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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 15 de agosto de 2017 às 20:44
Não tem saída: a dor faz mesmo parte do ato de empreender. Você pode até encontrar quem tenha enfrentado dores mais leves, mas certamente não encontrará quem não as tenha sofrido. Felizmente, para empreendedores como Marcius Costa e Marcelo Machado, nenhum desses obstáculos é páreo para aquela crença inabalável numa ideia, numa oportunidade.

Os fundadores da Fumajet ilustram bem essa jornada. Ambos tiveram que lidar com dores — às vezes mais agudas, às vezes menos — para tirar do papel o sonho grande que cultivavam: uma solução tecnológica que ajudasse a reduzir a incidência de dengue no país. Um propósito e tanto, muito maior do que qualquer obstáculo que pudessem encontrar pelo caminho — e não foram poucos.

“Nunca seja funcionário de ninguém”Natural do Rio de Janeiro, Marcius traz o empreendedorismo no sangue. O pai empreendia quando a palavra nem existia — era simplesmente dono do próprio negócio. E desde cedo foi preparando o filho para seguir no mesmo caminho.

“Lembro-me de algo que ele me falou quando eu tinha cinco anos”, conta o empreendedor, “que foi para que eu não fosse funcionário de ninguém”.

Além do empreendedorismo, Marcius também cresceu cercado por máquinas. Um dos negócios do pai era o transporte náutico de passageiros até Abrolhos, no sul da Bahia — e, aos 12 anos, o filho era o responsável pela manutenção das embarcações.

“Lancha parada era um prejuízo enorme. Então eu tinha que me virar, me enfiava num porão numa temperatura de 50 graus, com os mecânicos, até que a embarcação fosse consertada”.

Crise e epidemia

Eram os anos 90, de graves crises econômicas aqui no Brasil. Durante uma delas, a família acabou se mudando para os EUA — de onde acompanhou outro sério problema enfrentado pelo país: uma epidemia de dengue.

Diante do cenário preocupante, Marcius e o pai se depararam, nas prateleiras norte-americanas, com algo que acendeu uma luz: as máquinas para controle de mosquitos em jardins, casas etc. Como o produto não era vendido no Brasil, constataram a oportunidade.

Então, adquiriram a exclusividade da solução e organizaram a volta ao país.

Mas aí veio o primeiro baque.

No momento em que organizaram o novo negócio, o dólar estava “um para um”. Do dia para a noite, a moeda americana passou a valer R$ 4.

O produto, que antes custava cerca de R$ 100, passou a valer R$ 400. “Os equipamentos ainda estavam navegando para o Brasil, mas o negócio foi inviabilizado”, conta Marcius. “Foi um grande prejuízo para a família”.

Tirando para valer o “S” de “crise”Sentar e chorar? Pelo contrário. “Meu pai teve outra ideia. Já que tínhamos os equipamentos, que eram os termonebulizadores, porque não amarrá-los numa moto e fazer o serviço?” O plano era o de circular pelos locais de maior foco de dengue. A moto poderia circular mesmo onde o acesso era difícil, como vielas e comunidades.

Marcius não só gostou da ideia como a incrementou: propôs que o próprio motor da moto fosse usado no serviço, para evitar uma adaptação estrutural. Ambos estavam bastante animados com os novos planos, discutindo possibilidades de aprimorar o produto.

Um novo (e duríssimo) golpe

Os planos foram novamente interrompidos. “Meu pai foi pego de surpresa por uma doença e faleceu em seis meses”, conta Marcius. E ele não teve apenas que se haver com a dor, mas com a responsabilidade de cuidar da mãe e da irmã. O projeto ficou em stand by.

Algum tempo depois, a família voltou para o Brasil. Marcius trabalhava com música, naquela época, mas seguia com “a pulga atrás da orelha”. O projeto do pai persistia, mas esbarrava num conhecido problema: financiamento. “Eu tinha a ideia, mas não tinha o capital”. Faltava, também, o conhecimento para desenvolver a solução.

Assim, o ganha-pão continuava sendo a música. Marcius abriu um pequeno escritório para criar jingles e fazer edição de vídeos. Naquele momento, Marcelo Machado entrou em cena: “Tínhamos um amigo em comum, que disse que o Marcelo estava procurando estágio. Eu não tinha muito dinheiro pra oferecer, mas ele entrou e nós passamos a desenvolver capas de DVD”.

Dividindo o tempo entre sobrevivência e sonho
Essa rotina, no entanto, só fez aquela pulga picar mais forte. Nem Marcius nem Marcelo amavam o que faziam. O primeiro se dividia: de dia, trabalhava no escritório, com as edições e as capas. À noite, tocava em barzinhos e restaurantes. “Eu não estava fazendo o que estava dentro de mim”, revela.

A gota d’água foi a notícia de um novo surto de dengue. Foi quando Marcius — exausto pela rotina que não era nada gratificante — deu aquele passo para trás, analisou o cenário e declarou: “Chega, vou partir pro meu sonho. Vou desenvolver uma nova tecnologia de combate à dengue”.

Essa decisão o levou a dividir a rotina. Pela manhã, Marcius tentava resolver tudo o que fosse possível de seus negócios musicais, para que a tarde fosse dedicada ao sonho. Enquanto isso, Marcelo segurava as pontas no escritório em tempo integral.

Casa abandonada e moto usada
Marcius passava as tardes numa garagem. “Consegui o local emprestado com meu cunhado, numa casa abandonada”, relata. A moto também foi arranjada no improviso: “consegui uma usada”. Ele, então, vestia um jaleco e punha-se a soldar e a fazer experimentos.

“Tudo com sucata, porque eu não tinha dinheiro para fazer do jeito ‘certo’”.

Foi um período de grande aprendizado para o empreendedor. Principalmente em relação à documentação da inovação: era preciso registrar a patente. Como não tinha recursos para contratar um advogado, o próprio Marcius tocou o processo. Isso foi em 2007; com o documento, o negócio ganhou mais credibilidade.

Marcius, então, resolveu se envolver mais e mais com o sonho. Mantinha o trabalho pela manhã, “que era para comer”, mas alugou o apartamento em que morava e mudou-se para a garagem. “Tinha um colchão e frigobar, e lá fiquei durante um ano”. Isso o ensinou a dar valor ao tempo e ao dinheiro. “Hoje, dou valor para cada parafuso”.

Uma relação de equilíbrio
Nesse ínterim, a relação entre Marcius e Marcelo se fortalecia. De natureza pacata, o segundo muitas vezes era o contrapeso do primeiro, “mais estourado”. Os dois realizaram um acordo societário para o projeto em que estavam trabalhando.

Mas faltava algo fundamental: um protótipo. A muito custo, conseguiram desenvolver uma primeira versão — que logo esbarrou em outro grande obstáculo: “o produto não teria um funcionamento adequado se não fosse aprimorado. Não atenderia à regulamentação”.

Eram tempos árduos, dos quais Marcelo se lembra bem: “Tudo, tudo era difícil. O sentimento de não ter a grana ou ter a grana muito contadinha, muitas vezes não sabíamos se íamos pagar as contas. Era muito duro”.

“Tem que ir para fora, tem que buscar apoio”Para aprimorar o produto — e a operação –, Marcius foi atrás de “quem pudesse ajudar a resolver”. Chegou à incubadora da PUC-RJ e lá conheceu empreendedores que embarcaram na ideia. Inclusive com inovações que solucionaram problemas que ele imaginou não terem solução.

“A empresa Ativa, por exemplo, trabalhava com sistema de injeção eletrônica”, conta o empreendedor. “Eles entraram no negócio, e isso eliminou uma barreira muito grande que enfrentávamos. Era um conhecimento que não tínhamos, e o contato com a universidade ajudou muito”.

Daí, Marcius tirou outro aprendizado fundamental: a necessidade de ir para a rua. “É muito importante o empreendedor não se fechar dentro do escritório, da garagem. Tem que buscar apoio, conhecimento, participar de feiras, congressos. Senão a coisa não anda”.

Um abismo entre a criação do produto e a primeira vendaAos poucos, as coisas começaram a caminhar com certa regularidade. Em 2007, o produto foi para a garagem, já com as inovações das parcerias; em 2009, os dois fundaram a Fumajet e conseguiram, na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ, uma verba de R$ 105 mil, que permitiu “transformar um Frankenstein em um produto comercializável”, conta Marcius.

A primeira venda, no entanto, só aconteceu em 2012. Foram dez motos vendidas, o que deu grande fôlego para os empreendedores.

“A nota fiscal 01, a primeira, foi um olhar para o outro e falar: conseguimos”, lembra Marcius.

De todo esse processo, Marcius faz questão de dividir outro aprendizado: o de que a inovação é compartilhada. “Não dá para inovar sozinho. Porque mesmo que você consiga atingir o sucesso com a tecnologia, você precisa de uma rede de parceiros para as coisas acontecerem”.

“É difícil parar um navio”Hoje, após todos esses percalços, Marcius, Marcelo e a Fumajet seguem cada vez mais fortalecidos. O reconhecimento veio, o primeiro investimento veio, e o crescimento também. Atualmente, a tecnologia da Fumajet já gerou seis patentes; em termos de impacto social, mais de dez milhões de pessoas foram atingidas.

As dores continuam, no entanto. A mais recente é a transição do regime tributário, do Simples Nacional para o Lucro Real, um desafio que Marcius explica com uma boa metáfora: “é fácil parar um barquinho, mas é difícil parar um navio”.

Só que a vontade de inovar permanece muito maior do que tudo isso: “Continuo com uma vontade muito grande, dentro de mim, de criar impacto. Não só no ecossistema, mas algo que mude pensamentos, paradigmas. Estamos trabalhando nisso, e vamos conseguir”.

Fonte: Endeavor
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 15 de agosto de 2017 às 20:38
Pesquisa realizada em 2015 pela Isma Brasil (International Stress Management Association) revelou que 72% das pessoas estavam insatisfeitas com o trabalho.

O dado parece ser alarmante para qualquer profissional e para a área de gestão de pessoas, todavia, antes de levantar o sinal vermelho, é bom observar qual é o conceito de felicidade no trabalho analisado em questão.

Para Rogerio de Oliveira, da Workganic, consultor e palestrante internacional sobre a Felicidade no Trabalho, é bom ficar atento ao viés enganoso ligado à questão. “As pessoas são questionadas sobre o que as fariam mais felizes profissionalmente, como se todos nós tivéssemos consciência e clareza disso. Não temos. E quando questionados, retrucamos com o que fomos ensinados a responder: crescimento na carreira, reconhecimento, equipe, aprendizado e remuneração. ”

Oliveira destaca que felizmente a sociologia através de novos estudos tem eliminado este viés e deixado cada vez mais claro o óbvio: “o que uma pessoa precisa para ser feliz no trabalho é o mesmo que ela precisa para ser feliz na vida. O primeiro erro começa com essa falsa separação entre as duas ideias.”

Na visão do especialista, temos abordado a felicidade em nossa vida e em nosso trabalho de forma equivocada. “Fomos ensinados a acreditar que felicidade é algo incontrolável, algo etéreo, que chega e sai de nossas vidas sem muita explicação, que vem e vai sem qualquer razão. Isso nos induz a nos sentirmos quase irresponsáveis por ela. Não a medimos, não a estudamos, não a planejamos”.

Rogerio Oliveira, que também é fundador da Yunus Negócios Sociais Brasil, ressalta que o primeiro passo para medir e implantar um programa de felicidade como estratégia nas empresas é sensibilizar a liderança das organizações sobre o tema. Para ele, as razões para uma organização implementar um plano de felicidade interno são amplas e afetam de forma positiva desde o lado mais pragmático, financeiro, o bottom line da empresa, até o lado mais intangível, o valor social que esta organização reflete ao mundo por garantir pessoas mais felizes.

A implementação de planos de felicidade já acontece em centenas de organizações pelo mundo, desde multinacionais com mais de 20 mil funcionários até start-ups. “Mas engana-se quem pensa tratar-se de uma transformação meramente visual, com novas salas abertas, pufes coloridos, áreas de descanso. Na verdade, as mudanças são de ordem estrutural, focadas no nível de autonomia das pessoas, novos fluxos de decisão, novos modelos hierárquicos, formatos de remuneração e tudo que favoreça a autogestão”, finaliza.

Fonte: HBRB