Notícias


Tecnologia & Inovação Postado em quarta-feira, 02 de abril de 2025 às 12:13


Do atendimento personalizado ao checkout automatizado, a IA promete transformar o varejo em uma experiência mais ágil, intuitiva e imersiva.

A inteligência artificial (IA) já não é mais uma promessa distante para o varejo, mas sim uma realidade que vem moldando a forma como consumidores interagem com marcas e como empresas operam nos bastidores. Um relatório publicado pela McKinsey diz que, até 2030, a IA pode gerar um impacto econômico global de até US$ 13 trilhões, e o setor varejista está entre os mais beneficiados. No Brasil, o faturamento do e-commerce de 2024 chegou a R$204.3 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), com previsão de R$343 bilhões em 2029.

A estratégia para o sucesso no varejo atual

Nesse cenário, a personalização é uma das principais fronteiras da IA no varejo, principalmente em sistemas de recomendação baseados em algoritmos que analisam desde o histórico de compras até o comportamento de navegação. No varejo físico, a integração de tecnologias como realidade aumentada e sensores inteligentes está criando experiências imersivas, como provadores virtuais e checkouts automatizados, que já começam a apresentar resultados como redução de filas e aumento da satisfação do cliente.

No entanto, a revolução traz consigo desafios como a privacidade dos dados, a transparência no uso de algoritmos e o impacto da automação no emprego, questões que exigem atenção. Para Bianka Passos, engenheira de software da Ateliware e especialista em IA, a chave está no equilíbrio. “Equilibrar inovação com responsabilidade garante que a tecnologia sirva tanto aos negócios quanto aos consumidores”.

Personalização e experiência do consumidor

De acordo com Bianka Passos, a IA está transformando a experiência do consumidor ao criar um ecossistema inteligente de varejo. "Hoje, podemos oferecer recomendações mais assertivas, baseadas em preferências pessoais, histórico de compras e até no contexto de uso do produto. Por exemplo, os assistentes de compra são capazes de analisar imagens, permitindo que o consumidor encontre um tênis semelhante ao de um colega apenas enviando uma foto pelo WhatsApp”, explica.

Eduardo Freire, CEO da FWK Innovation Design, reforça que a personalização é um dos pilares da transformação impulsionada pela IA. "Motores de recomendação inteligente e precificação dinâmica estão permitindo que os varejistas ofereçam experiências únicas, aumentando a taxa de conversão e reduzindo abandonos de carrinho. Para os consumidores, os benefícios incluem maior comodidade e descoberta de produtos alinhados às suas preferências".

No entanto, a personalização vai além do online. No varejo físico, tecnologias como vitrines inteligentes e provadores virtuais estão começando a ganhar espaço. "A realidade aumentada, integrada à IA, permite que o cliente experimente roupas ou visualize móveis em sua casa antes de comprar".
Automação e eficiência operacional

A automação impulsionada pela IA está revolucionando as operações do varejo, desde a gestão de estoques até o atendimento ao cliente. Bianka Passos destaca o uso de sistemas de visão computacional para monitorar lojas físicas em tempo real. "Esses sistemas identificam o nível de estoque nas prateleiras, o número de clientes na fila e até o tempo que eles passam em cada setor", aponta a especialista em IA.

Segundo Eduardo Freire, a cadeia de suprimentos é uma das áreas mais impactadas pela tecnologia. "Algoritmos de previsão de demanda analisam dados históricos, sazonalidade e até fatores externos, como o clima, para otimizar os níveis de inventário. Os checkouts automatizados, que eliminam filas e reduzem o tempo de espera, são uma tendência popularizada pela Amazon Go", analisa o CEO da FWK Innovation Design.

Freire destaca que os benefícios para os varejistas são mensuráveis, entre eles redução de custos operacionais, aumento da produtividade e tomada de decisão mais ágil. “Para os consumidores, a automação significa menos rupturas de estoque, ofertas personalizadas e uma experiência de compra mais fluida”, afirma o executivo.

Caminho para um varejo responsável

Apesar dos avanços, a implementação da IA no varejo não está livre de desafios e a privacidade dos dados é uma das principais preocupações das empresas e consumidores. "Com a LGPD em vigor no Brasil, os varejistas precisam garantir transparência sobre quais dados são coletados e como são utilizados".

Eduardo Freire destaca outro ponto crítico, que é o viés algorítmico. "Se não forem treinados corretamente, os sistemas de IA podem reforçar preconceitos, afetando desde recomendações até precificações. Para mitigar esses riscos, é preciso ter auditorias regulares e a criação de equipes multidisciplinares para supervisionar questões éticas.

É essencial investir em programas de requalificação e buscar um equilíbrio entre automação e interação humana", defende Passos.

A inteligência artificial está redefinindo o varejo, tornando-o mais personalizado, eficiente e imersivo, mas, para que essa revolução seja sustentável, é crucial abordar os desafios éticos e garantir que a tecnologia seja usada de forma responsável. "O varejo do futuro será liderado por empresas que equilibrem inovação, transparência e responsabilidade, colocando a IA a serviço tanto dos negócios quanto dos consumidores", finaliza o CEO da FWK Innovation Design.

Fonte: Super Varejo
Tecnologia & Inovação Postado em quarta-feira, 02 de abril de 2025 às 12:08


Com meta de faturamento de R$ 10 bilhões até 2030, Cimed lança 80 novos produtos e investe no programa “Foguete Amarelo”.

Com um plano que prevê alcançar um faturamento de R$ 5 bilhões em 2025 e R$ 10 bilhões até 2030, a Cimed tem expandido suas categorias e voltado seus investimentos aos pequenos varejistas. A companhia está lançando 80 novos produtos em todas as marcas, com destaque para Milimetric, Carmed, João e Maria – nova linha infantil – e Lavitan. Atualmente, a variedade de produtos forma um portfólio de mais de 600 opções.

“Somos o terceiro maior fabricante em volume no Brasil no setor farmacêutico, e entendemos bem essa cadeia próxima a nós”, comenta Karla Marques Felmanas, vice-presidente da Cimed. “Agora, conseguimos mostrar em primeira mão o que os desenvolvedores fazem, como melhorar e como as oscilações de preços fazem a diferença. Isso nos permite agilizar negociações com o tempo de compras”.

Capital de giro para o pequeno farmacêutico

A companhia conta ainda com linhas de crédito governamentais, especialmente voltadas para tecnologia e pesquisa no setor farmacêutico.
“Nosso propósito é produzir e distribuir tudo que tem dentro de um ambiente de farmácia. Queremos a possibilidade de criar linhas ou ter parceiros, por via de M&A, onde conseguimos contar com eles ao nosso lado”, frisa João Adibe, CEO da Cimed. “Consequentemente, há um grande desafio. Como a Cimed cresce muito rápido, porque somos autossuficientes nas distribuições, oferecemos capital de giro para o pequeno farmacêutico poder alavancar o negócio dele”.

Com um modelo diferente de negócio, a empresa produz e distribui seus produtos, sem intermediários. Além disso, foi criada uma solução tecnológica que possibilita a oferta de um mix de produtos personalizado para cada cliente. Quando um pequeno varejista vende um item, paga pelo produto por meio de uma ordem de pagamento automaticamente.

A configuração acontece por meio de um sistema que monitora as vendas em tempo real. Quando o pedido mínimo é atendido, a logística é acionada automaticamente. Isso reduz o capital de giro necessário, já que, em vez de esperar 45 a 60 dias pelo pagamento, acabou recebendo quase que instantaneamente. “A maior dificuldade do pequeno varejista é ter a confiança e a coragem para investir em estoque, porque é um peso para eles”, explica Karla.

O Foguete Amarelo da Cimed

Com o objetivo de levar oportunidades para o varejo farmacêutico, a Cimed lançou o programa Foguete Amarelo. A iniciativa é voltada para um grupo selecionado de farmácias, que solicita um estoque inicial de produtos com alta demanda em sua região e só pagará pela mercadoria quando estiver à venda.

“Não é só vender produto e dar prazo, e sim ajudar a prosperar. O papel do empresário brasileiro hoje é contribuir com esse ecossistema para prosperar através da maior dificuldade que ele tem, que é o capital de giro”, reforça João Adibe.

A iniciativa busca alcançar empreendedores que não têm conhecimento profundo sobre fluxo de caixa, trade marketing e organização de loja. Nesse cenário, a inovação surge como uma ferramenta para gerar valor e resolver problemas relacionados a essa falta de expertise.

“O Foguete Amarelo é uma inovação disruptiva em modelo de negócio. Hoje, no mundo, existem mais de 50 modelos, e o do Foguete Amarelo é um dos mais inovadores”, explica Luís Gustavo Lima, diretor de Estratégia e Integração de Negócios na Cimed. “Nossa visão é ser para o varejo farmacêutico independente o que o Uber foi para a mobilidade e a Netflix para filmes e séries. Queremos criar um valor exponencial para essa cadeia”.

Parcerias

O Brasil tem pouco mais de 90 mil farmácias, e entre 50 e 55 mil se encaixam no perfil do Foguete Amarelo. E por que “Foguete”? Porque representa uma oportunidade de crescimento acelerado.

A iniciativa conta ainda com o apoio do Banco Safra. “Desde o começo, apresentei ao banco a ideia de não ser apenas fabricante, distribuidor ou entregador, mas ter os melhores ao meu lado. A partir disso, surgiu uma parceria com a plataforma Safra Pay, que trouxe uma solução inovadora para nós. Assim, começamos essa jornada”, comenta João Adibe. “Em 1990, fomos pioneiros ao comprar nossa cadeia de distribuição e sermos a única empresa verticalizada do Brasil. Agora, queremos ser pioneiros de novo, levando inovação ao pequeno empreendedor”.

Hoje, mais de 100 lojas já operam com o projeto. Até junho, a meta é chegar a mil; até o final do ano, 5 mil. “Aumentando o mix da farmácia, expandimos o faturamento do cliente e, consequentemente, vamos entregar mais produtos, com uma logística mais eficiente”, pontua Adibe.

O Foguete Amarelo contempla as três grandes categorias da Nova Era: Tecnologia, Supermarcas e Empreendedorismo. E os resultados já apareceram:
Farmácias que faturavam R$ 30.000 por mês passaram a faturar R$ 50.000;
As que faturavam R$ 60.000 ou R$ 70.000 já chegaram a R$ 90.000;
As que estavam em R$ 80.000 ultrapassaram os R$ 100.000, R$ 110.000 e até R$ 120.000.
Impulsionador do pequeno varejista

O Foguete Amarelo, de acordo com João Adibe, esse será um passo maior que a distribuição atual. “Eu não vendo diretamente ao consumidor final, mas organizo as ações de vendas, comunico de maneira eficiente e faço a execução nos pontos de venda, o que é um dos maiores desafios das empresas atualmente. Esse movimento cria um ciclo de prosperidade: eu vendo, o varejo vende e todos ganham com as promoções”, pontua o CEO.

Ainda segundo o CEO, os pequenos varejistas serão os maiores clientes. Ele ressalta que a empresa, que tem 48 anos, só chegou onde está hoje por causa dos pequenos negócios.

“Vender para os grandes é fácil, mas apoiar o pequeno, oferecer crédito e ensinar a vender, é um diferencial nosso. Hoje, são cerca de 50 mil farmácias, faturando menos de R$ 50 mil reais por mês, que representa uma fatia relevante do nosso negócio”, comenta. “Queremos manter o ritmo de crescimento que já temos, através da construção da prateleira. Queremos criar categorias dentro desse ambiente; essa é alavanca que a empresa tem, através das experiências das supermarcas”.

Por dentro do ecossistema

A atuação no mercado vai além do simples ato de vender. É necessário promover o produto, garantir que o consumidor compreenda sua disponibilidade e treinar a equipe de vendas. Diversos fatores, quando alinhados ao entendimento do ecossistema do setor, contribuem para o domínio de mercado. Isso ocorre porque a atuação abrange todas as etapas do processo, do início ao fim. “Acredito que, dependendo da categoria, podemos crescer ainda mais do que o projetado”.

Ainda de acordo com o executivo, o canal de distribuição deve ser o protagonista, com uma logística qualificada e atenta às dores do setor. Primeiro, existe a necessidade de atender o cliente do canal principal antes de expandir. “Nosso desafio é oferecer produtos acessíveis no Brasil, mantendo a qualidade e a inovação como prioridades”.

Fonte: Consumidor Moderno