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Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 12 de janeiro de 2021 às 10:51


Empreendedores compartilham leituras que foram fundamentais para atravessar o ano que passou e recomendam para expansão de conhecimentos.

O ano de 2020 foi difícil, mas também trouxe muitos aprendizados. Com um tempo maior em casa, o brasileiro aproveitou a oportunidade para ler mais: segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento de mais de 50% nas vendas de livros, comparado a antes da pandemia. Empreendedores brasileiros também recorreram aos livros durante o ano para aprender novas lições e conhecer as perspectivas de outros líderes. Pensando nisso, reunimos uma lista com livros preferidos de 11 CEOs de startups brasileiras, com 12 indicações de livros para ler em 2021. Confira:


1. Satisfação Garantida, Tony Hsieh
Escrito pelo empreendedor Tony Hsieh, um de mais visionários de sua geração, o livro "Satisfação Garantida" é a indicação de Alex Frachetta, CEO do Apto. O executivo conta que a leitura inspirou a cultura da própria empresa. "Tanto no livro, quanto para nós, o sucesso e a felicidade do cliente é o objetivo principal. É o início, meio e o fim de toda a nossa operação. Baseados no livro e no autor, que faleceu recentemente, nomeamos uma sala de reuniões do Apto, para que sejamos constantemente lembrados da importância de trazer para toda a empresa, e não somente para o time de Customer Success, a obsessão em fazer sempre mais e melhor, priorizando os clientes", explica Alex.


2. A regra é não ter regras: a Netflix e a cultura da reinvenção, de Reed Hastings
A indicação do Carlos Naupari, CEO da Fligoo no Brasil, é "A regra é não ter regras: a Netflix e a cultura da reinvenção", escrito por Reed Hastings, fundador da Netflix. Para ele, o livro teve papel fundamental no entendimento sobre como funciona a criação de uma equipe fora de série e uma cultura forte. "Os principais aprendizados foram: confie nas pessoas que você contrata, seja sempre honesto com seu time, procure por um feedback sincero e, por fim, faça o melhor pela organização, não procure ficar agradando os seus superiores. Esses pontos trazem liberdade e leveza ao ambiente corporativo, possibilitando um crescimento que gera melhores resultados", afirma Carlos.


3. Os nove titãs da IA, de Amy Webb
"Os nove titãs da IA: como os gigantes da tecnologia e suas máquinas pensantes podem subverter a humanidade", de Amy Webb, é o livro recomendado pelo sócio da Curseria, Celso Ribeiro. O título aborda o curso da história da Inteligência Artificial, analisando as nove maiores empresas do mundo, e discute a influência dessa tecnologia na economia e na política. "Amy Webb apresenta tendências do mundo e do mercado, a partir da análise do que está sendo feito por essas companhias. A leitura é uma excelente oportunidade para expandir as ideias, entender como essas empresas de tech estão se posicionando e evoluindo com a inteligência artificial e como isso vai mudar o mundo", explica Celso.


4. Lunáticos (Loonshots), de Safi Bahcall
Francisco Ferreira, CEO e sócio-fundador da BizCapital, indica "Lunáticos (Loonshots): como fomentar ideias loucas que fazem o mundo avançar", de Safi Bahcall. "Foi um livro fundamental para que eu pudesse fazer uma auto provocação. Não apenas para criar novos produtos e serviços, mas para enxergar as coisas sob pontos de vista totalmente inusitados", explicou o CEO.


5. Churchill e a ciência por trás dos discursos, de Ricardo Sondermann
Além de Lunáticos, Francisco Ferreira, também indica a obra "Churchill e a ciência por trás dos discursos", de Ricardo Sondermann,que o inspirou a prestar atenção na forma como estruturamos nossos discursos. "Essencial para dialogar e estimular o time, especialmente em um ano como 2020", compartilha.


6. O coach de um trilhão de dólares, de Eric Schmidt
O livro "O coach de um trilhão de dólares: o manual de liderança do Vale do Silício", com autoria de Eric Schmidt, Jonathan Rosenberg e Alan Eagle é indicado por Sobhan Daliry, CEO da NZN, e Rafael Stark, CEO & Founder da Stark Bank.
O livro conta a história de Bill Campbell, um ex-técnico de futebol americano que se tornou o confidente/amigo/administrador de grandes líderes do vale do silício, dentre eles Steve Jobs. Também é escrito por dois grandes líderes que tiveram influência de Bill Campbell em sua carreira: Eric Schmidt, ex-CEO do Google, e Jonathan Rosenberg, ex-VP do Google. Sheryl Sandberg, COO do Facebook, também teve Bill como coach.

"O livro é uma aula incrível de como a vida nos negócios também é uma questão de construção de relações humanas entre as pessoas. É um livro que todo líder deveria ler", diz Sobhan. Rafael Stark afirma que o livro traz ensinamentos práticos sobre as startups de sucesso do Vale do Silício. "Aprender com os erros e acertos dos grandes torna os desafios do dia a dia mais fáceis de se resolver", diz.


7. Sapiens, de Yuval Noah Harari
O livro"Sapiens: uma breve história da humanidade", de Yuval Noah Harari, é a segunda indicação de Rafael Stark, CEO da Stark Bank. Para ele, a obra "agrega uma visão extraordinária sobre comportamento humano e nossa capacidade de se reinventar e criar, que é outro ponto fundamental para quem deseja empreender".


8. Negocie como se sua vida dependesse disso, de Chris Voss
O livro "Negocie como se sua vida dependesse disso", de Chris Voss, é a indicação do CEO do Vakinha, Luiz Felipe Gheller. Nele, o leitor aprende os cinco passos para ser bem sucedido em negociações. "Esse é um dos livros que mais recomendo. Além de ser fácil de ler, tem dicas muito práticas sobre negociação. O conteúdo me ajudou bastante nos negócios e também nos relacionamentos da vida pessoal", conta Gheller. No programa Leitura Obrigatória, disponível no Administradores Premium, Rodolfo Araújo faz um resumo excelente das principais lições do livro.


9. Empresas feitas para vencer, de Jim Collins
O livro "Empresas feitas para vencer", do autor Jim Collins é a indicação de Edivaldo Rocha, CEO da Claranet CorpFlex. Nele, o leitor conhece como as grandes empresas alcançam o sucesso e como é possível criar uma trilha de qualidade duradoura, mesmo que esse caminho pareça distante. "Como transformar empresas boas em excelentes é o grande desafio da gestão, independentemente de qual época, momento da empresa ou cenário econômico", diz Rocha.


10. O lado difícil das situações difíceis, de Ben Horowitz
O livro "O lado difícil das situações difíceis", de Ben Horowitz, foi escolha dos CEOs Henrique Flores, da Contraktor, e Jaime Taboada, da Divibank. Para Henrique, a história do escritor, que fundou o Netscape e depois o vendeu para a HP por US$ 1 bilhão, apresentada na obra, é um aprendizado. O autor fala sobre a importância do investimento em pessoas e em produtos virem antes da preocupação com o lucro da empresa. Para Jaime, o livro tem apelo atemporal. "Li pela segunda vez este ano porque acho que é o melhor livro de gestão para CEOs. É divertido e tem seções que você pode ler especificamente quando está lidando com questões pontuais. Ou seja, um livro para ser lido e consultado para o resto da vida", conta o CEO.


11. Gestão do Amanhã, de Sandro Magaldi e José Salibi Neto
O CEO da Indústria Fox, Marcelo Souza, indica dois livros. O primeiro é "Gestão do Amanhã",de Sandro Magaldi e José Salibi Neto, que faz um panorama sobre o mundo atual e mostra tudo que é preciso saber sobre gestão, inovação e liderança para vencer na 4ª Revolução Industrial.


12. Vale de Israel, de Édouard Cukierman e Daniel Rouach
O segundo livro indicado por Marcelo Souza é "Vale de Israel: o escudo tecnológico da inovação", de Édouard Cukierman e Daniel Rouach, que se aprofunda em explicar como a cultura israelense cooperou para o surgimento de uma economia de alta tecnologia. Para Marcelo, tanto "Vale de Israel" quando "Gestão do Amanhã" são importantes por abordarem novos negócios, pautados em novas ferramentas e no momento que estamos vivendo.

Fonte: Administradores.com
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 12 de janeiro de 2021 às 09:43

A história da origem de sua liderança pode incluir múltiplos aspectos: relatos de como você entrou para uma profissão, crônicas pessoais explicando como e quando você passou a fazer parte de uma organização, relatos de como você conheceu seu parceiro, ou mesmo de como nos reinventamos após uma crise. Apesar dessa inclinação natural, raramente examinamos o que colocamos (e não colocamos) nesses relatos e como essas escolhas moldam nossa realidade atual. Para entender melhor como os líderes se veem, realizamos entrevistas aprofundadas com 92 homens e mulheres para saber como contam sua história da origem de sua liderança, e depois examinamos como essas histórias se alinharam com sua realidade atual.

Os resultados fornecem insights de como os líderes contam suas histórias, por que são importantes e, mais especificamente, como essas histórias diferem de acordo com o gênero. Abaixo, estão os principais resultados e as perguntas que você pode se fazer quando pensar em sua origem como líder, como recorrendo às origens de sua liderança você pode se tornar um líder mais adaptável, e o que você pode fazer para cultivar diferentes ‘tipos’ de líderes dentro da organização. 


Todos nós escolhemos uma lente

Como você responderia se alguém perguntasse quando você se sentiu líder pela primeira vez? Você começaria pela sua infância ou por quando você assumiu pela primeira vez aquele cargo importante na organização? Foi quando outros lhe disseram que você era um líder ou lhe pediram orientação? Vimos que as 92 histórias que estudamos sobre a origem da liderança convergiram para um entre quatro temas dominantes, que identificamos como: ser, compromisso, desempenho e aceitação. Esses temas atuaram como lentes, determinando como os líderes que entrevistamos se veem hoje. À medida que você os lê, pense no que lhe parece mais familiar e sobre como essa narrativa poderia moldar sua liderança hoje. 

Ser

Os líderes que adotaram essa lente sugeriram que “sempre se consideraram líderes”. Por exemplo, Juan disse: “Sou líder desde criança. Sempre gostei de liderar equipes e pessoas”. Os entrevistados destacaram uma vocação natural para a liderança que começou na infância ou nos primeiros anos na escola, talvez organizando as crianças da vizinhança, envolvendo-se em atividades empresariais ou se tornando capitães de equipes de esportes. Ao descrever como atuam como líderes agora, as pessoas que utilizam essa lente, em geral, indicaram suas qualidades pessoais, tais como confiança e otimismo, e seus estilos de liderança, como natural e inspirador. 

Compromisso

Os líderes que utilizaram essa lente destacaram a cumplicidade bem-sucedida de outros e de atividades. Acreditam que começaram como líderes quando foram compelidos a enfrentar uma necessidade urgente. Por exemplo, Jennifer vinculou seu começo como líder a atividades: “Não é como se eu tivesse caído de paraquedas já como líder nata”, contou ela. “Mas gosto da ideia de criar uma perspectiva, mirando no que precisa ser feito, fazendo algo melhor do que é agora. Os líderes que utilizam essa lente assumem como sua responsabilidade mudar as práticas insatisfatórias: começar uma nova organização, ajudar grupos díspares a chegar a uma visão compartilhada, ser voluntário para resolver um desafio ou uma situação de crise, mediando dois grupos em conflito. Atualmente, esses líderes procuram adotar um estilo de liderança mais mediador, focando no envolvimento de outras pessoas e capacitando uma ação coletiva. 

Desempenho

Você tem esse sentimento de dever para com a organização? Ou talvez você se sinta o protetor da equipe, a quem você se refere, às vezes, como “meu pessoal”? Os líderes que adotaram essa lente contaram que seu papel como tal surgiu quando assumiram um certo cargo. Por exemplo, Randy disse: “Na verdade, nunca pensei nisso (ser líder) até trabalhar para uma agência em Chicago. De fato, eu administrava . . . [uma organização com] 50 pessoas trabalhando em tempo integral em 50 escritórios, onde todos precisavam de mim. E foi aí que me dei conta de que “Nossa! Tenho uma posição importante e sou responsável por muita gente”. As pessoas mencionaram uma sensação de autonomia e controle sobre uma área de trabalho, bem como um forte senso de obrigação e responsabilidade para com suas equipes. A tendência desse grupo foi descrever a si mesmos como tendo estilos paternalistas de liderança, marcados por uma demonstração de controle, apoio e orientação da equipe. 

Aceitação

Aqueles que utilizaram essa lente não pensaram neles como sendo líderes até que perceberam que os outros os seguiam. Lembraram-se, repentinamente, de que as pessoas vinham até eles em busca de respostas, orientação e apoio. Tyler disse: “Eu não disse que queria ser líder. Mas acho que foram meus colegas naquela época que viram as [minhas] qualidades de líder, o que significava tratar a todos igualmente [e] com respeito e poder tomar decisões firmes e justas. Então, eu diria que quando olho para o passado, vejo que os outros me reconheceram como líder antes mesmo que eu soubesse o que era liderança”. Como sugere a citação de Tyler, a tendência desse grupo era de apoiar ou atender às necessidades de outros, antes das suas, sempre com uma conduta discreta.

Como você se tornou o líder que é hoje? Dentre essas lentes citadas, qual você naturalmente escolheria? Reflita sobre como as histórias que você conta podem ser vinculadas à maneira como você lidera os outros, e quem você reconhece como líder ou alguém que demonstra potencial para liderança. Essa não é somente uma atividade para classificar o seu passado. A lente pela qual você vê suas primeiras experiências como líder influencia seu comportamento – tanto de maneira positiva como negativa.

Sua lente de liderança pode promover e/ou restringir a sua liderança

Em nosso estudo, vimos que há um vínculo forte e recíproco entre as histórias que as pessoas contam sobre “como se tornar” um líder e sua liderança atual. Isso significa que usar apenas uma lente de maneira rígida poderia limitar sua capacidade de experimentar estilos diferentes com o passar do tempo. Por exemplo, se você se vê apenas como líder quando e se outros o estão seguindo (aceitação), sua identidade pode estar altamente ligada à percepção dos outros, o que poderia impedi-lo de reivindicar um novo papel de líder, a não ser que outros “peçam” que você se torne um. Ater-se a uma única lente pode ainda estreitar a gama de quem você vê como líder, limitando quem você busca como modelo e quem você seleciona para assumir um cargo de liderança. Por exemplo, se você “sempre foi líder” (ser), pode ser difícil deixar outra pessoa, especialmente alguém com um estilo diferente, assumir um papel de liderança em uma equipe de colegas.

O que isso significa para você?

Faça o teste com diferentes histórias de sua origem, que se inspiraram em diversas experiências e lembranças passadas de sua liderança. Pense nas vezes em que você assumiu a responsabilidade durante uma adversidade para ajudar outros a agir, ou pense em quando os outros vieram até você para buscar apoio, conselho ou orientação. E se você for um líder nato? O que isso significaria para sua liderança? Pratique construir e contar diferentes tipos de histórias de liderança que possam fortalecer sua identidade e aumentar sua adaptabilidade. 

Isto é importante para os seus subordinados ou para os que o veem como mentor. Peça que contem a história de como se “tornaram” líderes e compartilhe a sua. Isso expandirá seu entendimento compartilhado sobre o que é liderança e poderá gerar oportunidades quando, com diferentes ações, eles poderão fazer suas próprias experiências. 

Diferenças de gênero

Embora não tenhamos visto qualquer diferença em setores, idades, nível de senioridade ou funções, quando se tratava de quais lentes nossos entrevistados utilizaram, vimos que o gênero desempenhou um papel nisso. Números semelhantes, tanto de homens quanto de mulheres, confiaram na lente ser (sempre fui líder) e o tema aceitação (sou líder se e quando outros me veem como tal). Contudo, mais mulheres se sentiram como líderes quando ativamente “faziam” o que consideram ser atividades de liderança (a lente do Compromisso). Um número maior de homens, por outro lado, confiou na lente do desempenho, mostrando que acreditavam que se tornaram líderes quando assumiram um determinado papel e sentiram-se líderes ao cuidar de suas equipes e desempenhar suas obrigações e responsabilidades relacionadas ao cargo.

A escolha das mulheres para a lente do Compromisso pode ajudar a explicar por que a pesquisa mostra que elas podem ser requisitadas – e tendem a aceitar – mais tarefas que não sejam importantes no trabalho, ou a se oferecerem para tomar providências em tempos de crise. A lente do Compromisso lhes permite assumir um papel ativo para melhorar a situação, na ausência de cargos que podem ser mais difíceis para as mulheres conseguirem do que para os homens. Ao mesmo tempo, essa lente em especial, pode ainda colocar um ônus adicional nas mulheres para continuar assumindo tarefas, para manter esse sentido de ser líder por “executar”. Tais diferenças de gênero são sutis, mas podem ter implicações significativas em como, tanto mulheres quanto homens, conceitualizam e assumem a liderança. Estar ciente dessas tendências de gênero pode nos ajudar a “experimentar” novas lentes e descobrir pontos cegos potenciais que poderiam limitar o desenvolvimento. 

O que isso significa para você?

É preciso ter em mente que tanto homens quanto mulheres podem escolher diferentes lentes quando a reflexão sobre suas lideranças está em questão. Para ajudá-los a desenvolver sua identidade, permita que eles experimentem múltiplas narrativas e selecionem aquela com a qual se sintam à vontade. Essa é uma etapa importante. Você pode ainda ajudá-los a observar as possíveis restrições de uma narrativa e enriquecer suas histórias com várias outras.

A maneira como você lembra e explica sua trajetória até se tornar líder é importante. Ela pode moldar seu estilo como líder e, involuntariamente, vinculá-lo a certas crenças sobre o que um líder faz. Quando você conhece a sua história e experimenta diferentes maneiras de contá-la, você pode se tornar mais adaptável e, ao final, um líder melhor.

Fonte: Harvard Business Review