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Varejo & Franquias Postado em quarta-feira, 17 de abril de 2019 às 16:51
A Netshoes é a companhia mais relevante no mercado online de produtos esportivos e a aquisição pode dar à compradora presença maior no mercado de moda.

A varejista online Netshoes busca um comprador com sangue frio. A condição: topar assumir um negócio deficitário há anos e com valor de mercado em queda em troca de um pezinho num mercado em ebulição na internet, a moda.

A B2W, dona da Americanas.com e do Submarino, e o Magazine Luiza afirmaram que estão analisando a aquisição, embora afirmem que, por enquanto, não há nenhuma oferta firme. Não está claro o que as varejistas ganham com o negócio, segundo analistas e investidores.

A compra, pelo menos, não custaria caro. O valor de mercado da Netshoes é de aproximadamente 73 milhões de dólares, uma fração dos 558,5 milhões de dólares em que foi avaliada na abertura de capital, há dois anos. Atualmente, a dívida da empresa é de cerca de 37 milhões de dólares.

A Netshoes é a companhia mais relevante no mercado online de produtos esportivos, mas sofre com apostas equivocadas em outros países, como no México e na Argentina, e em mercados que conhecia pouco, como de suplementos. Nos últimos trimestres, a companhia se dedicou a arrumar a casa para se concentrar em seu negócio de origem, de artigos esportivos, e na Zattini, seu braço de moda.

É uma combinação que pode interessar varejistas online com grande presença em outros nichos. A aquisição pode dar à compradora presença maior no mercado de moda, seguindo o caminho da Amazon e Dafiti. A Zara, uma das maiores varejistas de moda do mundo, recentemente anunciou sua entrada no comércio eletrônico.

A questão é a que custo. No terceiro trimestre de 2018, o prejuízo da Netshoes praticamente triplicou, ampliando os problemas da companhia. Apesar do crescimento de 18,2% no número de clientes no período de 12 meses encerrado em setembro, a receita líquida da companhia encolheu 3,2% no terceiro trimestre contra um ano antes, a 417,8 milhões de reais. Para arrumar a casa, a Netshoes vendeu sua operação no México no ano passado e encerrou seu negócio B2B, de transações para clientes corporativos, para focar no B2C, a venda para clientes finais.

A Netshoes deve divulgar seus resultados anuais referentes a 2018 na segunda quinzena de abril, mas ainda não há data definida.

Para o Magazine Luiza, a operação foi considerada neutra por analistas do Brasil Plural. A aquisição não teria fortes impactos no fluxo de caixa da companhia, pelo baixo valor de mercado da Netshoes.

Por outro lado, a operação da Netshoes também não alteraria muito a linha de receitas do Magazine, que faturou 19,7 bilhões de reais em 2018, considerando lojas físicas, comércio eletrônico e marketplace. “A empresa poderia aproveitar a oportunidade para entrar no negócio de vestuário e calçados, seguindo os passos da Amazon no Brasil”, afirmaram os analistas, em nota a clientes.

Já para a B2W a aquisição poderia ser negativa, segundo a avaliação dos analistas. A dona da Americanas.com não tem dinheiro em caixa para financiar a operação, diz o banco. Embora esteja perdendo menos dinheiro, o fluxo de caixa da companhia ainda é negativo. Além disso, a companhia enfrenta um mercado mais agressivo, com concorrentes investindo bastante em frete grátis e promoções.

A maior oportunidade da B2W não está na compra de uma concorrente. Para o banco BTG Pactual, a empresa está construindo um ecossistema para suportar a sua operação e a dos vendedores parceiros.

O crescimento da empresa nos últimos meses veio principalmente de sua mudança de estratégia. Ela tem desacelerado as vendas próprias para investir em marketplace, uma operação que demanda menos caixa. A B2W também busca ganhos de sinergia na integração com os pontos físicos da Lojas Americanas, sua controladora.

A Ame Digital, plataforma de pagamentos criada em conjunto com a Lojas Americanas, ganhou participação nos pagamentos feitos tanto nas lojas online quanto físicas. O banco acredita que a plataforma pode se expandir para vendedores que já são parceiros da B2W, seguindo o caminho do Mercado Pago, plataforma de pagamentos do Mercado Livre que pode se tornar seu maior negócio.

Investir em tecnologia para integrar varejo físico e online e atacar mercados com grande potencial na internet. O caminho para quem quiser seguir triunfando no e-commerce brasileiro está dado. Se os planos passam pela Netshoes é que são elas.

Fonte: Exame
Varejo & Franquias Postado em quarta-feira, 17 de abril de 2019 às 16:32
O varejo brasileiro tem inovado. Porém, a passos lentos, diz Edmar Bulla, CEO do Grupo Croma. Segundo dados da pesquisa “High Tech Retail”, da consultoria de design de soluções para negócios, 29% das pessoas conhecem aplicativos de lojas e sites, mas nunca usaram a tecnologia, e 32% sabem da existência do recurso de autoatendimento, no entanto, não demostraram interesse em utilizar a ferramenta. “Para a maioria dos shoppers, a recompensa ainda não está clara em relação aos benefícios que essas tecnologias agregam no cotidiano. Apesar de algumas marcas colocarem a inovação em prática em suas lojas e sites, essas mudanças não estão sendo comunicadas ao ponto de seduzir o shopper e influenciá-lo a uma mudança de hábito”, fala o profissional.

O estudo, realizado a cada três anos, é baseado em entrevistas com 1.400 pessoas, espalhadas pelo Brasil, via questionário online. “O principal objetivo do estudo é mostrar quais são os caminhos de inovação que o varejo deve seguir para se adaptar às expectativas das pessoas”, explica Edmar. A pesquisa “High Tech Retail” também utiliza dados secundários de desk research.

Segundo estudo “High Tech Retail”, do Grupo Croma, 40% dos shoppers pretendem usar mais aplicativos em suas estratégias de proximidade com o consumidor; 32%, vídeos; 29%, autoatendimento; 35%, leitor de código de barras; 51%, realidade virtual; 46%, provadores virtuais; 38%, inteligência artificial; e 35%, smartphones.

Para os consumidores, comodidade (84%) e economia de tempo (83%) são os principais benefícios da tecnologia aplicada no varejo. “Os shoppers têm a consciência de que o uso da tecnologia pode influenciar positivamente todo o processo de compra”, diz o CEO do Grupo Croma. De acordo com o levantamento da consultoria, 80% dos respondentes afirmam que consideram realizar comprar em lojas que usam tecnologia, 79% recomendam empreendimentos inovadores a amigos e família e 76% compram mais produtos e serviços de marcas que investem em tecnologia.

Segundo Edmar, telefonia, informática e eletrônicos são os setores mais inovadores. “No entanto, uma outra oportunidade de mercado está atrelada à capacidade de levar ao shoppers inovação humana, didática e aplicável a um contexto brasileiro de baixa escolaridade e que demanda extrema simplicidade. Usabilidade que promove experiência encantadora e compra vantajosa é a chave do sucesso”, conta.

O estudo do Grupo Croma aponta que 40% dos shoppers pretendem usar mais aplicativos em suas estratégias de proximidade com o consumidor; 32%, vídeos; 29%, autoatendimento; e 35%, leitor de código de barras. “Essas tecnologias já são uma realidade no Brasil. Os grandes varejistas como Via Varejo, Magazine Luiza, Pão de Açúcar e Carrefour têm promovido mudanças significativas e, o que é mais importante, em escala”, diz o profissional.

Porém, de acordo com Edmar, a grande dificuldade, muitas vezes, não está em inovar, mas em tornar a inovação segura, viável e escalável tanto nacionalmente quanto regionalmente. Para o profissional, os resultados expressivos dessas tecnologias estão relacionados ao uso cotidiano e disseminação de outras formas de conteúdo nesses mesmos formatos, como jogos, aplicativos diversos e geolocalizadores. “No entanto, ao explorar o que o shopper considera mais importante e inovador, pagamentos sem dinheiro ou cartão apresentam a maior atratividade do ponto de vista de novidades tecnológicas, já que 83% dos entrevistados pretendem pelo menos experimentar essa inovação”, adiciona.

Além disso, segundo o levantamento, 51% dos shoppers pretendem usar realidade virtual; 46%, provadores virtuais; e 38%, inteligência artificial. Visualização de produtos em 3D e a realidade aumentada também surgem como soluções tecnológicas que teriam grande aderência, nos próximos anos, e 86% dos brasileiros pretendem pelo menos experimentar essas tecnologias. “Jornadas de compra mais rápidas, sem obstáculos e prazerosas são diferenciais competitivos para o varejo. Tudo o que possa facilitar o processo,agilizar a compra e auxiliar sua fluidez será bem-vindo, bem como tecnologias que diminuam filas e facilitem o pagamento”, fala Edmar.

Também os smartphones estarão, cada vez mais, presentes na jornada de compra nas lojas físicas. Nesse contexto, tecnologias como leitor de código de barras crescerão em uso, já que 35% dos entrevistados pretendem usar muito o recurso e 43% pretendem experimentar.  “Hoje, os aparelhos móveis já permitem a compra do que se quer e onde se quer, com entregas onde o shopper estiver. Assim, os ambientes físicos deverão se adaptar a esse tipo de tecnologia para atender demandas de compra, mesmo que o cliente não tenha entrado na loja física”, diz o CEO do Grupo Croma. De acordo com o “High Tech Retail”, 73% dos entrevistados pretendem comprar pela internet, nos próximos anos, e muitas dessas compras passará pelos aplicativos.

Para Edmar, o único perigo da inovação no varejo é “lançar mão da tecnologia sem considerar necessidade, tensões, expectativas e jornas de diferentes shoppers brasileiros”. O profissional afirma que, se bem empregada, a tecnologia, como qualquer outro recurso, só trará benefícios à sociedade.

Fonte: Meio e Mensagem