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Economia & Atualidade Postado em quarta-feira, 05 de fevereiro de 2025 às 18:04
O varejo brasileiro caiu 1,1% em janeiro, atingindo 109 pontos, no que diz respeito à confiança do empresariado. A informação é do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), elaborado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A baixa acontece após três meses de resultados positivos e traça um otimismo moderado do setor.

De acordo com a CNC, parte da visão negativa do setor se deve aos desafios econômicos do começo do ano. Os gastos típicos deste período, como IPTU, IPVA e custos escolares, atrapalharam os consumidores. O resultado é 0,1% menor ante mesmo período em 2024.

“O cenário é de cautela para o comércio, o que nos alerta para a necessidade de redobrarmos esforços em prol da retomada econômica. É um momento de maior pressão sobre os custos. Por outro lado, é animador ver que os investimentos continuam avançando, o que demonstra o comprometimento dos varejistas com a superação dos desafios”, explica José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Em análise dos subindicadores, a maior contribuição negativa veio da Condição Atual da Economia e Expectativa da Economia, ambos 2,6% abaixo dos números do mês anterior. Apesar disso, as intenções de investimento cresceram 0,2% e 2,4%, no comparativo com dezembro e janeiro de 2024, respectivamente.

O foco tem sido o investimento em capital físico e o controle de estoques. Após as contratações temporárias de fim de ano, houve estabilidade no quadro de funcionários.


Categorias

A queda da confiança foi mais expressiva no setor de bens semiduráveis, como roupas, calçados, tecidos e acessórios, em que houve redução de 1,8%. Contudo, os segmentos de supermercados, farmácias e lojas de cosméticos (0,3%) e de eletroeletrônicos, móveis e decorações, materiais de construção e veículos (0,7%) apresentaram desempenho positivo.

“Essa retração no otimismo dos empresários de semiduráveis reflete o comportamento cauteloso do consumidor, típico do período pós festas, quando os orçamentos familiares estão mais pressionados pelas despesas sazonais. Mas é importante destacar que o momento exige estratégias assertivas, como promoções, flexibilização de prazos e maior controle dos estoques”, diz Felipe Tavares, economista chefe da CNC.


Investimentos por setor

A intenção de investimentos teve variação positiva em quase todos os segmentos, com destaque para eletroeletrônicos, móveis e decorações, materiais de construção e veículos (1,1%), apesar da alta da taxa Selic. O comércio de bens semiduráveis foi o único que reduziu sua perspectiva de investimentos, em 1,4%.

Ainda assim, a análise anual do quesito foi positiva para todos os setores, com eletroeletrônicos, móveis e decorações, materiais de construção e veículos também apresentando a maior alta, 4,3% superior ao primeiro mês de 2024.

Fonte: Ecommerce Brasil
Economia & Atualidade Postado em segunda-feira, 30 de setembro de 2024 às 11:12


Economias redirecionadas e prateadas são algumas das identificadas pela consultoria Bain & Company como aquelas que irão concentrar novas oportunidades e desafios comerciais nos próximos anos.

A cada novidade que surge como tendência de comportamento do consumidor, as empresas se movimentam para entender: este é realmente um direcionamento que vai perdurar ou estamos diante de mais uma moda passageira? Apesar de executivos do segmento de bens de consumo terem grande experiência em analisar rapidamente tendências emergentes e o varejo acompanhar de perto essa evolução, nem sempre eles contam com as ferramentas certas para antecipar futuros padrões.

No longo prazo, o entendimento sobre a evolução dos desejos dos consumidores envolve identificar quais novos padrões de fato estão redefinindo os hábitos das pessoas e da sociedade – existe muito valor a ser capturado pelas organizações que conseguirem responder a estes desejos antecipadamente. É crucial ter uma visão completa das pessoas, seus hábitos no dia a dia, onde moram, como se comportam em relação ao meio ambiente, à família e à comunidade. Em suma, é necessário acompanhar e entender como forças macro podem remodelar a sociedade e criar novas necessidades de consumo – sejam mudanças demográficas, pressões econômicas, alterações climáticas, fluxos migratórios, instabilidade geopolítica, entre outros. Esses dados podem sinalizar como as pessoas poderão consumir, comprar ou trocar no futuro.

Durante a SXSW deste ano, a Bain & Company apresentou uma análise que destacou oito áreas principais que devem concentrar novas oportunidades comerciais e desafios, consideradas pela consultoria como “futuras economias de consumo” que irão impactar o mercado nos próximos anos:

Economia redirecionada: é crescente o número de pessoas que mudam de cidades, países e continentes – seja de forma temporária ou permanente. São mudanças causadas por forças macro, como as alterações climáticas, as pressões econômicas e a instabilidade política, ou mesmo por razões pessoais, como a procura de um estilo de vida melhor. Esse movimento acaba por remodelar onde as pessoas vivem, trabalham e, por consequência, o que, como e quando consomem – o que significa a criação de novos locais de compras, redes de distribuição e formatos de lojas. Com a integração de culturas, tradições e gostos podem surgir demandas específicas e até ofertas escalonadas para assegurar a coexistência da diversidade em ambientes de polarização social;

Economia familiar redefinida: com a redefinição das estruturas familiares, é crescente o número de pessoas que moram sozinhas, bem como famílias monoparentais, mistas, multigeracionais e “famílias escolhidas”. As companhias precisam atender e apoiar todas as configurações, oferecendo múltiplas soluções;

Economia prateada: a população global com 60 anos ou mais deve duplicar nos próximos 25 anos, atingindo mais de 2 bilhões de pessoas. Com a melhoria da saúde e maior tempo para chegar à aposentadoria, a terceira idade poderá contar com dois grupos bem distintos: aqueles que vão continuar a trabalhar, viajar e consumir nos seus anos dourados, e os que vão precisar de mais apoio. Dessa forma, este segmento não deve se limitar à criação de produtos e serviços destinados aos idosos. As pessoas dessa faixa etária têm pela frente a busca por novos propósitos, expansão de competências para o trabalho, cuidado com os filhos e com pais idosos – e também as dificuldades e incertezas de uma aposentadoria cada vez mais distante;

Economia consciente: os eventos climáticos extremos têm afetado pessoas em todo o mundo, o que amplia a consciência ecológica e a ansiedade ambiental. Cerca de 60% da população de países com economia em crescimento reafirmam sua preocupação com a sustentabilidade ambiental por terem vivenciado condições meteorológicas exacerbadas. Esse cenário deve alimentar modelos de negócio alternativos e redefinir o consumo, com plataformas tecnológicas para facilitar o comércio local e sustentável, bem como soluções concebidas para compartilhamento, aluguel, reparo e reciclagem de produtos;

Economia da automação: aproximadamente uma em cada duas pessoas nos Estados Unidos e na Europa sente que não tem tempo livre para atividades de lazer e quase um em cada dois norte-americanos afirma que utilizaria a automação de trabalhos domésticos se pudesse. A aplicação da Inteligência Artificial para automatizar tarefas enfadonhas e acelerar a tomada de decisões abre caminho para uma verdadeira parceria humana e tecnológica, onde a tecnologia libera tempo para atividades que realmente fazem sentido para as pessoas;

Economia originadora: os consumidores têm hoje todas as ferramentas necessárias – muitas delas digitais e alimentadas por Inteligência Artificial – para se tornarem a sua própria empresa e revolucionarem produtos de consumo tradicionais e cadeias de valor no varejo. Essas soluções, combinadas ao aumento do trabalho remoto e freelance, vão remodelar a forma como as pessoas contribuem para a economia de consumo. As empresas terão de se adaptar a esta nova onda de empreendedorismo e esforço criativo, criando modelos que incorporem e apoiem os consumidores como originadores em toda a sua cadeia de valor;

Economia da saúde otimizada: as pessoas mudaram a forma como pensam em saúde, que hoje inclui a saúde mental e o bem-estar espiritual, emocional, social e até financeiro. Com mais conhecimento e maior acesso a ferramentas para controlar a própria saúde, é possível que a população passe a se cuidar de forma holística. Esse conceito pode alterar totalmente os sistemas de saúde tradicionais, com a oportunidade para empresas e governos ajudarem a democratizar a procura de uma saúde otimizada.

Economia do suporte emocional: apesar da tecnologia que nos conecta, muitas pessoas se sentem isoladas – a solidão já é uma epidemia global, afetando jovens e idosos. A situação pode se agravar com o risco da tecnologia e o aumento contínuo de conteúdo e entretenimento hiperpersonalizados conduzirem uma segregação algorítmica. Isto, combinado com mudanças no estilo de vida, como o trabalho remoto, e o declínio nos rituais sociais, tornará mais difícil construir e manter ligações sociais significativas. As empresas e os governos terão de desempenhar um papel na reparação, fornecendo espaços, serviços ou produtos que criem apoio emocional e ajudem a reconectar as pessoas.

É importante levar em conta que essas economias do futuro devem coexistir e se sobrepor. As empresas voltadas para o consumidor que usarem essas perspectivas futuras para testar a aptidão dos seus negócios e identificar onde estão os pontos fortes, as oportunidades e os desafios, terão um excelente ponto de partida.

Fonte: Consumidor Moderno