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Economia & Finanças Postado em quarta-feira, 08 de janeiro de 2020 às 13:54
Ações do setor de varejo apresentam bons resultados no Ibovespa diante expectativa de aquecimento da economia.
Com a expectativa de crescimento nas vendas de final de ano, o varejo no Brasil passa pelo seu melhor momento desde a recessão e entra em 2020 com o pé direito.
O bom desempenho alcançado em 2019, sobretudo no segundo semestre, deu fôlego ao setor que faturou 18,1% a mais na Black Friday em relação a 2018.

A alta é influenciada por fatores macroeconômicos que impactam diretamente na renda, como a liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – que, conforme o mercado, ajudará a economia brasileira a ter o melhor fim de ano desde 2014 – e a queda, ainda que suave, do índice de desemprego, fechado em 11,2% no trimestre de setembro a novembro – ocasionada pelo aumento da informalidade.
Em meio ao cenário, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) projeta a tendência de vendas para dezembro no varejo ampliado em 96,85, no índice com base fixa até 100 – um aumento de 3,74 pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado.
Para o início de 2020, o instituto estima um variação ainda maior, de (+0,38) a cada mês nas vendas dos dois primeiros meses do ano, (97,23) janeiro e (97,61) fevereiro.

Os números positivos, entretanto, ainda são vistos com receio por uma parte do setor – indicando que as projeções de crescimento não atingem o varejo como todo.
A alta de 9,5% em vendas dos shoppings no Natal divulgada pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) é contestada pela Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos) com o argumento de que as vendas natalinas de 2019 foram iguais ou piores em comparação a 2018 para 70% dos pequenos e médios lojistas associados.

Mesmo com as polêmicas, o contexto atual, de acordo com Nuno Fouto, diretor de pesquisas do Ibevar mostra uma retomada sustentável do setor diante à retração vivida nos últimos períodos.
Fouto ressalta que o ânimo no período é consequência da melhoria das condições macroeconômicas que o mercado esperava para criar maiores expectativas.
Quando existe uma base sólida que melhora as condições de renda podemos apostar no aumento efetivo de venda, que é o que parece acontecer no momento. De maneira geral, o consumo é o primeiro termômetro que indica essa melhora e, com esse sinal positivo, o que deve aumentar inicialmente é o faturamento das empresas de varejo mais estruturadas.

Para Luiz Guilherme Dias, CEO da Sabe Invest, embora o mercado vislumbre uma expectativa de crescimento, as medidas atuais adotadas para estimular o consumo não são o suficiente para manter as vendas altas.
“A gente não consegue enxergar que a economia do ano que vem seja fortemente influenciada pelo varejo. Das 27 companhias listadas, 10 apresentaram prejuízos no último balanço”, informa.

O que esperar?

O setor varejista possui algumas das empresas de maior valorização do Ibovespa.
De acordo com relatório elaborado pela XP, o cenário para 2020 é de otimismo, mas nem todas as empresas vão se beneficiar da recuperação do consumo.
As varejistas dos setores de duráveis e vestuário, segundo os analistas, são as que possuem maior probabilidade de apresentar crescimento de vendas acima da média do setor nos próximos anos. Nesse cenário, Lojas Renner (LREN3) e Via Varejo (VVAR3) se destacam.
“Ambas as empresas são líderes em seus respectivos campos de atuação (duráveis e vestuário), com fortes vantagens competitivas (valor da marca, oferta de crédito, escala e produto – principalmente para a Renner) em segmentos do varejo com maior demanda reprimida”, pontuam analistas da XP em relatório.

No curto prazo, a Via Varejo se beneficia, pois o mercado de ações do país tem um caráter muito mais especulativo, de acordo com Dias. Mesmo apresentando o maior prejuízo nos primeiros nove meses do ano (R$579 milhões), os papéis da varejista, dona de Casas Bahia, Extra.com e Ponto Frio, seguiu tendo o maior desempenho do Ibovespa no mesmo período: 158,31%.
A visão imediatista numa guerra de braço com uma análise a longo prazo sempre ganha, porque no longo prazo percebe-se as influências das sazonalidades, as correções das distorções de mercado e assim se consegue identificar quem possui crescimento consistente, ou seja, quem desempenha uma boa gestão.

Já Fouto acredita que é natural que os investidores aposte nessas empresas com a retomada do ciclo econômico, porém ressalta que o impacto é maior nos players que possuem uma governança mais efetiva.
“O impacto é positivo em cima desses varejistas que são transparentes e que trabalham melhor. E isso independe de se a empresa é mais velha ou mais nova, pois temos exemplos de empresas mais antigas que conseguiram se renovar”.

Vestuário em retomada

Ainda em vestuário, Ana Paula Tozzi, presidente da AGR Consultores acrescenta que é preciso relembrar que este foi um dos segmentos que mais sofreram o impacto da crise.
“O mercado de ações voltou a discutir os papéis do setor, inclusive com possibilidades de abertura de capital ou novos investimentos. O cenário para esse segmento é muito convidativo, porque temos uma taxa de juros baixa e uma visão de consumo otimista. O que a gente vai enxergar além do crescimento das vendas é a volta dos investimentos nos canais de distribuição, inclusive nos físicos”, diz Tozzi.
Neste contexto, a Renner que apresentou o segundo maior lucro (R$580 milhões), entre as companhias de bens de consumo de janeiro a setembro de 2019, se configura com a maior exposição à melhora no ambiente de consumo frente às suas concorrentes Marisa (AMAR3), Guararapes (GUAR3), Hering (HGTX3) e C&A (CEAB3).
Mas o segmento ainda possui mercado suficiente para deslanchar outras empresas. A compra da Netshoes pelo Magazine Luiza (MGLU3) e a inserção da companhia no seu ecossistema multicanal evidencia a estratégia da varejista em se tornar relevante também neste segmento.
Outro player que, segundo Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, tem potencial dentro do setor é a Hering, pois apresenta uma gestão que pode “alçar a companhia a bons números no curto e médio prazo”.
“Em comparação aos pares, percebemos que a empresa é eficiente e desalavancada. Apesar de precificada, acreditamos que, em um cenário de juros baixo e ampliação do crédito, a companhia possa ser um vetor de capturar do novo varejo nacional”, aponta a Ativa em relatório.

Governança é diferencial

Apesar das apostas e especulações, os analistas apontam que o sucesso de qualquer companhia se dá através de uma governança eficaz.
Nesse cenário, se dará melhor quem já possui uma estrutura robusta para atender a possível volta efetiva do consumo.
“Do ponto de vista do preparo de capturar esse valor de venda, a Renner e Magalu são vistas de forma diferente dos demais concorrentes, porque são players preparados. O que vai ditar o crescimento da ações das demais é a capacidade de resposta delas às oportunidades que virão pela frente, pois não são pequenos o valor dos investimentos que deverão ser feitos”, afirma Tozzi.

Fonte: Infomoney
Economia & Finanças Postado em quarta-feira, 18 de dezembro de 2019 às 09:58
Ritmo é o mesmo esperado para 2019; exportações devem crescer até 4% neste ano e pouco menos, até 2,5%, no próximo.
A produção brasileira de calçados terá crescimento de 2% a 2,5% em 2020, em comparação a 2019, atingindo um volume entre 982 milhões e 992 milhões de pares. O ritmo de crescimento é o mesmo esperado para 2019, quando a produção deve ficar entre 963 milhões e 968 milhões de pares. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

No acumulado de janeiro a outubro, a produção do setor cresceu 2,1% em volume, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a Abicalçados, o mercado foi impulsionado pelas exportações. As vendas externas no acumulado de janeiro a novembro cresceram 3,8%, atingindo 104 milhões de pares.

No período, os americanos importaram 10,8 milhões de pares, 26,5% a mais do que em 2018. “O resultado teve influência direta da guerra comercial instalada contra a China, que fez com que os importadores locais passassem a importar de países alternativos ao asiático em função das sobretaxas aplicadas”, afirmou em nota o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira.A entidade observou que as exportações poderiam ter sido maiores, não fosse a crise da Argentina, segundo mercado internacional para o calçado brasileiro.
“Não fosse a queda das exportações para a Argentina, de quase 20% até novembro (9 milhões de pares), teríamos logrado um resultado muito melhor, de incremento de quase 6% no geral”, acrescentou em nota.
A Abicalçados estima que as exportações neste ano terão incremento de 3% a 4%. Em 2020, o crescimento será um pouco menor, ficando entre 2% e 2,5%.

Em relação ao mercado doméstico, a Abicalçados observou que a demanda ficou estável no país, que absorve mais de 85% da produção do setor calçadista. De acordo com dados do IBGE, de janeiro a outubro, as vendas no Brasil ficaram estáveis em volume.
Ferreira considera, no entanto, que as vendas no mercado doméstico tendem a melhorar no próximo ano, impulsionando as indústrias a atingir um crescimento de 2% a 2,5% em volume. “Diferentemente de 2019, esse crescimento deve vir do mercado doméstico e não das exportações”, afirmou o executivo, ressaltando os problemas na Argentina, que devem dificultar ainda mais as exportações para aquele país. “No mercado interno, já notamos, nesses últimos meses, uma retomada na confiança do consumidor, o que deve refletir positivamente no aumento da demanda”, acrescentou.

A Abicalçados informou ainda que o setor gerou 284,5 mil postos de trabalho no acumulado de janeiro a outubro, 1,2% menos do que no mesmo período de 2018. Na avaliação da entidade, o atraso na reforma da Previdência foi um dos fatores que prejudicaram o desempenho ao longo do ano.

Fonte: ValorEconomico