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Economia & Finanças Postado em terça-feira, 25 de setembro de 2018 às 06:32
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do mês de setembro mostrou uma queda de 0,5 ponto em relação a agosto. O índice fechou em 52,8 pontos e interrompe uma sequência de recuperação iniciada após a forte queda observada em junho por conta da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio. Naquele momento, houve uma queda expressiva do ICEI (-5,9 pontos) e os dois meses seguintes mostraram uma recuperação (+3,7 pontos).


Os dois índices que formam o ICEI, condições atuais e o de expectativas, diminuíram em setembro, na comparação com agosto. O primeiro caiu 0,5 ponto, foi de 47,2 para 46,7 pontos; e o segundo caiu 0,4 ponto, ficando em 55,9 pontos. A maior queda foi sentida na avaliação das condições correntes da economia brasileira. “Os empresários perceberam uma piora mais forte nas condições da economia brasileira do que nos meses anteriores e, com isso, a confiança como um todo caiu”, explica o economista da CNI, Marcelo Azevedo. 

Apesar do recuo, o indicador continua acima da linha divisória dos 50 pontos que separa a confiança da falta de confiança. Porém, ele está 1,3 ponto abaixo da média histórica, que é calculada com o valor médio do ICEI de todas as observações realizadas desde 1999. Como o ICEI está acima dos 50 pontos, mas abaixo da média histórica, pode-se dizer que reflete confiança moderada, como explica Marcelo Avezedo: “O ICEI mostrou que a confiança do empresário não é suficiente para dar um grande impulso na produção, no investimento. Ela ainda é uma confiança moderada. Já é um bom sinal, na medida em que não há falta de confiança, mas não é o suficiente ainda para esperarmos uma recuperação mais forte de produção, de emprego, de investimento”.  

A queda na confiança foi maior nas grandes empresas, com um recuo de 0,6 ponto na comparação com agosto e uma queda de 3,6 pontos na comparação com setembro de 2017. O ICEI das pequenas e médias empresas mostraram variações negativas menores em relação a agosto: recuou 0,4 ponto nas pequenas empresas e 0,3 ponto nas médias. Na indústrias extrativa, o ICEI sofreu a maior queda (-1,5 ponto), na comparação com a indústria de transformação (-0,4 ponto) e a de construção (-1,0 ponto). 

O ICEI é um indicador que ajuda a entender as tendências da indústria e da economia. Empresários confiantes tendem a ampliar a produção e os investimentos, o que estimula o crescimento da economia. Nesta edição, a pesquisa foi realizada entre 3 e 13 de setembro com 2.806 empresas, sendo 1.112 pequenas, 1.059 médias e 635 de grande porte.

Fonte: CNI
Economia & Finanças Postado em terça-feira, 18 de setembro de 2018 às 07:01
A 4ª Revolução Industrial desperta, ao mesmo tempo, fascínio e questionamentos acerca das consequências desse fenômeno para a economia e a sociedade. Por isso, o GMIS Connect Brazil reuniu em São Paulo, membros do governo, acadêmicos, empresários e especialistas, a fim de discutir os impactos e os desafios da Indústria 4.0 para a política industrial. O evento foi realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Global Manufacturing and Industrialization Summit (GMIS) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), na sede da TOTVS. Entre os temas do fórum estavam os efeitos da inteligência artificial nos empregos e a relação entre Indústria 4.0 e proteção de dados.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, fez a abertura do evento e destacou a importância da 4ª Revolução Industrial para o Brasil. “A Indústria 4.0 é uma oportunidade gigantesca para o país, ainda que apresente desafios para os setores público e privado”. Segundo Abijaodi, nesse cenário, é preciso levar em consideração a heterogeneidade da indústria brasileira, mas, também, o potencial das empresas nacionais para integrarem esse processo. “O parque industrial brasileiro mostra que a tarefa é possível, mas há urgência. E a capacidade de a indústria brasileira competir internacionalmente dependerá de nossos esforços”.

No mesmo sentido, o diretor-geral e membro do Comitê Organizador do GMIS, Namir Hourani, afirmou que a 4ª Revolução Industrial é complexa. “Precisamos entender qual é o impacto disso para nós, para o mundo e para as organizações. E nós estamos convidando as pessoas a refletir e a entender esse movimento global”.

Na sequência, Carlos Magariños, ex-diretor geral da UNIDO e Embaixador da Argentina para o Brasil, falou sobre inovação industrial, indústria 4.0 e o futuro do desenvolvimento industrial na América Latina. Segundo Magariños, é preciso assegurar a difusão do conhecimento das tecnologias que compõem a Indústria 4.0. “É difícil entender a 4ª Revolução Industrial porque está baseada em diversas tecnologias, não apenas em uma. E são tecnologias convergentes que mudam a estrutura da produção industrial e o consumo”.

Ao traçar um panorama do mercado diante da adoção das tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0, o diretor da PwC Brasil, Rodrigo Damiano, por sua vez, evidenciou que o sucesso da implementação da Indústria 4.0 está atrelado a uma força de trabalho bem treinada. “A Indústria 4.0 vai trazer novas posições de trabalho e novos empregos. Mas isso vai demandar novas capacitações e habilidades dos profissionais”.

Indústria 4.0 e Política Industrial

No primeiro painel do GMIS Connect Brazil, João Emilio Gonçalves, gerente-executivo de Política Industrial da CNI e moderador do debate inicial, questionou os participantes sobre como esse fenômeno desafia o país na formulação de políticas públicas e lembrou os impactos esperados da Indústria 4.0 na economia, na produção industrial e no consumo. 

Para José Borges Frias, diretor de Estratégia e Business Excellence da Siemens Brasil, a velocidade do avanço das inovações compõe um desses desafios. “Uma das questões nesse sentido é a rapidez com a qual temos que nos adaptar a esse processo”. Outro desafio para as empresas, de acordo com ele, é a adequação a novos modelos de negócios, já que a digitalização permite a entrada em outros mercados.

No que tange ao papel do Estado no cenário de adoção de tecnologias da Indústria 4.0, Andrea Macera, secretária substituta de Desenvolvimento e Competitividade Industrial, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), considera que o Estado deve ser “facilitador e coordenador desse processo”. “É preciso desenhar uma política industrial que seja catalisadora de uma transformação industrial para acompanharmos todos esses avanços tecnológicos”.

Macera também defende mudanças educacionais que possibilitem a formação de mão de obra qualificada para trabalhar nesse contexto e o estabelecimento de uma parceria público-privada. “Deve ser criado um ambiente regulatório adequado e ágil para acompanharmos os desafios impostos por essa nova revolução tecnológica”. No mesmo painel, Ana Cristina Rodrigues da Costa, chefe do Departamento de Bens de Capital, Mobilidade e Defesa do BNDES, diz que, “quando falamos em Indústria 4.0, estamos voltando a pensar no quanto a indústria é importante”.

Inteligência Artificial e empregos

Quando o assunto é Inteligência Artificial – uma das tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 – vem à tona o debate sobre a necessidade de profissionais qualificados para trabalharem com esses sistemas. Para o Professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Arbix, a Inteligência Artificial ocupa um lugar preponderante na 4ª Revolução Industrial, e lembra a importância de se investir em recursos humanos para acompanharem tecnologias como essa. “Não se faz inovação sem pessoas. São as pessoas que criam as inovações. Então, é preciso pensar na formação de pessoas, e com qualificação”. 

Por sua vez, Laercio Cosentino, CEO da TOTVS, explica que a Inteligência Artificial é um caminho sem retorno, e uma tecnologia revolucionária para a gestão dentro das empresas. “É necessário haver um esforço no Brasil para sermos, não apenas usuários de tecnologia, mas também, produtores de tecnologia, e isso demanda investimento em capacitação”.

Fabio Rua, diretor na IBM América Latina, reforça que o mercado brasileiro é carente de mão de obra técnica e ressalta os problemas do país na capacitação de profissionais. “Os cursos técnicos vão ajudar no preenchimento de vagas de emprego e fazer com que o mercado cresça para dar conta desses desafios que a Indústria 4.0 impõe”. Rua explica, também, que acredita no modelo de Inteligência Artificial e na adequação do mercado a uma tecnologia tão relevante para o desenvolvimento da indústria. “A Inteligência Artificial vem para revolucionar a maneira como vivemos: a saúde, a educação, o sistema financeiro e os governos”.

Ainda no segundo painel do evento, Luciano Souza, diretor na Secretaria de Inovação e Novos Negócios do MDIC, frisa a importância da articulação de diferentes atores nesse contexto. “Se a gente não tiver coordenação entre governo, academia e empresariado, a gente não consegue avançar em uma agenda tão complexa”, diz.

Regulação e Indústria 4.0 

Como as tecnologias da Indústria 4.0 aumentam o fluxo e o tratamento de dados, os especialistas do terceiro e último painel do GMIS Connect Brazil falaram sobre privacidade e a Lei Geral de Proteção de Dados.  “Há uma tendência mundial sobre a questão dos direitos de privacidade. A proteção de dados gera confiança no usuário. Quando o usuário sabe que os seus dados estão protegidos, ele tende a confiar mais nas plataformas digitais”, afirma Juliana Araujo, sócia no K&L Gates LLP. 

O diretor de Relações Institucionais da Telefonica/VIVO, Enylson Camolesi, também considera importante a existência de uma legislação nesse sentido e diz que “estamos no meio de um novo redesenho da economia digital”. “Uma nova ética de dados deve surgir na economia nos próximos anos. Hoje em dia, se fala em venda de dados. Daqui a alguns anos, pode ser que estejamos falando sobre vender privacidade”, diz Enylson Camolesi.

Fonte: CNI