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Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 12 de junho de 2019 às 09:47
A criatividade é sorte que pode ser aprendida. Ela parece um milagre inexplicável quando chega, e talvez nunca sejamos capazes de isolar todas as variáveis que lhe dão origem. Porém, na minha experiência, podemos, sim, criar de forma confiável as condições para atraí-la.

Há 20 anos, estive envolvido em um projeto incrivelmente inspirador, em que trabalhei com alguns dos cidadãos mais pobres do Quênia em uma das áreas mais deterioradas de Nairóbi. Nossa meta era gerar estratégias de esforço pessoal para possibilitar a esse grupo ascender alguns níveis na escala econômica. Compreendi a audácia dessa iniciativa durante um voo de Bruxelas a Nairóbi. Eu havia adormecido brevemente, apenas o tempo suficiente para ter um pesadelo: sonhei que, de algum modo, eu havia me tornado presidente do Quênia, e isso me encheu de um desespero arrasador. Fiquei felicíssimo ao ser despertado bruscamente pelo aviso de que o avião se aproximava de uma zona de turbulência, mas o pesadelo enfatizou claramente o peso da tarefa que me aguardava. Eu deveria conduzir um encontro de dois dias com centenas de pessoas que poderiam ser fortemente impactadas pelo projeto. Nossa meta era clara, mas não tínhamos um plano concreto. Eu sabia que o trabalho valia a pena, mas nunca havia feito nada semelhante e me sentia inadequado para a tarefa. Torci e rezei para que surgissem ideias válidas – e elas surgiram. A viagem foi bem-sucedida, superando minha competência sob vários aspectos. Isso foi uma surpresa agradável, mas eu havia dado o melhor de mim para fazê-la acontecer.

Eis alguns caminhos que aprendi para ser criativo de forma mais previsível.

Defina o problema e então, distancie-se. Como um grão de areia dentro de uma ostra, a irritação cognitiva estimula a criatividade. Quando nos damos um problema instigante, complexo e não resolvido – e nos asseguramos de articulá-lo de forma clara, concisa e vívida – nosso cérebro fica irritado. Durante meses, antes da minha viagem a Nairóbi, levei comigo um bloco de anotações onde eu havia escrito: “Como, sem nenhum recurso externo, criaremos 300 empregos de classe média para as pessoas do nosso grupo?”. O problema girava na minha cabeça. Uma forma de amplificar ainda mais a irritação cognitiva é esforçar-se em uma primeira – e insatisfatória – rodada de geração de soluções. Essa ação serve mais para dar a largada do que para resolver o problema. Depois, afaste-se um pouco e deixe o trabalho inconsciente começar, pois utiliza uma gama mais ampla de recursos mentais, experiências e ligações criativas.

Obedeça sua curiosidade. Segundo Steve Jobs, “criatividade é apenas conectar as coisas” – e eu concordo. Se queremos ser mais criativos, precisamos ter mais coisas para conectar. A melhor forma de construir um banco de dados mental abundante para nos ajudar a resolver problemas futuros é honrar as curiosidades passageiras. Se algo nos atiça o cérebro, devemos investir algum tempo nisso. Devemos seguir caminhos que não tenham qualquer finalidade óbvia além de satisfazer um capricho. Pode ser um artigo ou uma palestra que nos intriga; um livro que notamos de forma inexplicável; alguém a quem somos apresentados. É tentador deixar essas oportunidades passarem, mas, com isso, colocamos nossa criatividade em perigo. Essas oportunidades tornam-se peças de Lego, os blocos de construção, os materiais de artesanato que dão origem a nossas obras-primas criativas. Minha experiência no Quênia foi produto de inúmeras conversas, livros, almoços e artigos que pareciam ter pouco valor imediato. Mesmo assim, investi neles – e fui recompensado.

Mantenha uma caixa de sapatos. Em seguida, encontre um modo de colecionar e organizar suas experiências. Por exemplo, quando leio, uso fanaticamente o marca-texto e depois volto e releio as passagens destacadas. Em seguida, recorto e colo as melhores em um arquivo para poder encontrá-las facilmente mais tarde. Esse processo de três etapas (destacar, reler, organizar) aumenta a probabilidade de reter as informações e acaba permitindo a criação de conexões férteis entre todas as pequenas peças. Naquele mesmo voo transcontinental, enquanto sobrevoávamos o Egito, veio-me à consciência a lembrança de um livro sobre tomada de decisões em grupos grandes que eu havia lido cinco anos antes. Eu não pensava no livro desde então, mas havia destacado, relido e categorizado passagens dele à época, e assim abri meu notebook e revi ideias-chave que serviriam de base para a pauta utilizada por nosso grupo para avançar o trabalho nos dias seguintes.

Faça coisas que você não tem interesse. No início da minha carreira, Will Marre, presidente fundador da empresa de treinamento Stephen Covey, aconselhou-me a assinar algumas publicações de uma lista feita por ele, e acrescentou: “E toda vez que ler uma delas, não deixe de ler ao menos um artigo que não seja do seu interesse”. Fui recompensado inúmeras vezes por seguir o conselho. Muitas coisas que vão parar em minha caixa de sapatos vêm de workshops em congressos, artigos ou videos online que começaram como tarefas e terminaram com insights. Meu trabalho no Quênia, por exemplo, foi fortemente influenciado por um artigo da Christian Science Monitor que eu havia me forçado a ler dez anos antes. Às vezes, consideramos algo “enfadonho” simplesmente por estar fora da caixa onde estamos no momento.

Predisponha-se a conversas desconfortáveis. Outro excelente estímulo criativo é nos engajarmos regularmente em conversas com pessoas de quem normalmente nos esquivaríamos. Três das conversas mais inesperadamente proveitosas que tive na vida foram com um taxista racista em Londres, um traficante de drogas sentado ao meu lado em um voo e um defensor de visões políticas extremas em Porto Rico. Não mudei de lado em resultado dessas conversas, mas compreendi perspectivas importantes de vida que jamais viverei. Essa disciplina ajudou-me a encontrar a flexibilidade psicológica que me foi necessária no Quênia. Vez ou outra, algum integrante do nosso grupo participava da corrupção que é tão comum no dia a dia daquele país, e eu precisava encontrar um equilíbrio entre a empatia e a responsabilidade de prestar contas. Anos de prática em compreender a realidade alheia ajudaram-me a abordar a situação com determinação em vez de repulsa.

Pare e trabalhe quando a criatividade surgir. Sou capaz de perceber quando algo está se formando dentro de mim e sei que, quando menos esperar, terei uma onda de clareza. A disciplina final em abrir caminho para a criatividade é honrar esses momentos escrevendo. Se interrompo o que estiver em andamento para transcrever e organizar meu fluxo de pensamento, acelero o desenvolvimento de ideias. Se ignoro esses momentos – ou se tento adiá-los – vejo que é impossível recriá-los, pois perco a clareza nascente e retardo o processo. A poucas horas de Nairóbi, tive uma onda de ideias. Eu estava exausto e sonolento, mas reconheci corretamente o primeiro sintoma da inspiração. Antes mesmo da aterrissagem, eu já tinha um discurso de abertura veemente, que escrevi como se alguém o tivesse ditado. Ao mesmo tempo, criei o processo de dois dias que ajudou o grupo a se aglutinar em torno de uma estratégia detalhada e esperançosa.

Nos dois anos seguintes, ajudei meus 300 cúmplices a estabelecer uma cooperativa de propriedade de trabalhadores. A partir de seus esforços parcos, porém coletivos, amealharam capital suficiente para criar um empreendimento que empregou muitos deles. Essas experiências contribuíram para a fundação de uma organização sem fins lucrativos que, até agora, já ajudou dezenas de milhões de pessoas de todo o mundo a melhorar suas circunstâncias econômicas.

Talvez a criatividade sempre envolva uma parcela de mistério. Porém, todos podemos praticar disciplinas que abram caminho para que ela chegue de forma oportuna.

Fonte: HBR
Por: Joseph Grenny
Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 12 de junho de 2019 às 08:55
Assim como em qualquer empresa que esteja dando os primeiros passos, em uma startup também é necessário ter atenção redobrada aos detalhes para que tudo funcione com a máximo eficiência, principalmente, nos meses iniciais, quando as condições são pouco favoráveis. Nesse período, é essencial conhecer os erros mais comuns, de empreendedores iniciantes, que devem ser evitados.

Ter alguns tropeços ajuda a mostrar a melhor direção a ser seguida dentro de um mercado, mas, muitas vezes, eles podem prejudicar ou retardar os seus planos. Sendo assim, quanto mais erros você puder evitar no início da sua jornada empreendedora, mais rápido conseguirá alcançar os seus objetivos.

Empreender requer muita dedicação, determinação e conhecimento sobre o segmento. Ao observar e conhecer a história de outros empreendedores, a experiência deles servirá como aprendizado, o que reflete positivamente na gestão do seu negócio. Afinal, você saberá o que poderá replicar ou não para ser bem-sucedido.

Quer aumentar as chances de êxito da sua startup? Confira, abaixo, a lista que preparamos com os erros que você não pode cometer!

1. Não conhecer seu público-alvo

Uma startup é um empreendimento que ainda está engatinhando, contendo um modelo de negócio que realiza os primeiros testes para compreender qual é o seu posicionamento de mercado. Nessa etapa, é imprescindível conhecer muito o seu público-alvo e entender o que eles esperam da sua empresa.

Mesmo quem tem anos de vivência no mercado e muita experiência com o produto ou serviço oferecido deve tomar cuidado para não se basear em ‘’achismos’’, todo o seu planejamento tem que ser feito a partir de informações reais. E isso só é possível por meio de uma boa pesquisa de mercado.

A partir dessa ferramenta, você terá certeza de quem é o seu cliente, descobrindo também quais são as suas preferências, do que não gostam, o que a sua empresa pode oferecer, a maneira correta de se comunicar e como fidelizá-los.

O estudo desses dados lhe permite crescer rapidamente e de forma mais segura. Ignorar as características do seu público faz com que o negócio seja construído em cima de suposições, aumentando as chances de falhas e fracassos.

2. Não desenvolver um plano de negócios

O plano de negócios é uma espécie de guia para o empreendedor. Por isso, ele é indispensável para o sucesso de toda e qualquer empresa. É com o uso desse material que você poderá determinar ações e metas a serem cumpridas a longo, médio e curto prazo.

Esse documento deve ser composto por informações como principais ideias, custos para colocá-las em prática, metas e prazos, possíveis riscos, o alvo a ser atingido e o potencial de lucro da startup.

Dessa forma, você saberá exatamente onde deseja chegar e estará mais bem organizado para trilhar esse caminho, tendo controle sobre as suas ações, o que lhe dá mais segurança para enfrentar os obstáculos que surgirem.

3. Não saber nada sobre gestão

Você atuou a sua vida inteira em um determinado segmento e agora decidiu abrir um startup nessa área? Isso é ótimo, pois significa que você tem o conhecimento técnico para oferecer o serviço, mas não é tudo, uma vez que para comandar uma empresa é necessário ter competências sobre gestão, para que ela flua bem em todos os setores, como finanças, marketing e recursos humanos.

Por isso, é preciso investir na sua capacitação, buscando adquirir conhecimentos sobre administração, além de recorrer a profissionais especializados nos assuntos que você não domina. Isso acrescenta profissionalismo à imagem do seu negócio, aumentando a sua credibilidade perante clientes, fornecedores e concorrentes.

4. Não desenvolver um MVP

O Produto Minimamente Viável (MVP) deve ser uma das primeiras etapas a serem executadas pelo empreendedor, pois consiste em analisar e coletar dados sobre os seus clientes para posteriormente criar simulações práticas de negócio, que ajudam a empresa a aprender, em pouco tempo, o que falta para definir preços, funcionalidades e lançar um produto inovador.

Deixar de desenvolver um MVP pode fazer com que o empreendimento lance uma solução que não represente as necessidades do seu público. Portanto, invista nesse recurso para aprimorar o seu produto ou serviço, aproximando-o o máximo possível da demanda identificada nos consumidores.

5. Demorar para lançar seu produto

A agilidade é uma das principais características das startups. Nesse ambiente, uma ideia pode surgir de manhã, ser testada no dia seguinte e disponibilizada no mercado na próxima semana.

É claro que planejamento é importante, mas o excesso de demora para lançar um produto pode fazer com que o negócio perca oportunidades que são estão disponíveis no momento em que o mercado está mais aquecido.

Para que isso não aconteça, estabeleça um cronograma de testes dos seus produtos, para que possam ser lançados com qualidade, mas sem perder as datas mais oportunas.

6. Não diferenciar as finanças da empresa das finanças pessoais

A confusão patrimonial pode levar muitas empresas à falência, sendo esse um dos problemas mais comuns da má gestão de um negócio. Quando não há uma divisão definida do que é patrimônio empresarial e o que é posse pessoal, a tendência é que o proprietário ou sócios usem o dinheiro para empresa para pagar contas pessoais, prejudicando a sua saúde financeira e sobrevivência.

Com essa separação, há mais facilidade para escriturar o negócio, evitam-se problemas fiscais e tributários, ajuda a entender a situação financeira do seu caixa e aumentar o poder de crédito.

7. Subestimar a necessidade de marketing e divulgação

Mesmo em uma empresa de pequeno porte é necessário elaborar estratégias de comunicação eficientes para promover a divulgação do seu produto. O marketing é de suma importância, especialmente, na fase inicial, quando a startup precisa tornar-se conhecida para atrair clientes e investidores.

Embora nos primeiros meses de existência seja recomendado poupar gastos, tenha em mente que a divulgação é um fator que merece muita atenção. De preferência, busque profissionais capacitados para essa questão.

Agora que você sabe quais são os erros de empreendedores iniciantes que deve evitar, já pode se preparar para impedir danos ao seu negócio, tornando a sua gestão mais precisa — fator crucial para conquistar a estabilidade e lucratividade.

Fonte: Empreendedor