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Gestão & Liderança Postado em quinta-feira, 22 de novembro de 2018 às 09:02
Em tempos turbulentos, a constância e a estabilidade podem ser virtudes significativas. Elas são evidentes nos 100 homens e mulheres que, em 2018, chegaram ao ranking mundial da HBR de CEOs de alto desempenho. Eles enfrentam uma série de forças externas — competidores experientes, clientes exigentes, investidores com fome de lucro e obstáculos políticos e econômicos. No entanto, as empresas que eles lideram mostraram notável capacidade de manter o ímpeto: 70 dos 100 líderes no ranking do ano passado tiveram desempenho bom o suficiente para receber a distinção novamente neste ano — incluindo Pablo Isla, da Inditex, gigante de fast fashion da Espanha, que, mais uma vez, é o executivo na primeira posição.

Essa consistência é resultado não apenas do estilo firme de liderança, mas da forma como a HBR mede desempenho. Em um mundo de negócios que muitas vezes parece obcecado com o preço das ações de hoje e os resultados do trimestre, nosso ranking adota a visão de longo prazo: baseia-se principalmente nos retornos financeiros de todo o mandato do CEO — por terem obtido sucesso, muitos conseguiram ficar por tempo longo no cargo. (Os CEOs da lista estão na função há 16 anos em média; no ano passado eram 7,2 anos para os CEOs da S&P 500.) No cálculo do ranking final, consideramos também o ranking de cada empresa em questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). Para obter explicação completa da metodologia, veja o quadro “Como calculamos os rankings”.

Esse foco nos números de carreira resulta em um ranking com poucas mudanças anuais. Sete dos dez melhores e 18 dos 25 melhores deste ano foram classificados nesses níveis no ano passado. Em um ano típico, um quarto a um terço dos CEOs no ranking do ano anterior ficou de fora devido a aposentadoria, demissão, morte ou desempenho financeiro ruim. Entre os nomes notáveis da lista de 2017 que não se repetiram estão Martin Sorrell, da WPP (que pediu demissão em meio a alegações de má conduta); John Mackey, da Whole Foods (cuja empresa foi adquirida pela Amazon); e Leslie Wexner, da L Brands (cujas ações despencaram este ano).

Outras tendências permanecem mais ou menos consistentes. Em termos de boas e más notícias, a representação feminina entre os 100 CEOs aumentou em 50% em relação ao ano passado —, mas isso porque a lista deste ano inclui três mulheres, e apenas duas nos anos anteriores. (Nossa explicação para isso já é familiar: a escassez de mulheres no ranking não diz nada sobre o desempenho dos homens como CEOs versus o das mulheres; em vez disso, é o resultado de baixa representação feminina entre os CEOs das empresas globais da S&P 1200, na qual nos baseamos para fazer nossa classificação.).

Embora as mudanças anuais em nosso ranking não sejam drásticas, examinar a lista em períodos mais longos ilustra o desafio de manter um desempenho vencedor em nível mundial. Desde 2013, apenas seis CEOs apareceram todos os anos: Jeffrey Bezos, da Amazon; Pablo Isla, da Inditex; Blake Nordstrom, da Nordstrom; Paolo Rocca, da Tenaris; James Taiclet Jr., da American Tower; e Renato Alves Vale, da CCR. Mesmo nesse seleto grupo, Bezos se sai bem: com base apenas no desempenho financeiro (ou seja, desconsiderando o componente ESG de nossos rankings), o fundador da Amazon foi o líder de melhor desempenho em todos os anos que compilamos o ranking desde 2014, quando começamos a usar nossa metodologia atual. E, desde que Bezos chegou ao topo da lista, em novembro daquele ano, o preço das ações da empresa cresceu mais de seis vezes.

Um dos testes para qualquer líder é adaptar-se a ambientes de mudanças. E hoje uma das maiores enfrentadas pelas empresas é o ambiente político global. A ascensão do populismo como força poderosa não só se revela na eleição de Donald Trump e na saída da Grã-Bretanha da União Europeia, como se evidencia em diversos outros países. Para os líderes empresariais, especialmente na indústria, isso trouxe a ameaça (e às vezes a realidade) das tarifas e guerras comerciais, junto com oportunidades e desafios específicos de determinados setores.

Em meio a essa incerteza, como os líderes empresariais devem se manifestar sobre questões políticas — e sobre quais delas? Dois CEOs dos EUA na lista deste ano ilustram diferentes pontos de vista.

Satya Nadella sucedeu Steve Ballmer como CEO da Microsoft em 2014; a volta por cima dessa empresa, liderada pela crescente força de seu negócio de computação em nuvem (que Nadella liderava antes de se tornar CEO), ajudou a colocá-lo na posição 46 na lista de 2018. Nadella acredita que deve tomar posição em questões diretamente relevantes aos negócios da Microsoft, como a reforma da imigração, mas sem expressar suas crenças políticas pessoais. “Ninguém me elegeu”, disse ele ao editor-chefe da HBR, Adi Ignatius, em entrevista de 2017. “Defender opiniões políticas… não é isso que nossos funcionários esperam de mim.”

Outros líderes veem essa parte do papel do CEO de forma mais aberta. Entre eles, está Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, no 22º lugar este ano, devido à forte alta nas ações do banco desde 2016. “Se você quer a política pública certa, precisa defendê-la”, disse Dimon a Ignatius em entrevista de 2018. “E você não pode ser paroquial. Não fale apenas sobre aquela pequena regulação que vai ajudar sua empresa. Fale sobre política tributária, comércio, imigração, tecnologia.”

Que os CEOs falem ou deixem de falar não interfere diretamente no nosso ranking, mas esse ativismo pode ser capturado indiretamente nas pontuações do ESG, de acordo com os especialistas da CSRHub e da Sustainalytics, as empresas que nos ajudam a analisar os dados. Por exemplo, as classificações ESG contabilizam as despesas de lobby da empresa, o grau de divulgação sobre questões como uso de carbono e a presença de um diretor de sustentabilidade no nível superior da empresa, entre outras medidas. As declarações políticas de um CEO (ou a ausência delas) podem aparecer em dados recolhidos em sites de avaliação de funcionários, como o Glassdoor. A frase “ativismo de CEO” denota comportamento proativo dos líderes —, mas cada vez mais lidar com as realidades políticas é apenas mais uma faceta de um trabalho multifacetado.

Como calculamos os rankings

Para compilarmos nossa lista, começamos com as empresas que, no fim de 2017, estavam no S&P Global 1200, índice que compreende 70% da capitalização do mercado de ações do mundo e inclui empresas na América do Norte, Europa, Ásia, América Latina e Austrália. Identificamos o CEO de cada empresa, mas, para garantir que temos um histórico longo o suficiente para avaliar, excluímos as pessoas que estavam no cargo havia menos de dois anos. Excluímos também executivos que foram condenados ou presos por cometer crime. Isso posto, terminamos com 881 CEOs de 870 empresas. (Várias empresas tinham coCEOs.) Esses executivos administravam empresas em 29 países.

Nossa equipe de pesquisa foi liderada por Nana von Bernuth e contou com a colaboração dos programadores Onorina Buneanu e Clara Frank e dos programadores de dados Morand Studer e Daniel Bernardes, da Eleven Strategy Consultants. Eles coletaram, para cada empresa, dados financeiros diários da Datastream e da Worldscope, começando pelo primeiro dia do CEO no trabalho e terminando em 30 de abril de 2018. (Para CEOs que assumiram o cargo antes de 1995, calculamos os retornos usando uma data de início em 1º de janeiro de 1995, porque os retornos ajustados pelo setor antes dessa época não estavam disponíveis.)

Em seguida, calculamos três métricas para cada mandato do CEO: o retorno total ao acionista ajustado por país (incluindo dividendos reinvestidos), retorno este que compensa qualquer aumento no retorno atribuível apenas a possível alta no mercado de ações local; o retorno ajustado por indústria (incluindo dividendos reinvestidos), o qual compensa qualquer aumento consequente de aumento nos resultados do setor geral; e alteração na capitalização de mercado (ajustada para dividendos, emissão de ações e recompras de ações), medida em dólares americanos ajustados pela inflação.

Em seguida, classificamos cada CEO — de 1 (melhor) a 881 (pior) — para cada métrica financeira e calculamos a média dos três rankings para obter uma classificação financeira geral. A incorporação de três métricas é uma abordagem equilibrada e robusta: retornos ajustados por país e por setor correm o risco de favorecer empresas menores (é mais fácil obter grandes retornos quando se parte de uma base pequena); já a mudança na capitalização de mercado favorece empresas maiores.

Para medir o desempenho em questões não financeiras, a HBR consultou a Sustainalytics, fornecedor líder de pesquisa ambiental, social e de governança (ESG) que trabalha principalmente com instituições financeiras e gestores de ativos; e a CSRHub, que coleta, agrega e normaliza dados ESG de nove empresas de pesquisa e trabalha sobretudo com empresas que desejam melhorar seu desempenho em ESG. Computamos uma classificação ESG usando a avaliação do Sustainalytics e uma usando a avaliação da CSRHub para cada empresa em nosso conjunto de dados. Para calcular a classificação final, combinamos a classificação financeira geral (ponderada em 80%) e os dois rankings ESG (ponderados em 10% cada um). Omitimos os CEOs que deixaram o cargo antes de 30 de junho de 2018.


Fonte: HBRB
Gestão & Liderança Postado em terça-feira, 13 de novembro de 2018 às 15:33
Muito tem sido falado, escrito e discutido sobre as transformações precipitadas na China, já a maior economia do mundo no critério PPP (Paridade do Poder de Compra), pelo exponencial crescimento da economia digital.

Muito menos tem sido discutido sobre como os ecossistemas de negócios têm sido os propulsores dessa transformação.

E menos ainda sobre como esses ecossistemas podem ser utilizados no desenvolvimento de todos os outros negócios globalmente pela sua proposta inovadora de criação de redes de empresas e parceiros para dar mais foco, agilidade, empoderamento e, principalmente, resultados, medidos por valorização financeira (market value) e seu exponencial crescimento nos últimos anos.

A sigla BATXL, que envolve a combinação das atividades dos ecossistemas Baidu, Alibaba, Tencent, Xiaomi e LeEco é a síntese de uma profunda, inovadora e realmente disruptiva proposta de organização empresarial, alinhada com a volatilidade inerente ao mercado transformado pela omnidigitalização.

Para contextualizar

Existem diferenças marcantes quando comparamos os diferentes modelos de organização empresarial – Ecossistemas de Negócios, Empresas, Holdings e Redes de Negócios – no que se refere à sua estrutura de controle, os setores de atuação e os processos de decisão.

Nos Ecossistemas de Negócios, modelo de organização empresarial utilizado pelos mais importantes e transformadores conglemerados de negócos da China, a estrutura de controle é por divisão dos ativos entre os acionistas, os setores de atuação são relacionados, mas também diversificados e os processos de decisão são orquestrados, porém interdependentes.

Quando comparado com os modelos tradicionais de organização mais utilizados, especialmente na Economia Ocidental, esse modelo dos Ecossistemas de Negócios explica em boa parte a velocidade com que consegue capturar as oportunidades emergentes a partir das mudanças exponenciais que ocorrem no mercado e transformam oportunidades em realidade por uma combinação virtuosa de fatores.

E permitem que empresas como Alibaba, nascida em 1999, focada no e-commerce e transformada num impressionante Ecossistema de Negócios, possa ter um valor atual de mercado de US$ 410 bilhões, superior ao do Walmart, maior varejista do mundo, com US$  278 bilhões no mesmo critério.

Ou como Tencent, que iniciou operações em 1998, como uma plataforma de mensagens instantâneas e se transformou num gigantesco Ecossistema Global de Negócios, tendo o We Chat como uma de suas plataformas mais relevantes e tenha se transformado num dos maiores players globais em games.

Ou ainda como Xiaomi, lançada em 2010 como fornecedor de smartphones, se converteu num das maiores empresas do mundo em eletrônicos e supere a Apple, na China, com seu modelo de venda direta da indústria para os consumidores.

A incrível evolução do uso da internet na China, que tinha apenas 22 milhões de usuários em 2000 e que hoje atinge 800 milhões, sendo 90% mobile, fez com que mais de um quinto da população digital do mundo seja chinesa hoje em dia.

Isso foi causa e consequência das transformações precipitadas por esses Ecossistemas de Negócios, pois, ao mesmo tempo que viabilizou essa transformação, nela se alavancou para crescer exponencialmente.

A participação do e-commerce no total das vendas do varejo chinês atinge perto de 24%, sendo aproximadamente 40% para os chamados FMCG, bens de consumo de rápida rotação.  Para efeito de comparação, na Coreia do Sul, são 18%, nos Estados Unidos, 11% e, no Brasil, estimados 4,5%. Porém, em todos os mercados, crescendo significativamente mais do que qualquer outro canal ou formato de varejo.

Outra boa medida do impacto desse crescimento e transformações precipitadas é que, em 2018, os IPOs ligados à tecnologia de origem chinesa nos Estados Unidos foram de US$ 14,7 bilhões, muito superiores quando comparados com os de origem norte-americana, no valor total de US$ 7 bilhões.

Outro aspecto importante a considerar é que a participação da economia digital no total do PIB de diferentes países mostra que a China é o segundo maior percentual, com 6,9%, depois da Coreia do Sul com 8%. Estados Unidos é o quinto país nessa sequência, com 5,4%. E o Brasil aparece em décimo lugar, com 2,4%, segundo estudo da BCG.

Reflexões

Todos os números e indicadores que envolvem as transformações recentes na China são realmente impressionantes e justificam tudo que se possa buscar de referências para conhecer e poder gerar mais inspirações.

Mas o que tem sido mais inspirador do que o simples conhecimento, e até deslumbramento com essa realidade digital, é a identificação e aprofundamento de informações sobre os Ecossistemas de Negócios que determinaram essas mudanças e que continuam a alimentar a forte expansão da economia interna da China e sua irreversível, para não dizer preocupante, expansão global, que se faz cada vez mais presente também no Brasil.

Fonte: Gouvêa de Souza