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Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 28 de junho de 2017 às 12:55
1) De um tempo pra cá, você tem investido em setores de tecnologia: foi fazer um curso na Singularity e, recentemente, se tornou investidor do Snapchat. Como você tem convivido com modelos de cultura e gestão tão diferentes?

“Se eu fosse jovem, iria pra Califórnia e depois voltaria pro Brasil pra inovar na área de tecnologia, como fiz algumas décadas atrás com o setor financeiro, que estava começando no Brasil 50 anos atrás. Eu adoraria ser um empreendedor de tecnologia, mas não tive tempo de morar em Israel ou na Califórnia. Acabei indo para setores mais antiquados, principalmente de consumo.

Usando como base a Brahma, expandimos dentro desse ramo no exterior. Mas por ser um negócio antiquado, já foi disruptado pelas craft beers [cervejas artesanais]. Isso nos deixou espertos, acabamos comprando algumas companhias deste ramo e hoje nós somos craft beers em outros países.

“Adoraria ser um empreendedor de tecnologia”

2) Se vc fosse empreender do zero, com US$ 1 milhão na conta, quais seriam os primeiros passos que você tomaria para criar o negócio? Quais seriam as primeiras decisões?

“Se eu estivesse começando hoje, iria fazer algo tecnológico, para dar um salto grande. Você tem que escolher um negócio que dê para escalar.

Eu descobri que é difícil fazer algo sozinho: se você tem o time certo, vai mais longe, tem que tentar atrair as melhores pessoas.”

3) Como funciona o processo de decisão da aquisição de novas empresas?

“Na Ambev, por ser uma companhia muito grande, com Conselho Administrativo, até hoje a decisão era sempre fazer mais do que já tem sido feito. Por isso o caminho da aquisição foi natural.

Nós sempre acreditamos em fazer negócios parecidos e similares, e não ficar testando muita coisa.

No caso da 3G que é separado da Ambev, Heinz, Burger King, Kraft: tudo é comida. Nesse setor, tem muita coisa dando sopa. É questão de escolher o que se encaixa melhor, parece mais promissor e tem o melhor preço.

Tem muitas possibilidades, mas acabamos de sair de uma fusão da Kraft com a Heinz. Nós só fazemos uma coisa de cada vez, não somos um fundo típico de Private Equity que investe em várias coisas, para diversificar. Em primeiro lugar, metade do dinheiro das aquisições é dinheiro nosso, de casa. A outra metade é de gente que já investe conosco, sócios de longa data. Não existe dinheiro institucional, por exemplo, ou de fundo de pensão. O lado bom é que não temos que dar muitas explicações, podemos fazer o que quisermos quando a oportunidade aparecer. Nós só fazemos quando temos a equipe certa que pode ir para lá tocar.”

4) Se você fosse fazer uma análise SWOT do Brasil — deixando de lado as forças e fraquezas que já vemos todo dia — que oportunidades e forças ainda encontramos por aqui?

“A grande oportunidade é no ramo de consumo, somos 200 milhões de pessoas que estão sempre consumindo alguma coisa. A outra oportunidade é que as coisas aqui não são bem tocadas, então quase tudo que você olha, encontra a chance de tocar um pouco melhor. Além disso, alguns negócios são muito antiquados, sem tecnologia. Quando você olha lá para fora, vê as tecnologias que poderia aplicar aqui.

Uma força importante que o Brasil tem é o trabalhador. As pessoas que você consegue atrair são muito boas, de qualidade equivalente a qualquer um do exterior. Por outro lado, a única desvantagem do país é o ponto de oscilação: melhora, piora, melhora piora…

Outra desvantagem é que não existe dinheiro barato. Aquela possibilidade de fazer negócio com base em empréstimo ou crédito que existe muito lá fora, não existe aqui. Os juros no Brasil são os mais altos do mundo e não tem dinheiro disponível. Se os juros fossem mais baratos, esse país dava uma guinada colossal.”

5) Na sua visão, qual é a real percepção do investidor lá de fora em relação ao Brasil?

“Existe dinheiro lá fora sobrando em todo lugar. O investidor está desesperado porque o mercado de ações está relativamente alto e ele está em busca de coisas novas e diferentes. Aí está uma baita oportunidade.

Para o investidor estrangeiro, o Brasil é um lugar de altos e baixos, perigoso. Não é a venda mais fácil, mas procurando, tem dinheiro.

Eu sou investidor, por exemplo, de uma escola no Rio de Janeiro chamada Eleva, que tem crescido bem. Nos últimos anos, já são mais de 50 escolas e 35 mil alunos. E o que me deixa surpreso é a quantidade de pessoas que aparece com interesse em um negócio de educação. Tendo uma história boa e um track record [reputação] legal, dá para captar.”

6) Os mentores sempre me dizem que eu preciso de um gestor e de um presidente porque eu tenho o espírito mais inventor e empreendedor. Mas, já estou no terceiro CEO, eles são cada vez melhores, mas não são amigos do risco. O que eu posso fazer?

“O sujeito que topa o risco em geral é empreendedor. Já o que não gosta, segue carreira executiva. Você tem que ser a pessoa que empurra e cria incentivos para ele ter disposição de tomar riscos. Dê o incentivo certo e ele vai correr atrás.”

“Nosso negócio é gente”

7) Qual que é a característica que você mais admira no seus sócios Marcel Telles e Beto Sicupira?

“Eu, se tenho um pouco de visão, de bolar coisas maiores ou diferentes, eu não sou o craque da administração, do cara que sabe segurar os parafusos, ou que sabe fazer as coisas funcionarem e acontecerem, certo. Os dois são muito melhores que eu nisso. O Beto gosta de cuidar de avião, de barco, de cuidar de qualquer coisa, botar ordem. O Beto é um militar, na realidade, ele gosta de ordem. Eu já gosto mais de inventar alguma maluquice, então tem esse complemento. O Marcel também, ótimo administrador, incentivador das pessoas, de ver o que é importante, então funciona bem porque complementamos um ao outro, cada um respeita o que o outro é muito bom e sem dúvida juntos conseguimos fazer muito mais. Eu acho que qualquer negócio precisa de gente diferente, também.

Se você tenta fazer um negócio e todo mundo é igualzinho, não funciona. Tem que ter complementaridade, as pessoas têm que ter características diferentes e somar.”

O que Lemann admira em Beto Sicupira e Marcel Telles

8) Qual é o papel dos empreendedores em relação às políticas públicas e à política?

“Empreender é uma das coisas mais importantes no Brasil. Educação e empreendedorismo são as duas coisas que fazem um país crescer. Não adianta só educar porque você acaba sem empregos. E precisa de um empreendedor para criar esses empregos. A própria China só deslanchou quando desenvolveu o empreendedorismo. Tem que ser como o Wilson Poit, da Poit Energia que foi para a SP Negócios ajudar. Se mais gente fizer isso, vai mudar! Eu tenho incentivado bastante os jovens bolsistas da Fundação Estudar a olharem para o serviço público e vejo que tem mais gente interessada hoje do que antigamente.

Outro dia eu estava em um lugar que reunia os alunos das melhores universidades, como Harvard e MIT. Em um determinado momento, foi feita uma provocação: “Pessoal, quem tem interesse em ingressar na política, vem aqui no palco para tirarmos uma foto. Daqui a 10 anos vamos comparar e saber se alguém de fato seguiu carreira pública.” Tinham 400 pessoas na plateia e todas elas subiram ao palco.”

“Empreendedorismo e educação fazem um país”

Fonte: Endeavor
Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 28 de junho de 2017 às 12:52
Ter o seu próprio Dream Team é um objetivo para a maior parte dos líderes. Especialmente nos dias atuais, voláteis, repletos de incertezas, complexos e dinâmicos. Ter uma equipe diferenciada e focada em resultados faz a diferença entre conquistar – ou não – o sucesso nos negócios.

Seria lugar relativamente comum falar sobre equipes de alta performance não fossem elas a chave para esta diferenciação e o maior calcanhar de Aquiles dos líderes e das organizações.

Mas o que é afinal uma equipe de alta performance?

Uma equipe de alta performance se destaca por apresentar elevada competência – técnica, atitudinal e comportamental. É capaz de reagir rapidamente aos cenários mais adversos e de se desenvolver em conjunto, com velocidade. É composta por membros alinhados com a missão, a visão e os valores da empresa e que possuem elevado engajamento e comprometimento para atingirem um objetivo comum, claramente definido.

Sabemos não ser tarefa fácil formar um time assim. São etapas sensíveis, parte delas previstas e conhecidas, mas a maior bastante intangível. E não há nenhuma dúvida de que o líder é o verdadeiro maestro dessa orquestra. No final do dia estamos lidando com PESSOAS, em um turbilhão de diferentes características, habilidades, experiências, histórias e, principalmente, objetivos.

Vejamos algumas poderosas dicas neste processo de formação de uma equipe de alta performance:

1 – Encontre as pessoas certas

Invista tempo, energia, dinheiro e sensibilidade no processo de recrutamento e seleção de pessoas. Este é um processo que não deve ser terceirizado e que cabe exclusivamente ao líder. E não entenda por pessoas certas, pessoas perfeitas. Encontrá-las passa pelo profundo conhecimento dos objetivos, cenário e valores empresariais e, principalmente, clareza de onde se quer chegar. A pessoa certa também precisa ser desenvolvida para o lugar certo que deve ocupar. Pessoa certa no lugar certo é de fato uma combinação decisiva.

2 – Desenvolva as pessoas certas

Se encontrar as pessoas certas é um desafio, desenvolve-las é uma tarefa diária. Capacitação e treinamento são delegáveis, podem ser adquiridos em escolas, programas, livros e cursos.  Direcionamento e feedback não. Estas talvez sejam duas das funções mais sensíveis neste processo de liderança e desenvolvimento: só se pode direcionar quando se tem clareza sobre onde se quer chegar, além de muita sensibilidade e percepção para conhecer cada membro do time, suas dificuldades, limitações e potenciais. Desenvolver é doar tempo, energia e confiança.

3 – Tenha coragem de eliminar as pessoas erradas

Entenda por “pessoas erradas” aquelas que não compartilham dos valores da organização e do time. Aquelas que se recusam a se desenvolver e a se comprometer. O pior que se pode fazer pela sua equipe é manter estas pessoas “erradas” por perto. Elas minam a motivação, fazem questionar os valores, desintegram a força, estão sempre criticando e quase sempre buscando nada.

4 – Desafie as pessoas

Os desafios motivam, amadurecem e extraem o melhor das pessoas. Desafiar constantemente e inteligentemente sua equipe faz com que elas subam o próximo degrau. “Não é possível resolver um problema no mesmo nível em que ele foi criado”, pensamento conhecido atribuído a Albert Einstein. Desafios inteligentes fazem as pessoas buscarem em si novas formas de resolução e novos patamares de atuação. Ideias criativas e inovadoras nascem a partir daí. Elas são forçadas a reinventarem o negócio, os produtos, a atuação e elas mesmas. E como bônus, certamente lhe serão eternamente gratas por isso.

5 – Avalie as pessoas

É imprescindível reconhecer a diferença de desempenho dos indivíduos de um time. Mais importante ainda é identificar as razões para um desempenho bom e ruim em diferentes pessoas ou em diferentes momentos das mesmas pessoas. Essa habilidade é uma arte e é com ela que se trabalha ora motivação, ora pressão, ora feedback e correção, ora desenvolvimento. Ter um processo formal de avaliação e feedback é importante, mas nada substitui o interesse genuíno diário do líder pelas pessoas do seu time.

6 – Reconheça, Recompense e Comemore com as pessoas

Reconhecimento é prova de atenção do líder. Ele está ligado nos esforços, nas entregas e também na falta delas. Ele é justo e claro ao recompensar e comemorar as conquistas do time. As comemorações são rituais importantes e marcos que personalizam os indivíduos e mostram que seus esforços valeram a pena. Esse tempo é um grande e importante investimento que um líder pode fazer.

7 – Lidere as pessoas pelo exemplo

Um líder só pode ser respeitado e seguido quando ele vive o que diz e reflete o que prega. Liderar é também um exercício contínuo de autoconhecimento e autocontrole. No âmbito pessoal ou profissional, aquele que exerce uma posição de liderança (informal ou estabelecida) será sempre observado pela sua conduta. Não é uma necessidade de se mostrar perfeito – isso é um erro. É mais sobre como você se comporta ao errar do que o erro em si. Reconhecer e demonstrar humildade, além de dignidade, é um ato fundamental para o relacionamento com a sua equipe.

8 – Questione as pessoas

Um ambiente transparente e seguro permite a comunicação direta e aberta entre líder e liderado. Escutar é uma palavra chave, denota interesse, abertura e abre as portas para a colaboração. As provocações e questionamentos estimulam, fazem com que você possa conhecer o time e, principalmente, engaja. Quem pergunta quer resposta, por isso, esteja preparado para ouvi-las. Perguntas e respostas apenas podem ser promovidas em ambientes confiáveis.

9 – Promova a autonomia das pessoas

As pessoas diariamente tomam decisões dentro de uma organização. Para que estejam seguras e preparadas para tais decisões, elas precisam de autonomia e espaço para assumir riscos (mais ou menos calculados dependendo do quão é arrojada a empresa, cenário, contexto e cultura). Autonomia remove barreiras, agiliza e cria responsabilidades. Tenha uma equipe munida de informações e conhecimento em forma de processos e atitudes.

10 – Forneça direcionamento às pessoas

No papel de bússola, dê um norte para a equipe. De forma simples e clara, transmita os objetivos da empresa e aonde ela quer chegar, caminhos e meios, evitando dúvidas. Principalmente desdobre as metas macro para o cenário de cada colaborador, fazendo com que ele entenda seu papel no processo. Saiba o que foi comandado a cada um para que tenha a chance de acompanhar, cobrar ou mudar a rota.

 11 – Cuide das pessoas

Já não se discute mais que mente sã é sinônimo de corpo são. Saúde e bem-estar devem ser lemas do líder para si e para sua equipe. Um ambiente saudável é promovido pelas pessoas que o integram. É possível ter um entorno positivo apesar da competitividade diária.

12 – Respeite todas as pessoas

Não existe cor, sexo e raça entre times. A diversidade deve ser mais que aceita, deve ser estimulada. Um time formado por pessoas diferentes, com características diversas é sinônimo de complementariedade, desde que esteja presente um componente primordial: respeito. Ao líder, fica a tarefa de respeitar cada indivíduo em sua essência e, além do exemplo, cabe a ele a exigência de que este é um assunto inegociável.

Fonte: Fabiana Mendes - Gouvêa de Souza