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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 20 de agosto de 2019 às 18:52
A lentidão na mudança de mindset dentro das grandes empresas ainda é um impeditivo para o avanço da inovação no Brasil, segundo pesquisa feita pelo coletivo Open Innovation do Brasil, obtida com exclusividade por Época NEGÓCIOS. O estudo elencou os principais desafios e preocupações de executivos para o avanço da inovação aberta no país. Os dados foram obtidos em parceria com o SocialData, que por sua vez utiliza o banco de dados da MindMinners.

A pesquisa intitulada de “Os Desafios da Inovação Aberta no Brasil” consultou, entre 24 de junho e 12 de julho de 2019, cerca de 126 membros de diferentes equipes do coletivo em todo o país. Os times regionais são compostos por empreendedores, consultores e representantes de empresas interessadas no tema de inovação. Aos entrevistados, foram feitas perguntas relacionadas à percepção da inovação na atualidade, perspectivas e preocupações.

Questionados sobre os principais fatores impeditivos para o desenvolvimento da inovação aberta no Brasil, mais da metade dos participantes (56%) apontou ser a cultura empresarial. Em segundo lugar, está a burocracia (28%) e a ausência de entrosamento entre os membros de uma equipe (25%). Outras motivações como desenvolvimento tecnológico e legislação também aparecem na lista.

O desenvolvimento do ecossistema de inovação também exige uma melhoria social e educativa, de acordo com a pesquisa. A transformação cultural contabilizou o maior número de respostas, sendo unanimidade entre 70% dos entrevistados. Em seguida está a melhor formação acadêmica dos profissionais (42%) e a redução da burocracia (40%).

O Open Innovation é uma iniciativa criada em 2017 que reúne diretores de inovação de todo o país em um ecossistema de colaboração e troca de experiências, com o objetivo de incentivar empresas a aderirem à Inovação Aberta no Brasil.

Flávio Ferrari, gerente do Copenhagen Institute for Futures Studies (CIFS) e coordenador do time do Open Innovation de São Paulo, explica que o fator humano aparece com tanta evidência, seja positiva ou negativamente, devido ao fato da colaboração ser o grande guia no processo de inovação aberta.  “A filosofia da inovação aberta é justamente o processo colaborativo. É preciso aceitar as ideias do vizinho”, diz.

Segundo o executivo, a transformação cultural não acompanha o avanço acelerado da digitalização. “A  questão agora é a mudança de mindset. Falamos muito de transformação digital, mas a verdade é que a tecnologia já é uma commodity. O determinante agora é o que faremos com ela”, diz.

De acordo com os autores do estudo, a inovação aberta corresponde a um novo paradigma onde o ambiente externo às empresas também deve ser considerado como fonte de recursos para a estratégia de inovação corporativa interna.

Principais tendências

Os entrevistados também foram convidados a opinar, numa questão aberta, sobre as tendências mais relevantes para o desenvolvimento da inovação aberta no Brasil. Dada a grande diversidade de respostas, a pesquisa considerou algumas das principais questões. Entre elas estão: Evolução das tecnologias cognitivas, evolução da inteligência artificial (IA), fortalecimento das redes de colaboração, oferta de ecossistemas de pagamento, novas ferramentas de gestão e desenvolvimento de treinamentos para soft skills.

As próximas ações do coletivo estarão focadas nas principais preocupações evidenciadas pela pesquisa, explica Ferrari. “A pesquisa nos ajudou a priorizar nossa ordem de trabalho, agora sabemos o que devemos usar como pauta daqui pra frente". Uma série de encontros para debater os temas em destaque estão previstos nos próximos meses.

Fonte: Época Negócios