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Economia & Finanças Postado em terça-feira, 14 de julho de 2020 às 11:30


O ministro da Economia, diz que o Brasil vai surpreender as previsões mais pessimistas feitas por órgãos internacionais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), para a economia brasileira, e que o país vai "furar as duas ondas (da crise de saúde e da crise econômica) e sair do lado de lá". O governo aposta nos programas de renda, como o auxílio emergencial, e nas linhas de crédito para as empresas como instrumentos capazes de estimular o consumo e os investimentos ainda este ano.

Economistas de diferentes visões concordam que o pior já passou e que o fundo do poço da crise aconteceu em algum momento entre abril e maio. Mas os especialistas discordam sobre o poder que a economia do Brasil tem para retomar o ritmo do consumo das famílias e das vendas das empresas ainda este ano.

O desafio do país não é pequeno. A crise econômica provocada pelas medidas de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus derrubou o PIB (Produto Interno Bruto) para um patamar de quase dez anos atrás. O PIB per capita - o tamanho da economia dividido pelo total da população - pode retroceder meia década.

Uma forma de calcular o PIB é considerar o ano de 1995 como ponto de partida. Ali é dada a base igual a 100, e calcula-se a variação levando em conta atualização dos valores. Antes da crise, esse indicador estava em 170. Agora, está em 165. Já é o pior nível desde 2011. E como o mercado projeta para esse ano uma queda de 6,5% para o PIB, segundo o Boletim Focus do Banco Central, esse indicador pode fechar o ano em 160.



Recuperação só em 2023

"Só vamos voltar ao patamar que tínhamos antes da crise em 2023", afirma o economista Marcelo Kfoury Muinhos, coordenador do Centro Macro Brasil da FGV-EESP, doutor em economia pela Universidade de Cornell nos EUA, tendo ainda atuado por 13 anos no Banco Central, onde foi chefe do departamento de Pesquisa Econômica.

Sobre a fala do ministro da economia, o professor da FGV assume um meio-termo. A saída do Brasil da crise não será nem tão rápida, como prevê o ministro, nem tão lenta, como projeta o FMI.


O pior da crise já passou
    
De qualquer forma, destaca Kfoury, o pior da crise de fato passou. "Temos dados que sugerem reação, como indicadores de confiança da indústria e do consumidor".

Mesma opinião tem outros economistas, como Fernando Ribeiro Leite, professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) e sócio consultor da Urbana Consultoria em Desenvolvimento Econômico e Social. "Os dados mais intempestivos (imediatos) da economia para maio sinalizam uma retomada", citando indicadores como o de vendas no varejo e de emissões de notas fiscais.


Consumo demora a se recuperar

Para a agência de classificação de risco americana Moody´sInvestorService, os dados econômicos mais recentes apontam para uma estabilização do consumo, destacando que os consumidores contribuem com dois terços da produção econômica total do Brasil.

"Diferentemente de outras economias da América Latina, que já estavam em recessão antes da crise do coronavírus, os consumidores brasileiros estavam contribuindo para uma recuperação econômica gradual antes da pandemia", afirma Gersan Zurita, vice-presidente sênior na Moody's.

Mas a agência destaca que levará tempo para que haja o retorno do consumo aos níveis registrados antes da pandemia, dado que o emprego teve forte queda e não deve se recuperar rapidamente.


Vários fatores ajudariam na retomada rápida


O economista do Insper diz que a reação da economia brasileira tende a ser em V - uma forma usada por economistas para classificar uma retomada rápida da atividade após uma recessão .

Os economistas que acreditam na reação rápida do país apontam alguns instrumentos que o governo tem para fazer a economia brasileira decolar neste segundo trimestre.

Consumo das famílias: os programas de auxílio emergencial lançados pelo governo conseguiram preservar a renda da população. E, por isso, o consumo vai voltar com mais força neste segundo trimestre. Com a volta do consumo, as empresas poderão retomar as vendas e os investimentos.

Exportações: dólar valorizado ante o real vai ajudar os exportadores a vender mais para o exterior, movimentando a indústria.

Agropecuária: O desempenho da produção no campo vai alimentar as exportações e gerar renda, afirmam economistas, em especial se o governo mantiver políticas de crédito e apoio aos produtores.

Juros baixos: com a Selic baixa, a dívida do governo não cresce tanto e, assim, o governo consegue atravessar essa crise sem elevar demasiadamente a dívida pública.

Linhas de crédito: A liberação de recursos para as empresas por meio de medidas do Banco Central e abertura de linhas de crédito do BNDES, com juros baixos, vai dar fôlego para que as empresas paguem contas em atraso e, assim, cai o número de companhias que vão quebrar com a crise. Dessa forma, o setor privado pode favorecer a retomada da economia ainda em 2020.



Endividamento das pessoas é um problema

Mas uma corrente de economistas duvida que essas medidas sejam suficientes para o Brasil sair da crise ainda em 2020. Para eles, os instrumentos usados pelo governo não são suficientes para remediar a quebra das empresas e a perda de renda das pessoas com o desemprego.

O economista Márcio Salvato, coordenador do curso de Economia do Ibmec-BH, afirma que as empresas sairão dessa crise menores do que eram antes, e por isso o desemprego será maior e por mais tempo. E cita ainda o endividamento das famílias e das empresas, que também deve emperrar a atividade econômica.

O endividamento das famílias, que era de 44% do PIB em dezembro de 2019, subiu a 46,15% do PIB em abril último. O comprometimento de renda com as dívidas passou de 20% para 21%.

Para o economista do Ibmec, o retorno da economia será lento até pelas próprias regras de flexibilização do distanciamento social, que permitem a retomada das atividades apenas de forma gradual.


Política atrapalha economia

O economista Antônio Correa de Lacerda, professor e diretor da Faculdade de Economia e Administração da PUC-SP, também presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), aponta outro obstáculo para o Brasil sair da crise econômica de forma rápida: a política.
Além das crises da saúde e econômica, o Brasil ainda tem a crise política decorrente da má governança a anos e da falta de coordenação no próprio governo federal.


Má distribuição de renda é outro fator

O Brasil tem problemas estruturais que também vão atrapalhar a retomada da atividade econômica. E o maior deles é a má distribuição de renda, com muita concentração de riqueza, o que atrasa a reação do consumo de forma sustentável.

"Existe uma fé exagerada nas regras do mercado. O mais provável é que nossa recuperação até ocorra, mas de forma mais limitada", diz o economista da PUC-SP.

Fonte: Economia Uol
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 14 de julho de 2020 às 10:51


Jeff Bezos (CEO da Amazon) costuma dizer que enquanto a maioria dos negócios se preocupa com o que vai mudar daqui 10 anos, ele prefere pensar no que não vai mudar.
Vamos usar a própria Amazon de exemplo aqui.

Quando analisamos o Flywheel ou “Ciclo Virtuoso” da empresa, ele se baseia em algumas premissas básicas.

As pessoas continuarão buscando por preços menores
As pessoas continuarão buscando por variedade
As pessoas continuarão buscando por entregas rápidas
As pessoas continuarão buscando por uma boa experiência

Veja, não importa como você imagine que será o varejo digital nos próximos 10 ou 20 anos, existe algum cenário onde você imagina as pessoas buscando por produtos mais caros?

Ou então, em alguma hipótese você consegue imaginar as pessoas ativamente buscando por prazos de entrega mais demorados, ou experiências piores?

De modo geral, a maioria dos empreendedores e gestores ao tentar imaginar o futuro foca-se no que vai mudar.

Afinal, a mudança é emocionante, ela empolga, te faz pensar num mundo melhor.

Porém, ela também traz incertezas, e imprevisibilidade.

Já que no fim do dia, qualquer previsão sobre o futuro, por mais embasada em dados que seja, é somente isso, uma previsão.

E quando olhamos uma previsão de mudança, ou seja, de algo novo, os dados se tornam ainda mais opacos, afinal, se é novo, os dados que temos hoje, ainda são incompletos.

Desse modo a pergunta certa a se fazer ao analisar o seu negócio não é sobre o que vai mudar.
Mas sim: o que não vai mudar?

Ou seja, independente do que possa acontecer, o que você tem uma altíssima dose de confiança de que continuará sendo como é hoje no futuro?

Para a Amazon, Bezos acredita que seja a constante busca por melhores preços, variedade, agilidade e experiência.

No Gestão, acreditamos que os líderes de negócios sempre estarão pensando em como se tornarem mais eficientes, produzirem mais resultados, e se conectarem com outros líderes.

E no seu negócio?
Talvez você ainda não tenha a resposta, mas fica a dica de reflexão.

Da próxima vez que estiver planejando o futuro, seja da sua empresa, da sua área, ou de qualquer outra coisa, reserve uma parte do tempo para pensar no que não vai mudar.

Fonte: Gestão 4.0