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Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 24 de outubro de 2018 às 14:00
Uma pesquisa realizada recentemente pela BayBrazil mostrou que atualmente há 39 empresas operando no Vale do Silício que foram fundadas por brasileiros. A maioria (35) é focada em tecnologia. A organização sem fins lucrativos que estimula os negócios entre companhias dos Estados Unidos e do Brasil, criada em 2010, fez um levantamento para identificar o perfil dos brasileiros que viajam ao Vale do Silício para empreender.

Diversidade é uma característica importante que fez com que o Vale do Silício se tornasse o centro empreendedor que é. Um estudo recente feito pela Fundação Nacional para Política, dos EUA, mostra que mais da metade dos unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) têm pelo menos um fundador que é imigrante. O governo americano estima que 426 mil cidadãos brasileiros vivem nos Estados Unidos, e que a taxa de participação dos brasileiros na força de trabalho é a mais elevada entre os grupos de imigrantes. São também o grupo com maior índice educacional – em 2014, 38% dos imigrantes brasileiros de 25 anos ou mais tinham ensino superior completo.

De acordo com o estudo, a maioria deles são homens e têm entre 40 e 49 anos. Do total, 28% são mulheres. Angelica Cunha, fundadora da Zavely, que ajuda estudantes e suas famílias a aumentar a renda e investir para pagar a faculdade, afirma que estar na região ajuda os negócios. “O Vale do Silício é o lugar ideal para lançar uma startup por causa dos recursos disponíveis, como investimentos e conselheiros experientes, e do ambiente competitivo que precisamos superar para alcançar o sucesso”, diz ela.

A maior parte das empresas criadas por eles estão ainda nos estágios iniciais, mas algumas já avançaram mais. É o caso da Brex, empresa de cartão de crédito corporativo para startups lançada em junho passado em São Francisco, que conseguiu US$ 57 milhões de investidores como os fundadores do PayPal, Peter Thiel e Max Levchin. É o quarto empreendimento de Henrique Dubugras e o segundo de Pedro Francheschi, fundadores da Brex. “O Vale do Silício é muito competitivo, e quem tiver planos para se mudar e começar uma companhia aqui precisa estar bem preparado. Nossa experiência anterior como empreendedores no Brasil está nos ajudando a cometer menos erros”, diz Dubugras.

Nos últimos anos, a BayBrazil notou uma pequena onda de empreendedores brasileiros se mudando para a região com o objetivo de expandir empresas que já foram fundadas no Brasil ou para lançar novos empreendimentos.

A primeira startup brasileira a fazer esse movimento foi a Movile, que iniciou suas operações em Sunnyvale em 2012. A empresa levantou US$ 375 milhões em investimentos internacionais. Hoje, a Movile tem 15 escritórios em sete países diferentes. À Margarise Correa, fundadora da BayBrazil, o cofundador da empresa, Eduardo Lins Henrique, afirmou: “No Vale do Silício, aprendemos a pensar globalmente. Brasileiros costumam ter a ‘síndrome de vira-lata’, o que significa valorizar o que vem de fora e não ver o potencial no nosso país. Na Movile, nosso objetivo é ser líder global nos verticais em que operamos. Aprendemos essa mentalidade no Vale do Silício”.

Outros empreendedores aprenderam a mesma mentalidade em suas passagens pela região. “Estamos aqui para construir uma ótima empresa e competir com os melhores players do mundo”, diz Carolina Reis Oliveira, fundadora da OneSkin, empresa que desenvolveu uma tecnologia que imita tecidos do corpo humano para entender o processo de envelhecimento.

A presença brasileira no Vale do Silício aumentou nos últimos três anos, em meio à recessão pela qual passa o Brasil. “Um número crescente de pessoas que conheço está considerando sair, especialmente com destino aos Estados Unidos. Alguns desses empreendedores têm uma ‘fadiga com o Brasil’, após vários ciclos de problemas econômicos e políticos, assim como uma preocupação geral com a segurança. Há também um aumento do número de estudantes brasileiros aqui, o que tem contribuído para a comunidade de brasileiros alcançar uma massa crítica”, afirma Vicente Silveira, presidente do conselho da BayBrazil.

Fonte: Época Negócios
Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 24 de outubro de 2018 às 13:59
Trabalhando com o mercado de inovação e tecnologia há pelo menos oito anos, hoje mais fortemente representado pela verdadeira revolução que as startups estão fazendo no mindset e na maneira de agir das empresas, confesso que ainda fico, de certa forma, decepcionado com atitudes recorrentes no varejo (e no varejista) brasileiro, principalmente quando o assunto é inovação.

Uma das coisas mais claras sobre os processos de inovação que de fato funcionam e se faz mandatório para que as principais lideranças da empresa, sejam executivos ou proprietários, estejam de fato “engajados” na mudança.

A mudança nunca foi, nem será fácil. Tirar uma empresa de varejo da administração do dia-a-dia, do turbilhão de tarefas e operações essenciais, para implantar algo novo, é complexo e, por vezes, a falta de foco resulta em processos morosos e de baixo resultado. Isso faz com que a necessidade da liderança ter uma atitude “hands on”, ou seja, praticamente ter que colocar a mão na massa, para que o projeto de fato ande dentro da expectativa, só aumente. Na maioria dos casos, o líder precisa de fato, liderar.

Se, na teoria, esse deveria ser o retrato da maioria dos casos, a prática se mostra bem distante disso. Uma das coisas que mais observei nessas tentativas de inovar ou implantar algo novo nas empresas, mesmo quando iniciada diretamente via um C-Level ou proprietário da empresa, é a delegação “degenerativa” de interesse. Num primeiro momento, um primeiro degrau de delegação até seria justo, dado o possível ritmo de agenda dos principais executivos, mas o que acontece é que vemos essa delegação gradativamente descer cada vez mais degraus, chegando a níveis onde, infelizmente, faltam competências para melhor avaliação e, principalmente, poder de decisão sobre o assunto.

Um parecer que começa a descer degraus em uma empresa, quanto mais desce, mais difícil é a retomada e a definitiva ação.

No dia-a-dia de profissionais de hierarquias sem poder de decisão, um rápido sopro de cotidiano na rotina, dada a pressão por resultados que custam ainda a aparecer no nosso mercado, torna “prioridade” o dia-a-dia, deixando para trás qualquer iniciativa de inovação.

O “agora” do varejo terá sempre algo que possa ser justificado como prioridade da vez. Uma coleção, uma campanha, um sistema novo, uma convenção. Entretanto, a maior prioridade para uma empresa hoje não está só na competitividade do agora, da busca do resultado do dia ou do mês, mas também, e em igual importância, na busca da perenidade desses resultados, assim como sua posição ou papel em seu mercado. Para isso, antever constantemente os passos do mercado e de seus consumidores é mandatório, e, por isso, a inovação “hoje”, “agora”, “já”, “imediatamente” ou qualquer outro termo que prefira, se faz tão necessária.

Costumo sempre dizer que implantar uma cultura empresarial de inovação não é algo sobre o futuro, e sim, sobre minimamente ter algum processo para acompanhar, no mesmo ritmo, os passos de seu mercado.

Os labs, capitaneados por empresas como Pernambucanas, Boticário e Magazine Luiza, por exemplo, começam a mostrar os primeiros resultados, exatamente porque uma das grandes características de todos eles é a de não conviver com a burocracia do dia-a-dia, da rotina da empresa.

Como um executivo ou dono do negócio, avalie quantas oportunidades de inovar acredita que já tenha perdido para o dia-a-dia ou a rotina de sua empresa.

É definitivo. O dia-a-dia é o maior inimigo da inovação.


Fonte: Falando de Varejo