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Economia & Finanças Postado em terça-feira, 10 de dezembro de 2019 às 14:05
Analistas, considerando ainda as expectativas de intervenção do Banco Central, projetam a moeda americana entre R$ 4,18 e R$ 4,35.
Depois de um forte rali em poucas semanas, o dólar se fixou há cerca de quinze dias no patamar entre R$ 4,19 e R$ 4,25, mas isso não significa que não há espaço para que o real se desvalorize ainda mais, segundo o Credit Suisse.

“Destacamos que o real não está tão barato quanto [a cotação do] dólar, perto das máximas históricas, sugere”, avalia o banco em relatório divulgado na quarta-feira (4). Diante disso, os analistas, considerando ainda as expectativas de intervenção do Banco Central, projetam a moeda americana entre R$ 4,18 e R$ 4,35.

Segundo o Credit, o REER (taxa efetiva real de câmbio) – que leva em conta as taxas de câmbio nominais, perfil do comércio exterior e inflação -, está no meio de sua faixa média de 20 anos e os sinais comuns associados a uma moeda desvalorizada, como superávit da conta corrente, baixo desemprego e mercado imobiliário aquecido, não estão presentes.


linha verde claro: taxa de câmbio efetiva real
linha verde escuro: taxa de câmbio efetiva nominal

“Por fim, o CDS (ou seguro contra calote) sugere que as expectativas de uma elevação no rating já estão precificadas, o que torna o real vulnerável a frustrações no campo politico”, alertam os analistas.

Em um cenário mais amplo, o banco diz que sua estratégia para América Latina dá preferência pra moedas com taxas reais e nominais altas, balança de pagamentos estável e riscos políticos precificados.

Neste cenário, para o real, os estrategistas afirmam que o baixo carry trade (operação para ganhar com o diferencial de juros dos países desenvolvidos e emergentes) em meio ao cenário de queda da Selic tem permitido usar o câmbio dólar/real como hedge (proteção) para posições compradas no mercado brasileiro e que isso não deve se alterar no curto prazo. Assim, a moeda americana deve seguir forte.

Em entrevista ao InfoMoney, Márcio Appel, um dos principais gestores de fundos do país, fundador da Adam Capital, mostrou uma opinião parecida com a do Credit, afirmando que a tendência continua sendo de depreciação do real. “Não deverá ser um movimento explosivo, mas a tendência é essa”.

Sua previsão é que o dólar chegue a R$ 4,50 em 2020. “Quando o Brasil cresce e o mundo arrefece, como agora, o normal é que haja desvalorização da moeda. Surpresa seria o inverso”, explicou. Nesse cenário, as exportações costumam diminuir e as importações, aumentar, o que eleva o déficit em conta corrente.

Fonte: InfoMoney
Economia & Finanças Postado em quinta-feira, 05 de dezembro de 2019 às 08:38
Uma combinação de queda no desemprego, inflação e juros baixos e maior oferta de crédito deve sustentar os gastos das famílias no Brasil, permitindo ao país sair gradualmente da recessão, afirmou hoje a agência de classificação de risco Moody’s Investors Service em relatório.
Historicamente, o consumo é um dos pilares da economia do Brasil, afirma o vice-presidente sênior da Moody´s Gersan Zurita. Embora o desemprego permaneça elevado, a tendência é de queda e a taxa provavelmente recuará para menos de 12% no fim de 2019, pela primeira vez desde o fim da recessão.

A melhora no mercado de trabalho, combinada com inflação baixa e taxas de juros em queda, tem dado suporte ao poder de compra do consumidor, acrescenta ele. A inflação deve encerrar 2020 abaixo de 4%, marcando quatro anos consecutivos de IPCA abaixo da meta do Banco Central.
À medida que a confiança do consumidor aumenta, reforçando as vendas no varejo, a disponibilidade de crédito exercerá papel importante, especialmente para os consumidores que estavam com dificuldade para acessar os canais de crédito tradicionais, e para as pequenas e médias empresas (PMEs).

O crédito no Brasil há anos é dominado pelos grandes bancos tradicionais, mas a chegada de novos participantes aumenta a concorrência, criando mais opções de crédito ao consumidor e de sistemas de pagamento para os tomadores.
Mas a Moody’s observa que as taxas de juros do crédito permanecem insistentemente elevadas, apesar de a Selic estar historicamente em seu nível mais baixo.

No entanto, a capacidade das famílias de honrar suas dívidas aumentará com os consumidores renegociando seus débitos ou novas dívidas a taxas mais baixas.
À medida que condições mais benignas forem estabelecidas, as vendas de automóveis, um indicador-chave do dinamismo da economia brasileira, continuarão recuperando-se da queda no período de recessão.

Fonte: MoneyTimes