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Inovação & Atualidade Postado em segunda-feira, 20 de julho de 2020 às 17:19
Em painel da Expert XP 2020, especialistas discutem o que vai mudar no modelo de educação no mundo pós-Covid.

Assim como tantos outros setores, a crise do novo coronavírus afetou para sempre a educação e o futuro do ensino daqui em diante. Mas será que veremos o fim das salas de aulas?

Para entender como o setor deve se comportar no pós-Covid e os papéis de escolas, professores e alunos na transformação da educação, Isabella Mattar, Head da Xpeed, plataforma de educação da XP Inc., conversou com Daniel Castanho, presidente do conselho da Ânima Educação e Duda Bastos, líder de negócios para educação do Facebook, em um dos painéis da Expert XP 2020.


A velha escola e a nova educação

No início do painel, os convidados expuseram suas perspectivas para o ensino no pós-pandemia e como a volta à normalidade poderia afetar os modelos de educação à distância (EAD), impulsionados pelo isolamento social.

“Não vamos voltar a ser como eramos. A Covid simplesmente acelerou a morte dos modelos velhos. Já precisávamos passar por uma mudança. A educação como conhecemos já estava obsoleta”, avalia Castanho.

Para ele, um dos maiores problemas do ensino formal, que agora pode ficar para trás, é o modelo repetitivo e a falta de protagonismo do aluno no aprendizado, que muitas vezes é agente passivo no ambiente de ensino. “A escola precisa mudar o formato e oferecer um ensino personalizado, que trabalhe com a equidade e não a igualdade entre os alunos”, explica o presidente do conselho da Ânima.

Castanho, porém, faz uma ressalva sobre a importância do ambiente escolar na formação dos alunos. “Hoje, toda a informação do mundo está online e pode ser acessada de graça. Então, qual o papel da escola? É através dos professores e espaços de aprendizagem que você vai transformar essa informação em conhecimento. E esse deve ser o papel do professor, inspirar e provocar os alunos”, diz.

Para Duda, do Facebook, o ambiente do ensino formal e as experiências desse ecossistema servem, principalmente, para que o aluno entenda processos interpessoais importantes para o aprendizado em si, como a habilidade de fazer escolhas, lidar com erros e a vontade de ampliar o conhecimento.

“O lugar da escola é o lugar da formação e não da informação. É o lugar de incentivar a formação do aluno como um ser disposto a aprender. O protagonismo do aluno é fundamental, o professor deve habilitar o aluno para o aprendizado. Nada é mais importante para o progresso da sociedade do que a educação”, explica Duda.

“A escola precisa fazer uma curadoria de conteúdo e de mentoria do aluno, para que ele possa se conhecer melhor e entender seus desejos. A grande responsabilidade é desenvolver o apetite pelo aprender. A curiosidade é o embrião da criatividade, e esse é o grande papel da escola”, complementa Castanho.

Para ambos, então, as escolas devem caminhar para se transformar em um ambiente de desenvolvimento de características e habilidades pessoais que sirvam de alicerce para instigar a sede por conhecimento.
Isso não descarta, porém, o EAD e todas as formas de ensino e aprendizagem remotas que explodiram com o avanço da pandemia.

Para Castanho, os dois modelos, presencial e remoto, já são indissociáveis. “Cada vez mais existe essa indissociabilidade entre o profissional e o pessoal, entre o presencial e o remoto. Tudo hoje é fluido”, conclui Castanho.



O long life learning e o papel da tecnologia no ensino

O conceito de long life learning pode ser traduzido, de forma literal, como aprendizado ao longo da vida, ou de forma mais precisa, como educação continuada. Por trás do termo está a ideia de que o modelo tradicional de educação, que vigorou ao longo do século XX, já não é suficiente para preparar as pessoas, mantê-las atualizadas, competitivas e produtivas, considerando os novos anseios da sociedade e do mercado de trabalho.

“A vida nada mais é do que um eterno aprendizado e um desejo por aprender. A capacidade de sonhar é o mais nobre do ser humano, e isso é a sede de aprender. Então, não dá para você ter uma estrutura de ensino em que você só estuda até um certo tempo da sua vida. É preciso ter esse desejo de aprender na vida toda e por toda vida”, acredita Castanho.

Assim como Castanho, Duda também acredita que a educação precisa ser uma constante e vai além. Para ela, a maior lição sobre educação continuada é que o aprendizado não é perfeito e as etapas precisam ser respeitadas.

“Como foi a educação formal por tantas gerações? Um espaço onde o não saber e o errar era um grande problema. Mas o não saber é o básico para buscar conhecimento e o erro nada mais é do que uma parte necessária do processo de aprendizado”, explica Duda.


Na visão da líder de educação do Facebook, antes de entrar em debates profundos sobre tecnologia, é preciso discutir a cultura do aprendizado de forma geral. “Não adianta discutir tecnologia se a cultura não permite o erro e o teste. Precisamos primeiro de ambientes onde seja seguro errar. As discussões precisam ser sobre os métodos e processos, e não sobre a tecnologia”, diz Duda.

Para Castanho, a transformação digital tem muito mais a ver com cultura do que com a tecnologia em si e existe uma grande diferença entre digitalizar o velho e criar o digital. Ou seja, para ele, de nada adianta digitalizar apostilas e livros e oferecer o mesmo método de ensino obsoleto.

Na avaliação do diretor, a tecnologia é apenas o meio para se alcançar os objetivos. “O fato de a tecnologia ter dado acesso a tanto conteúdo, traz para a escola um papel ainda mais relevante. A informação digital está lá, mas eu ter essa informação e ter uma dinâmica de aprendizado usando aquela informação são coisas muito diferentes”, acredita Duda.

“O Brasil vai mudar quando todo brasileiro tiver o propósito de transformar o país por meio da educação”, finaliza Castanho.


Veja a discussão completa aqui: https://www.facebook.com/watch/live/?v=704190970420955&ref=watch_permalink
Fonte: Infomoney
Varejo & Franquias Postado em segunda-feira, 20 de julho de 2020 às 17:03
Como embarcar sua empresa nas mudanças de hábito e acompanhar as tendências de consumo catalisadas pela pandemia.
O varejo foi atingido de forma muito significativa pelos impactos da pandemia do novo coronavírus. Empresas tiveram que se adaptar para não perder espaço neste momento delicado. E, ainda que forçadas, muitas dessas mudanças aceleraram tendências interessantes sobre como será o consumo, o varejo e o comportamento do consumidor no mundo pós-pandemia.


Pensando nisso, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) divulgou, em primeira mão, um estudo para tentar entender quais serão os as maiores transformações e tendências do varejo em um Brasil pós-Covid.


O comportamento do novo consumidor

Para Patrícia Cotti, diretora executiva do Ibevar, é importante que o varejo como um todo, sejam as grandes marcas ou os pequenos empresários, entenda que as transformações do mercado provocadas pelo coronavírus mudaram bastante os hábitos dos consumidores.

Ainda que seja tudo muito incerto, já que estamos falando de tendências, precisamos destacar a nova linha comportamental que muitos consumidores podem adotar. Porque tudo isso que vivemos acaba gerando novos valores e hábitos. A especialista aponta que as marcas não podem ignorar as transformações e precisam se condicionar a se reinventar constantemente, proporcionando uma entrega ainda mais completa ao consumidor.

Para Patricia, o que mais importa no momento é que as empresas entendam que garantir uma boa experiência pode ser a estratégia mais relevante a se adotar no momento. A jornada do consumidor passa a ser o ponto central e as empresas precisam se desenvolver nessa questão: ou elas colocam o consumidor no centro e se mostram como uma solução, ou elas não vão mais vender.

A especialista aponta que o momento é ideal para as marcas se tornarem necessárias para os consumidores, entendendo a nova linha de comportamento de consumo e aproveitando a oportunidade atrair mais consumidores fiéis. Este é o momento que as marcas têm para dar as caras e fidelizar os clientes. As empresas possuem necessidades imediatas, óbvio, mas precisam pensar no futuro do consumidor para garantir suas necessidades futuras.

Confira abaixo as principais tendências que, segundo o Ibevar, devem impactar bastante o segmento após a pandemia.Movimento “Faça você mesmo” e circulo de consumo local.


Movimento “Faça você mesmo” e circulo de consumo local

Avalie a melhor opção para você Carro zero KM ou seminovo? Compare as opções na faixa de R$ 60 mil Segundo a Anfavea, 84% dos consumidores gostariam de comprar um carro em 2020 e a maioria busca modelos usados.

Segundo a avaliação da especialista, uma das tendências é que o consumidor sinta-se cada vez mais incentivado a fazer seus próprios produtos. O conceito, do inglês Do it Yourself (DIY), que começou na década de 70 como rejeição à ideia de comprar produtos de comerciantes terceiros, pode pegar tração com as influências diretas da pandemia sobre a vida dos consumidores.

Para Patricia, isso se dá principalmente pelo fato de os consumidores colocarem uma visão um pouco mais pessoal para os produtos – fato que foi impulsionado pelas redes sociais e pelos criadores de conteúdo nas plataformas digitais.

As mídias sociais colocam muito essa visão de pessoalidade dos produtos, mas a consequência disso é diversa. Temos desde aquele pequeno empreendedor que perdeu o emprego e começou a produzir por conta própria, quanto alguém que começou a treinar sozinho em casa e não vê mais a necessidade de um plano de academia, por exemplo.

Ou seja, o conceito de fazer você mesmo torna-se mais forte à medida que as pessoas e os processos produtivos se misturam diante dos confinamentos e restrições de compra que a Covid impôs.

O prazer de ‘fazer você mesmo’ começa a ser, de novo, inserido no dia a dia do consumidor, bem como os benefícios trazidos pelo modelo, sejam financeiros ou emocionais. Ainda segundo a diretora, a ideia de “círculo de consumo local”, direcionada ao incentivo do consumo de produtos vendidos localmente e de forma segura, pode ser uma outra grande tendência mundo pós-covid.

Podemos notar uma forte causa nas redes sociais, por exemplo, em prol da sustentabilidade financeira dos pequenos comerciantes e empreendedores regionais. O olhar do cliente para o pequeno varejista é diferente, porque ele vê o consumidor sem ser um mero número, e as pessoas começaram a dar mais importância a esse tipo de atenção mais personalizada.

“Você tem uma valorização desses pequenos e micronegócios, não só pela conveniência e proximidade, mas pela sensação do que aquilo traz como pessoa”, acredita Patrícia.


Slowlife e consumo crítico/colaborativo

O grande fundamento do “Slowlife” é a alteração do ritmo da vida e a eliminação de tudo aquilo que pode ser considerado não essencial. Segundo a diretora, uma visão mais crítica e analítica sobre o que consumimos e o porquê pode levar muitos consumidores a repensarem suas necessidades de compra.

A nova realidade de vida e o impacto do isolamento no modo como as pessoas se relacionam entre elas, com ambiente e ‘coisas’, faz repensar a maneira que vemos a nós mesmos e nossos objetivos de vida.

Para Patricia, a pandemia trouxe novas concepções sobre os produtos e serviços e como o uso deles impacta a vida de cada um, com isso as pessoas passaram a valorizar mais os momentos e as experiências do que o item ou o serviço em si. Os consumidores estão olhando os produtos que compram, os serviços que assinam e até mesmo o consumo no geral com outros olhos. Ressignificamos o produto e o quanto precisamos daquilo.

Patricia ainda diz que o consumo excessivo de certos produtos e serviços pode levar o consumidor a pensar sobre a real necessidade de manter um uso exclusivo de algum item. Revelando outra possível tendência para o varejo: o consumo colaborativo.

Existe um número crescente de movimentos, iniciativas, empreendedores e novos modelos de negócios que visam facilitar a sustentabilidade na maneira de consumir e viver, o que revela uma mudança nas preferências de ‘ter o bem’ para ‘ter acesso ao bem.

Redes sociais, interação remota e digitalização

O papel protagonista que as redes sociais têm desempenhado na interação online não é algo inédito e tampouco foi causado pela pandemia, mas as redes não deixam de ser um dos canais mais importantes para o futuro do varejo, segundo a visão do Ibevar.

Para a diretora, é mais do que claro que a digitalização e as redes sociais são fatores determinantes no consumo democratizado e influenciam as decisões de compra de produtos e serviços.
Plataformas digitais concorrentes e complementares fornecem acesso a informações detalhadas do produto e expõem as experiências dos indivíduos.

O digital é uma decorrência de todo resto e não um ponto de partida. O próprio pensamento de e-commerce já se tornou algo antigo. Precisamos entender melhor a conversão e ‘conversação’ com o consumidor. O que vale agora é como falar e se comunicar digitalmente com os clientes e não discutir sobre se vale ou não estar no digital.

“Se é certo que o digital já se apresentava como uma tendência e desafio, agora ele se torna mais do que uma necessidade das organizações. E não mais pelo caráter de inovação, até então buscado, mas como uma resposta às mudanças no modo de consumo dos brasileiros”, conclui a especialista.

Fonte: Infomoney