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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 08 de maio de 2018 às 12:32
Por que algumas empresas têm facilidade para aproveitar as oportunidades criadas pelas tecnologias e outras não? Recentemente, o professor da Wharton School George S. Day e o consultor Paul Schoemaker, fundador e chairman da consultoria Decision Strategies International, deram uma resposta interessante no artigo Adapting to fast-changing markets and technogies, publicado na revista California Management Review. Segundo eles, a diferença começa no fato de que as primeiras empresas possuem as três capacidades dinâmicas listadas por David Teece, professor da University of California em Berkeley, em sua teoria das capacidades dinâmicas: sentir, agarrar a oportunidade e transformar. 

No entanto, Day e Schoemaker foram além, observando já uma versão 2.0 das três capacidades dinâmicas, que são seis subcapacidades:

• Sentir – visão periférica. Ante obstáculos como excesso de informações, requer duas ações fundamentais: (1) acertar o escopo da visão (nem amplo nem estreito demais), aprendendo com o passado, examinando os sinais do presente e construindo possíveis futuros e (2) escanear ativa e não passivamente os dados, com real curiosidade e usando hipóteses concorrentes.

• Sentir – aprendizado vigilante. É preciso interpretar os sinais coletados de modo crítico, o que requer quatro ações: (1) alimentar uma robusta orientação ao mercado; (2) saber filtrar os filtradores, aqueles que testemunham eventos inesperados que podem ensinar mas não os passam adiante;  (3) superar os vieses que inibem a interpretação ampla de informações ambíguas; (4) levar em conta três pontos de vista em cada questão complexa, como sugeria Leonardo da Vinci.

• Agarrar a oportunidade – experimentar para aprender. Abrace os protótipos rápidos; são, de fato, uma grande ajuda para quem quer aproveitar oportunidades.

• Agarrar a oportunidade – investimento flexível. Testar caminhos diferentes pode sair caro; o mais recomendável é uma abordagem de opções reais, como fazer um investimento pequeno em uma startup que desenvolve uma nova tecnologia com a possibilidade de aumentá-lo mais adiante.

• Transformar – redesenho organizacional. Muitas empresas separam iniciativas transformadoras em startups. Mas, se a estrutura física existente for útil ao negócio, separe ao menos orçamento, contabilidade e política de pessoas.

• Transformar – modelagem externa. Consiste em renegociar o ambiente em que o novo negócio se insere e modelar seu ecossistema, aproveitando as redes de suas pessoas. 

Day e Schoemaker dão como exemplo de capacidades dinâmicas 2.0 uma iniciativa de biocombustível da DuPont. 

Fonte: Revista HSM
Estratégia & Marketing Postado em segunda-feira, 30 de abril de 2018 às 16:01
Inovação dos modelos de negócio e transformação digital são dois assuntos que rondam os corredores dos escritórios de qualquer grande varejista no mundo. Mas as dificuldades de mudança são muitas e chegam a ter intensa relação com a cultura empresarial.

Afinal, grandes varejistas pressupõem modelos tradicionais. Isto é, elas nasceram em contextos totalmente diferentes dos padrões atuais, o que torna uma operação complexa de adaptação às novas demandas dos consumidores.  Os millennials e a geração Z são os grandes responsáveis pela cultura e pelo consumo no meio digital. Entendê-los é obrigação das empresas se quiserem seguir a tendência e obter um rótulo de mindset digital.

O Head de programas e iniciativas digitais do Google, Joris Merks-Benjaminsen, deu algumas dicas na plataforma de discussão da empresa ThinkWithGoogle sobre como desenvolver essa cultura digital dentro da empresa. Confira:

1) Defenda a ideia de que o foco da empresa deve ser sempre o cliente

A estrutura da organização não pode atrapalhar a estratégia de relacionamento com os clientes. As metas das equipes acabam afetando fortemente a experiência do consumidor. Por exemplo, diz Benjaminsen, os times do e-commerce são incentivados a aumentar as vendas online, enquanto as equipes nas lojas também têm suas metas para bater. Mas os clientes tendem a usar tanto o canal digital quanto a loja em sua jornada de compra, esperando ter uma experiência consistente, sem atritos.

Um problema relatado frequentemente é que, por estarem focadas em diferentes partes da jornada do consumidor, as equipes acabam fazendo escolhas tecnológicas sem conversar entre si. E quanto menos alinhamento interno, pior vai ser a experiência do cliente. As empresas devem escolher sistemas que vão permitir a unificação na comunicação e no atendimento ao cliente. Essas ferramentas devem fornecer um único perfil desse consumidor. Essas ações precisam ser coordenadas por profissionais que tenham capacidade suficiente para garantir que esses sistemas sejam utilizados de forma integrada em toda a jornada do consumidor.

2) Incentive o uso de uma linguagem acessível quando o assunto for tecnologia

Um desafio muito comum nas empresas é a falta de comunicação entre líderes e especialistas. Quando se trata de desenvolvimento tecnológico, as novas soluções são tão fragmentadas, e mudam tão rápido, que só os especialistas conseguem acompanhá-las. Isso não seria um problema se eles conseguissem se comunicar com outros times usando uma linguagem acessível aos leigos, mas a realidade é que muitos deles não conseguem.

“Especialistas são aqueles que entendem cada detalhe do que a tecnologia faz; no entanto, nem sempre estão aptos a pensar além dos limites de sua própria equipe. Esse é o papel do líder, mas ele nem sempre tem o conhecimento técnico necessário. Se conseguirmos que especialistas e líderes trabalhem juntos, fazer escolhas tecnológicas integradas se tornará muito mais fácil”, diz o especialista do Google.

3) Estabeleça e promova a cultura de inovação

Segundo Joris Merks-Benjaminsen, a transformação digital não é algo planejado ou programado. “É uma reação em cadeia de experimentos pequenos o bastante para serem executados rapidamente, porém relevantes o suficiente para romper com antigas formas de trabalho. Daqui para frente as empresas precisarão de um ambiente de experimentação, se quiserem sobreviver e prosperar”, afirma o executivo do Google.

Para incentivar ainda mais o espírito de inovação e fazer a transformação acontecer, a ideia é promover um ambiente de abertura e uma cultura que fomente o aparecimento de novas ideias. “Contrate pessoas que sejam capazes de fazer muitas coisas e se adaptar a mudanças; dê a elas o mínimo de estrutura necessária e forneça ferramentas e locais de trabalho que estimulem a conexão com outras pessoas, ao mesmo tempo em que elas criem sistemas flexíveis em torno dos seus próprios projetos”, conclui.

4) Ofereça visão e liderança que estimulem evolução

Obstáculos são um componente essencial na transformação digital. Eles não podem ser uma desculpa para não passar pela transformação, pois são parte inerente dela, afirma Benjaminsen. O fato é que ações de transformação digital sempre agregam mais trabalho, pois raramente se encaixam em processos ou estruturas já existentes e quase nunca pode-se construir algo novo sobre o que já está feito.

Além disso, o risco também é maior: se você faz as coisas do mesmo jeito de sempre, você sabe mais ou menos como vão terminar e qual será o resultado final. Se agir de forma diferente, você não sabe se será bem-sucedido ou qual será o impacto de suas ações. Esse é o risco com que as empresas terão que lidar daqui para frente. Se você quiser que sua empresa passe por uma transformação digital, as pessoas precisam ter persistência e disposição para assumir mais trabalho e mais riscos, porque acreditam que este é o caminho certo a seguir.

O que o especialista do Google indica para os líderes empresariais fazerem neste cenário?

“Primeiramente, estabeleça metas que ajudem as pessoas a pensar no futuro, incluindo uma visão forte de longo prazo, com desafios claramente definidos para que elas possam trabalhar neles. Em segundo lugar, defina objetivos e forneça ferramentas que facilitem a colaboração entre áreas. Incentive qualquer um a se conectar com qualquer outra pessoa, independentemente de hierarquia ou posição no organograma da empresa”, diz Benjaminsen

“É necessário haver incentivos para que as pessoas pratiquem inovação, pois não temos como medir o que nunca foi testado antes. Coisas simples como prêmios e bônus podem fazer uma grande diferença, mostrando para as pessoas que o empreendedorismo é admirado e valorizado”, conclui.

Fonte: Novarejo