Notícias


Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 03 de agosto de 2021 às 10:27


Enquanto geração Z chama atenção das marcas, mais velhos possuem mais poder de compra e engajamento.

Se você ainda pensa que as pessoas de 60 anos ou mais são alheias às novidades do mundo, sua ideia precisa mudar. Pesquisas já mostravam um crescimento da digitalização dos baby boomers (nascidos entre 1945 e 1964 e hoje com 60 anos ou mais), mas a pandemia tornou esse cenário ainda mais real.

Falar com a família e amigos, fazer compras online e se informar. Tudo isso passou a ser feito pelos smartphones, que se tornaram objetos ainda mais presentes no dia a dia desse grupo. Por estarem cada vez mais presente nas redes, abriu-se também uma nova possibilidade no mercado de consumo e publicidade que, segundo Cléa Klouri, sócia da Hype 60+, consultoria especializada em público sênior, ainda é pouco explorada pelas marcas.


Baby Boomers e a digitalização

Cléa Klouri, também fundadora da Silver Makers, agência especializada em marketing de influência para esse mesmo público, deixa um fato claro: “Não existe mais isso de que geração baby boomer ou X não está conectada. Cerca de 92% das pessoas têm smartphone, e isso inclui os mais velhos. Essa é uma ideia que persiste na cabeça de muitos, mas as pesquisas mostram o contrário. As pessoas maduras estão muito conectadas, utilizando a internet e as redes até mesmo como maneira de se manterem informados e fazerem suas compras”.

Para Marina Roale, head de pesquisa do Grupo Consumoteca, consultoria especializada em comportamento, esse estigma existe, pois, as pessoas mais velhas são conhecidas como migrantes digitais, ou seja, pessoas que aprenderam a lidar com as tecnologias, não que nasceram imersas nelas. “Eles tiveram um contato mais tardio com as tecnologias, então criou-se essa ideia e muita gente ainda pensa isso. Mas a pandemia acabou sendo um marco especialmente nisso, em que se viveu um momento em que o digital foi a única alternativa viável para seguir com a vida, o que também impulsionou ainda mais essa digitalização”.

Segundo a Cléa Klouri, o momento de isolamento social realmente impulsionou a presença online dos idosos, mas isso também aconteceu com todas as gerações. Para ela, esse movimento já é antigo, mas o mercado não dava a devida atenção a isso.

Uma pesquisa realizada pela Silver Makers em parceria com a MindMiners mostrou que 7 em cada 10 empresas no Brasil acham que os mais velhos não acompanham as transformações tecnológicas, porém cerca de ¼ dos brasileiros acima dos 60 anos já tem uma vida plenamente conectada.

“Durante a pandemia, o que aconteceu na minha visão, é que eles passaram a utilizar mais os smartphones e a internet pois muitas atividades que faziam presencialmente também se tornaram online. Com isso, o tempo na internet aumentou, claro, mas também cresceram as compras online, a presença nas redes. E há um mercado atrás disso que só tende a crescer”, avalia a especialista.

De acordo com Cléa Klouri, o que os diferencia dos mais jovens é o comportamento online. Enquanto geração Z e millenials acessam praticamente o dia todo as redes sociais, os baby boomers passam mais tempo nas redes de uma só vez. “Nossas pesquisas mostram isso, é como se eles se dedicassem ao consumo de conteúdo online. Eles entram, passam vários minutos nas redes, leem os textos, veem os vídeos, eles não se incomodam que sejam longos”.


Consumo, mercado e influência

O mercado dos influencers digitais é um dos mais fortes na internet atualmente e já movimenta bilhões ao ano, segundo dados da pesquisa feita pela consultoria Shareablee. Todo esse sucesso se deve ao fato das marcas e empresas enxergarem nessas pessoas o potencial de influenciar outras a consumirem algo, por exemplo.

Mas você já ouviu falar sobre os senior influencers? Como o nome sugere, são pessoas de 50 anos ou mais que produzem conteúdo nas redes sociais e constroem uma comunidade em torno das dicas e histórias compartilhadas. A Silver Maker, da qual Cléa faz parte, é uma empresa especializada neste nicho de influenciadores com o intuito de impulsioná-los entre as marcas.

Segundo ela, esses influenciadores têm grande potencial de engajamento e atraem não apenas pessoas da mesma idade, mas também as gerações mais novas, inclusive a Z. As redes variam, sendo que o Facebook é uma das principais, mas muitos já estão nos aplicativos dominados pelos jovens, como é o caso dos avós TikTokers, que ganharam muita popularidade durante a pandemia.

Para Marina Roale, da Consumoteca, uma característica que torna o mercado de senior influencers importantes é o fato dessa geração ter muito o que falar. “A geração baby boomer é uma geração que testemunhou muitas mudanças, eles viram inúmeras mudanças tecnológicas, geopolíticas… eles têm experiências e repertório para compartilhar, podem falar de seus valores, de sua história. A internet é uma ferramenta de intercâmbio entre gerações em que os baby boomers podem ensinar e aprender muito”.

A sócia fundadora da Silver Makers conta que, quando viu o potencial desse mercado, realizou um levantamento: em 2019, existiam cerca de 300 influenciadores acima dos 50 anos no Brasil, considerando também artistas e celebridades. Hoje, o último levantamento apontou para a presença de 600 influenciadores. Ou seja, em dois anos, o número dobrou.

O conteúdo também varia muito, indo desde de dicas do dia a dia ou de produtos, até conteúdo de humor, que acaba atraindo também um público mais jovem. “Algo que é interessante notar é que muitas vezes o perfil desses influenciadores são uma prestação de serviço. É a dica de um produto para aquela idade, uma maquiagem para pele madura, entre outros exemplos”, opina a especialista em público sênior e longevidade.

E algo que não coloca esse nicho de influenciadores atrás de nenhum outro é o engajamento e a conversão. Essas são duas métricas importantes para o mercado da publicidade, pois mostra o potencial daquele influenciador. Segundo, Cléa Klouri os senior influencers têm ótimos números pois criam uma comunidade muito forte ao seu redor, que acompanham diariamente, enxergam veracidade e confiam naquela pessoa. Além disso, interagir nas redes sociais é uma característica presente em praticamente todo o público mais velho, o que aumenta ainda mais o poder de influência.


Atenção das marcas

Mesmo com tamanho potencial, a fundadora da Silver Makers diz que as marcas ainda deixam de lado o investimento nesse público. Esse mercado combina dois pontos importantes: o interesse pelo novo e a confiança. A pesquisa realizada pela Silver Makers mostra que 80% dos entrevistados acima dos 50 anos estão dispostos a experimentar novos produtos e marcas e 75% dos que descobriram um produto por meio de um influenciador, já comprou algum produto ou serviço pela indicação, mesmo sendo um público muito mais crítico que os jovens.

“Essas características trazem um resultado muito relevante. E tem marcas que estão despertando para isso agora. Empresas que até tinham o receio de como se comunicar com o público mais velho, de como se relacionar, hoje estão buscando mais isso”, diz Cléa Klouri, explicando que o mercado também deve olhar mais para o que eles estão oferecendo a esse público.

“Muitas empresas, como de maquiagem e cosméticos, por exemplo, não produzem para esse público, mas eles querem consumir. São coisas que precisam mudar, os baby boomers estão conectados e têm poder de compra até maior que geração z ou millenials”.

Marina Roale concorda com isso. Na percepção dela, muitas empresas ficaram tão focadas em agradar gerações mais jovens que deixaram de lado um público com poder aquisitivo e com muitos desejos a serem realizados. “O que falta para as marcas é olharem para esse público e entregarem o que eles querem, fazendo coisas voltadas a eles”.

Para Cléa Klouri, esse movimento está apenas no começo. “A percepção que temos é que isso vai continuar. As facilidades que se tem com a internet acabaram trazendo muitas vantagens para todas as gerações, mas o público mais velho está cada vez interagindo mais com isso, não pode ser deixado de lado ou visto como desconectado”, avalia a especialista.

Fonte: Consumidor Moderno
Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 03 de agosto de 2021 às 10:22


Com o menor índice de restrições desde o início da pandemia, o varejo está com altas expectativas de vendas para a data.

Enquanto em 2020 o varejo amargava uma retração de 8,8% das vendas na semana do Dia dos Pais, segundo dados divulgados pela Cielo, a expectativa para a data em 2021 é bem mais otimista.

Um levantamento realizado pela Shopee, plataforma de comércio eletrônico, revelou que os brasileiros pretendem gastar em média R$ 245 com o presente dos pais, um valor de intenção de consumo superior ao apontado no estudo feito para o Dia dos Namorados, que foi de R$ 240, e para o Dia das Mães, de R$ 210.

O estudo também apontou os principais fatores que fazem os consumidores irem às compras online, onde 66% responderam que são motivados por cupons de frete grátis; 57,1% afirmaram que são os preços baixos, 56,6% as promoções, e 54% a variedade de produtos disponíveis.

Quando questionados sobre os produtos que estão na intenção de compra para o Dia dos Pais, os entrevistados revelaram uma lista de itens preferidos: calçados (sapatos, tênis), seguidos de acessórios (relógio, carteira, óculos, boné), joias, esportes, câmeras, eletrodomésticos, saúde e beleza, acessórios para veículo, informática, comida e bebida.


Varejo físico e online estão otimistas

O Dia dos Pais deste ano será a primeira data comercial em que o varejo estará praticamente todo aberto, com pouquíssimas restrições, desde o começo de 2020.

Para o gerente executivo de marketing da Centauro, Gustavo Milo Marasco, com o aumento da vacinação e, portanto, a redução no número de casos e óbitos por covid-19, a expectativa é que as pessoas possam voltar a frequentar o varejo físico com segurança, o que reforçará as vendas no canal.

Já para o e-commerce, a preparação da loja é diferente: “no canal digital, por exigir uma ‘preparação’ do consumidor dado a logística e a disponibilidade de produtos, vamos trabalhar com uma comunicação que suporte o cliente nesta jornada de escolha ideal de presente”, planeja o gerente executivo.

E essa atenção aos canais digitais tem razão de existir: com o fechamento de lojas, o consumidor experimentou os canais online de forma mais intensa e, em muitos casos, pela primeira vez. “Mas as lojas continuam tendo um papel super relevante na construção da relação com os consumidores, seja por meio da experiência, seja pelo serviço e ainda o atendimento omnichannel”.

Christiano Reis, gerente de marketing da New Era no Brasil acredita, ainda, que existe uma demanda reprimida daqueles que não tiveram oportunidade de consumir durante a época de restrições, e, por isso, as expectativas para o segundo semestre são ainda mais expressivas.

“A pandemia de Covid-19 afetou enormemente a New Era, tanto em 2020 quanto em 2021, não só no Brasil, mas em todo mundo. Afinal, a marca depende dos fãs dos esportes, como beisebol, futebol, basquetebol e futebol americano, todos eles com campeonatos interrompidos ou sem a presença de público, bem como de uma rede de lojas físicas que vendem nossos produtos em mais de 150 países, também 99% delas com suas operações paradas em algum momento. E é nessas horas que, ter uma marca resiliente e com canais de distribuição diversificados, faz toda diferença”, explica o gerente de marketing.

“Assim, a New Era conseguiu passar a pior fase da pandemia, mesmo com vendas muito reduzidas, e obteve, conforme foi se dando a reabertura, uma recuperação de suas vendas em ‘V’. Tivemos um primeiro semestre extremamente forte e as expectativas para o segundo semestre são maiores ainda”, projeta.


De olho no comportamento do consumidor

Por estar mais tempo em casa, o cliente passou a priorizar itens de moda que geram mais conforto, o chamado loungewear. Ainda, os consumidores passaram a se importar cada vez mais com preservação do meio ambiente, higiene e propósito.

Segundo pesquisas realizadas pela agência Porter Novelli, marcas com propósito claro e definido têm resultado financeiro até 17% maior do que aquelas que não possuem um direcionador estratégico voltado à sociedade, por exemplo.

“O fast fashion perdeu um pouco de espaço e agora busca-se peças que durem mais. Outro aspecto ligado ao consumidor na pandemia, é que o consumo online vem crescendo 2 dígitos a cada ano, e com o isolamento social decorrente da pandemia, essa tendência aumentou ainda mais. O fechamento parcial das lojas físicas fez muita gente que não consumia pela internet descobrir o e-commerce em 2020 e 2021, e quem já conhecia, passou a utilizá-lo com muito mais frequência. Esse cenário tende a se expandir nos próximos anos, e cabe às empresas se adaptarem e criarem ferramentas que possam diferenciá-las em um mercado tão competitivo”, diz Christiano Reis.

Marasco também destaca que é preciso que o varejista esteja atento à disponibilidade financeira dos consumidores, uma vez que a pandemia impactou economicamente muitos deles.

De fato, uma pesquisa do Centro de Estudos em Finanças da FGV, realizada no segundo semestre de 2020, indicou que 63,93% dos entrevistados indicaram perdas na renda em função da crise.

“Porém, ao mesmo tempo, sabemos que nossos clientes não querem deixar de demonstrar o afeto aos seus pais. Oferecer produtos viáveis e suportar o cliente na jornada de escolha será fundamental para o sucesso nesta sazonalidade”, salienta o gerente executivo da Centauro.


Fortalecimento dos canais de venda

Com o aumento do tráfego nas lojas online, houve a necessidade de intensificar a comunicação destinada a esse canal de vendas. A New Era, por exemplo, passou a utilizar ferramentas de big data para que os anúncios impactem quem realmente está interessado em consumir os produtos.

“Também criamos ferramentas para melhorar a experiência em nosso site, já que o atendimento online, real time ao cliente, será cada vez mais importante para a fidelização dos consumidores. Uma das evoluções que lançamos em nosso site foi o provador virtual, que ajuda o consumidor a escolher o produto que tenha o melhor caimento possível”, destaca Christiano Reis.

Já nas lojas físicas, a marca quer melhorar a experiência do consumidor durante o período das compras. “Sabemos que nada é mais frustrante para o consumidor, do que entrar em uma loja e não encontrar o produto que está procurando. Por esse motivo, implementamos o drop shipping, que proporciona ao consumidor acesso a todo estoque de produtos da New Era, mesmo que a peça não esteja fisicamente na loja”.


O impacto do consumo entre as gerações

Em termos de escolha de produtos não há muita diferença com relação ao consumo de diferentes gerações na New Era, diz o gerente de marketing. “Mas é nítido que a faixa etária que consome no e-commerce é mais baixa do que aquelas que compram nas lojas físicas, apesar dessa diferença ter diminuído drasticamente durante a pandemia”.

Outro fator interessante destacado por Reis é o ticket médio. “Os mais velhos costumam gastar mais em uma única compra, quanto que os mais novos compram com mais frequência, porém, com valores menores por transação”.

Já para o gerente executivo da Centauro, a marca também não sente uma grande discrepância entre gerações na escolha dos produtos, mas percebe que os mais velhos experimentaram o e-commerce na pandemia e tiveram boas experiências, logo agora detêm confiança no canal.

Fonte: Novarejo