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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 14 de agosto de 2018 às 06:47
A Apple, fabricante do iPhone e dos computadores Mac, tornou-se a primeira empresa do mundo a atingir o valor de mercado de um trilhão de dólares (3,7 trilhões de reais), o equivalente a 56% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A marca foi alcançada na semana passada depois que a empresa informou que o seu lucro líquido subiu 17% no trimestre encerrado em junho contra igual período de 2017, para 53,3 bilhões de dólares, e o lucro avançou 32%, para 11,5 bilhões de dólares. Fundada em 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne, a empresa de tecnologia quase foi à falência no final da década de 1990, mas a sua impressionante virada para se transformar em ícone moderno oferece preciosas lições para empreendedores de todas as áreas:

1 – Se você ainda não morreu, qualquer sonho é possível

Uma empresa que tenha passado muito perto de acabar frequentemente opta por abandonar o risco e apostar em receitas mais conservadoras de negócio. Se tivesse feito isso, a Apple teria aberto mão do processo criativo que deu origem a produtos que mudaram a maneira como o mundo funciona. “Jobs nunca desistiu, e esse é um grande exemplo para outras companhias”, diz Silvio Genesini, conselheiro e mentor de empresas inovadoras e colunista de EXAME. O mais famoso dos fundadores da Apple não desistiu da empresa nem mesmo depois de a empresa ter desistido dele – demitido em 1985, o executivo acabou retornando à companhia em 1997 para liderar a sua reestruturação.

2 – A confiabilidade é decisiva

O primeiro iPhone, lançado em 2007, representou uma tremenda inovação no mercado de telecomunicações e mobilidade. Desde então, concorrentes como a coreana Samsung e a chinesa Huawei já criaram modelos com funcionalidades superiores, como telas mais brilhantes e sistemas operacionais mais rápidos. A qualidade do smartphone da Apple, que dificilmente quebra ou trava, porém, é o diferencial que o coloca na frente dos demais, na avaliação de especialistas em tecnologia.

3 – Menos é mais

Desde o início, os produtos da Apple têm como apelo a simplicidade – a carcaça do iPhone aboliu o teclado desde o início e exibe poucos botões; o sistema operacional iOS não oferece tantas opções de ajustes e personalização quanto o Android. Assim, consegue atrair também usuários que não são aficionados por tecnologia.

4 – Beleza importa

Jobs costumava dizer que os produtos da Apple não teriam alcançado tamanho sucesso sem as aulas de caligrafia que ele fez após deixar a faculdade, em Portland (Oregon). Tendo aprendido sobre os elementos visuais que deixavam as letras mais bonitas e elegantes, o empresário determinou o estilo do design de todos os produtos da companhia. Não só os apetrechos são belos, mas também as interfaces gráficas dos sistemas, fazendo até a experiência de compra nas lojas físicas e virtuais da empresa mais agradáveis.

5 – Crie um sentimento de comunidade

No começo, os principais usuários dos computadores Mac eram da área de design. Mais do que clientes, eles se diziam fãs da marca, e começaram a se reunir em fóruns e publicações especializadas para trocar dicas de como aproveitar ao máximo os equipamentos. A sensação de pertencimento a um grupo de elite, que aprecia produtos sofisticados e mais caros do que a média, acabou se estendendo pelos outros itens da Apple e explica as longas filas às portas das lojas da empresa nos dias de lançamento de novos modelos.

6 – Integre todos os produtos em uma plataforma

Computador, tocador de música, smartphone ou TV, todos os produtos da Apple têm a mesma alma: a plataforma iTunes, de onde se pode baixar novos aplicativos, atualizações, músicas e vídeos. Esse ambiente virtual fica tão familiar e confortável para o usuário que o cativa. “A grande tendência para os fabricantes daqui para a frente é justamente construir famílias de produtos em torno dos seus smartphones”, diz Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa e consultoria de equipamentos para o consumidor da IDC Brasil.

7 – Não tenha medo de ser autoritário – se realmente confiar no seu taco

Uma das qualidades que fizeram da Apple uma gigante trilionária também é um dos pontos que mais geram críticas à empresa. A companhia é muito rígida com a seleção dos aplicativos que estão disponíveis em sua loja e somente permite que o cliente use os seus produtos dentro das alternativas pré-estabelecidas. Por exemplo, só é possível baixar músicas para o iPod a partir da iTunes. Enquanto o sistema Android é aberto para contribuições de desenvolvedores, os códigos do iOS são fechados. Esse controle absoluto ajuda na fidelização do consumidor – que pode até reclamar da falta de opção, mas no final escolhe continuar preso dentro do universo da Apple, como os resultados da companhia deixam bem claro.

Fonte: Exame
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 14 de agosto de 2018 às 06:44
Pesquisas mostram que equipes com diversidade cultural podem ajudar a gerar melhores resultados nas empresas. Isso é, em grande parte, algo bom: diversas equipes têm o potencial de serem mais criativas graças à variedade de informações, ideias e perspectivas que seus integrantes podem apresentar. Mas essas equipes geralmente são prejudicadas por normas conflitantes e suposições diferentes entre os integrantes, o que pode impedi-las de atingir seu pleno potencial criativo. Quando os gestores não sabem como identificar essas situações e lidar com elas, a diversidade cultural pode, na verdade, prejudicar o desempenho criativo de uma equipe.

Minha pesquisa, publicada recentemente na Organization Science, demonstra que a corretagem cultural constitui um fator-chave que permite às equipes multiculturais capitalizar os benefícios da diversidade e, ao mesmo tempo, minimizar as dificuldades. Defino corretagem cultural como o ato de facilitar as interações de grupos de diferentes origens culturais. Em dois estudos – um de arquivo realizado com mais de 2.000 equipes multiculturais e um experimento envolvendo 83 equipes com diferentes composições culturais – descobri que as equipes eram significativamente mais criativas quando contavam com um ou mais integrantes que atuavam como corretores culturais.

Mas quem são esses corretores culturais? São membros da equipe que têm uma experiência relativamente mais multicultural do que os demais, e atuam como ponte entre seus colegas que não têm bagagem cultural diversa. Esses corretores têm dois tipos de perfil. O primeiro tem experiências multiculturais que se relacionam diretamente às culturas a serem conectadas. Por exemplo, em uma equipe com membros predominantemente indianos e norte-americanos, o corretor cultural pode ser uma pessoa com experiência em cultura indiana e americana. Eu os chamo de integrantes culturais internos. O segundo tipo de corretor cultural é alguém com experiência em duas ou mais culturas não representadas na equipe, como a australiana e a coreana. Esses, eu denomino de integrantes culturais externos.

Descobri que os integrantes culturais internos e externos baseiam-se em suas origens culturais distintas em relação à equipe para se envolverem em diferentes tipos de corretagem cultural. No estudo experimental, os integrantes culturais internos usaram seu duplo conhecimento sobre as culturas de sua equipe para combinar informações e ideias dessas culturas. Em outras palavras, eles frequentemente propunham ideias que combinavam elementos de ambas as culturas. Já os integrantes culturais externos se posicionavam como terceiros imparciais para extrair informações e ideias das demais culturas representadas na equipe. Ou seja, faziam perguntas a outros membros da equipe e os convidavam a compartilhar conhecimentos culturais relevantes. Ambos tipos de corretagem cultural resultaram em uma melhora no nível de criatividade da equipe.

E o que isso representa para as empresas?

Antes de mais nada, essa pesquisa aponta que o simples ato de reunir pessoas de diferentes culturas e esperar que produzam resultados criativos não é o suficiente. Para que as equipes liberem todo o seu potencial criativo, é essencial ter pelo menos um integrante multicultural interno ou externo no grupo. Acredito que o corretor externo seja menos comum nas empresas, pois muitas pessoas pressupõem erroneamente que apenas aqueles com conhecimento cultural específico estão em posição de facilitar as interações culturais. No entanto, integrantes culturais externos conseguem impulsionar a criatividade da equipe tanto quanto os internos. Essa é uma ótima notícia especialmente para as equipes altamente diversificadas, nas quais é improvável que um único integrante cultural interno esteja presente.

Mas isso não significa que simplesmente designar alguém para ser um agente cultural baste. Uma designação formal não garante que uma pessoa seja eficaz; em vez disso, as organizações devem ter o cuidado de criar as condições para que a corretagem cultural se desenvolva. Lembre-se, ser corretor requer um esforço cognitivo e emocional significativo. Por isso, é mais provável que uma corretagem cultural efetiva surja em equipes com um grande senso de segurança psicológica. Além disso, são necessárias a participação e a adesão da equipe como um todo para o desenvolvimento da corretagem cultural, que tende a surgir em equipes que veem a diversidade como um recurso e uma fonte de aprendizado.

A colaboração em equipes multiculturais é um trabalho complexo e multifacetado. Embora esse tipo de trabalho possa ser desafiador, minha pesquisa indica que a compreensão da dinâmica da corretagem cultural é uma vantagem crucial na realização do potencial criativo de diversas equipes.

Fonte: HBRB