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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 03 de setembro de 2019 às 16:16
Mesmo com consumidores cada vez mais adeptos às pesquisas de preços e às avaliações online, a maior parte das pequenas e médias empresas (PMEs) ainda não investe no ambiente digital. A falta de estratégias online e a preferência por uma publicidade mais tradicional podem prejudicar a atratividade de clientes.

A análise é do diretor de customer solutions da Google para a América Latina, Rodrigo Rodrigues. Segundo ele, por uma questão cultural, as empresas menores têm certa dificuldade em ver o poder e o alcance do online em relação ao ganho de clientes. “As PMEs brasileiras ainda estão acostumadas a investir em publicidades regionais, como panfletos e revistas locais.”

O fato de não estarem presente nos sites de pesquisas ou nos aplicativos, não terem um website ou até mesmo uma rede social, pode trazer impactos negativos na atração de consumidores, explica Rodrigues. 

“No online, é possível ser mais assertivo. A empresa aparece para o consumidor que tem potencial e que realmente quer comprar o produto”, avalia. Ele explica que as propagandas regionais ou de pequena circulação não conseguem o mesmo resultado, tendo em vista que em nenhum dos casos é possível selecionar somente as pessoas interessadas.

Outro ponto positivo em ter um bom posicionamento na web é a busca do consumidor. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria de negócios Provokers, 96% dos brasileiros - com acesso à internet - pesquisam nas ferramentas digitais os produtos e serviços de pequenas e médias empresas antes de fechar negócio.

Destes, 77% consideram os comentários de usuários, 75% procuram por descontos e novidades e 64% pesquisam para ver horários de funcionamento.

Em relação às PMEs, no entanto, somente 60% têm presença na web. Nos 40% restantes, existem empresas que nem mesmo as informações básicas de contato, como telefone e endereço, disponibilizam no online, conforme explica Rodrigues.

Segundo ele, há alguns anos, as empresas precisavam planejar seus sites, fazer campanhas e criar estratégias para os termos de buscas (palavras-chave que usuários utilizam para pesquisar determinado tema). “Agora, os processos estão bem mais simples. Para estar presente no Google Maps, não é preciso ter um site, por exemplo”, diz.

Presença digital 

O ponto-chave para que as PMEs percebam a importância do ambiente online, segundo Rodrigues, é se colocar no lugar do usuário. “Compreender que o consumidor passa cada vez mais tempo no celular ou usando as ferramentas digitais pode ajudar a entender o potencial da web.”

Para os próximos anos, o especialista espera um aumento de pequenas e médias empresas no online. Isso porque, segundo Rodrigues, no último ano, mais de 600 mil empresas nacionais criaram um site por meio do Google Meu Negócio - ferramenta gratuita que permite o cadastro de informações básicas, como endereço, telefone e horário de funcionamento.

De acordo com ele, além da criação de sites e da inserção de informações na web estarem mais simples, após experimentarem alguns benefícios com o melhor posicionamento virtual, as empresas sempre querem mais. “Quando as companhias percebem as vantagens na atração de clientes, é inevitável que continuem investindo nisso”, afirma.

Fonte: DCI
Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 03 de setembro de 2019 às 16:06
O potencial para o crescimento do consumo interno e das vendas no varejo no Brasil é brutal e está engessado por questões que envolvem a Confiança do Consumidor no curto prazo e o acesso ao crédito no vetor mais estrutural. Como consequência, diversos setores industriais ligados ao consumo sofrem de inanição há vários anos, o investimento é limitado e o país anda de lado.

Sob o ponto de vista estrutural, existe um espaço enorme para o crescimento econômico apoiado no consumo interno impulsionado pelo crédito às pessoas físicas, especialmente porque os atuais níveis de inadimplência, comprometimento de renda e endividamento das famílias está em patamares baixos em relação ao seu padrão histórico.

No momento atual, apesar do elevado desemprego, temos um crescimento real da massa de salários em relação aos últimos três anos que poderia ser convertido em aumento de consumo e nas vendas do varejo.

Mas o Índice de Confiança do Consumidor teima em oscilar mês a mês ao sabor das notícias e informações contraditórias que misturam ações positivas de recuperação da economia com o mi-mi-mi político-partidário que desanima o mais inveterado otimista. Mesmo quando questões estruturais importantes, como a Reforma da Previdência, Tributária e outras, mostram que caminhamos na direção correta.

A combinação da gradual melhoria do emprego, mesmo que com boa parte informal, com o aumento real da massa salarial e a baixa inflação seria, em tese, fator determinante de um significativo aumento do consumo e das vendas do varejo, não fosse a confiança do consumidor que teima em oscilar em patamares mais baixos em relação ao que tivemos no período 2004-2012, período recente de maior expansão econômica e do consumo.

Em 2009, a carteira total de crédito de pessoas físicas no Brasil foi de R$ 627 bilhões, segundo dados do Banco Central. Dez anos depois, esse número atinge R$ 1.800 bilhões.

E a inadimplência está nos seus patamares mais baixos de sua série histórica.

No segundo semestre de 2013, pico do ciclo de consumo iniciado em 2004, a inadimplência, medida pelo percentual de atrasos acima de 90 dias, oscilava entre 4,8 a 5%. No primeiro semestre deste ano, esse mesmo percentual varia de 3,2 a 3,4%. Ou seja, aumentou muito a carteira de crédito para as famílias, mas nem por isso a inadimplência cresceu de forma a preocupar.

Ao contrário, os instrumentos e o rigor na análise e concessão do crédito ao consumo associados ao amadurecimento do consumidor mantém a inadimplência em patamares muito baixos, sem inspirar qualquer preocupação. Tão importante quanto analisar a inadimplência é observar o endividamento.

Em meados de 2009, o endividamento das famílias, sem contabilizar as dívidas imobiliárias, representava 28,3% da massa salarial dos últimos 12 meses. Pelo mesmo indicador, esse percentual agora é 25,6%.

Se acrescentarmos dívidas imobiliárias, ou seja, o endividamento total das famílias, no mesmo período, o índice variou de 33,9 para 43,7% mas, nesse caso, é importante lembrar que as famílias estão trocando gastos com aluguel por aquisição de imóvel, o que é saudável economicamente.

Para confirmar o potencial adormecido de consumo através do crédito às famílias, é relevante considerarmos também a evolução do nível de comprometimento da renda com dívidas para as famílias. No primeiro semestre de 2009, esse percentual de comprometimento em relação à renda do mês era de 18,5% e agora baixou para 17,7%, ou seja, as famílias têm menor comprometimento de renda com dívidas do que há dez anos.

A oportunidade é ainda maior

Com base de dados do BIS, a GS&Inteligência analisou comparativamente o volume de crédito ao consumo no Brasil e em alguns países tomados como referência.

O quadro abaixo mostra quanto o crédito ao consumo em relação ao PIB desses países evoluiu nos anos recentes destacando, em primeiro lugar, o quão baixo é no Brasil e o fato de que a evolução de 2013 a 2018, período de nossa maior recessão econômica, foi muito baixa, pois variou de 26,2 para 28,2%, em relação ao PIB.

Quando se compara que no Brasil o crédito às famílias representa apenas 28,2% do PIB, enquanto nos Estados Unidos são 76,3%, na França 60,1%, no Reino Unido 87,1%, todos países maduros e avançados, mas, no Chile, nosso vizinho da América do Sul o índice é 45,4%. Imaginemos que saltássemos dos atuais 28,2 para 40% do PIB o impacto econômico que isso poderia ter.



Isso mostra o quanto há de oportunidade para crescer a oferta de crédito ao consumo, gerando aumento de vendas no varejo, investimentos na indústria local de consumo e aumento generalizado de emprego, considerando que o comércio é o maior empregador privado do país. Sem falar na arrecadação de impostos que poderia ajudar a minorar os problemas de caixa dos diferentes níveis de governo.

Fonte: Mercado & Consumo