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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 19 de junho de 2018 às 06:40
Mônica sempre viveu um conflito de tempo. De um lado, o impulso de querer fazer tudo de uma vez. Do outro, a sensação de que é preciso desacelerar para entender o que é mais importante em cada etapa. A primeira vez em que precisou pisar no freio foi aos 22 anos, quando seu primeiro filho nasceu. Mas, para chegar nesse momento da história, é preciso como ela chegou até ali.

A infância de Mônica era de pique-esconde e amarelinha, em Itabuna, cidade do interior da Bahia. Menina moleca que se envolvia em várias atividades e não parava. Além de estudar, ainda jogava no time de handebol da escola, tocava bateria na banda da cidade, fazia aula de crochê, porcelana…chegou até a ser campeã baiana de judô! Aos 11 anos, conheceu um rapaz mais velho que virou seu melhor amigo. Aos 16, percebeu — por uma dica de seu pai — que ele poderia ser seu namorado. Pediu ele em namoro — e ganhou como resposta o seu primeiro beijo. Dois anos depois, já na faculdade de Direito, não via a hora de casar e ter filhos. Queria, antes de tudo, ser mãe.

Mas quando perguntou ao namorado o que achava do assunto, ele disse que seria melhor esperar a faculdade terminar. Mônica aceitou esperar — mas seu filho não. No último ano do curso, Nagi nasceu.

Aquele foi o primeiro momento em que Mônica precisou desacelerar. Nagi nasceu com Síndrome de Down, e por conta disso, exigia cuidados redobrados. O que era simples para os outros bebês como mamar, andar e falar, era muito mais difícil para seu filho. Nesse momento, Mônica aprendeu a desacelerar para enxergar a importância das pequenas coisas.

Passados esses meses mais difíceis, Mônica foi voltando ao seu estado acelerado. Terminou a faculdade e, já com diploma de advogada, começou a trabalhar.

“Nasceu a Bianca. Depois veio o Igor. Quando eu vi, estava com três filhos, trabalhando e cuidando da casa.

Eu adorava cuidar das crianças, lavar roupa, fazer tudo isso. Mas, uma hora, esse tempo começou a passar para mim.”

Já no Rio de Janeiro, em uma tentativa de salvar seu casamento, as coisas só pioraram.

“Eu sabia que podia cuidar das crianças, cuidar da casa e fazer algo mais. Esse “algo mais” é que meu marido não entendia. Ele dizia “que algo mais é esse que eu não posso te dar?” e eu respondia “não é você me dar, sou eu que preciso fazer!”.

Esse foi o segundo momento em que eu tive de desacelerar para pensar no que era importante para mim. E aí, um dia, eu decidi.

Acordei de manhã, era uma quinta-feira. Meu marido estava lá escovando os dentes. Coloquei o cartão de crédito na pia do banheiro e disse: usei esse cartão pela última vez, estou devolvendo para você. Comprei passagens para a Bahia para mim e para os meninos, viajamos no sábado.

Esse foi meu Day1.”

De volta a Itabuna, Mônica também não se encaixou. A profissão de advogada não trazia aquela completude que tanto buscava. Naquele momento, tomou mais uma decisão importante. Deixou profissão, família, cidade e partiu para o Rio de Janeiro com os três filhos na bagagem. Faria um curso de moda no SENAC Rio. Estava em busca do seu “algo a mais”.

A rotina seria completamente diferente. A convivência com os filhos ficaria reduzida a algumas horas pela manhã, e ainda mais restrita depois que Mônica começou a trabalhar. Eram bicos de fim de semana em um projeto organizado por seu professor chamado Os Cinco Sentidos. Em uma noite, o grupo faria uma verdadeira revolução nas lojas trabalhando o visual, a experiência, a música de fundo e até o aroma. Esse último era uma das partes mais difíceis da consultoria porque não existiam, na época, bons produtos no mercado para aromatização de ambientes. Nesse momento, o mundo dos cheiros entrou em sua vida.

Quando o curso do SENAC acabou, era hora de voltar para a Bahia.

“Faltando uma semana para ir, um amigo me liga e diz que encontrou um homem que fabricava os aromatizantes de ambiente que eu estava procurando. Ele me passou o contato e eu marquei um encontro no estacionamento do Barra Shopping.

Chegando lá, vejo sair de dentro de um Opala branco um turco de 1,80 m, com fartos bigodes, vindo em minha direção. Era o Almir. Ele abriu o porta-malas do carro e me mostrou um monte de garrafinhas com cheiros maravilhosos.”

Tudo era muito simples e caseiro. As garrafinhas de plástico tinham etiquetas datilografadas pelo próprio Almir. As amostras vinham em 200 mL e o spray para aplicar o produto era comprado em loja de cabeleireiro. Para pagar, não tinha segredo: dois cheques, 30 e 60.

Mas como essas garrafinhas chegariam até a Bahia, Mônica perguntou. Fácil, era só despachar. Na terra de Mônica, despacho era outra coisa. Mas ali, no estacionamento do shopping, ela teve sua primeira aula de frete.

Já em Itabuna, chegaram os produtos. O plano ainda não estava claro do que fazer a seguir. Passou uma semana encarando a mercadoria até tomar uma decisão. Comprou uma bolsa grande para as amostras, cortou tiras de papel ofício para fazer fitas olfativas e foi para a principal rua de comércio de Itabuna para testar o produto. Em cada loja, o diálogo se repetia. Mônica tentava falar dos aromatizantes, mas as pessoas estavam mais interessadas em sua vida.

À noite, em casa, durante o jantar, contou aos seus pais como tinha sido a experiência:

– Olha mãe, ou esse produto é muito fácil de vender ou minhas amigas ficaram morrendo de pena de mim. Vendi 30 litros e já preciso ligar para o Almir me mandar mais.

De Itabuna, Mônica mudou-se para Salvador com sua irmã. Ela tentaria a vida como consultoria de moda na capital, mas os aromatizantes seriam seu porto seguro. Foi em uma café da manhã — que acabou durando o dia inteiro — que essa visão mudou. Um amigo designer, César, disse que queria conversar com ela.

“Chegando em casa, ele me fez uma pergunta:

– Mônica, quantas consultorias de moda você já vendeu?

Eu comecei a rir. Ele sabia que eu não tinha vendido nenhuma. Aí ele disse:

– Esquece essa história de consultoria. Você tem um negócio nas mãos e ainda não se deu conta disso. Você tem 5 revendedoras trabalhando para atender mais de 600 clientes. Já é a melhor vendedora do Almir. E por R$200,00 ainda alugou um galpão para armazenar os produtos. Tudo isso com um produto feio e sem qualidade. Imagina só se fosse bonito?

– Nossa, eu venderia que nem água. Mas, César, desde quando você sabe produzir aromatizante?

Nessa hora, entra em casa minha irmã Lia, para almoçar. E eu digo:

– Lia, veja a loucura que César está me propondo. Criar meus próprios aromatizantes!

E Lia me responde:– Mas, minha irmã, não é loucura nenhuma. Esqueceu que sou farmacêutica bioquímica? Hoje trabalho com análises de laboratório, mas também posso ajudar no desenvolvimento do produto de vocês.

Naquele momento, os olhos de César brilharam e meu coração sossegou. Ele me fez, então, uma proposta: uma sociedade 50-50. Passou a tarde me mostrando um plano de negócios que tinha feito e ainda me deu um livro para ler: O Segredo de Luísa. Nascia ali a Avatim.”

Nos primeiros meses, era tudo muito apertado. Depois de uma difícil negociação, César conseguiu alugar o quarto de Bianca, filha de 9 anos de Mônica, por R$30,00 para eliminar os custos do antigo galpão. Enquanto ele construía o primeiro laboratório e, ao lado de Lia, desenvolvia as fórmulas para os aromatizantes, Mônica saiu desbravando o Nordeste em busca de novos clientes.

Nesse período, eles fizeram um reposicionamento dos produtos vendidos por Mônica. De aromatizantes, passariam a se chamar perfumes para ambientes. Dessa forma, fincariam uma bandeira própria em um mercado que estava nascendo.

De 2002 para cá, a Avatim não parou de crescer. A cada final de ano, era necessário fazer um novo puxadinho. O primeiro se deu na varanda da barcaça, fechada com algumas ripas de madeira para estocar mais produtos. Depois, os puxadinhos viraram construções maiores, ocupando boa parte do terreno do pai de César. E até hoje, Mônica tem orgulho de dizer, existe um canteiro de obras permanente dentro da sede da empresa.

Com o crescimento das vendas porta a porta, os dois sócios decidiram experimentar também novos canais de vendas. Depois de testar a venda em lojas multimarcas, tomaram a decisão de abrir a primeira loja própria da Avatim, em Salvador. A surpresa veio antes mesmo dos primeiros resultados da loja. A rede de distribuidores e parceiros pedia a eles mais lojas da Avatim. Assim nasceu a rede de franquias.

Hoje, são mais de 1200 revendedoras ativas e 126 lojas franqueadas. Desde o início, eles mantêm um crescimento médio de 40% ao ano. E a barcaça que começou lá atrás, hoje tem mais de 7 mil metros quadrados de área fabril.

Toda a jornada vivida por Mônica pode também ser resumida em um episódio muito marcante que ela viveu, em uma de suas viagens de carro pelo Nordeste.

“Era fim de tarde e eu estava sozinha, indo encontrar uma cliente. Era noite. Meu pai não queria que eu fosse. Como não podia adiar meu compromisso, decidi ir pelo caminho mais rápido. Quando parei no posto policial, o guarda olhou para dentro do carro e perguntou:

– Está viajando sozinha?

– Sim, senhor.

– Costuma viajar de noite?

– Sim, senhor.

– O tanque está cheio?

– Sim, senhor.

Então, ele me disse:

– Você pode pegar o caminho mais rápido indo pelos canaviais. Mas ouça meu conselho: não pare por nada!

A estrada era sinistra. Eu ia cruzando os canaviais no completo escuro, sozinha, e lembro de ver na beirada algumas fileiras de latas de fogo que marcavam a estrada para os caminhões.

Fiquei com medo, mas segui em frente sem parar.

Pra mim, essa é uma ótima imagem da jornada de empreender. Dá um medo danado, parece que você está naquele canavial escuro vendo só latas pegando fogo. Quando você entende o que é importante para você, sua coragem vence o medo e você vai. E quando você vai, você chega encontra o seu algo mais.

Eu espero que todos vocês encontrem essa coragem para ir atrás do que é importante. E que, quando estiverem no caminho, não parem por nada.”

Fonte: Endeavor
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 19 de junho de 2018 às 06:38
Digitalização, inteligência artificial, robótica, internet das coisas e outros avanços tecnológicos que caracterizam a Indústria 4.0 trazem uma nova realidade para as organizações. Mas as transformações não se limitam ao modo de produção. Na era digital, o gestor que deseja uma carreira de sucesso deve buscar novas habilidades para construir equipes colaborativas e inovadoras, solucionar problemas com agilidade e modernizar os processos da organização onde atua, para que ela possa tirar proveito da tecnologia e competir nesse ambiente em constante mutação.

De acordo com a pesquisa “A Revolução das Competências 2.0”, divulgada em março pelo ManpowerGroup, 80% das capacidades de liderança permanecem as mesmas há algum tempo: adaptabilidade, motivação, persistência e inteligência. Mas, o que fez um gestor chegar até aqui não o levará adiante. “Os líderes de hoje devem ser capazes de ousar para liderar e estar preparados para assumir fracassos. Eles precisam alimentar a capacidade de aprendizagem, acelerar o desempenho e promover o empreendedorismo. E, claro, estimular o potencial nos outros”, afirma o estudo.

Nesse caminho, portanto, é essencial que o próprio líder busque o desenvolvimento contínuo de competências. Para inteirar-se sobre os desafios e oportunidades da Indústria 4.0 e as tecnologias vinculadas à manufatura avançada, o diretor industrial da Rodhia, empresa do Grupo Solvay, Hugo Kitagawa, optou por um Master in Business Innovation (MBI) em Indústria Avançada, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Santa Catarina (SENAI/SC).

“Com o avanço da tecnologia, o comportamento das novas gerações e as mudanças no tipo de consumo, a atualização de habilidades e competências é fundamental. O profissional que não acompanha essa evolução tem chances muito altas de ficar para trás e de comprometer a competitividade de sua organização. Os dirigentes devem estar sempre caminhando para poder perpetuar o negócio, torná-lo mais rentável e mais preparado para o futuro”, afirma Kanagawa.

“Um gestor que não se atualiza não consegue traduzir a demanda de um mercado dinâmico", afirma o superintendente industrial da DeMillus, Kley Pontes Bezerra

O superintendente industrial da fabricante de lingerie DeMillus, Kley Pontes Bezerra, concorda. Em sua visão, os líderes que desejam atender as necessidades da empresa e, principalmente dos clientes, devem buscar ferramentas e metodologias para acompanhar os movimentos da indústria. “Um gestor que não se atualiza não consegue traduzir a demanda de um mercado dinâmico, acompanhar o planejamento estratégico da sua empresa e tirar proveito dos recursos possíveis com a evolução digital”, destaca.

Bezerra é um dos executivos da indústria têxtil que, hoje, integra o MBI em Indústria Avançada: Confecção 4.0, promovido pelo SENAI CETIQT, no Rio de Janeiro. A especialização foi organizada para fortalecer o setor e torná-lo protagonista na implantação do modelo 4.0 no Brasil, além de promover o networking entre empresas. 

MANUFATURA AVANÇADA – Em relação à Indústria 4.0, o diretor da Rodhia afirma que o setor produtivo está em uma fase em que o debate se sobrepõe às ações. “Pela falta de conhecimento, as tendências assustam. Mas é preciso saber quais as tecnologias estão surgindo e qual o impacto no contexto de cada negócio e, a partir daí, fazer provas de conceito e adequações de processos para estar preparado para as mudanças de produção e consumo. Não é fácil porque envolve toda a cadeia produtiva, mas é uma questão de sobrevivência em um mercado tão competitivo”, explica Kanagawa.

Na visão do executivo, a contribuição do SENAI com a execução do MBI Indústria Avançada é estratégica. A partir de aprendizagem assistida, imersões presenciais nacionais e uma imersão internacional, a pós-graduação fornece subsídios para que os gestores possam idealizar, planejar e implantar tecnologias e sistemas que possibilitam maior competitividade, a partir da melhoria de processos, desenvolvimento de produtos e de novos modelos de negócios.

Fonte: CNI