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Estratégia & Marketing Postado em quarta-feira, 12 de junho de 2019 às 08:28
À medida que as pessoas são expostas todos os dias a uma enxurrada de fake news, é cada vez mais difícil saber em que ou em quem confiar. O que observamos é uma crescente desconfiança nas instituições ao mesmo tempo em que as marcas são cada vez mais cobradas por se posicionarem diante do complexo quadro social.

A cada passo que damos em direção às novas dinâmicas deste século, percebemos que não há moeda mais poderosa do que a confiança. Estudos apontam que os gastos das pessoas têm relação direta com o quanto elas confiam em uma marca. Mas o que significa ser uma empresa ou uma marca de confiança nos dias de hoje? Como deixar claro para o consumidor que ele está se relacionando com uma marca em quem ele pode confiar?

Novos papeis para novos tempos

Na sociedade em que vivemos, alguns papeis foram ressignificados. Hoje, uma empresa é cobrada por assumir uma postura mais participativa nas questões sociais, já que a confiança em instituições governamentais vem decrescendo a cada ano. Para 64% dos entrevistados na pesquisa Edelman Trust Barometer de 2018, as empresas podem – e devem – tomar medidas que aumentem seus lucros e que melhorem as condições econômicas e sociais da comunidade onde estão inseridas.

Neste contexto, os CEOs das empresas se tornam muito mais que executivos. Passam a ser a verdadeira personificação desses agentes de transformação, uma vez que quase dois terços dos respondentes do mesmo estudo disseram esperar por CEOs para liderar uma transformação em políticas ao invés de esperar pelo governo.

Números como estes revelam um paradigma inédito: uma empresa não existe mais apenas para gerar lucro para seus acionistas. Há outras variáveis nesta equação.

O futuro da economia depende dessa mudança de mindset que, além de diversos ganhos sociais, vai proporcionar oportunidades de negócio baseadas em crenças e visões de mundo.

Há diferentes formas de encarar esse cenário e aproveitar as oportunidades. Vamos explorar algumas delas a seguir.

Estratégias de sucesso

1. Jogue no time do consumidor, sempre

Outra importante descoberta da pesquisa foi que, em países onde os índices gerais de confiança estão em queda (Brasil, EUA, Colômbia), os principais fatores que determinam a confiança dos consumidores em uma empresa são o modo como a empresa armazena as informações, a segurança do cliente e a proteção da privacidade. As empresas precisam identificar onde são geradas as principais desconfianças das relações entre consumidores e empresas e propor uma nova abordagem.

Hugo Cornejo, chefe de design da plataforma financeira britânica Monzo, destacou como os clientes acham que os bancos estão se aproveitando deles já que as pessoas não entendem quais serviços exatamente estão recebendo. No Brasil, essa relação também é bastante comum. E, por conta disso, marcas que prometem transformar a relação dos consumidores com operadores financeiros a partir propostas justas e transparentes se tornaram cada vez mais populares nos últimos anos.

2. Represente o seu consumidor

É importante, também, ser consistente nas suas mensagens – e, por vezes, corajoso nas atitudes. Estar ao lado do consumidor significa refletir suas crenças e saber se posicionar de forma que ele reconheça na marca um verdadeiro aliado.

Nos EUA, durante as eleições de meio de mandato no ano passado, a Patagonia fechou as suas lojas durante um dia para apoiar os candidatos democratas ao senado Jacky Rosen (em Nevada) e John Tester (em Montana) —ambos ganharam. Essa é uma marca reconhecida por defender causas ambientais, conectadas com consumidores mais progressistas. A marca tem, ainda, ações que incentivam a compra de produtos usados para que reduzir o descarte, minimizando resíduos e desincentivando o consumismo. Nada mais coerente do que endossar candidatos que apoiam essas pautas.

3. Atue como um membro da comunidade

Ações que trazem benefícios para comunidades locais – e que tem tudo a ver com o negócio da empresa – também são boas formas de ratificar um compromisso que aumenta a confiança dos consumidores.

Durante a seca na Cidade do Cabo, no primeiro semestre de 2018, muitas empresas repensaram seus produtos e processos de manufatura para ajudar os clientes a manter uma vida normal. A Coca-Cola reduziu a quantidade de água usada na produção dos refrigerantes em 30%. A Unilever repaginou diversos produtos, como xampus para lavagem a seco e produtos de limpeza de superfícies que usam pouca ou nenhuma água. Essas iniciativas contribuíram para aproximar as empresas destas comunidades ao mesmo tempo em que as companhias mantiveram seus negócios ativos.

Pontos de ação: o que já pode ser feito?

Diante destas transformações fundamentais e que estão reconstruindo a relação dos consumidores com as empresas e marcas, listamos algumas ações que já podem ser tomadas:

Procure entender os temores dos seus clientes. Crie estratégias que diminuam esse problema por meio da transparência.

Capacite a sua empresa para que ela seja mais atuante nas comunidades onde opera, principalmente em momentos de crise.

Assuma um papel de liderança nas questões que são importantes ao seu consumidor.

Pense localmente: crie ressonância por meio de esforços que ampliem a confiança.

No próximo mês, continuaremos a tratar os tópicos do estudo “consumidor ultradinâmico”. Em julho, vamos abordar as preocupações climáticas e como elas influenciam nas estratégias de varejo.

Fonte: Novarejo
Por: Stefano Arpassy
Economia & Finanças Postado em quarta-feira, 05 de junho de 2019 às 20:15
Em 2019, o consumo das famílias brasileiras continuará não só em crescimento, como também deverá impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) do País. Na contramão das últimas expectativas, a economia tem potencial para movimentar cerca de R$ 4,7 trilhões, sendo responsável por 64,8% da somatória de bens e serviços deste ano. A previsão, baseada no índice de inflação IPCA de 3,89%, é do estudo IPC Maps 2019, especializado no cálculo de índices de potencial de consumo nacional, com base em dados oficiais.

Ainda segundo o levantamento, as capitais perderão espaço no consumo (de 29,6% em 2018 para 28,9% este ano) e, em contrapartida, o interior dos estados voltará a dar sinais de recuperação, elevando de 54% para 54,4% a movimentação de recursos neste ano.

Perfil básico

Com mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil concentra 84,8% dos seus cidadãos (178,1 milhões) na área urbana, que respondem pelo consumo per capita de R$ 24.420,15. Enquanto isso, os gastos dos 31,9 milhões de cidadãos rurais correspondem a R$ 10.498,72 por habitante.

Base consumidora

Embora com presença reduzida em quantidade de domicílios, a classe B continua puxando o cenário de consumo: representa 20,97% dos domicílios e encabeça o ranking com 38,41% (cerca de R$ 1,67 trilhão) dos recursos que serão gastos pelos brasileiros em 2019. Cada vez mais próxima, a classe C aparece com 37,5% (cerca de R$ 1,63 trilhão) dos desembolsos, representando 48,08% das residências. No topo da pirâmide, a classe alta (A), com 2,45% dos domicílios, aumenta seus gastos para 13,68% (R$ 595,2 bilhões) neste ano, ante 13,4% em 2018; bem como a classe D/E que, de 9,6% sobe para 10,41% (R$ 452,9 bilhões) neste ano, representando 28,5% dos domicílios. Na área rural, essa movimentação terá uma evolução significativa: de R$ 304,8 bilhões em 2018, passará a R$ 335,9 bilhões em 2019.

Cenário Regional

A participação regional sofreu pequenos ajustes, mantendo as mesmas posições do ano anterior. A liderança do consumo permanece com o Sudeste, com 48,89%, seguido pelo Nordeste, com 18,82%. A região Sul, que em 2018 tinha aumentado sua fatia para 18,07%, volta a cair para 17,82%, assim como o Centro-Oeste, que de 8,51% retrai para 8,21%. O reflexo na região Norte, por sua vez, é de 6,25%, contra 5,89% de participação em 2018.

Mercados potenciais

O desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros, embora continue em ligeira queda, equivale a 39,43%, ou R$ 1,848 trilhão de tudo o que é consumido no território nacional. No ranking dos municípios, os maiores mercados permanecem sendo, em ordem decrescente, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, que subiu uma posição e ultrapassou Brasília, seguidos por Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Manaus, que recuperou o 9º lugar, derrubando Goiânia para o 10º. Cidades interioranas como, Campinas, Guarulhos, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo e São José dos Campos (SP), São Gonçalo e Niterói (RJ), Joinville (SC), Uberlândia (MG) e Caxias do Sul (RS), entre outras,  também ganham destaque nessa seleção.

Perfil empresarial

A pesquisa IPC Maps constata o incremento de 12,9% no patamar empresarial, com a presença de 23.470.289 estabelecimentos instalados no País. Deste montante, quase metade (49,2%) corresponde ao setor de Serviços. Na sequência, aparecem atividades relacionadas aos segmentos de Comércio, com 31,9% (7.496.727), Indústrias, 16,1% (3.772.271) e, finalmente, Agribusiness, com 2,8% (657.547).

Geografia da Economia

A Região Sudeste concentra a maior parte das empresas, cerca de 50,86%, equivalendo a 11.936.813 unidades. O destaque vai para a Região Sul, que ao abrigar 17,82% (4.181.780), ganhou uma leve vantagem sobre o Nordeste com seus 17,8% (4.176.555) dos estabelecimentos. Já as regiões Centro-Oeste e Norte detêm, respectivamente, 8,41% (1.974.372) e 5,12% (1.200.769) das organizações.

Na análise quantitativa das empresas para cada mil habitantes, obtém-se resultados curiosos. As regiões Sul e Sudeste lideram com folga pois possuem, respectivamente, 139,50 e 135,08 empresas por mil habitantes; o Centro-Oeste vem ganhando força com 121,15 e, muito aquém da média, continuam as regiões Nordeste, com 73,18, e Norte, que tem apenas 65,15 empresas/mil habitantes.

Hábitos de consumo

Além de traçar um comparativo por classes sociais, o estudo também revela onde os consumidores gastam sua renda. Nesse quesito, o cenário continua praticamente igual ao do ano passado, com os seguintes itens básicos no topo da lista: manutenção do lar (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás) — 26,8%; alimentação (no domicílio e fora) — 17,3%; transportes e veículo próprio — 7,4%; medicamentos e saúde — 6%; vestuário e calçados — 4,8%; materiais de construção — 4,3%; recreação, cultura e viagens — 3,2%; eletrodomésticos e equipamentos — 2,4%; educação e higiene pessoal — 2,2% cada; móveis e artigos do lar — 1,9%; bebidas — 1,3%; artigos de limpeza — 0,7%; e fumo — 0,6%.

Faixas etárias

A exemplo dos últimos anos, a população segue envelhecendo. Em 2019, mais de 29 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais, sendo a maioria formada por mulheres. Na faixa etária economicamente ativa, de 18 a 59 anos, esse número é de 127,2 milhões, ou 60,5% do total dos habitantes. Representando a minoria, os jovens e adolescentes, entre 10 e 17 anos, somam 24,4 milhões, sendo superados pelas crianças de até 9 anos, que já representam 29,4 milhões.

Fonte: Novarejo