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Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 02 de abril de 2025 às 12:06


Em evento exclusivo, a Mastercard analisa os desafios econômicos para 2025, a evolução do uso de IA e o fim das senhas até 2030, com foco nas inovações que moldarão os pagamentos e o comportamento dos consumidores.

De acordo com dados do Instituto de Economia da Mastercard Brasil, em 2000, o País tinha cerca 35 milhões de crianças na população. Hoje, esse número caiu para 25 milhões, uma diferença significativa que impacta o consumo de maneira ampla nos lares. Paralelamente, a população brasileira cresceu de 165 milhões para 210 milhões de pessoas. Mas, nos próximos 25 anos, o crescimento populacional será bem mais modesto, chegando a apenas cinco milhões de novos habitantes no período.

Essa transição demográfica também impacta o envelhecimento populacional. Em 2000, apenas 5% da população tinha 65 anos ou mais. Hoje, esse percentual está entre 11% e 12%, e deve atingir 22% nos próximos 25 anos. Ou seja, um quarto da população brasileira será idosa, o que demandará outro padrão de consumo e uma outra forma de encarar o dia a dia da economia.

“O consumidor dos próximos 5, 10, 15 anos já está aqui. O que muda é a forma como ele consome, suas preferências e a maneira de interagir com a tecnologia”, explicou Gustavo Arruda, economista-chefe da Mastercard, durante um encontro com a imprensa no dia 20 de fevereiro. “O que observamos em países com população mais envelhecida é um aumento significativo na demanda por serviços, especialmente na área de saúde e bem-estar”.

A Inteligência Artificial como protagonista

O encontro, promovido pela Mastercard, contou com a apresentação de insights sobre as tendências de consumo para 2025 e os impactos macroeconômicos que moldarão o comportamento do consumidor nos próximos anos. Ainda, guiou discussões sobre o futuro dos meios de pagamentos e as prioridades da empresa no país.

Uma das principais tendências destacadas pelo Instituto foi o impacto da Inteligência Artificial (IA) na economia e no comportamento do consumidor. Segundo Arruda, pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que 50% da população brasileira já utiliza algum tipo de tecnologia baseada em IA, e entre 80% e 90% das empresas têm planos de implementação nos próximos cinco anos.

“Empresas que estão mais avançadas na adoção de IA têm percebido maior fidelidade do consumidor, pois conseguem oferecer experiências mais personalizadas e assertivas”, analisa Arruda. “A pergunta sobre como fazer, o que é necessário fazer e como implementar está presente em todos os debates que temos com clientes. Essa tendência gera um impacto macroeconômico relevante. O desafio da implementação da tecnologia de IA já é conhecido, e as empresas precisam ter seus dados organizados”, complementa.

2025: um ano de desafios

O estudo também aponta que 2025 será um ano desafiador para o consumidor. “Com previsão de desaceleração da economia, inflação elevada e taxas de juros altas, a expectativa do crescimento do PIB deve ficar em torno de 2%, abaixo dos 3% a 3,5% registrados nos últimos dois anos”.

Em resposta a esse cenário, Arruda aponta que os consumidores tenderão a ser mais conservadores, priorizando gastos essenciais, como alimentação e produtos básicos, enquanto reduzem despesas com itens supérfluos, como viagens e roupas. Além disso, também haverá uma menor inclinação para compras parceladas, refletindo uma postura financeira mais cautelosa diante da incerteza econômica.

Impactos da macroeconomia

Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil, comentou sobre como fatores como inflação e taxa de juros impactam os negócios da empresa no país.

“Inflação no curto prazo ajuda, mas no médio e longo prazo é péssima. Ajuda porque, de certa forma, a inflação acaba aumentando o volume de negócios. Mas, por outro lado, corrói o poder de consumo das pessoas. A inflação para o nosso negócio é ruim. Já vi gente falando que é bom, mas eu discordo completamente. Pode ajudar no curto prazo, porque você vai ver suas vendas crescendo um pouquinho mais, mas no final das contas, corrói o consumo e é ruim para o nosso negócio”.

Tangioni também destacou o impacto da taxa de juros. “Um dos papéis do Banco Central é pensar no aumento da taxa de juros para tentar segurar um pouco a inflação. Como isso é feito? Através da contenção de consumo. Se você está contendo o consumo, também não é bom para o nosso negócio. Nosso negócio vai bem quando o consumo cresce. Então, a alta da taxa de juros, se olharmos preto no branco, não é positiva.”

No entanto, ele pondera que há um lado positivo no longo prazo. “O que estamos vendo no mercado brasileiro é uma alta da taxa de juros que espero que, depois de um tempo, comece a cair. Esse é um remédio importante para o nosso negócio. No curto prazo, a alta de juros é ruim porque restringe o consumo, encarece os empréstimos e aumenta a taxa do cartão, o que não é bom para os negócios. Mas por outro lado, para a rentabilidade de longo prazo do nosso negócio, é importante ter uma economia equilibrada. Para ter uma economia equilibrada, você precisa controlar a inflação. Para controlar a inflação, você precisa aumentar a taxa de juros”, explica o presidente da Mastercard Brasil.

Fim das Senhas 2030

O uso de cartões no Brasil segue em crescimento acelerado. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o volume anual transacionado por meio dessa modalidade chegou a R$ 4,14 trilhões, um aumento de 10,9% na comparação anual. O débito online, que passou por uma padronização de regras em 2023 para simplificar a experiência do consumidor, registrou um crescimento de 397% entre 2019 e 2024.
No entanto, a Mastercard estabeleceu a meta de eliminar o uso de senhas até 2030, substituindo-as por autenticação biométrica. Tangioni destacou que esse movimento exige um trabalho coordenado entre diversos atores do setor. “O desafio não está na dificuldade, mas na complexidade. Precisamos que vários participantes da cadeia de pagamentos caminhem juntos para viabilizar essa mudança”.

A Mastercard já começou a dialogar com emissores, adquirentes, processadoras e fabricantes de dispositivos, como Apple e Samsung. Atualmente, mais de 40% das transações no Brasil já utilizam tokenização, passo importante para a eliminação das senhas. “Para acabar com a senha, precisamos chegar a 100% de tokenização. O avanço tem sido rápido, e acreditamos que é possível até antecipar essa meta”.

Paralelamente, a Mastercard está conduzindo um piloto de um novo produto de débito, que começou a ser emitido há cerca de seis meses. O cartão foi completamente repaginado. Embora ainda não tenha sido lançado oficialmente para o consumidor, já há milhares de unidades em circulação, permitindo que a empresa realize testes antes da implementação em larga escala. “Estamos migrando gradualmente para essa nova versão, que substituirá os cartões de débito atuais”, explicou Tangioni, sem entrar em muitos detalhes. A Mastercard é a única bandeira pilotando esse produto no momento, com um lançamento comercial planejado para o futuro.

Expansão dos pagamentos eletrônicos

Com um mercado receptivo às inovações, o Brasil é hoje um dos principais territórios globais da Mastercard, alternando entre a segunda e terceira posição no ranking mundial da empresa. Hoje, os pagamentos por aproximação já representam 67,2% das transações físicas no país.

Além da ampliação dos meios de pagamento, há algum tempo a Mastercard vem diversificando seu portfólio com serviços que vão além das transações financeiras tradicionais, como consultoria, Inteligência Artificial, cibersegurança, análise de dados, personalização e programas de fidelização.

Uma das inovações recentes é o Decision Intelligence Pro, tecnologia baseada em IA que melhora a autenticação de transações, reduzindo fraudes e aumentando as taxas de aprovação de compras em até 20% — podendo chegar a 300% em alguns casos.

Em cibersegurança, a Mastercard adquiriu a Recorded Future, empresa especializada em análise de ameaças digitais. A aquisição reforça a proteção contra fraudes e ataques cibernéticos, garantindo mais segurança para consumidores e empresas.

Fonte: Consumidor Moderno
Gestão & Liderança Postado em segunda-feira, 17 de março de 2025 às 11:12


Descontentamento com o valor atual do papel e confiança da gestão de que 2025 será um ano de mais vendas e rentabilidade impulsionam a estratégia da empresa.

Fechado o ano de 2024, Fabio Faccio, CEO da Renner, entendeu que não havia outro caminho. Com o papel negociando nas mínimas, uma medida importante de alocação de capital era ir às compras.

“A recompra das nossas ações é o melhor investimento que podemos fazer”, diz Faccio. A fala sintetiza o racional por trás do maior programa de recompra de ações da história da companhia -- casado ao momento em que a geração de caixa bateu recorde.

O plano prevê a aquisição de até 75 milhões de ações, o equivalente a 7,13% dos papéis em circulação, em uma movimentação avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.

A decisão demonstra tanto a confiança da gestão no desempenho futuro da empresa quanto o descontentamento com o patamar atual das ações, que vêm sendo negociadas próximas de R$ 13,71, um nível semelhante ao de 2016. Para efeito de comparação, o papel atingiu seu recorde em janeiro de 2020, quando chegou próximo dos R$ 50.

A recompra de ações se soma ao plano de R$ 850 milhões em investimentos, previstos para o próximo ano, com foco na abertura de novas lojas. Os anúncios vêm em um momento de solidez financeira da companhia, que registrou a maior geração de caixa de sua história: R$ 1,5 bilhão em 2024.

A companhia fechou o ano com receita líquida de varejo de R$ 12,67 bilhões, um crescimento de 8,2% frente a 2023. No quarto trimestre, a receita alcançou R$ 4,17 bilhões, um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento das vendas foi impulsionado por todas as marcas do grupo:

Renner: R$ 3,79 bilhões (+9,1%)
Youcom: R$ 193,5 milhões (+19,3%)
Camicado: R$ 191,2 milhões (+12,3%)

Mesmo com o avanço na receita, o lucro líquido caiu 7,5%, totalizando R$ 487,2 milhões no trimestre. Segundo Daniel dos Santos, CFO da companhia, eventos não recorrentes impactaram a comparação com 2023. “Tivemos eventos não recorrentes que atrapalham a comparação, como créditos que tivemos no ano passado e baixas de ativos. O EBITDA recorrente seria 19% maior e o lucro líquido, 30% maior. Isso mostra a consistência que tivemos esse ano”, explica.

A margem bruta permaneceu estável, em 55,8%, enquanto a margem EBITDA ajustada ficou em 24,5%.

Um dos destaques do trimestre foi a melhora significativa da Realize, o braço financeiro da companhia. O resultado operacional do negócio saltou para R$ 61 milhões, e a inadimplência atingiu o menor nível dos últimos cinco anos.

O cartão Renner voltou a crescer sua participação nas vendas, reforçando o papel da Realize como alavanca para o varejo em 2025. “A Realize conseguiu um operacional muito bom. Pela primeira vez, a participação do cartão Renner nas vendas cresceu, voltando a ter contribuição positiva no ecossistema”, destaca Santos.

Perspectivas para 2025

O cenário macroeconômico mais desafiador, com pressão de custos e volatilidade cambial, deve impactar o setor de varejo. Ainda assim, a Renner confia na resiliência do seu modelo de negócio. “Nosso modelo de operação nos deixa mais confiantes de que vamos continuar crescendo acima do mercado e com rentabilidade”, afirma o CFO.

Um dos fatores que devem sustentar esse crescimento é a política de precificação da empresa. Em 2024, a companhia conseguiu aumentar as vendas sem elevar os preços, favorecendo a percepção de valor por parte dos clientes. A Renner reduziu em 5 dias o prazo médio dos estoques, atingindo o menor nível de remarcações para um quarto trimestre desde 2016.

“Não teve crescimento vindo de preço em 2024, ele veio de volume. Tivemos uma boa percepção de preço dos nossos clientes em 2024. Provavelmente em 2025 ainda vai crescer muito mais por volume, mas com levemente uma parte de preços, mas estamos trabalhando para ser abaixo da inflação e isso nos permite continuar operando com margens saudáveis”, explica Faccio.

Outro ponto de atenção é a evolução da malha logística. O Centro de Distribuição de Cabreúva, que já opera com lead time melhor do que o esperado, deve impulsionar ainda mais os ganhos de margem e geração de caixa no segundo semestre de 2025. No primeiro semestre, a companhia ainda vai trabalhar em colocar a operação da Renner online integralmente no CD.

O desafio da Renner agora, aos 60 anos de operação, é convencer o mercado de que os ganhos vão continuar e que ela continua na moda.

Fonte: Exame