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Varejo & Franquias Postado em quinta-feira, 28 de maio de 2020 às 16:46
“Temos desempenho semelhante à Black Friday todos os dias há meses”.
A frase é do vice-presidente da ABComm, que falou sobre o momento de popularização do comércio eletrônico no Brasil.


O comércio eletrônico vive um momento de crescimento sem precedentes. Os números mostram como a popularização do e-commerce no Brasil, tão discutida e tida como um processo lento, vem sendo acelerada. Em abril, o e-commerce viveu um boom e o crescimento deve continuar acelerado.

As vendas online cresceram 16% em 2019 na comparação com o ano anterior, segundo relatório da Webshoppers. Já em abril, em meio à pandemia, o avanço do e-commerce foi de 47% em relação a março, segundo pesquisa da ABComm em parceria com a Konduto.
Em 2019, os consumidores gastaram, em média, R$ 417 reais por pedido. No mês passado, o ticket médio chegou a R$ 492,43.


Novos clientes

Um dos números mais significativos e que justificam o boom do e-commerce é o de pessoas que compraram pela primeira vez na internet desde o início da pandemia. A ABComm identificou pouco mais de um milhão de novos clientes.
Segundo Rodrigo Bandeira, vice-presidente da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), o e-commerce está “observando desempenho semelhante à Black Friday todos os dias há meses”.

A Loja Integrada, plataforma gratuita de criação de lojas virtuais, registrou um aumento de 43% na quantidade de pessoas que fizeram compras pela internet em abril. Desse número, 51% compraram pela primeira vez.
Pessoas acima de 60 anos também entraram no ranking com 33%, evidenciando que a mudança de hábitos aconteceu até nas parcelas da população geralmente mais resistentes à adoção de ferramentas tecnológicas.



Obstáculos

O crescimento do setor é exponencial, mas gera desafios. Uma das dificuldades está em atender uma demanda em ritmo de data comemorativa todos os dias, muitas vezes com a equipe reduzida e escalas de trabalho modificadas para evitar o contato entre os colaboradores.
Ainda deve ser levado em consideração o fato de que a preparação para datas importantes como Natal e Black Friday dura meses. Agora, os varejistas precisam correr para adequar suas operações e atender cada vez mais consumidores.


Confira a entrevista completa com, Rodrigo Bandeira vice-presidente da ABComm:

Como você avalia o momento atual do comércio eletrônico no Brasil?

O setor está crescendo em um ritmo muito forte. Isto é resultado das pessoas seguindo as orientações da OMS e se mantendo em casa.
Inicialmente, houve recuo das vendas no começo da pandemia. Depois, uma intensa procura online pelos supermercados, depois farmácias e petshops e, a partir de então, sucessivos movimentos de procura por lazer, esportes, compra de brinquedos.
Estamos observando desempenho semelhante à Black Friday todos os dias há meses.


Ainda que o momento seja bom para o e-commerce, existem dificuldades. Quais são as principais?

Diria que é o mesmo desafio enfrentado por outros setores: a operação é baseada em mão de obra física e as empresas estão mais cautelosas para manter a saúde dos colaboradores.
Temos visto planos de trabalho divididos em escala, pessoas que fazem parte do grupo de risco de home office ou afastadas. E mesmo assim os varejistas precisam dar conta de um volume permanente, o que é difícil quando você pensa que as ondas de compras em datas comemorativas têm início, meio e fim, diferente do ritmo que estamos vivendo agora.
Isso gera alguns desafios relacionados a tecnologia e gestão de estoque. Na logística você tem os correios com bastante profundidade e as transportadoras com cada vez mais tecnologia, mas também dependem da mão de obra presencial.
Mas o saldo é positivo. A resposta do setor é boa. Os lojistas ajustaram seus prazos de entrega e melhoraram seus canais de comunicação.


A estrutura para operação do e-commerce está sendo fortalecida?

Toda a cadeia em volta sofre um impacto. Não podemos dizer que há equilíbrio nas contas só porque meu e-commerce está vendendo mais, mas tenho 300 lojas físicas fechadas.
O que vemos é um momento de ingresso forçado, de quem não tinha venda alguma e precisa estar online para faturar. Vimos 80 mil novas lojas online no Brasil.
Portanto, a saúde do setor está atrelada a um guarda-chuva maior, chamado economia. Não existe negócio que se mantenha sozinho.


Como vai ser depois da pandemia? O momento atual já tem força suficiente para criar no brasileiro o hábito de comprar online?

Com ingresso rápido de novos consumidores em um curto período, é de se esperar que tenham experiências futuras no e-commerce. Não podemos afirmar que esta será a nova mina de ouro, mas certamente encontraremos uma resistência enorme dos consumidores em ir a locais com muitas pessoas.
O saldo tem sido positivo. Existe todo um processo de adaptação, que no início era apenas uma expectativa futura. Você tem operações que não existiam, como a venda de carros pela internet. As concessionárias fazem isso porque não há perspectiva de novas visitas ao ambiente físico. São operações novas, que dependem de tecnologia para aprovação de crédito, transporte dos veículos etc.
É importante lembrar que as regras básicas de administração não podem ser quebradas nesse momento. Os lojistas podem viver meses de felicidade na pandemia, mas quando sairmos dessa situação podem estar quebrados. Teremos um cenário muito diferente.


Qual o melhor modelo e o melhor momento para a reabertura das lojas físicas no Brasil?


É difícil apontar uma data. Temos realidades muito diferentes no Brasil. Temos uma série de expectativas que podem, ou não, se configurar. Por exemplo: como vamos frequentar cinemas daqui para frente? Vamos voltar aos tempos de drive-in? E praças de alimentação em shoppings?
A questão da legislação também é importante. É importante entender que o modelo antigo já não era muito favorável à tecnologia e o e-commerce. É necessário avançar nessa parte. Não podemos criar imbróglios jurídicos que impactem o avanço do setor.
Acredito que muitas mudanças vão acontecer. Precisamos entender que não há vacina e o isolamento social é a medida que funcionou em diversos lugares do mundo para o achatamento da curva de contaminação. Quanto antes cumprirmos essa medida, mais cedo sairemos dessa situação.

Fonte: Novarejo
Varejo & Franquias Postado em quarta-feira, 20 de maio de 2020 às 09:18
Ser disruptivo não é uma questão apenas de tecnologia. Tem mais relação com a cultura e o engajamento do negócio.

Disruptivo. O adjetivo da moda no ambiente corporativo atual e obrigatório para todos que empreendem ou desejam criar seu próprio negócio. Uma empresa disruptiva é aquela que, de alguma forma, consegue romper com algo que já é consagrado em sua área e apresentar algo novo – certamente, uma qualidade essencial em um cenário cada vez mais competitivo.

Isso vale para a indústria, para startups e, claro, para o varejo. As organizações deste último setor precisam, mais do que nunca, inovar e trazer soluções diferentes para seu público se quiserem crescer e se destacar em seus segmentos.

Afinal, segundo a pesquisa High-Tech Retail – A tecnologia e o comportamento de compra do brasileiro, realizada pela Croma, três pontos irão influenciar a jornada de compra nos próximos três anos: comodidade (69%), tempo (61%) e atendimento (44%).

Em suma: o novo consumidor espera que os lojistas vendam rápido e melhor e o atendam sempre que precisar. É necessário, portanto, expandir a visão além do preço e do produto para aumentar a taxa de conversão no futuro.

Não é só tecnologia

O caminho da disrupção começa pelos dados. Eles trazem visibilidade sobre todas as esferas de um negócio, seja da ótica financeira, seja de operações ou de pessoas. São registros que formam um diamante muito valioso, mas que obrigatoriamente necessita de lapidação para obter um ganho real.

É neste ponto que entra a inteligência artificial: extrair insights e recomendações de informações estáticas para ter ganhos dinâmicos. O varejista que conseguir implantar soluções como essas terá vantagens exponenciais, tanto de produtividade quanto de lucratividade. É a velha máxima de fazer menos com mais, aumentando a eficiência, precisão e outros benefícios agregados.

Isso não significa que basta contratar softwares em seu dia a dia para resolver o problema. Ser disruptivo não é uma questão apenas tecnológica. Tem a ver mais com a cultura e o engajamento do negócio.

Além disso, há plataformas cujo legado analógico amedronta qualquer tentativa de mudança que possa mudar o curso da companhia. É preciso ser ousado e confiante não apenas para enfeitar a vitrine, mas mudar do núcleo diretivo para fora. Não basta colocar um provador interativo ou um self check-out – essas iniciativas devem ser o fim de uma estratégia que começa dentro – e não fora – da empresa.

Dessa forma, é necessário transformar a cultura e investir em mão de obra qualificada. Não que seja um cenário exclusivo do Brasil, mas aqui há políticas corporativas engessadas que comprometem a adoção de soluções inovadoras. Somente quando todos na empresa estiverem engajados em assimilar novos métodos é que o processo será mais fluido.

É, sem dúvida, o maior obstáculo para quem deseja ser disruptivo. A maior parte das estruturas ainda funciona no analógico, promovendo uma resistência ao novo e estimulando a pirotecnia em vez de eficiência. Ou seja, começar pelo que é mais fácil, mas não transformar realmente a base da companhia.

Esses são os desafios que se colocam à frente dos varejista nos próximos meses. Ser disruptivo não é mais um belo discurso de marketing, mas uma necessidade estratégica para o setor. E como o próprio significado da palavra já diz : “mude o curso natural”. Além disso crie, recrie, até erre, mas não se deixe prender por processos enviesados. E lembre-se: a primeira disrupção é mental e só depois tecnológica.

Fonte: ConsumidorModerno