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Tecnologia & Inovação Postado em segunda-feira, 17 de março de 2025 às 11:01


Da invenção nos anos 1930 à era dos sensores e materiais ecológicos, o carrinho de supermercado se tornou símbolo do consumo e, agora, uma ferramenta estratégica.

Os carrinhos de supermercado são tão comuns em nosso dia a dia que raramente paramos para pensar em sua origem ou em como eles evoluíram ao longo do tempo. Presentes não apenas em supermercados, mas também em lojas de departamento, pet shops e até mesmo no mundo digital dos e-commerces, os carrinhos são um símbolo do consumo desde a década de 1930 até os dias de hoje. Mas, poucas pessoas sabem como surgiu esse item tão essencial e como a tecnologia e a sustentabilidade estão moldando seu futuro no varejo mundial.

De uma cadeira dobrável ao símbolo do consumo, a história do carrinho de supermercado começou há quase 100 anos, em Oklahoma, Estados Unidos. Sylvan Goldman, dono de uma rede de mercados, percebeu que as cestas de compras tradicionais já não atendiam às necessidades dos consumidores. Com o aumento do volume e do peso das compras, devido ao crescimento das vendas de produtos embalados, Goldman percebeu que era preciso uma solução que facilitasse a vida dos seus clientes.

Foi então que o empreendedor teve uma ideia revolucionária adaptando uma cadeira dobrável, que foi personalizada com rodinhas, criando assim um cesto maior para os clientes acomodarem mais produtos. Para desenvolver o primeiro protótipo do carrinho de supermercado, Goldman contou com a ajuda de um mecânico chamado Fred Young, que trabalhava em uma de suas lojas, mas, no começo, a aceitação não foi imediata. "Mulheres reclamavam que o carrinho lembrava um carrinho de bebê, e os homens não queriam parecer fracos", explica Danilo Lombardi, diretor comercial da Supercarrinhos, empresa especializada neste segmento no Brasil.

Expansão com atores e disputa por patente

Diante da baixa adesão à sua invenção, o empreendedor decidiu que era necessário convencer o público a usar os carrinhos e, para isso, Goldman contratou atores para frequentar a loja e, claro, usarem os carrinhos. O resultado logo apareceu e, em pouco tempo, os carrinhos se espalharam por mercados em todo o país.

Cerca de 2 décadas depois, os carrinhos já eram um sucesso e impulsionaram o crescimento dos supermercados nos Estados Unidos. No entanto, um novo desafio surgiu: o espaço ocupado pelos carrinhos, que se amontoavam nos estacionamentos e dentro das lojas, dificultando a circulação.

A solução veio de Orla Watson, um inventor de Kansas, EUA, que desenvolveu a parte traseira móvel dos carrinhos, permitindo que fossem acoplados em fila. Essa inovação reduziu significativamente o espaço ocupado, de 76 cm para apenas 11 cm por carrinho. A invenção foi tão impactante que gerou uma disputa judicial pela patente entre Watson e Goldman, que durou décadas e, ao final, Watson saiu vitorioso.

Acessibilidade, tecnologia e sustentabilidade

Atualmente, o carrinho de supermercado mantém o mesmo conceito básico, sem grandes mudanças em relação à sua estrutura, no entanto, as inovações nesta ferramenta seguem a todo vapor. Além de melhorias ergonômicas e de design, os carrinhos também se adaptaram às necessidades de acessibilidade, por exemplo.

Um marco nessa evolução foi o "Caroline’s Cart", protótipo criado por Drew Ann Long, mãe de uma jovem com deficiência, que possui uma cadeira na parte traseira, permitindo que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida possam fazer compras com conforto e segurança. "Essa é uma preocupação que também temos na Supercarrinhos, com modelos como o L580, que oferecem acessibilidade e inclusão".

Hoje, os carrinhos de supermercado estão passando por uma nova revolução, impulsionada pela tecnologia e pela sustentabilidade. Nos Estados Unidos e na Europa, já é comum encontrar carrinhos inteligentes, equipados com sensores, telas digitais e sistemas de autoatendimento. "Esses carrinhos processam as compras, pesam mercadorias e permitem o pagamento direto pelo cliente, sem a necessidade de passar pelo caixa", explica o diretor da Supercarrinhos.

Desafios e tendências

Redes como o Amazon Go já utilizam essa tecnologia, que começa a ganhar espaço no Brasil e, além disso, a sustentabilidade também está em pauta neste segmento onde materiais ecológicos e processos de fabricação menos impactantes estão sendo incorporados à produção dos carrinhos. "A pintura eletrostática, por exemplo, permite personalizações que integram os carrinhos à comunicação visual das lojas, ao mesmo tempo em que reduz o uso de produtos químicos".
Apesar dos avanços em opções de modelos de carrinhos, a implementação dessas novas tecnologias e de materiais sustentáveis ainda enfrenta desafios. "O custo da tecnologia é alto e há uma resistência cultural, especialmente entre pessoas com mais de 50 anos. No entanto, a tendência é de popularização, impulsionada pela geração mais jovem".

De acordo com o diretor da Supercarrinhos, entre as próximas inovações previstas para os carrinhos de supermercado estão as integrações aos programas de fidelidade, sugestão de itens e mapeamento das seções nas lojas. "A tecnologia vai facilitar ainda mais a experiência do cliente, com descontos especiais para quem optar pelo autoatendimento,por exemplo".

Solução contra furtos

Segundo Danilo, outro desafio que a indústria busca superar usando a tecnologia a seu favor é o furto de carrinhos. "No Brasil, mais de 20 mil unidades são perdidas ou furtadas por ano, causando prejuízos significativos. Por isso, a Supercarrinhos está desenvolvendo uma tecnologia anti-furto exclusiva que servirá como solução eficiente para esse problema".

De uma adaptação de cadeira dobrável aos carrinhos inteligentes e sustentáveis de hoje, a evolução do carrinho de supermercado reflete as mudanças no comportamento do consumidor e nas tendências tecnológicas. E, como mostra a história, essa invenção à prova do tempo ainda tem muito a oferecer aos consumidores. "O carrinho de supermercado é mais do que um item funcional; é um símbolo do consumo e da inovação. E, com as transformações que estão por vir, ele continuará a ser uma peça central na maneira como fazemos compras".

Fonte: Super Varejo
Tecnologia & Inovação Postado em segunda-feira, 17 de março de 2025 às 10:57


Tecnologia aplicada ao envelhecimento turbinará a economia da longevidade, que já é avaliada em US$ 15 trilhões.

A gerontóloga Keren Etkin encontrou um filão para atuar como empreendedora: criou o site The Gerontechnologist e a empresa The Age Tech Academy, ambos voltados para a interseção entre tecnologia e envelhecimento. No mês passado, assisti à sua palestra sobre as tendências para o setor em 2025 e as oportunidades para quem quer investir numa área que só tem crescido. Em primeiro lugar, alguns dados para contextualizar a situação:

Segundo o World Economic Forum, há um potencial de incremento de US$ 5 trilhões no Produto Interno Bruto das nações mais desenvolvidas se a mão de obra madura que está buscando emprego for aproveitada.

Nos Estados Unidos, a faixa acima dos 65 anos é o segmento que mais cresce no mercado de trabalho. Em países como Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido, os idosos representarão mais de 25% da mão de obra até 2031.

Nas próximas décadas, o número de portadores de demência saltará dos atuais 55 milhões para 150 milhões. De acordo com o World Alzheimer Report, o custo global com as demências, hoje em torno de US$ 1.3 trilhão, passará para US$ 2.8 trilhões.

Em 2023, somente nos EUA, havia cerca de 38 milhões de pessoas que cuidavam de familiares. Elas representam 11.5% da população e, em termos de horas de trabalho, as tarefas que executam equivalem a US$ 500 bilhões. No entanto, são indivíduos sem qualquer remuneração e que até comprometem parte dos seus rendimentos para garantir o bem-estar do ente querido pelos quais são responsáveis.

Etkin diz que não vê um número significativo de startups servindo a esse segmento: “é uma grande chance que está sendo desperdiçada”. Afinal, a economia da longevidade já é avaliada em US$ 15 trilhões e descortina um oceano de possibilidades. Aqui segue uma lista das tendências e oportunidades:

Idosos com recursos e sem problemas de saúde representam o filé mignon dos consumidores. Em inglês, são conhecidas como WOOPWHIs (well off older people without health issues). Gente que não precisa fazer contas para chegar ao fim do mês, que quer viajar e se divertir com um tratamento diferenciado.

Estudos de duas grandes consultorias, a McKinsey Digital e a Gartner´s, apontam para uma proliferação maciça de robôs, que serão cada vez mais autônomos.

O uso de tecnologia vem se expandindo consistentemente entre os mais velhos, mas eles se preocupam com segurança, privacidade e um design descomplicado. Nessa área, têm espaço garantido inovações nos cuidados com portadores de demência e para dar suporte aos cuidadores; prevenção de golpes; e ferramentas financeiras.

Fonte: G1