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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 29 de maio de 2018 às 06:47
O impacto significativo que a inteligência artificial (IA) terá nos negócios no futuro próximo desperta críticas acaloradas. Pouco se diz, porém, sobre como, exatamente, as empresas devem se iniciar no assunto. Em nossa pesquisa e em nosso livro, começamos fazendo uma análise dos elementos econômicos mais simples da IA, e explicamos como dar o primeiro passo.

Começamos com um insight simples: os desenvolvimentos recentes da IA estão relacionados com a redução do custo da previsão. A IA torna a previsão melhor, mais rápida e mais barata. Não apenas você pode prever com mais facilidade o futuro (como será o tempo na próxima semana?), Mas também pode prever o presente (qual é a tradução em português deste site em espanhol?). A previsão permite usar informações que você tem para gerar informações que você não tem. Sempre que você tem muita informação (dados) e quer filtrá-la, espremê-la ou classificá-la de forma que facilite a tomada de decisões, a previsão ajudará a fazer isso. E agora as máquinas podem fazer isso também.

Melhores previsões são importantes quando você toma decisões em face da incerteza, como todo negócio faz, constantemente. Mas como você pensa no que seria necessário para incorporar uma máquina de previsões em seu processo de tomada de decisão?

Lecionando esse assunto a graduados em MBA na Rotman School of Management da University of Toronto, introduzimos uma ferramenta simples de tomada de decisão: o AI Canvas. Cada espaço na tela contém um dos requisitos para tomada de decisão assistida por máquina, começando com uma previsão.

Para explicar como o AI Canvas funciona, usaremos um exemplo elaborado durante um de nossos workshops de estratégia de inteligência artificial, realizado por Craig Campbell, CEO da Peloton Innovations, um empreendimento que aplica a inteligência artificial no setor de segurança. (É um exemplo real, baseado em um produto que a Peloton está comercializando, chamado RSPNDR.ai.)

Mais de 97% das vezes em que um alarme de segurança doméstica dispara, é um alarme falso. Ou seja, algo diferente de um intruso desconhecido (uma ameaça) o desencadeou. Isso requer que as empresas de segurança tomem uma decisão sobre o que fazer: aciona a polícia ou um guarda? Telefona para o proprietário? Ignora o fato? Quando a empresa de segurança decide agir, em mais de 90 de 100 vezes acabará descobrindo que a ação era desnecessária. No entanto, responder sempre em resposta a um sinal de alarme garante que, quando uma ameaça realmente está presente, a empresa de segurança respondeu de forma apropriada.

Como você pode decidir se empregar uma máquina de previsão melhorará as coisas? O AI Canvas é uma ferramenta simples que ajuda você a organizar o que precisa saber em sete categorias para fazer essa avaliação de forma sistemática. Fornecemos abaixo um exemplo para o caso de alarmes de segurança.


Primeiro, você especifica o que está tentando prever. No caso do alarme, você quer saber se um alarme é acionado por uma pessoa desconhecida ou não (alarme verdadeiro versus falso). Uma máquina de previsões pode lhe dizer isso — afinal, um alarme com um simples sensor de movimento já é uma espécie de máquina de previsão. Com o aprendizado de máquina, você pode usar uma gama mais rica de informações dos sensores para determinar o que realmente deseja prever: se o movimento foi causado especificamente por uma pessoa desconhecida. Com os sensores certos —digamos, uma câmera em casa para identificar rostos conhecidos ou animais de estimação, uma chave da porta que reconhece quando alguém está presente, e assim por diante — as técnicas atuais de IA podem fornecer uma previsão mais sutil. A previsão não é mais “movimento = alarme” mas, por exemplo, “movimento + face não reconhecida = alarme”. Essa previsão mais sofisticada reduz o número de falsos alarmes, facilitando a decisão de enviar alguém, em vez de tentar entrar em contato com o proprietário.

Nenhuma previsão é 100% precisa. Assim, para determinar o valor do investimento em melhores previsões, você precisa saber o custo de um alarme falso, em comparação com o custo de desconsiderar um alarme quando ele é verdadeiro. Isso dependerá da situação e requer uma ponderação. Qual é o custo de uma chamada telefônica para verificar o que está acontecendo? Quanto custa enviar um guarda de segurança em resposta a um alarme? Vale a pena responder rapidamente? Quanto custa não agir quando há um intruso em casa? Existem muitos fatores a considerar, e determinar seus pesos relativos requer uma ponderação.

Essa ponderação pode mudar a natureza da sua máquina de previsões. No caso do alarme, ter câmeras em toda a casa pode ser a melhor maneira de determinar a presença de um intruso desconhecido. Mas muitos ficariam desconfortáveis com isso. Algumas pessoas preferem arcar com o custo de mais alarmes falsos por uma maior privacidade. A ponderação, por vezes, requer determinar o valor relativo de fatores que são difíceis de quantificar e, portanto, comparar. Embora o custo dos falsos alarmes possa ser fácil de quantificar, o valor da privacidade não o é.

Em seguida, você identifica a ação que depende das previsões geradas. Essa pode ser uma decisão simples de “acionar/não acionar” ou pode ter mais nuances. Talvez as opções de ação incluam não apenas acionar alguém, mas também permitir monitoramento remoto imediato de quem está em casa ou alguma forma de contato com o dono da casa.

Uma ação leva a um resultado. Por exemplo, a empresa de segurança aciona um segurança (ação) e o guarda descobre um intruso (resultado). Em outras palavras, para cada decisão, podemos ver, retroativamente, se a resposta correta ocorreu. Saber disso é importante para avaliar se é possível melhorar as previsões ao longo do tempo. Se você não sabe qual resultado deseja, essa melhora é mais difícil, ou mesmo impossível.

A linha superior da tela – previsão, julgamento, ação e resultado — descreve os aspectos críticos de uma decisão. Na linha inferior da tela, há três considerações finais. Todas elas estão relacionadas com dados. Para gerar uma previsão útil, você precisa saber o que está acontecendo no momento em que uma decisão precisa ser tomada — nesse caso, quando um alarme dispara. No nosso exemplo, isso inclui dados de movimento e dados de imagens coletados em casa em tempo real. Esses são os dados básicos de entrada.

Mas, para desenvolver a máquina de previsão, é preciso, em primeiro lugar, treinar um modelo de aprendizado de máquina. Os dados de treinamento correspondem aos dados históricos do sensor com resultados anteriores para calibrar os algoritmos no coração da máquina de previsões. Nesse caso, imagine uma planilha gigante em que cada linha é um horário em que o alarme disparou, se de fato havia um intruso e um monte de outros dados, como local e hora do dia. Quanto mais ricos e variados forem os dados de treinamento, melhores serão as suas previsões. Se esses dados não estiverem disponíveis, talvez seja necessário implantar uma máquina de previsão medíocre e esperar que ela melhore com o tempo.

Essas melhorias vêm de dados de feedback, que são dados coletados quando a máquina de previsão está operando em situações reais. Os dados de feedback geralmente são gerados a partir de um conjunto mais rico de ambientes do que os dados de treinamento. Em nosso exemplo, você pode correlacionar resultados com dados coletados de sensores através de janelas, o que afeta a forma como os movimentos são detectados e as câmeras capturam uma imagem facial — o que talvez seja mais realista do que os dados usados para treinamento. Assim, você pode melhorar ainda mais a precisão das previsões com o treinamento contínuo usando dados de feedback. Às vezes, os dados de feedback serão adaptados a uma residência individual. Outras vezes, pode agregar dados de muitas casas.

Esclarecer esses sete fatores para cada decisão crítica em sua empresa ajudará você a começar a identificar oportunidades para a IA reduzir custos ou melhorar o desempenho. Aqui, discutimos uma decisão associada a uma situação específica. Para começar com a IA, seu desafio é identificar as principais decisões em sua empresa em que o resultado depende da incerteza. Preencher o AI Canvas não vai definir se você deve fazer sua própria IA ou comprar uma de um fornecedor, mas ajudará a esclarecer em que a IA vai contribuir (a previsão), como ela irá interagir com os humanos (ponderação), como ela será usada para influenciar as decisões (ação), como você medirá o sucesso (resultado) e os tipos de dados que serão necessários para treinar, operar e melhorar a IA.

O potencial é enorme. Por exemplo, os alarmes comunicam previsões a um agente remoto. Parte do motivo dessa abordagem é grande número de sinais falsos. Mas pense: se a nossa máquina de previsão se tornasse tão boa que não houvesse alarmes falsos, será que acionar alguém ainda seria a resposta correta? É possível imaginar respostas alternativas, como um sistema de captura de intrusos no local (como nos desenhos animados!), o que talvez fosse mais viável com previsões significativamente mais acuradas e de alta precisão. Em geral, previsões melhores criarão oportunidades para maneiras inteiramente novas de abordar a segurança, podendo, potencialmente, prever a intenção dos intrusos antes mesmo de eles entrarem.

Fonte: HBRB
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 22 de maio de 2018 às 06:57
Falta de tempo, rotina, instabilidade financeira, pressão no trabalho. Ter uma carreira ascendente e gratificante, presença com qualidade na vida familiar, envolvimento comunitário significativo e satisfação pessoal parece cada vez mais inatingível. Mas o que norteia todas essas variáveis? O que de fato buscamos? Como ter energia para tudo isso, que acontece ao mesmo tempo para a mesma pessoa?

A resposta: propósito. No dicionário, propósito aparece como tomada de decisão, aquilo que se pretende alcançar ou realizar. De acordo com Peter Senge, autor do livro “A Quinta Disciplina”, enquanto visão é um destino específico, propósito é similar à direção que tomamos. A noção de propósito captura a intenção e o esforço que indivíduos fazem para alcançar seus objetivos. Propósito é a sua marca pessoal, aquilo que faz brilhar os olhos. Não é o que você faz, mas sim como e por que.

A palavra é atualmente um hot topic, como aponta o Google Trends. Nos últimos catorze anos, o interesse pela palavra cresceu mais de oito vezes. Já um estudo conduzido pela EY e Universidade de Oxford aponta que o debate público acerca de propósito cresceu cinco vezes entre 1995 e 2014. De acordo com Neal Chalofsky e Liz Cavallaro em seu artigo “A Good Living Versus A Good Life: Meaning, Purpose, and HRD” (2013), esse maior interesse vem de questionamentos dos baby boomers quanto às longas jornadas de trabalho e hoje é consolidado pela procura da Geração Y por maior equilíbrio na vida pessoal e impacto profissional. Nossas percepções e motivações estão mudando e os autores acreditam em uma nova forma de ver qualidade de vida e satisfação. Não é mais apenas como administramos o trabalho versus o resto de nossas vidas. É um quebra-cabeça com vários aspectos relevantes e que mudam ao longo da vida – família, amigos, vida pessoal, comunidade, trabalho, lazer e espiritualidade.

Para a empresa: investimento que vale a pena

A maioria das empresas apresenta missão e visão bem estabelecidas e divulgadas, mas poucas têm ou propriamente comunicam seu propósito ou razão de existir. No entanto, os consumidores, mais empoderados e informados no processo decisório por uma marca, buscam organizações com valores alinhados. Isto desafia as empresas a repensarem sua identidade e modus operandi para se manterem competitivas no mercado e atraentes para seus funcionários. Operar baseado em valores e propósito autênticos e compartilhados claramente reflete no desempenho da empresa. Por exemplo, empresas com um senso de propósito bem definido, mensurado em termos de impacto social e não só em lucro, performaram 14 vezes melhor no índice S&P 500 – índice de ações comercializadas na NASDAQ ou NYSE – entre 1998 e 2013. Ainda, organizações com propósito claro apresentam maior retenção, tanto de consumidores (75%), quanto de funcionários (quatro vezes mais).

Propósito é simplesmente a razão pela qual uma organização faz o que faz. Ele deve nortear os processos decisórios, desde contratações, ações de responsabilidade social, até decisões de investimento. Seja desenvolver uma comunidade local, revolucionar o modo que consumidores compram produtos ou adquirem serviços, propósito é, ou deveria ser, o que move as grandes empresas globais.

Para a carreira: por que você trabalha?

Ter um propósito é também essencial para navegar a complexidade, volatilidade e ambiguidade em que vivemos hoje; um contexto em que estratégias mudam rapidamente e nem sempre há respostas certas ou erradas. Uma pesquisa com 474 executivos mostra que 90% deles reconhece a importância de ter objetivos e motivações bem definidas para inspirar e gerar resultados. No entanto, menos de 20% de líderes corporativos têm um propósito individual claro e poucos deles conseguem defini-lo concretamente em uma frase.

E de que forma vemos o trabalho? De acordo com Dan Pontefract, autor do livro “the Purpose Effect: Building Meaning in Yourself, Your Role, and Your Organization”, há três formas. A primeira é a orientação por retorno financeiro, em que você trabalha para receber um salário e nada mais. Já a segunda é a mentalidade de carreira, orientada pelo crescimento na posição, responsabilidades, influência ou salário. Finalmente, a terceira é a mentalidade norteada pelo propósito de se sentir motivado, realizado e fazendo algo que contribua para a organização da qual faz parte. Aqui, a energia se renova e é onde encontramos o flow, estado em que nos concentramos ativamente numa tarefa e alcançamos estados de satisfação profunda.

O aspecto financeiro é inevitavelmente relevante, porém trabalho deve ir além disso. Passamos a maior parte do nosso dia – e de nossas vidas trabalhando e precisamos encontrar satisfação, inspiração e sentido no que fazemos. Pare um pouco para analisar como você encara o trabalho no dia a dia. Se a mentalidade financeira e de crescimento ocupam mais de 50% do seu tempo, é hora de (re)definir o seu propósito pessoal e profissional.

Para você: sentido e qualidade de vida

A busca por propósito é inevitavelmente um processo natural e complexo. É o que traz sentido às nossas vidas; é o que nos faz levantar todos os dias animados para correr atrás de nossos objetivos e para deixar nossa marca no mundo.

No livro “Como avaliar sua vida?”, o autor Clayton Christensen afirma que ter um senso claro de propósito está diretamente relacionado com nossa felicidade pessoal. Sem motivações bem definidas, desperdiçamos nossa energia e recursos naquilo que talvez satisfaça objetivos de curto prazo, mas que não comunica com o que de fato nos importa e agrega valor. Um forte senso de propósito deve permear nossas decisões consistentemente para conseguirmos gerar valor e impacto.

De acordo com Strecher, autor do livro “Life on Purpose”, a força de um propósito de vida pode ser mensurada e envolve viver em consonância com nossos valores e objetivos e com a vontade de deixar uma marca positiva no mundo. Pesquisas também apontam uma correlação direta entre propósito, bem estar psicológico e uma vida mais saudável. Em um estudo de 2014, de Patrick L. Hill e Nicholas A. Turiano, indivíduos com propósito e sentido claros apresentaram uma longevidade significativamente maior. Ter esse direcionamento reduz em até 20% o risco de infarto, AVC e doenças cardíacas, além de aumentar a resiliência cerebral em doenças como o Alzheimer.

É interessante também notar que propósito não é um artigo de luxo restrito a poucas pessoas. É uma habilidade psicológica que pode ser cultivada independentemente do grau de escolaridade ou outras condições, conforme demonstra pesquisa conduzida na Universidade de Cornell.

Definindo seu propósito e o colocando em ação

Propósito não é algo imposto, com que você simplesmente se depara ou uma visão que cruza sua mente. Também não é uma fonte única de inspiração ou algo imutável. Propósito se constrói e muda ao longo do tempo. É algo específico, pessoal e que comunica com você e apenas você.

Fácil? Com certeza não! Definir um propósito requer autoconhecimento e tempo. Abaixo, seis questionamentos para o processo de reflexão.

1. O que torna você único? O que você faz que te diferencia de outros? Qual é a sua marca?


2. O que é importante para você? O que te faz levantar animado no dia a dia?

3. Qual é a sua visão de carreira e de vida? Que histórias quer contar para seus netos? Qual marca você quer deixar no mundo?

4. Analisando sua trajetória, você enxerga um padrão ou tema comum que permeia suas decisões?

5. Quais experiências te desafiaram e fizeram com que você se sentisse inspirado e fazendo algo relevante?

6. Se dinheiro não fosse importante na sua vida, o que você faria no próximo ano? E nos próximos cinco e dez anos?

O rascunho das respostas dessas perguntas – rascunho porque elas nunca são respondidas finalmente, já que estamos sempre evoluindo e esclarecendo nossa relação com nossos valores e identidades – oferece um bom panorama sobre quem você é de verdade, longe dos padrões mais convencionais de sucesso.

Se o seu propósito ainda não está claro, não desista e continue a construí-lo. O importante é colocar em ação o que você acredita hoje, seguindo as suas motivações: articular e viver o seu propósito para uma vida com sentido e impacto.


Fonte: HBRB