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Economia & Atualidade Postado em segunda-feira, 09 de setembro de 2024 às 15:43


O bloqueio do X não é apenas uma briga de gigantes; é uma questão de liberdade de expressão, que deve ser um direito inalienável.


A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) irá monitorar, a partir de hoje, 2 de setembro, se todas as operadoras interromperam, de fato, o acesso à plataforma X, o antigo Twitter. A determinação partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no fim da semana passada. No sábado, 31 de agosto, a Anatel informou ao STF que comunicou mais de 20 mil provedores de internet, tanto grandes quanto pequenos, sobre a decisão.

A Anatel enfatiza que o monitoramento será rigoroso e que as operadoras poderão enfrentar sanções em caso de descumprimento. Ademais, a decisão do STF reflete um crescente debate sobre a regulação das redes sociais e a responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdo. O governo e órgãos reguladores buscam garantir que as informações compartilhadas nas mídias sociais estejam em conformidade com as diretrizes legais e éticas, promovendo assim um ambiente digital mais seguro para todos os usuários.

Alexandre de Moraes determinou o bloqueio do Twitter/X após a plataforma de Elon Musk recusar-se a cumprir ordens que considerou ilegais. A mais recente ordem ignorada por Musk, cuja intimação foi feita pela própria rede social, dizia respeito à falta de um representante da plataforma no Brasil. O empresário anunciou o fechamento da plataforma após Alexandre de Moraes ameaçar prender a representante legal da rede social.


O bloqueio feito pela Anatel

Segundo a Anatel, certos provedores menores podem ter dificuldades técnicas para realizar o bloqueio, mas, até o final do sábado, a suspensão da maioria dos acessos já estava confirmada.

Carlos Manuel Baigorri, presidente da Anatel, afirmou que o bloqueio de sites e IPs é uma prática recorrente da reguladora. Entretanto, ele ressaltou que a suspensão da plataforma X é a maior já realizada no Brasil. De acordo com Baigorri, a fiscalização está sendo feita de maneira rigorosa, e os provedores que não respeitarem a determinação estarão sujeitos a penalidades. A Anatel mobilizou uma equipe para garantir que todas as medidas sejam aplicadas de forma correta e rápida.

Pessoas que tentam acessar o X através das operadoras de telefonia mais frequentes recebem uma mensagem de página não encontrada ou erro de conexão. A suspensão do X levou vários internautas a considerarem o uso de VPN (Rede Privada Virtual) para acessar o aplicativo. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes ordenou a implementação de barreiras tecnológicas para o download desse tipo de ferramenta no país.


Acesso ao X por meio de VPN

A VPN é uma estratégia eficaz para contornar restrições de geolocalização. Utilizando uma rede privada virtual, usuários podem mascarar seu endereço IP e obter acesso ao conteúdo bloqueado em sua região. Além disso, a VPN oferece uma camada adicional de segurança, criptografando os dados transmitidos, o que é especialmente importante em redes Wi-Fi públicas.

Para configurar uma VPN, o primeiro passo é escolher um provedor confiável que tenha servidores em países onde o Twitter/X está acessível. Após a assinatura, o usuário precisa baixar o software ou aplicativo do serviço escolhido. O próximo passo, após a instalação, é conectar à internet através de um servidor localizado em uma região permitida.

Todavia, após decidir pela suspensão do X no Brasil, o ministro Alexandre de Moraes também proibiu o uso de VPN, o que afetaria em cheio os consumidores. Em suma, ele estabeleceu uma multa diária de R$ 50 mil para quem descumprisse as regras, mas revogou a penalidade horas depois.


Competência da Anatel de fiscalizar

O advogado Godofredo de Souza Dantas Neto, presidente do Instituto Brasileiro de Direito e Ética Empresarial (IBDEE), responde ao ser questionado se a Anatel tem competência para checar os usuários que burlarem a suspensão e utilizarem a VPN. “As atribuições da Anatel estão definidas na Lei nº 9.472/1997, e nenhuma delas inclui atividades de verificação e/ou monitoramento do uso de telecomunicações pelos usuários. Isso não impede que, em cumprimento a uma ordem judicial, a Anatel forneça ao Poder Judiciário as informações que possui no exercício regular de suas competências legais”.

Entretanto, isso não implica que a Anatel deva se dedicar a um monitoramento constante, tornando-se um órgão de assessoria persecutória. É importante ressaltar que o Poder Judiciário não pode criar competências para a Anatel.

Vale ainda dizer que as comunicações estão protegidas por sigilo e qualquer quebra desse sigilo precisa ser motivada, considerando a pessoa individualmente. “Não é possível estabelecer uma quebra de sigilo de telecomunicações geral e abstrata ao ponto de atingir toda a população brasileira. Isso seria instituir um sistema totalitário, portanto incompatível com a Constituição Federal“, salienta Godofredo Neto, ex-presidente do Comitê Jurídico Aberto da American Chamber of Commerce (Amcham).

No caso, existe ainda um aspecto prático, pois a VPN utiliza criptografia de ponta a ponta, que alguém precisaria quebrar, contrariando totalmente a proposta de segurança na comunicação que esse meio oferece aos usuários. Além disso, a comunicação criptografada é lícita, não sendo proibida pela lei em serviços privados de telecomunicação.


Constituição Federal

Sob o ponto de vista constitucional, desde o início da briga X/Twitter versus STF, o cidadão/consumidor tem sofrido a incidência das proibições e restrições. “O que era feito de forma individualizada, agora sofreu ampliação para afetar indistintamente a todos”, comenta Godofredo.

A ampliação dessas restrições gerou uma série de debates sobre a proteção dos direitos dos usuários, que se encontram subordinados a decisões que muitas vezes carecem de transparência e legitimidade. A liberdade de expressão, um pilar fundamental da democracia, parece estar sendo um dos primeiros alvos em um cenário onde a regulamentação tenta equilibrar segurança e direitos individuais.

“Meu entendimento é que os cidadãos têm poucas opções fora do exercício dos direitos de cidadania. Nesse sentido, é fundamental que eles busquem utilizar os mecanismos constitucionais de freios e contrapesos, garantindo que o Estado assegure plenamente os direitos individuais, especialmente os relativos à liberdade de pensamento e à livre manifestação. Em outras palavras, é preciso exigir que o Legislativo e o Executivo colaborem para interromper a interferência do Judiciário na proteção desses direitos”, enaltece o especialista.


Censura

A Constituição Federal proíbe a censura prévia. Tal proibição está sentenciada no artigo 200 da Carta Magna, que diz assim: “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”. Na visão de Godofredo, uma decisão judicial que impõe esse tipo de censura é um absurdo que o país acreditava ter superado desde o término da última ditadura.

Além disso, não é aceitável ameaçar a prisão de alguém pelo descumprimento de uma ordem judicial. “Primordialmente, uma autoridade deve fazer qualquer intimação a uma empresa com sede em outro país por meio de Carta Rogatória. Em outras palavras, as partes interessadas nunca devem fazer uma intimação através de mensagens em plataformas de internet. É fundamental respeitar o devido processo legal”, pontua o presidente do IBDEE.


Entendendo o caso

No dia 28 de agosto, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, publicou uma intimação para que Elon Musk, dono do X (antigo Twitter), apresente um representante legal da plataforma no Brasil em até 24 horas ou a rede seria suspensa no país.

“Essa determinação é exigida pelo Marco Civil da Internet, lei que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no território brasileiro”, explica Marcelo Crespo, coordenador dos cursos de direito da ESPM. “Sem dúvida, a suspensão do X prejudicará todos os usuários, pessoas físicas e jurídicas”.

A suspensão do X não só limita o acesso à informação, mas também compromete a liberdade de expressão e os direitos dos consumidores. A descontinuidade de um serviço amplamente utilizado pode resultar em danos diretos às operações comerciais e à comunicação entre os indivíduos.

Além disso, é importante considerar as implicações legais e sociais dessa medida. Usuários e empresas já se adaptaram a um ambiente digital que depende de plataformas como essa para realizar transações, compartilhar conhecimento e interagir socialmente. Por fim, as interrupção desse serviço gerarão insegurança jurídica e desconfiança nas relações comerciais.

Fonte: Consumidor Moderno
Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 13 de agosto de 2024 às 16:07


O abandono de carrinho é um dos maiores desafios enfrentados pelos e-commerces no Brasil. Segundo dados da E-commerce Radar, a taxa de abandono de carrinho virtual no país chega a impressionantes 82%. Diversas razões contribuem para esse fenômeno, sendo os principais fatores o valor do frete, preço alto, falta de confiança na loja, comentários e avaliações negativas, prazo de entrega longo, ausência de promoções e uma experiência do usuário (UX) ruim, conforme revelado pela Opinion Box.

Ainda segundo a Opinion Box, 61% dos brasileiros preferem comprar online, enquanto 39% ainda priorizam as lojas físicas. Diante desse cenário, é crucial para os e-commerces implementarem estratégias eficazes para reduzir o abandono de carrinho e aumentar as conversões. Aqui estão algumas das principais estratégias que podem ser adotadas:


1. Flexibilidade no pagamento

Oferecer múltiplas opções de pagamento é uma das formas mais eficazes de reduzir o abandono de carrinho. Muitos consumidores desistem da compra ao encontrar poucas opções de pagamento ou métodos complicados. Para atender a essa demanda:

– Cartões de crédito e débito: aceitar a maior variedade possível de bandeiras de cartões. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), os cartões de crédito representam aproximadamente 28% do total de transações no comércio eletrônico.

– Pagamentos digitais: integrar plataformas como PayPal, PicPay e Mercado Pago. A utilização de carteiras digitais cresceu 80% no Brasil em 2020, segundo a Minsait Payments.

– Parcelamento sem juros: oferecer a opção de parcelamento sem juros pode facilitar a decisão de compra para produtos de maior valor. Dados do SPC Brasil indicam que 39% dos consumidores online preferem parcelar suas compras.
– Pix: a inclusão do Pix como método de pagamento tem se mostrado uma opção rápida e eficiente, muito valorizada pelos consumidores brasileiros. Desde seu lançamento, o Pix já contabilizou mais de um bilhão de transações.


2. Melhoria da experiência do usuário (UX)

Uma experiência de usuário fluida e intuitiva é fundamental para manter os consumidores engajados e reduzir o abandono de carrinho. Para melhorar a UX:
– Design responsivo: garantir que o site seja otimizado para dispositivos móveis, uma vez que grande parte das compras online são feitas por smartphones. Cerca de 67% das compras online no Brasil são realizadas via dispositivos móveis.

– Navegação simples: facilitar a busca e a navegação pelo site, permitindo que os usuários encontrem facilmente os produtos desejados.

– Checkout simplificado: reduzir o número de etapas necessárias para concluir uma compra e permitir a opção de checkout como convidado para agilizar o processo. Aproximadamente 28% dos consumidores abandonam o carrinho devido a um processo de checkout complicado.

– Carregamento rápido: otimizar o tempo de carregamento das páginas, pois sites lentos podem frustrar os usuários e aumentar a taxa de abandono. O Google afirma que um atraso de um segundo no carregamento pode reduzir as conversões em 20%.


3. Inside sales

O inside sales, ou vendas internas, é uma estratégia na qual os vendedores utilizam tecnologias e ferramentas digitais para se conectar com os clientes, sem a necessidade de encontros presenciais. Essa abordagem pode ser muito eficaz para reduzir o abandono:

– Chat online: implementar um sistema de chat ao vivo para oferecer suporte imediato aos clientes durante o processo de compra. 53% dos clientes preferem utilizar o chat ao vivo antes de fazer uma compra.

– E-mails de recuperação de carrinho: enviar e-mails automáticos lembrando os clientes de produtos deixados no carrinho, oferecendo incentivos como descontos para finalizar a compra. Empresas que utilizam e-mails de recuperação de carrinho conseguem recuperar cerca de 10-15% das vendas abandonadas.

– Assistência proativa: utilizar inteligência artificial para identificar clientes que estão enfrentando dificuldades e oferecer assistência proativa.


4. Marketing de influência

O marketing de influência pode ser uma poderosa ferramenta para aumentar a confiança na marca e incentivar a finalização de compras:

– Parcerias com influenciadores: colaborar com influenciadores que tenham um grande número de seguidores e que sejam relevantes para o seu nicho de mercado. Influenciadores digitais impactam diretamente as decisões de compra de 49% dos consumidores brasileiros.

– Avaliações e testemunhos: promover avaliações e testemunhos positivos de clientes e influenciadores para aumentar a credibilidade e confiança na loja.

– Campanhas nas redes sociais: utilizar as redes sociais para promover produtos e ofertas especiais, criando um senso de urgência e exclusividade. As redes sociais influenciam aproximadamente 87% das decisões de compra online.


5. Promoções e ofertas personalizadas

Oferecer promoções e descontos personalizados pode ser um grande incentivo para que os clientes finalizem suas compras:

– Descontos exclusivos: oferecer descontos exclusivos para novos clientes ou para aqueles que estão retornando ao site após abandonar o carrinho.

– Programas de fidelidade: implementar programas de fidelidade que recompensem os clientes por suas compras, incentivando a repetição de compras. Clientes fiéis gastam 67% mais do que os novos clientes.

– Notificações push: enviar notificações push para alertar os clientes sobre promoções e descontos de produtos em que eles demonstraram interesse.


6. Transparência e confiança

Construir confiança é essencial para reduzir o abandono de carrinho. Os consumidores precisam sentir-se seguros ao comprar online:

– Política de devolução clara: oferecer uma política de devolução clara e justa pode aumentar a confiança do cliente na hora de finalizar a compra.

– Certificações de segurança: mostrar certificações de segurança, como SSL, para garantir que as informações dos clientes estão protegidas. 64% dos consumidores afirmam que uma certificação de segurança influencia sua decisão de compra.

– Comentários e avaliações visíveis: destacar avaliações e comentários de outros clientes para demonstrar a confiabilidade e qualidade dos produtos. Cerca de 91% dos consumidores leem avaliações online antes de fazer uma compra.

Reduzir o abandono de carrinho é um desafio contínuo, mas, com a implementação das estratégias certas, é possível converter mais visitantes em compradores satisfeitos. Adaptar-se às necessidades dos consumidores e oferecer uma experiência de compra excepcional são passos essenciais para se destacar no competitivo mercado de e-commerce brasileiro.

Fonte: Ecommerce Brasil