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Tecnologia & Inovação Postado em terça-feira, 04 de março de 2025 às 15:11


O Relatório Internacional sobre Segurança em IA, elaborado pelo Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido junto ao Instituto de Segurança de IA, apontou pontos de atenção para aplicação de inteligência artificial (IA). Com supervisão de Yoshua Bengio, o relatório reconheceu os desafios no caminho com esta tecnologia.

Entre os as temáticas abordadas, estão o uso de IA para eliminar postos de trabalho e criar deepfakes até ajudar ciberataques e ser aplicada à armas biológicas. Abaixo, o especialista deixou um pouco do que o modelo pode fazer em seis áreas. Veja:

1. Empregos

O relatório alerta que o impacto da IA nos empregos será provavelmente profundo, especialmente se agentes de IA – ferramentas que podem executar tarefas sem intervenção humana – se tornarem altamente capazes. “A IA de propósito geral, especialmente se continuar a avançar rapidamente, tem o potencial de automatizar uma ampla gama de tarefas, o que pode ter um efeito significativo no mercado de trabalho. Isso significa que muitas pessoas podem perder seus empregos atuais”, afirma o documento.

Economistas acreditam que as perdas de emprego podem ser compensadas pela criação de novas funções ou demanda em setores não afetados pela automação. Segundo o Fundo Monetário Internacional, cerca de 60% dos empregos em economias avançadas como os EUA e o Reino Unido estão expostos à IA, e metade desses empregos pode ser negativamente impactada. O Instituto Tony Blair estima que a IA poderia deslocar até 3 milhões de empregos no setor privado no Reino Unido, embora o aumento final no desemprego fique na casa das centenas de milhares devido ao crescimento da tecnologia que criará novas funções em uma economia transformada pela IA.

O relatório observa que “essas interrupções podem ser particularmente severas se agentes autônomos de IA se tornarem capazes de completar sequências mais longas de tarefas sem supervisão humana”.

2. Meio ambiente

O impacto da IA no meio ambiente é descrito como um “contribuinte moderado, mas em crescimento rápido”, já que os datacenters – os sistemas nervosos centrais dos modelos de IA – consomem eletricidade para treinar e operar a tecnologia. Os datacenters e a transmissão de dados representam cerca de 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, com a IA constituindo até 28% do consumo energético dos datacenters.

À medida que os modelos se tornam mais avançados, eles consomem mais energia. O relatório alerta que uma “porção significativa” do treinamento global dos modelos depende de fontes de energia com alta emissão de carbono, como carvão ou gás natural. O uso de energia renovável por empresas de IA e melhorias na eficiência não acompanharam a crescente demanda por energia.

Além disso, o consumo de água pela IA, utilizado para resfriar equipamentos nos datacenters, pode representar uma “ameaça substancial ao meio ambiente e ao direito humano à água”. No entanto, há uma escassez de dados sobre o impacto ambiental da IA.

3. Controle em cheque

A preocupação central dos especialistas é um sistema de IA todo-poderoso que evade o controle humano, com temores sobre a possibilidade da tecnologia extinguir a humanidade. O relatório reconhece esses receios, mas afirma que as opiniões variam muito.

“Alguns consideram implausível, outros acham provável e alguns veem como um risco modesto que merece atenção devido à sua alta gravidade”, diz o texto. Bengio afirmou ao Guardian que os agentes de IA ainda estão sendo desenvolvidos e não conseguem realizar o planejamento a longo prazo necessário para eliminar empregos em massa ou evadir diretrizes de segurança.

4. Armas biológicas

O relatório indica que novos modelos podem criar guias passo a passo para a criação de patógenos e toxinas que superam conhecimentos acadêmicos avançados. No entanto, há incerteza sobre se esses modelos podem ser utilizados por iniciantes.

Especialistas notaram avanços desde um relatório provisório sobre segurança do ano passado, com a OpenAI produzindo um modelo capaz de “ajudar significativamente especialistas no planejamento operacional para reproduzir ameaças biológicas conhecidas”.

5. Cibersegurança

Uma ameaça crescente da IA em termos de ciberespionagem é representada por bots autônomos capazes de encontrar vulnerabilidades em softwares open-source (código livre para download e adaptação). Contudo, as limitações relativas dos agentes de IA significam que a tecnologia ainda não é capaz de planejar e realizar ataques autonomamente.

6. Deepfakes

O relatório lista diversos exemplos conhecidos do uso malicioso de deepfakes gerados por IA, incluindo fraudes financeiras e criação de imagens pornográficas não consensuais. No entanto, aponta que não há dados suficientes para medir plenamente a quantidade desses incidentes.

“A relutância em relatar pode estar contribuindo para esses desafios na compreensão do impacto total do conteúdo gerado por IA destinado a prejudicar indivíduos”, destaca o documento. Instituições muitas vezes hesitam em divulgar suas dificuldades com fraudes impulsionadas por IA; indivíduos atacados com material comprometedor gerado por IA podem optar por permanecer em silêncio por vergonha ou para evitar mais danos.

O relatório também adverte sobre os desafios fundamentais na abordagem do conteúdo deepfake, como a capacidade de remover marcas d’água digitais que sinalizam conteúdo gerado por IA.

Fonte: Ecommerce Brasil
Economia & Atualidade Postado em terça-feira, 04 de março de 2025 às 15:06


As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em forte queda, superior a 30 pontos-base nos vencimentos mais longos, refletindo o recuo dos rendimentos dos Treasuries após as vendas no varejo dos Estados Unidos caírem mais que o previsto em janeiro.

O adiamento da cobrança de novas tarifas de importação pelo governo Trump foi outro fator de alívio para as curvas de juros nos EUA e no Brasil, assim como o recuo do dólar. Na reta final dos negócios, a divulgação de uma pesquisa Datafolha mostrando queda na avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu para o dólar renovar mínimas, conforme três profissionais ouvidos pela Reuters, o que também impactou os DIs.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 -- um dos mais líquidos no curto prazo -- estava em 14,785%, ante o ajuste de 14,832% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,78%, ante o ajuste de 14,946%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,53%, em queda de 31 pontos-base ante 14,839% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,49%, ante 14,8%.

Na véspera, o governo Trump detalhou um roteiro para aplicar tarifas de reciprocidade contra qualquer país que imponha impostos sobre os produtos norte-americanos. No entanto, as tarifas não entraram em vigor nesta quinta-feira, o que foi visto pelo mercado como uma estratégia do presidente Donald Trump para iniciar negociações comerciais com outros países.
Este adiamento das tarifas pesou sobre o dólar e os rendimentos dos títulos norte-americanos, com reflexos sobre as taxas dos DIs.

“Com o discurso um pouco mais leve de Trump e a compreensão de que a guerra comercial seria prejudicial, o mercado avalia que talvez este cenário (de tarifas mais altas) não ocorra tão rapidamente”, comentou Fabrício Voigt, economista da Aware Investments.

A queda das taxas futuras se intensificou no meio da manhã após o Departamento do Comércio dos EUA informar que as vendas no varejo caíram 0,9% em janeiro, depois de um aumento revisado para cima de 0,7% em dezembro. Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas no varejo, que são em sua maioria mercadorias e não são ajustadas pela inflação, cairiam apenas 0,1%.

“O grande driver (condutor) hoje foram as vendas no varejo dos EUA, principalmente a parte do grupo de controle, que é como se fosse um núcleo, que veio muito aquém”, pontuou Lais Costa, analista da Empiricus Research.

De fato, as vendas excluindo automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços de alimentação caíram 0,8% em janeiro, ante projeção de alta de 0,3%, conforme o Departamento do Comércio.
“Este descolamento com as expectativas, não explicado por uma questão sazonal, pareceu ser um sinal sobre a economia dos EUA, e não um ruído”.

Em reação, investidores elevaram as apostas de mais cortes nos juros dos EUA, o que se refletiu também na curva a termo brasileira e na queda firme do dólar ante o real.
Para Voigt, da Aware, o recuo das taxas futuras também esteve ligado ao ambiente interno, marcado nos últimos dias pela percepção de desaceleração da economia.

“O mercado já esperava um PIB (Produto Interno Bruto) menor, e agora o governo também passou a enxergar um PIB menor”, pontuou Voigt. Na véspera o ministério da Fazenda alterou sua previsão de crescimento para a economia em 2025 de 2,5% para 2,3%.
“Com o dólar recuando, deve haver espaço para a taxa de juros não crescer tanto. Mas tudo indica que ela vai chegar a 15% -- isso dificilmente não ocorrerá, porque a meta de inflação é de 3%”, acrescentou.

A pressão de baixa para o dólar no Brasil se intensificou ainda mais na última hora de negócios desta sexta-feira, após o Datafolha informar que a aprovação do governo Lula caiu 11 pontos percentuais em dois meses e atingiu 24% em fevereiro, enquanto a reprovação subiu para 41%.

Segundo o instituto, aqueles que avaliavam o governo como "ótimo ou bom" em dezembro caíram de 35% para 24% na rodada de fevereiro. Os que avaliaram a gestão como "ruim ou péssima" foram de 34% para 41%. Os 29% que consideravam o governo "regular" no fim do ano passado passaram para 32%.

Em paralelo ao dólar, as taxas dos DIs também intensificaram as perdas. Por trás do movimento está a avaliação, de parte do mercado, de que a queda da aprovação do petista significa menos chances de reeleição em 2026. Lula é visto por muitos do mercado como um presidente pouco propenso a promover os ajustes fiscais necessários no governo.

Fonte: Economia.Uol