Notícias


Economia & Atualidade Postado em quinta-feira, 01 de agosto de 2024 às 14:30


Daniel Fleche, head de Varejo para Soluções Digitais da Embratel, fala sobre como o 5G será essencial para os negócios.

Cada vez mais, as soluções logísticas e a Inteligência Artificial (IA) devem se tornar relevantes para o varejo. São essas ferramentas que garantem a eficiência nas entregas, o melhor controle de estoques, a logística reversa de itens para troca ou devolução, a redução de perdas, entre outras ações que precisam acontecer (e serem acompanhadas) em tempo real.

“Quanto mais ágil e assertivo o processo, menor o atrito, na visão do consumidor”, disse Daniel Feche, head de Varejo para Soluções Digitais da Embratel, em entrevista ao Próximo Nível, hub de conteúdo da companhia.

Segundo ele, o varejo demanda soluções logísticas que ofereçam não somente esse acompanhamento ponto a ponto, mas que também estejam interligadas a meios de pagamento e sistemas de gestão de estoques, garantindo a reposição e evitando rupturas. Na visão de Feche, a experiência do cliente, daqui para frente, deve ser uma prioridade das marcas, em qualquer canal de relacionamento, virtual ou físico.

“Para tanto, a tecnologia assume uma importância muito grande, seja para entender o comportamento de consumo por meio de análise de dados, ou seja para garantir melhor controle da logística e da cadeia de suprimentos, por exemplo”.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista de Daniel Feche, que mostram, com uma visão de futuro, que o 5G é essencial para habilitar as aplicações e necessidades do próximo nível do varejo.

Do ponto de vista de tecnologia, quais são as tendências para o varejo?
Nos últimos anos, a área de supply chain fez grandes investimentos em hardware e em ativos físicos, como armazéns, áreas alfandegárias, caminhões, prateleiras, entre outros. Agora, para os próximos cinco anos, o grande investimento deverá ser na parte de software. As empresas saem de hardware e vão para software, com todas as necessidades de atualizações desses sistemas, e o que vai garantir a funcionalidade disso é a tecnologia 5G, em função de sua latência menor, para transmissão de informações atualizadas em tempo real.

Temos acompanhado eventos do setor, com foco em inovação e melhores práticas, e vemos discussões que abordam temas como estratégias para usar a inteligência artificial em favor do negócio, como ganhar escala com a IA e como otimizar as operações logísticas. No Brasil, em função da vasta extensão territorial, com regiões bastante carentes, a logística é um ponto de atenção.

Com a nova realidade do varejo, o cliente está cada vez mais exigente e preza por atendimento de qualidade, independente de sua localização. O aumento significativo da capilaridade de atendimento força o setor a buscar soluções complementares que garantam satisfação, fidelidade e recorrência do consumidor. Isso significa, por exemplo, que mercadorias perecíveis, fora de dimensões e padrões, entre outras exceções, precisam ser levadas em conta para garantir o transporte ágil e combinado com outros tipos de mercadorias.

Além disso, a análise de dados e o entendimento real do comportamento do consumidor permitem que as empresas alcancem ganhos operacionais e financeiros, ao otimizar todo o processo da cadeia de distribuição, desde a demanda e compra – para formação de estoques adequados – até a entrega da mercadoria ao cliente final. Cada etapa desse processo é importante para os resultados do varejo, não somente no que diz respeito ao quesito tempo, mas também ao retorno financeiro.

Como a Inteligência Artificial pode contribuir para este segmento?
A IA pode ajudar na análise de dados que mostrem, por exemplo, a necessidade de ter um local para armazenamento mais próximo de onde estão os consumidores, além de viabilizar a gestão de estoques. As soluções são as mais diversas e a inteligência artificial está atuando em diferentes camadas. Nos sistemas de gestão, temos o ERP (gestão de compras/empresarial), o WMS (gestão de armazéns) e o TMS (que faz a interação com a distribuição e roteirização). Essas soluções fazem parte do portfólio da Embratel, e conseguimos torná-las mais robustas, agregando inteligência e big data analytics. Essa é uma preocupação relevante do mercado varejista.

Além disso, a Inteligência Artificial também vai ajudar a prever tendências, entendimento do comportamento do consumidor, demandas de abastecimento de lojas e estoques e ciclo de vida de cada produto, de forma a garantir oferta e reposição. Isso permite que as empresas tenham o produto certo, para o cliente certo, no momento certo

A tecnologia também traz maior inteligência para as entregas?
Sim, sem dúvida. A reposição rápida também bate em outro ponto fundamental para a logística, que é a roteirização. É preciso otimizar essa operação, e a IA consegue fazer isso com um olhar abrangente, mostrando onde está a demanda e estabelecendo o melhor caminho para cada transportador.
Todas essas decisões podem ser baseadas a partir dos dados da Inteligência Artificial, que mostram como é o potencial de consumo de cada local, qual o tipo de mercado que existe ali, como esse cliente em específico se comporta em determinadas datas, se é um produto sazonal ou com giro o ano todo, entre vários outros detalhes. Então, a IA vai trabalhar nestes três motores, potencializando as funcionalidades do ERP, WMS e TMS.

Isto otimiza as importações e exportações também?
Exato. Essa integração, que inclui os produtos que vêm de fora ou vão para fora do País, é muito importante para o equilíbrio, previsibilidade e ações das empresas. Em caso de importações, é possível acompanhar o processo de coleta, de embarque, alfândega, validações fiscais, entre outros. Não podemos nos esquecer também que a automação trará benefícios às tratativas de certificados fiscais e autorizações governamentais, permitindo o melhor planejamento por parte das empresas.

Então, a IA contribui para maior previsibilidade?
Sim, porque os dados mostram, de forma robusta, todo o processo de coleta, embarque, alfândega, autorizações, certificados, entre outros. A IA alimenta sistemas que incluem roteirização de processos, previsibilidade de abastecimento, reposição e formas de escalar o negócio de acordo com o perfil dos clientes.

Hoje, ainda existem muitos operadores logísticos trabalhando de forma manual. Isso significa que, aqueles que conseguirem adotar ferramentas tecnológicas, ganharão vantagem competitiva. Existe uma oportunidade muito grande com o 5G, com cloud computing e soluções de IA para o varejo. Na Intermodal, também percebemos uma participação relevante do agro, no sentido de entender as novas tecnologias para atender a novos mercados. Lembrando, claro, que todo o objetivo das novas tecnologias é promover otimização financeira.

De modo mais amplo, considerando toda a cadeia de suprimentos, quais tendências você considera que irão nortear o setor de varejo?
A ideia é que as empresas se modernizem, mas sem perder o foco na experiência do cliente. Então, a transformação digital não é somente sobre tecnologia, mas, sim, sobre como usar essa tecnologia para compreender o comportamento do consumidor e, com isso, criar soluções mais interessantes, que fidelizem o cliente e possam solucionar alguns problemas.

Por exemplo, o cliente quer ter a mesma experiência em qualquer canal de venda de uma marca. Isso inclui preço, consulta de estoque, prazo de entrega, facilidade de pagamento, entre outros. Se a loja tem um canal físico e outro digital, ambos devem funcionar da mesma maneira e entregar a mesma experiência. E, para que isso aconteça, é necessária a integração omnichannel de todo o negócio, e também com a indústria. O mercado precisa da colaboração entre o varejo e a indústria.

E, novamente, como a tecnologia pode ajudar nisso?
De diversas formas. Por exemplo, para compreender as motivações e necessidades de compra, é necessário conhecer melhor o perfil do consumidor. E isso, hoje, pode ser feito com análise de big data e Inteligência Artificial, que identificam tendências e padrões. Dessa forma, ao conhecer o público, o varejo tem melhores condições de tomar decisões estratégicas baseadas em dados.

Em outra ponta, a integração de toda a cadeia de suprimentos também é fundamental. No momento em que um item é vendido em uma unidade da rede, ele precisa sair do estoque desse varejista. A partir daí, todo o processo de entrega é acompanhado e o comprador sabe exatamente onde está o produto. Isso gera confiança e transparência, e evita que o mesmo item seja vendido em outra unidade ou canal. Essa integração é fundamental.
A tecnologia também é importante na prevenção de fraudes, que precisa ser feita nos bastidores, de forma invisível para os clientes, e com respeito à privacidade.

Quais são os próximos passos do setor logístico e do varejo?
A agilidade de processamento é uma das coisas em que constatamos um crescimento relevante em 2024. Acreditamos que a coleta de informações, a agilidade e o gerenciamento remoto vão crescer de forma significativa com o 5G. A menor latência deste padrão de conectividade habilita melhores respostas nas pontas. E isso não ocorre somente na logística.

Uma vez que todas as regiões conseguem receber e fornecer dados em tempo real, com velocidade, todos os mercados e áreas são beneficiados. O próximo nível será a chamada “última milha”, com o cliente tendo acesso à todas as informações referente ao seu processo de compra, com transparência, agilidade e precisão operacional em tempo real.

Fonte: Mercado & Consumo
Tecnologia & Inovação Postado em quinta-feira, 01 de agosto de 2024 às 14:27


Usar a inteligência artificial para mudar a relação dos clientes com o varejo alimentar. Com esta finalidade, a startup Mercado Diferente investiu R$ 1,5 milhão para criar o Tedi, um assistente virtual no WhatsApp.

A aplicação chega ao mercado inicialmente como um um assistente de cozinha para os usuários, contribuindo com informações relevantes dos alimentos selecionados, como melhor opção de armazenamento, dados nutricionais e possíveis composições de receitas.

Entretanto, segundo destaca o cofundador e CTO Paulo Monçores, isso é apenas um dos aspectos no qual o Tedi deve se relacionar com os clientes da Mercado Diferente. Com a evolução do bot, o plano é avançar com recursos como gerenciamento de assinaturas e mesmo o fechamento de compras dentro do WhatsApp, através de comandos de voz, texto ou foto.

Para tirar o projeto do papel, a Mercado Diferente firmou uma parceria com a Blip, startup especializada em atendimento via WhatsApp, e desenvolveu seu modelo em cima da LLM da OpenAI, observando questões regionais desde as de segurança (LGPD), até as de consumo (alimentos da região e estação).

“O Tedi é a parte final da nossa jornada utilizando IA. Já estávamos utilizando em outras áreas, como a PitaIA, que otimizava as cestas dos clientes baseadas em padrões de compra, e no nosso centro de distribuição. Agora o Tedi é a primeira disrupção na parte do varejo propriamente dita, mas é um reflexo de todos os investimentos que fizemos anteriormente”.

Como já falamos no começo, o investimento no Tedi custou R$ 1,5 milhão para a foodtech e vem no rastro de uma rodada de R$ 9 milhões que a companhia captou no começo de junho, liderada pelo Collaborative Fund, com a participação da Caravela Capital. Segundo Paulo, o aporte chegou em bom tempo de acelerar os esforços para colocar o WhatsApp como um novo canal de aquisição e retenção de clientes.

“Sempre vimos o WhatsApp com um bom canal de relacionamento, e o recente investimento nos deu mais recursos para adicionar camadas de atendimento, com voz, e imagem, algo que não se vê tanto por aí no mercado. Com o Tedi, por exemplo, o cliente pode mandar uma foto da cesta que recebeu, e em poucos segundos, receber um plano alimentar para a semana”, explica o CTO.

Contra o desperdício

A empresa não revelou números do quanto pretende incrementar suas vendas com o foco redobrado no WhatsApp, mas segundo Paulo, o plano com o Tedi é reforçar ainda mais o contato com clientes – usuários ou não do app da Mercado Diferente – a partir do chatbot. Um desses focos para a fidelização está no melhor aproveitamento dos produtos comprados.

“O Tedi chega para ajudar o nosso cliente a utilizar toda essa cesta. 20% do que é comprado geralmente vai para o lixo, pois para muitas pessoas planejar um cardápio dá trabalho. A ideia é contar com um copiloto que indique o melhor caminho para minimizar este número à zero”, destaca o CTO.

No fim das contas, com o aporte e investimentos em produto, a expectativa da Mercado Diferente é alcançar um faturamento de mais de R$ 60 milhões ao fim deste ano. Além disso, a companhia tem como seu principal objetivo chegar ao breakeven até o fim de 2024.

Seguimos em busca de maneira para mudar esse jogo e o Tedi é mais uma ferramenta para empoderar e estimular as pessoas a entrarem nesse movimento de evitar o desperdício de alimentos. Queremos mudar a forma pela qual as pessoas se relacionam com o varejo alimentar”.

Fonte: Direto Notícias