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Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 01 de agosto de 2017 às 15:24
Um consumidor mais maduro, mais racional e mais consciente do seu poder como cidadão: essa é tendência mais forte do varejo brasileiro neste momento, segundo Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza. De acordo com o consultor, o varejista precisa se preparar para um novo ciclo do mercado que tem início no segundo semestre de 2017. “Agora que a fase aguda da crise já foi superada, é hora de seguir a máxima ‘Olhos no futuro, barriga no balcão’. É preciso atenção redobrada com a eficiência da operação, sem perder de vista as transformações geradas pela revolução digital.”


“A Transformação do Mercado no Novo Ciclo” é o tema do Latam Retail Show, evento anual de varejo promovido pelo Grupo GS&, que discute as principais tendências do varejo no Brasil e no mundo. O encontro, que será realizado de 29 a 31 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, terá 231 palestrantes e 160 expositores. O público esperado é de 12 mil pessoas – 8 mil usuários já estão cadastradas no site da feira. O número representa um crescimento de 30% em relação ao ano passado. Um dos destaques do evento será a loja do futuro, instalação aberta ao público que contará com equipamento de reconhecimento facial do consumidor, capaz de avaliar a sua satisfação ao entrar e sair da loja. Confira a seguir uma entrevista exclusiva com o consultor de varejo Marcos Gouvêa de Souza.


O evento tem como tema “A Transformação do Mercado no Novo Ciclo”. O que você chama de novo ciclo?


Entre 2004 e 2013, vivemos no Brasil a chamada década de ouro do varejo. Naquele período, o crescimento expressivo da massa salarial, do crédito e da confiança do consumidor fez com que houvesse uma enorme expansão do mercado varejista. Depois, entre 2014 e 2016, experimentamos um ciclo curto e abrupto, que foi a pior crise econômica já vivida pelo país. Neste momento, estamos entrando em uma outra fase. Nesse novo ciclo, temos um consumidor mais consciente de seu poder como consumidor e cidadão. Há também nessa nova fase a percepção clara de que os períodos de grande crescimento que tivemos no passado recente não se repetirão mais. A expansão do consumo foi resultado de uma combinação única de elementos do cenário internacional e local. Não há nenhuma perspectiva de que isso venha a se repetir. Da mesma maneira que a profundidade e a extensão da crise recente dificilmente virão a se repetir. Agora que a fase aguda da crise já foi superada, é hora de se preparar para enfrentar o segundo semestre.


Como o varejista pode se preparar para a segunda metade do ano?


O que eu digo a eles é que devem seguir a máxima “Olhos no futuro, barriga no balcão”. Ele não pode perder, de forma nenhuma, a visão do futuro e do longo prazo. É preciso estar atento às mudanças estruturais provocadas pela revolução digital, e perceber como elas já afetam a sua empresa. A barriga no balcão representa a figura tradicional do varejista, que valoriza a proximidade com o consumidor, a atenção aos detalhes, a preocupação com a produtividade. Essa é a combinação ideal.


Quais as principais tendências do varejo nesse novo ciclo?


A mais importante de todas é o empoderamento do consumidor. Hoje ele é mais racional e mais bem informado do que o vendedor, e totalmente consciente do seu poder, não só como consumidor, mas como cidadão. Então não basta ter um bom vendedor. É preciso ter funcionários capazes de falar com ele de igual para igual, ajudando a simplificar o processo de compra e criando uma experiência única. Outras tendências fortes são o uso de design no ponto de venda, a aplicação da tecnologia para integrar processos e a sustentabilidade, exigência das novas gerações. E, por fim, há a ativação digital no ponto de venda. A loja física tem que incorporar as facilidades do e-commerce, como o reconhecimento imediato do cliente e as ofertas de preço dinâmicas. Do ponto de vista econômico, o novo ciclo se caracteriza por uma maior concentração do mercado: teremos um número menor de players, com participações maiores. Vivemos ainda uma fase de des-intermedição, em que cada vez mais varejistas buscam alternativas para vender diretamente ao consumidor final.


Qual a sua expectativa em relação a uma possível recuperação do varejo no futuro?


No primeiro semestre de 2017, o que tivemos foi uma tênue recuperação. E vai continuar assim por um bom tempo. É preciso tirar proveito dessa leve brisa e aprender a navegar com atenção no horizonte. Neste ano, o crescimento, se houver, será de 0,5%, no máximo. Vai levar dois anos para termos um crescimento um pouco maior: prevejo 2%, mas só em 2019.


Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios
Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 01 de agosto de 2017 às 15:16
A Lojas Renner está identificando sinais de melhora nas vendas do varejo brasileiro, com alta no fluxo de clientes nas lojas e inadimplência sob controle, o que tem incentivado a companhia a manter plano de expansão de lojas pelo país.


A companhia teve alta de cerca de 11 por cento no lucro líquido do segundo trimestre sobre mesmo período do ano passado, com aumento de 6,4 por cento nas vendas em mesmas lojas, acima do ritmo de 2,9 por cento registrado entre abril e junho de 2016. No período, a empresa abriu 65 lojas no país.


"Estamos vendo de alguma maneira sinais de uma recuperação gradual. A inflação está mais baixa... a inadimplência está controlada, com clientes atrasando menos e acertando suas dívidas", disse o diretor financeiro da Lojas Renner, Laurence Gomes, citando ainda a queda de juros da economia.


"As expectativas para o terceiro trimestre e também para o ano são positivas... No segundo semestre, no mínimo manteremos o desempenho da primeira metade do ano", afirmou o executivo, evitando fazer projeções precisas.


Mais cedo, executivos da Via Varejo, que atua em móveis e eletrodomésticos, fizeram comentários semelhantes. O presidente da companhia, Peter Estermann, comentou que apesar do varejo no país "ainda estar extremamente retraído", as vendas iniciaram julho em tendência positiva, e que a "boa performance" da categoria de televisores no segundo trimestre está se mantendo no início de julho.


No caso da Lojas Renner, o clima também tem contribuído para uma melhoria de expectativas no início do terceiro trimestre, diferente de temperaturas acima da média em maio, que afetaram o desempenho de vendas da companhia no segundo trimestre.


"A temperatura foi bem em junho e está sendo em julho, principalmente no Sudeste, onde temos 93 lojas em São Paulo em um parque de cerca de 300 lojas", disse Gomes. "Isso é um fator positivo", acrescentou.


Segundo o diretor financeiro da Lojas Renner, o momento segue propício para aproveitar oportunidades na negociação de contratos de aluguel de 10 anos para novas lojas. A companhia tem meta de atingir 450 lojas Renner, 125 lojas Camicado e vê potencial para 300 lojas Youcom até 2021. No segundo trimestre, a companhia tinha 310 Renner, 93 Camicado e 70 Youcom.


"O processo de vacância de lojistas em shoppings continua. A recuperação ainda vai demorar um pouco... Hoje há 70 shopping centers maduros no Brasil em que ainda não temos presença e deveríamos estar", afirmou Gomes. "Oportunidades estão aparecendo (na negociação de aluguel de lojas)."


Fonte: Reuters