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Estratégia & Marketing Postado em terça-feira, 25 de março de 2025 às 13:37


Marcas próprias e novos sabores são algumas das estratégias usadas. Devido ao preço do cacau no mercado internacional e à alta dos insumos básicos, a Páscoa de 2025 será um pouco diferente. Para oferecer opções que caibam no bolso dos consumidores, a indústria tem feito adaptações na produção e apostando em produtos que chamem a atenção do consumidor. Segundo a ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas), serão produzidos 45 milhões de ovos de Páscoa em 2025, e a indústria trará 803 tipos de produtos de chocolates, incluindo 94 lançamentos.

De acordo com o relatório "Páscoa 2025: uma caça às tendências do consumo brasileiro", divulgado pela plataforma de conhecimento Globo Gente, os pontos de vendas ou canais preferidos para comprar os presentes de Páscoa são os supermercados/hipermercados (59%), seguidos pelas lojas especializadas (33%) e por último pelos atacadistas/atacarejos (23%). Para 69% dos entrevistados, presentear com ovos de Páscoa é uma forma de cultivar o clima e a magia da data. A pesquisa também mostra que 74% dos consumidores pretendem comprar chocolates, doces ou ovos em 2025, menos do que os 83% de 2024.

Na visão de Renata Vieira, vice-presidente de Marketing da Mondelēz Brasil, a marca Lacta segue somando a tradição e a conexão emocional que a marca mantém com os consumidores para impulsionar as vendas de ovos e outros itens sazonais, o que deve resultar em um desempenho positivo em comparação ao ano anterior. "Para 2025, trazemos um portfólio diversificado, com opções para todos os perfis de consumidores e ocasiões de consumo, refletindo nosso compromisso em oferecer acessibilidade e manter a competitividade dos produtos. Em relação ao impacto da alta do cacau, adotamos diversas estratégias para mitigar os efeitos desse aumento nos custos de produção. Isso inclui a gestão estratégica de custos, investimentos em inovação e tecnologia, além de parcerias para fortalecer a produção nacional de cacau, incentivando práticas agrícolas mais sustentáveis".

A empresa trará para os pontos de venda 17 diferentes ovos de chocolate. Uma das apostas é a volta do Ovo Bis Branco, que foi sucesso em 2010. O portfólio ainda contará com Ovo Trakinas; produtos feitos em parceria com a Mattel, como Barbie e Hot Wheels; e os já conhecidos Sonho de Valsa, Diamante Negro, Oreo, Ouro Branco, Bis ao Leite, Laka, Diamante Negro e Lacta ao Leite.

Outros nomes do mercado como a Santa Helena Alimentos e a Top Cau fizeram em parceria o ovo de Páscoa Paçoquita (300 g). A marca também lançará para a data os bombons recheados de Paçoquita, em embalagem de 55 g, com cinco unidades cada. “Todos os anos, nossos consumidores demonstram um grande desejo por produtos que unam Paçoquita e chocolate, e estamos sempre atentos a essas demandas. O lançamento dos ovos e dos bombons recheados reforça essa conexão”, afirma Breno Carvalho, head de Marketing.

A Arcor tem quatro lançamentos previstos para a sazonalidade em 2025: Tortuguita Jogo da Memória (100 g); Tortuguita Estrela Ninja (120g); Miraculous (100 g); e Ghostforce (100 g). Ao todo, a marca disponibilizará nas gôndolas 23 tipos de ovos de chocolate. Já a Nestlé virá com dois lançamentos, o Ovo Choco Trio e o Ovo Charge. Outra aposta da empresa será o Ovo Caribe, que fez sucesso no ano passado e teve a produção triplicada.

Supermercados: estratégias das redes

Além de ovos de chocolates das fabricantes tradicionais, o Carrefour trará para as gôndolas e parreiras de suas lojas as opções de marca própria. Na linha infantil, a aposta da rede será o Ovo Madagascar. Para os adultos, a opção serão os Ovos Carrefour Sensation (de 160 g e 170 g).

A Americanas também investirá em produtos de sua marca própria, a Delice e lançará o Ovo Ameriquinho, coelho criado com Inteligência Artificial para a campanha do ano passado da empresa e que ganhou a simpatia do público. Já o Sam's Club apostará em produtos na linha premium, com os ovos da linha Member’s Mark, nas apresentações Bag Coelho, com Ovinhos de 185 g, além de e Caixa com Ovinhos 950 g.

Expectativa e inovação

Na Páscoa de 2024, as chocolaterias tiveram crescimento de 3,8% nas vendas durante a sazonalidade, de acordo com o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado). Com a expectativa em alta para obter um desempenho similar ou maior em 2025, a Cacau Show espera que o canal seja relevante nas vendas também em 2025. "Trouxemos um mix de 78 produtos para oferecer para os nossos consumidores, entre eles a inovação com pistache, que é o sabor do momento e, principalmente nossa linha infantil com parcerias e gifts novos. Nossa expectativa é de um crescimento expressivo nas vendas na ordem de 30% em faturamento em relação à Páscoa do ano passado", diz Íris Ferraz, gerente de Produtos da Cacau Show.

Fonte: Super Varejo
Gestão & Liderança Postado em segunda-feira, 17 de março de 2025 às 11:12


Descontentamento com o valor atual do papel e confiança da gestão de que 2025 será um ano de mais vendas e rentabilidade impulsionam a estratégia da empresa.

Fechado o ano de 2024, Fabio Faccio, CEO da Renner, entendeu que não havia outro caminho. Com o papel negociando nas mínimas, uma medida importante de alocação de capital era ir às compras.

“A recompra das nossas ações é o melhor investimento que podemos fazer”, diz Faccio. A fala sintetiza o racional por trás do maior programa de recompra de ações da história da companhia -- casado ao momento em que a geração de caixa bateu recorde.

O plano prevê a aquisição de até 75 milhões de ações, o equivalente a 7,13% dos papéis em circulação, em uma movimentação avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.

A decisão demonstra tanto a confiança da gestão no desempenho futuro da empresa quanto o descontentamento com o patamar atual das ações, que vêm sendo negociadas próximas de R$ 13,71, um nível semelhante ao de 2016. Para efeito de comparação, o papel atingiu seu recorde em janeiro de 2020, quando chegou próximo dos R$ 50.

A recompra de ações se soma ao plano de R$ 850 milhões em investimentos, previstos para o próximo ano, com foco na abertura de novas lojas. Os anúncios vêm em um momento de solidez financeira da companhia, que registrou a maior geração de caixa de sua história: R$ 1,5 bilhão em 2024.

A companhia fechou o ano com receita líquida de varejo de R$ 12,67 bilhões, um crescimento de 8,2% frente a 2023. No quarto trimestre, a receita alcançou R$ 4,17 bilhões, um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento das vendas foi impulsionado por todas as marcas do grupo:

Renner: R$ 3,79 bilhões (+9,1%)
Youcom: R$ 193,5 milhões (+19,3%)
Camicado: R$ 191,2 milhões (+12,3%)

Mesmo com o avanço na receita, o lucro líquido caiu 7,5%, totalizando R$ 487,2 milhões no trimestre. Segundo Daniel dos Santos, CFO da companhia, eventos não recorrentes impactaram a comparação com 2023. “Tivemos eventos não recorrentes que atrapalham a comparação, como créditos que tivemos no ano passado e baixas de ativos. O EBITDA recorrente seria 19% maior e o lucro líquido, 30% maior. Isso mostra a consistência que tivemos esse ano”, explica.

A margem bruta permaneceu estável, em 55,8%, enquanto a margem EBITDA ajustada ficou em 24,5%.

Um dos destaques do trimestre foi a melhora significativa da Realize, o braço financeiro da companhia. O resultado operacional do negócio saltou para R$ 61 milhões, e a inadimplência atingiu o menor nível dos últimos cinco anos.

O cartão Renner voltou a crescer sua participação nas vendas, reforçando o papel da Realize como alavanca para o varejo em 2025. “A Realize conseguiu um operacional muito bom. Pela primeira vez, a participação do cartão Renner nas vendas cresceu, voltando a ter contribuição positiva no ecossistema”, destaca Santos.

Perspectivas para 2025

O cenário macroeconômico mais desafiador, com pressão de custos e volatilidade cambial, deve impactar o setor de varejo. Ainda assim, a Renner confia na resiliência do seu modelo de negócio. “Nosso modelo de operação nos deixa mais confiantes de que vamos continuar crescendo acima do mercado e com rentabilidade”, afirma o CFO.

Um dos fatores que devem sustentar esse crescimento é a política de precificação da empresa. Em 2024, a companhia conseguiu aumentar as vendas sem elevar os preços, favorecendo a percepção de valor por parte dos clientes. A Renner reduziu em 5 dias o prazo médio dos estoques, atingindo o menor nível de remarcações para um quarto trimestre desde 2016.

“Não teve crescimento vindo de preço em 2024, ele veio de volume. Tivemos uma boa percepção de preço dos nossos clientes em 2024. Provavelmente em 2025 ainda vai crescer muito mais por volume, mas com levemente uma parte de preços, mas estamos trabalhando para ser abaixo da inflação e isso nos permite continuar operando com margens saudáveis”, explica Faccio.

Outro ponto de atenção é a evolução da malha logística. O Centro de Distribuição de Cabreúva, que já opera com lead time melhor do que o esperado, deve impulsionar ainda mais os ganhos de margem e geração de caixa no segundo semestre de 2025. No primeiro semestre, a companhia ainda vai trabalhar em colocar a operação da Renner online integralmente no CD.

O desafio da Renner agora, aos 60 anos de operação, é convencer o mercado de que os ganhos vão continuar e que ela continua na moda.

Fonte: Exame