fazer com que a necessidade dessa junção entre esquemas de cartões e wallets se torne desnecessária em breve. A rede Libra, que tem o Facebook como seu principal associado, é uma dessas iniciativas.

4- Você será seu próprio dinheiro
Aqui já estou olhando mais para dez do que para cinco anos, mas, em um mundo totalmente integrado e acessível, por que não minha digital ou reconhecimento fácil serem os únicos meios pelos quais eu faça pagamentos?
Imaginem a situação onde todos os aplicativos estão interligados e haja uma forma reconhecida globalmente para se atestar sua identidade.
Caso isso exista, o seu dinheiro pode estar custodiado em qualquer lugar (incluindo carteiras descentralizadas) e ser acessado para fazer pagamentos somente com sua identificação.
Parece futurista, mas, na velocidade atual, por que não? A dificuldade é mais cultural do que tecnológica.
Desafios do ponto de vista de integração de sistema, interoperacionalidade e segurança de informação existem, mas nada que já não haja soluções para tal.
A indústria deve projetar experiências de pagamento em torno das necessidades humanas. Para mim, a discussão sobre os temas acima é menos se vão ou não ocorrer, e mais sobre quando.
Timing para fazer apostas de mercado são cruciais. As empresas que já estiverem se posicionando para essas novas formas de pagamento precisam ter o timming perfeito para não acabarem lançando modelos de negócios antes que ele possa ser executado.


A criação de um novo mercado é geralmente boa para quem o toma primeiro. Mas, quando o caso é de uma completa reformulação dos meios de pagamento, o que envolve não somente dinheiro e tecnologia, mas também reguladores, cultura e cybersecurity, os movimentos devem ser bem pensados para que não seja não lançado algo que no momento atual não seja aderente a esses aspectos.
Uma coisa implícita nessa minha reflexão é que cada vez mais o foco dos meios de pagamento estará nas pessoas, no que elas querem e necessitam. Esse empoderamento é benéfico para os cidadãos e traz discussões interessantes no campo dos reguladores e formuladores de política monetária.

Fonte: InfoMoney
Economia & Finanças Postado em quinta-feira, 05 de dezembro de 2019 às 08:38
Uma combinação de queda no desemprego, inflação e juros baixos e maior oferta de crédito deve sustentar os gastos das famílias no Brasil, permitindo ao país sair gradualmente da recessão, afirmou hoje a agência de classificação de risco Moody’s Investors Service em relatório.
Historicamente, o consumo é um dos pilares da economia do Brasil, afirma o vice-presidente sênior da Moody´s Gersan Zurita. Embora o desemprego permaneça elevado, a tendência é de queda e a taxa provavelmente recuará para menos de 12% no fim de 2019, pela primeira vez desde o fim da recessão.

A melhora no mercado de trabalho, combinada com inflação baixa e taxas de juros em queda, tem dado suporte ao poder de compra do consumidor, acrescenta ele. A inflação deve encerrar 2020 abaixo de 4%, marcando quatro anos consecutivos de IPCA abaixo da meta do Banco Central.
À medida que a confiança do consumidor aumenta, reforçando as vendas no varejo, a disponibilidade de crédito exercerá papel importante, especialmente para os consumidores que estavam com dificuldade para acessar os canais de crédito tradicionais, e para as pequenas e médias empresas (PMEs).

O crédito no Brasil há anos é dominado pelos grandes bancos tradicionais, mas a chegada de novos participantes aumenta a concorrência, criando mais opções de crédito ao consumidor e de sistemas de pagamento para os tomadores.
Mas a Moody’s observa que as taxas de juros do crédito permanecem insistentemente elevadas, apesar de a Selic estar historicamente em seu nível mais baixo.

No entanto, a capacidade das famílias de honrar suas dívidas aumentará com os consumidores renegociando seus débitos ou novas dívidas a taxas mais baixas.
À medida que condições mais benignas forem estabelecidas, as vendas de automóveis, um indicador-chave do dinamismo da economia brasileira, continuarão recuperando-se da queda no período de recessão.

Fonte: MoneyTimes