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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 22 de maio de 2018 às 07:04
Já pensou em criar uma empresa inovadora como a Netflix? Parece difícil. E a jornada não é mesmo tão simples, mas não é nada impossível. Esta é a visão do co-fundador da Netflix, Marc Randolph, que hoje é investidor-anjo e lidera várias iniciativas de empreendedorismo.

A história da maior companhia de streaming no mundo é conhecida por todos, mas o homem por trás dessa história não é tão conhecido assim. Randolph é um empreendedor serial: teve seis negócios antes da Netflix e, após sair da companhia, em 2004, criou outra empresa, além de ser mentor de uma centena de startups.

O empreendedor contou a trajetória de criação de uma das empresas mais inovadores do mundo durante o Vtex Day, evento de negócios digitais, que aconteceu nesta semana, em São Paulo. “A primeira coisa a se pensar é que você não precisa estar no Vale do Silício para criar uma empresa inovadora”, contou.


Outro ponto, segundo o executivo, é que o empreendedor não precisa de um treinamento especial para construir um negócio inovador e também não precisa ser esperto. “Fui esperto? Não. Mas fui persistente.”

Randolph afirma que, ao longo da trajetória de empreendedor, o que valeu foi a persistência em encontrar uma ideia que funcionasse. E como fazer isso? Ele contou as estratégias que usou – e continua usando.

Como encontrar “a” ideia?

Como as ideias surgem? Para Randolph, é preciso olhar novas tecnologias, mobilidade, internet das coisas, tendências, novos modelos de negócios colaborativos, etc. Mas é preciso mais: “Você precisa encontrar uma dor. É preciso treinar seu olhar para ver as imperfeições do mundo, mas não apenas grandes problemas globais, mas sim problemas diários, ligados a sua rotina, seu dia a dia. É assim que as ideias surgem”, explicou o empreendedor.

Outro passo é observar a vida útil dessa ideia. Segundo o empreendedor, metade da vida útil dessa ideia se esvai em 24 horas. Nas próximas 24 horas, a outra metade vai embora, se a ideia não valer a pena. “Se ela persistir, pode ser aquela grande ideia”, diz.

A Netflix nasceu assim, mas de forma ativa e persistente. Ele e alguns amigos começaram uma empresa de software, que foi comprada por uma grande corporação. Depois dela, queriam criar algo inovador. “Quando tivemos a ideia, o primeiro passo foi testá-la. Para isso, vimos quais tipos de filmes seriam interessantes, quanto custaria o serviço, quantas pessoas poderiam usar”, conta.

Quando tiveram a ideia de enviar DVDs por correio, os empreendedores decidiram tanto vender como alugar os filmes. Naquele momento, já identificaram gargalos. “A boa noticia é que a gente tinha muitas centenas de dólares em vendas, mas a má noticia é que estávamos vendendo DVD’s, algo que todo mundo fazia”, conta. Decidiram, então, focar o negócio no aluguel de DVD’s. “Estávamos desesperados para tornar essa ideia realidade. Eu era perfeccionista”, disse.

O que você precisa para inovar?

Se não é preciso estar no Vale do Silício para inovar, ou sequer é preciso ter um treinamento especial ou ser esperto, o que é preciso, então, para criar um negócio inovador? A ideia, como se viu, é importante. “Mas não precisa ser uma grande ideia, uma ideia original, tampouco complicada, porque não é sobre ter boas ideias apenas, mas sobre construir um sistema e uma cultura de testar as ideias o tempo todo”, contou.

A esse sistema de testes utilizado pelo empreendedor serial ele deu o nome de “validation hacking”, que nada mais é testar algo sem efetivamente testar. Ele deu um exemplo: um amigo, certa vez, teve a ideia de entregar bebidas alcoólicas na casa dos clientes. Antes de efetivamente criar o negócio, ele imprimiu alguns cartões de visita e entregou a possíveis clientes. Ele testou a demanda antes mesmo de criar o negócio.

A persistência e a tolerância ao risco são características essenciais para criar negócios inovadores, principalmente porque, em algum momento, alguém vai dizer que aquilo não vai funcionar. “Minha esposa achava a ideia da Netflix estúpida”, contou.

“Ninguém sabe de nada”

Ao longo de sua trajetória como empreendedor, Randolph carregou uma frase do escritor norte-americano William Goldman: “ninguém sabe de nada”. “Isso é verdade em todos os lugares. É preciso acreditar na sua ideia e, sobretudo, arriscar e fazer alguma coisa, tentar alguma coisa. Use todo o tempo que você vai perder para tentar saber se a ideia é boa ou não, a colocando em prática”, conta.

“Acima de tudo isso, você deve ter confiança.”

Fonte: Novarejo
Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 22 de maio de 2018 às 07:03
A Havan, rede de lojas de departamentos que nasceu no interior de Santa Catarina, registrou crescimento de 356% da receita em seu e-commerce nos últimos dois anos, enquanto a média de crescimento do mercado foi abaixo dos 40% no mesmo período. A empresa conseguiu esse feito estimulando a competição entre seus departamentos.

Jordan Hang, gerente de e-commerce da marca, diz que a tentativa de criar uma cultura digital na empresa precisou de perseverança e estratégia para que os quatro setores (Moda, Cama mesa e banho, Utilidades domésticas e Eletrodomésticos) aceitassem que precisavam dedicar atenção às vendas on-line.

Como cada departamento tem uma meta própria de receita, Hang propôs que as vendas dos produtos de cada segmento no e-commerce fossem somadas às metas das vendas nas lojas físicas e que nos meses seguintes as metas de on-line e off-line fossem uma só. A proposta foi um fracasso retumbante dentro da empresa, segundo Hang.

O gerente teve que bolar uma nova maneira de mostrar que as vendas no on-line integrassem as metas dos quatro departamentos da empresa. O que ele fez foi usar o calendário de marketing das quatro áreas a seu favor. “Cada departamento tem destaque por uma semana nas ações de marketing para as lojas físicas. Um departamento leva três semanas para estar em destaque novamente”, explicou.

Hang aponta que essa foi a brecha que permitiria ao e-commerce mostrar ao restante das operações que ele era realmente relevante. O e-commerce ofereceu a um dos quatro segmentos da empresa espaço no on-line para destaque total dos produtos no e-commerce ao longo das semanas em que a empresa não ativava ações naquele segmento.

As lojas de departamento vão morrer?

“Criamos um calendário intercalado. Na semana um, o departamento escolhido tinha destaque em loja física. Nas semanas dois, três e quatro, em que ele não teria destaque em nada, nós oferecemos todo o e-commerce, todo site para divulgar todos os itens do departamento sem custo nenhum”, revela Hang. “Enquanto isso, (nas semanas sem impulsionamento), os outros departamentos não estavam em destaque em lugar nenhum”, completa.

20% acima da média

A proposta fez com que o departamento que participou das ações dentro do e-commerce crescesse mais de 20% além da sua meta. O crescimento além do esperado se concretizou ao longo dos três meses seguintes. “Os outros departamentos começaram a se questionar o que estava acontecendo para aquela área crescer tanto. O que estava fazendo de diferente? O que a gente estava fazendo era aquilo que mostramos lá atrás. Mas, às vezes, não adianta mostrar a ideia, tem que provar o valor”, diz Hang.

Além de chamar a atenção dos outros três departamentos, o segmento beneficiado teve sua meta reajustada, o que o faria depender do e-commerce para manter seu desempenho.

Agora, é dar lucro

Mostrando-se essencial para o crescimento da marca como um todo, o e-commerce da Havan tem como novo desafio aumentar o fluxo das lojas físicas via e-commerce e transportar a experiência da loja física para o ambiente digital. Segundo Hang, a média do tempo que as pessoas passam dentro das lojas físicas da rede é de uma hora e meia, muito acima do tempo médio em qualquer portal de compras.

Mas o objetivo principal do setor é dar lucro, já que os e-commerces como um todo são fartamente conhecidos por não se pagarem sozinhos. Mesmo nos maiores cases do mundo, as operações giram durante anos no vermelho até que encontram o ponto de inflexão. “(Operar no azul) é algo que a Havan tem estudado junto aos fornecedores, que estão nos ajudando a vender. A gente acaba deixando de fazer algumas compras básicas com a ideia de deixar a última linha do balancete no azul”, conclui Hang.

Fonte: Novarejo