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Inovação & Atualidade Postado em quarta-feira, 28 de outubro de 2020 às 11:12


Pandemia do novo coronavírus impulsionou as vendas online ao redor do mundo e trouxe novos desafios para os varejistas.

As orientações de isolamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus impulsionaram o comércio eletrônico ao redor do mundo. Sem poder sair de casa, as pessoas precisaram mudar seus hábitos de consumo, e as compras pela internet ganharam força como nunca. Nos Estados Unidos, a expectativa é que e-commerce cresça mais de 30% em 2020, atingindo um patamar que era esperado apenas para 2022.

No Brasil, a situação não é diferente. De acordo com a pesquisa Perfil do E-Commerce Brasileiro, realizada pelo PayPal Brasil em parceria com a BigData Corp, a expansão do e-commerce no País deve fechar o ano em 40,7%. O número de lojas online deve ser recorde, chegando a 1,3 milhão.


Grandes varejistas ganham ainda mais espaço nos EUA

O crescimento de 32,4% do e-commerce nos EUA é muito maior do que os 18% inicialmente previstos, já que os consumidores seguem optando por compras online, mesmo com a flexibilização da quarentena. As vendas do comércio eletrônico serão responsáveis por 14,4% dos gastos no varejo norte-americano este ano, com previsão de chegar a 19,2% em 2024.

De acordo com o analista da eMarketer Andrew Lipsman, apesar de o crescimento ter sido impulsionado principalmente pelas categorias essenciais, como supermercado, outras como eletrônicos e móveis para a casa também se beneficiaram com as mudanças no estilo de vida durante o isolamento social.

A expectativa é que os 10 maiores varejistas eletrônicos dos Estados Unidos aumentem em 5% sua participação de mercado, e passem a responder por 63,2% de todas as vendas online neste ano. Entre os principais destaques, estão o crescimento de mais de 100% das vendas online da Best Buy e da Target. A participação da Amazon no mercado deve chegar a 39% este ano, consolidando sua liderança. Com 5,8% de share, o Walmart substitui o eBay este ano como o segundo maior player de comércio eletrônico dos EUA.


Comerciantes se digitalizam para acompanhar consumidor brasileiro

O Brasil segue a mesma toada. A pandemia chamou a atenção para a necessidade de digitalização das empresas, e acelerou a migração de pequenos negócios para o comércio eletrônico. Segundo o estudo do PayPal, em 2019, o percentual de e-commerces de pequeno porte, com faturamento de até R$ 250 mil por ano, era de 26,93%. Hoje, esses negócios representam quase metade das lojas online: 48,06%.

O diretor de varejo e distribuição da TOTVS, Elói Assis, diz que, antes da pandemia, a participação das vendas online no varejo global era de cerca de 10%, e que a adoção do e-commerce pelos consumidores vinha crescendo gradualmente nos últimos anos. A pandemia, no entanto, mudou essa realidade. “O ano de 2020 foi marcado por uma aceleração na adoção dos meios de varejo digital. Alguns materiais indicam uma aceleração de quatro a seis anos, em relação ao que seria se estivéssemos nessa curva gradual e normal.”

Segundo ele, nos últimos meses, a empresa sentiu o aumento na demanda por soluções para o varejo digital. “A gente está tendo uma adoção de meios de pagamento digitais e de novas modalidades de comércio eletrônico, porque o consumidor agora está com uma cabeça diferente. Esse novo patamar de adoção do digital, mesmo no pós-pandemia, ele vai ser o novo baseline. Mesmo depois que as lojas físicas voltarem ao funcionamento pleno, as pessoas vão concluir que preferem comprar alguns produtos online”.

Para 2021, Assis aposta em duas grandes tendências no varejo. A primeira é a consolidação dos meios de pagamento digitais, que devem ganhar ainda mais força com a chegada do PIX, ferramenta que vai reduzir riscos para os varejistas. A segunda tendência para o ano que vem, segundo ele, é a policanalidade no varejo. “A gente já fala de omnicanalidade há cerca de cinco ou seis anos, mas ela se resume, em grande parte, a dois canais: o online e o offline. Quando falamos em policanalidade, pensamos além da bicanalidade, em mais canais. O online se expande para redes sociais também, e em algum momento, os varejistas vão precisar lidar com essa complexidade toda”.

De acordo com o estudo do Paypal, muitos varejistas já estão de olho nessa tendência: sete em cada 10 lojas online são adeptas das redes sociais, sendo o Facebook a mais popular entre elas (presente em 54,18% dos comércios eletrônicos do país).

Fonte: Novarejo
Inovação & Atualidade Postado em quarta-feira, 21 de outubro de 2020 às 08:56


O momento de pandemia que estamos vivendo é o mais representativo do conceito VUCA desde que ele foi criado. Como as empresas devem agir e reagir nesse cenário?

VUCA é um conceito criado logo após a Guerra Fria para descrever a volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade do mundo naquela época (em inglês: volatility, uncertainty, complexity, andambiguity). Porém, o momento de pandemia que estamos vivendo é o mais representativo desse conceito desde a sua criação. As mudanças trazidas pelo coronavírus têm afetado igualmente profissionais, consumidores, empresas e instituições. Além disso, vemos guerras comerciais, desafios ambientais e consumidores questionando valores e a procura de novas identidades que melhor os definam em suas jornadas.

Nesse sentido, todos estão em busca de referências para atravessar esse período tão conturbado. Como agir, reagir e fazer as empresas superarem o ambiente VUCA? Os desafios para isso foram abordados no painel “O Mundo VUCA de verdade começa agora. O que fazer, CEO?”, do CONAREC 2020. O debate contou com a mediação de Victor Cremasco, sócio e relações institucionais da Mandalah, e participação de João Pedro Paro, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul; Paulo Correa Jr., CEO da C&A; Juliano Bove, diretor regional do Estado de São Paulo da Gympass; e Tatiane Panato, presidente da Algar Tech.

Logo no início da conversa, Victor Cremasco chama atenção para como as empresas podem aproveitar as características do mundo VUCA para se destacarem. “As pessoas ainda tendem a classificar a complexidade como uma coisa negativa. Muitos interpretam VUCA como uma muleta, como algo externo que foge do nosso controle, que faz com que as coisas sejam confusas e imprevisíveis. Mas acho que, gradativamente, o mundo vai se tornando tão complexo que as pessoas vão normalizando o entendimento de que não se trata de uma crise, não vai passar. Essa é a nova regra do jogo, as coisas são dinâmicas. A gente precisa se acostumar e desenvolver novas musculaturas, novas habilidades para navegar e se diferenciar nesse mundo”.


É HORA DE PLANEJAR?

Entre essas novas habilidades está a necessidade de repensar processos. A cultura de planejar, de querer “domar” o futuro, bate de frente com a imprevisibilidade do presente. O que os líderes devem fazer nesse cenário?

Para Paulo Correa Jr., CEO da C&A, o planejamento ainda é importante, o que muda é o modelo. “A dinâmica de mercado está montada em cima de modelos financeiros, todo mundo quer saber os números daqui dois, três anos. O exercício do planejamento vai continuar existindo e ele tem um grande valor, de gerar uma visão, um alinhamento dentro da organização, ele tem o valor de você poder estabelecer cenários e ter a sensibilidade de entender se vai seguir para um lado ou para o outro. Mas o planejamento tem que ser usado com moderação, você ficar amarrado nos números dado toda a incerteza não faz sentido. É preciso criar mecanismos para ao longo da jornada fazer ajustes”.

A visão é corroborada por Tatiane Panato, presidente da Algar Tech. Segundo ela, o entendimento macro ajuda a entender as ambições na prática e engajar a empresa para um propósito. “O principal ponto que muda é a nossa capacidade de adaptação ao longo do tempo de acordo com as mudanças que acontecerão. A nossa regra a partir de agora é conseguir identificar quais são os possíveis cenários pensando no que está acontecendo no mercado naquele momento e quais são as tendências que aquilo vai causar no futuro. É muito importante estar alerta ao que está acontecendo ao seu redor para desenhar cenários e fazer mudanças na medida em que eles acontecem. Essa é a chave para evoluir na questão do planejamento”.

Esse organização necessária para reagir como empresa aos desafios que se apresentam a cada momento é comentada por João Pedro Paro, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul. “Precisamos sempre lembrar que temos um norte, e ele não vai ser esquecido em nenhum momento, mas a gente não vai conseguir andar exatamente como a gente está andando. O desafio de todas as empresas é crescer, é ganhar mercado, é atender melhor os clientes, isso não vai mudar. Então como a gente faz isso melhor? Precisamos nos adaptar a essa visão e não ficarmos presos ao problema do orçamento, que é a nossa deficiência. Na verdade, o que importa é ganhar o jogo e ser melhor.”

Tudo isso pode ser visto na prática na mudança de operação da Gympass com a pandemia. A plataforma de acesso a atividades físicas e qualidade de vida vinha em forte crescimento, mas boa parte do negócio dependia de visita aos estabelecimentos físicos, que foram fechados. Juliano Bove conta que, ao perceber o que aconteceria, rapidamente a empresa adaptou o planejamento e lançou um serviço digital para continuar atendendo os clientes. “A gente se transformou de acordo com o modelo de negócio que existia e hoje podemos olhar para trás e dizer que a gente sabe muito mais do que antes. Eu acho que essa é a essência do VUCA”.

No cenário de pandemia que estamos vivendo, adaptação é a palavra-chave. O modelo de gestão está sendo repensado, desde o processo de planejamento até as responsabilidades para as tomadas de decisão, para que as empresas possam acompanhar todas as mudanças. Mas nunca deixando de lado os objetivos iniciais.

“A realidade é VUCA e a tomada de decisão é VUCA, mas as empresas não podem ter uma cultura VUCA. Os valores, as premissas e as estratégias precisam estar muito bem definidas para se ter a tranquilidade de tomar decisões.” – Victor Cremasco, sócio e relações institucionais da Mandalah.

Fonte: Consumidor Moderno