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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 08 de setembro de 2020 às 11:25


Aplicativo conta com 2 milhões de usuários cadastrados e 17 mil restaurantes parceiros.

Aproveitando o crescimento acelerado do mercado de delivery de refeições, o Magazine Luiza anunciou seu ingresso no ramo através da compra da startup AiQfome, sediada em Maringá (PR). A aquisição a amplia a prateleira do Marketplace da companhia, que já conta também com Magalupay, Estante Virtual, Netshoes, Época Cosméticos e Zattini.

O AiQfome atende principalmente cidades com população de 15 mil a 300 mil habitantes. Diferentemente dos aplicativos de entrega mais consolidados como Ifood, UberEats e Rappi, o aplicativo atua na intermediação das encomendas e no pagamento das refeições, enquanto os restaurantes ficam responsáveis pela entrega.


Magazine Luiza pretende expandir plataforma

Atualmente, o aplicativo atende 350 cidades localizadas em 21 estados. São mais de 2 milhões de usuários cadastrados e 17 mil restaurantes parceiros, resultando em uma movimentação de 700 milhões de reais por ano.
O AiQfome tem como objetivo para, ainda este ano, expandir a atuação em mais 150 cidades do Brasil. De acordo com a empresa, cada usuário cadastrado realiza, em média, três pedidos por mês.

Segundo o diretor financeiro Roberto Bellissimo, o Magazine Luiza começará em breve a fazer testes com o AiQFome incluindo os serviço de entregas, enquanto amplia investimentos no negócio para atender cidades de maior porte.
“Além de ampliar a oferta de serviços do nosso marketplace, o objetivo com a compra é de que o AiQFome aumente a recorrência de uso do nosso superapp”, disse o executivo em transmissão pela internet.


Boom do mercado de delivery

Os aplicativos de delivery já observavam crescimento antes mesmo da pandemia, mas a ascensão ficou ainda mais evidente a partir de março, reflexo das mudanças nas relações de consumo durante o período de isolamento social.
Mercado de delivery teve crescimento acelerado nos últimos meses.

De acordo com pesquisa realizada pela Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, os gastos com os principais aplicativos de entregas focados no delivery de comida (Rappi, Ifood e Uber Eats) cresceram 94,67% durante o período mais restrito do isolamento.

Em maio, o ticket médio da Rappi era R$ 97,20, o que representa aumento de 92,4% em comparação ao gasto médio de R$ 50,51 de janeiro. O aumento do aplicativo é o mais expressivo, já que oferece, além de comida, entrega de supermercado, farmácia e compras em geral.

Já o Ifood, começou a registrar crescimento a partir de março No primeiro trimestre, o ticket médio era de R$ 35,00. A partir daí, o valor cresceu para R$ 42,00, representando 22,3% de aumento.

Fonte: Consumidor Moderno
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 08 de setembro de 2020 às 11:22


Um de meus ex-alunos, CEO de uma grande e diversificada empresa do setor industrial, enviou-me um e-mail recentemente, dizendo acreditar que “a pandemia era o momento certo para demonstrar às pessoas de uma empresa que a gestão realmente se importa”.

Segundo ele, foi isso que, apesar de sérias implicações financeiras, além da oposição de alguns importantes acionistas, o levou a tomar a decisão de não realizar afastamentos de funcionários, e a pedir aos executivos de nível mais elevado na empresa que reduzissem os próprios salários, em troca de ações a serem recompradas pela companhia no futuro, ao preço de lançamento. Além disso, ofereceu crédito a todos os fornecedores que estivessem passando por dificuldades e, com a ajuda da alta direção, providenciou o transporte aéreo de equipamento de proteção individual para hospitais localizados próximo às instalações da empresa. Ele disse ter ficado muito orgulhoso com o fato de, em questão de dias, a alta direção da empresa, apoiada pelos demais funcionários, conseguir levantar uma quantia substancial em dinheiro para aquele objetivo.

Admitiu que, logo no início da crise, chegou a transitar em caminho diferente daquele, mas depois conseguiu “encontrar a coragem para fazer o que era certo”; e encerrou o e-mail dizendo que “a resposta do meu pessoal, a essas ações, foi comovente”.

Fiquei sensibilizado com aquela mensagem. Ali era um CEO relativamente tímido, um pouco ansioso, que havia sido corajoso o suficiente para tomar medidas das quais muitos de seus acionistas discordavam. Ele havia pensado com cuidado sobre o que seria o certo a se fazer naquelas circunstâncias, e encontrou a coragem para agir de acordo com suas próprias conclusões, mesmo em meio a oposição e dificuldades.

Mas, de onde ele teria tirado tanta coragem? Será que ele sempre foi corajoso, ou aprendeu a ser? Não é uma pergunta fácil de responder, pois a coragem, assim como a personalidade, é fruto de uma mistura de índole com educação; do indivíduo com a sua sociedade; da pessoa com a situação.


Da índole à educação

Sem dúvida, a índole tem papel determinante a quem tem coragem. Pesquisas no campo da neurociência já revelaram que certas pessoas têm o comportamento da busca por aventura, chamado de personalidade “Tipo T”. As estruturas do cérebro dessas pessoas que estão sempre em busca de sensações são, de alguma forma, diferentes daquelas de quem costuma evitar riscos. Nessas pessoas que foram objeto das pesquisas, as regiões do cérebro que determinam a tomada de decisão e o autocontrole apresentavam um córtex menos espesso. O córtex é a camada mais externa e enrugada do cérebro, também chamada de “massa cinzenta”.

Os indivíduos com esse tipo de personalidade parecem ter menos receptores de dopamina no cérebro para registrar as sensações de prazer e satisfação, e, assim, podem precisar de maiores níveis de estímulo e endorfina para sentir prazer. Além disso, seus altos níveis de testosterona – hormônio que parece estar associado ao comportamento desinibido – também podem levar a um estilo de vida mais voltado para o risco. Uma arquitetura neurológica predisposta ao risco, combinada com um forte conjunto de valores que determine o que essas pessoas percebem como certo ou errado, poderia fazer com que elas agissem de forma corajosa quando a situação assim exigir.

No entanto, ainda que algumas pessoas possam ter uma predisposição genética a assumir mais riscos do que outras, isso não significa que serão necessariamente mais corajosas. Assim como Stanley Rachman, autor de um clássico livro sobre o assunto, também acredito que fatores não biológicos – ou seja, o temperamento psicológico, valores e crenças, aliados ao condicionamento por modelos comportamentais – podem levar as pessoas a se expor ao risco para proteger outras.  A química do seu cérebro pode fazer com que você esteja mais propenso do que o meu avô, por exemplo, a pular de um bungee jump. Mas será que também faria com que você escondesse refugiados judeus, assim como ele fez na Holanda ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial?


Do indivíduo ao contexto

Existem vastas pesquisas relacionando a capacidade de agir com coragem (ou não) a características pessoais mensuráveis e controláveis. Para começar, existe o nosso nível de autoeficácia, termo cunhado por Albert Bandura, que seria a confiança que temos na nossa própria capacidade de lidar com os desafios. A crença de que “somos capazes” faz a diferença quando chega o momento de agir com coragem. Existe também a nossa autoestima, um fator psicológico mais conhecido e aprendido, pelo menos parcialmente, que também pode afetar o nosso julgamento da própria capacidade de superar tarefas desafiadoras e arriscadas, assim como a presença da ansiedade.  O grau de abertura para a experiência, um dos cinco fatores da personalidade descritos na teoria dos “Big Five”, também pode interferir: pessoas que têm essa qualidade podem ser as mais propensas a agir em tempos de crise. Todas essas características podem ser desenvolvidas e moldadas pela prática e com ajuda específica. A baixa autoestima e a ansiedade, por exemplo, podem ser trabalhadas na terapia, e muito também pode ser feito para desenvolver maior abertura para a experiência.

É claro que o ambiente e o contexto em que a pessoa vive também farão a diferença. Assim como a biologia, no entanto, o ambiente é mais difícil de ser trabalhado. É sempre mais fácil agir se o que você faz reflete crenças adquiridas de normatividade naquilo que se considera certo ou errado. Certamente, esse foi o caso do meu avô. Os invasores na Holanda não eram exatamente bem-vindos, e dar abrigo a judeus refugiados provavelmente era visto pelo grupo social ao qual meu avô pertencia como um ato de provocação louvável. Não é muito provável que ele tivesse encontrado o mesmo apoio social, na hipótese de ter interferido para salvar alemães de serem atacados por um tropel de holandeses em um ato de vingança. Isso mostra que a coragem pode surgir com facilidade em determinadas situações, e, em outras, não. Com frequência, nas situações em que é difícil tomar coragem, sucumbimos ao medo, à pressão do meio, ao “comportamento de boiada”, ou à obediência a figuras de autoridade.


Aprender com a prática

Talvez, a melhor forma de lidar com a coragem seja tratá-la como se fosse um músculo. Algumas pessoas já nascem com músculos melhores do que outras, mas qualquer um pode desenvolver os seus por meio de exercícios e prática. Meu ex-aluno, por exemplo, contou que aprendeu que era preciso trabalhar sua autoestima relativamente baixa e sua ansiedade, em parte com o apoio que obteve de colegas CEOs em um curso ministrado por mim.  Também ajudou o fato de ter recebido bons conselhos de uma companheira solidária e alguns bons amigos, que o incentivaram a dar tais passos corajosos.

Ao longo dos meus 50 e poucos anos de prática como psicanalista e psicoterapeuta, além de coach executivo, concluí que as seguintes técnicas são especialmente úteis para ajudar meus pacientes e alunos a descobrir e exercitar sua própria coragem:

Criar cenários. Peço a eles que imaginem dois cenários: o pior que lhes poderia acontecer caso tomassem uma medida específica, e o resultado de não tomar tal medida. Ao identificar os riscos que estão assumindo, as pessoas podem criar imunidade aos seus medos.

Reconhecer o viés de negatividade. Muitas pessoas tendem a reagir mais a resultados negativos do que aos positivos. Ao tornar essas pessoas conscientes da pesquisa que fundamenta esse assunto, é possível evitar que elas ajam dentro desse viés. Também é importante lembrá-las de dedicar o mesmo tempo para pensar em ambos cenários: tanto o positivo, como o negativo. Ao considerar cenários negativos, é importante procurar reestruturar as situações que possam parecer perigosas, em uma forma mais construtiva.

Falar sobre o medo escondido. Pessoas que têm medo de agir normalmente têm pouca ou nenhuma confiança em si mesmas, o que se manifesta de diversas maneiras: pela procrastinação, pelo perfeccionismo, pela síndrome do impostor, entre outras. Falar sobre seus próprios questionamentos, expondo suas vulnerabilidades, pode ter um poderoso efeito positivo. Ao identificar o que, de fato, nos provoca medo, podemos reduzir o temor daquela situação, e, assim, criar a coragem para agir. Também podemos nos beneficiar da experiência de outras pessoas que tenham superado seus próprios medos.

Sair da zona de conforto. De maneira consciente e constante, praticar pequenos atos de coragem pode ter um efeito cumulativo. Por exemplo, costumo sugerir às pessoas que tentem se posicionar ativamente, na sua vida cotidiana ao notar que algo não está certo. Desafiar a si mesmo a tomar posição diante de eventos aparentemente pequenos tem o poder de fortalecer o hábito de tomar decisões realmente difíceis e corajosas.

Controlar o corpo. O medo nos consome fisicamente, e esses efeitos físicos se misturam aos mentais.  Qualquer pessoa que precise agir em situações de estresse precisa estar em boas condições físicas. Em uma crise, portanto, não deixe de se alimentar bem, fazer exercícios físicos e cuidar do sono.  Descobri também que técnicas de relaxamento como meditação e ioga podem ser úteis para garantir a clareza da mente necessária aos atos de coragem.

Saber que não está sozinho. Ter ao seu lado pessoas com quem já dividiu seus temores – e que também já tenham compartilhado os delas com você – pode ser um valioso recurso quando nos confrontamos com um desafio à nossa coragem. Não precisa ser alguém muito íntimo; meu aluno, por exemplo, contou ter encontrado apoio em outros participantes do nosso seminário – pessoas que ele não conhecia antes. Às vezes, o medo é como um vício e o apoio de pessoas que estão no mesmo barco pode ajudar você a superá-lo.

Quanto mais enfrentarmos nossos medos, maiores as chances de reagirmos a eles com coragem. Mas não se trata apenas de uma luta com um inimigo interno, pois, ao combater nossos temores, iremos nos ver agindo de formas que nos fazem sentir mais vivos. Como disse o filósofo e poeta Ralph Waldo Emerson, “Não aprendeu a lição da vida quem não domina o medo de cada dia”.

Fonte: Harvard Business Review