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Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 19 de junho de 2018 às 06:51
A indústria fashion fatura em torno de 1,5 trilhão de Euros no mundo, emprega mais de 60 milhões de pessoas e é uma das mais importantes do mundo. Esse tamanho todo, contudo, pressiona os recursos do planeta, de água a energia, e gera um rastro de poluição ao longo da sua cadeia produtiva. Para ela se manter relevante, a indústria de fast fashion preciso mudar, afirmou Thomas Tochtermann, presidente do Conselho da Tom Tailor Holding e Chairman na Danish Fashion Institute, durante o segundo dia do BR Week, um dos mais importantes congressos de varejo do País.

“A indústria fashion é uma rede complexa de produção: temos empresas que produzem e vendem a matéria-prima, empresas que produzem as peças, empresas que vendem o produto final. E essa complexidade é um dos desafios que a gente enfrenta”, afirmou o especialista durante o evento.

Outro grande desafio da indústria fashion é a quantidade de recursos que ela utiliza do planeta. “Isso pode limitar nosso crescimento e gerar um custo significativo”, afirmou Tochtermnn. “Nosso processo de produção é muito intenso: usamos muita água, muitos recursos químicos e isso gera um impacto negativo no planeta. Temos uma projeção forte de crescimento e precisamos encontrar novos modos de produzir, caso contrário, não vamos conseguir ir adiante”, afirmou.

Uma visão mais positiva

É possível uma indústria desse porte se tornar mais sustentável e, por consequência, não gerar tantos impactos negativos para o planeta? Segundo o especialista, já se observa um avanço nesta questão. “Para entender onde estamos, precisamos nos basear em dados”, afirmou. Um estudo, baseado no Hiig Index, que mensura a sustentabilidade na indústria de moda e que consegue cobrir metade da indústria, mostra que a preocupação com o tema já saiu do papel.

Em 2018, em uma escala de sustentabilidade que vai de zero a 100%, a indústria de moda registrou uma média de 38% – ou seja, ela ainda tem potencial para ser ainda mais sustentável, considerando todas as soluções que temos hoje. “Essa média não é impressionante, mais nos mostra quais empresas estão fazendo alguma coisa e o que elas entregam”, afirmou.

Em relação a 2017, quando a média era 32%, o dado também mostra um avanço. “Mas ainda não é suficiente”, disse. Considerando o porte das empresas, aquelas que performam bem no index apresentam uma média de 63%. Aquelas que estão na média do índex apresentam uma pontuação de 22% a 32% no índice. Já aquelas que estão na base apresentaram uma performance média de apenas 11% em 2018.

Em relação a 2017, o maior crescimento no índice foi com as médias empresas. Essas melhorias, explicou o especialista, aconteceram no início e no fim da cadeia de valor, do design dos materiais ao uso final deles. “Hoje, sabemos que existe uma pesquisa intensa de materiais mais sustentáveis”, afirmou o especialista.

Outro recorte dos dados é quando olhamos para os diferentes tipos de empresas de moda. “As maiores empresas investem mais em termos de inovação em sustentabilidade. Isso é uma boa notícia: as grandes investem mais”, afirmou. A má notícia é que metade da indústria de moda, ao menos, é formada por pequenas empresas. Outra boa notícia é que 90% das companhias de fashion têm metas sustentáveis e para 50% delas, esses targets guiam decisões.

Segundo Tochtermann, quando se fala em sustentabilidade, os CEOs questionam os custos. “Eles sempre dizem que sustentabilidade é bom, mas custa dinheiro, é mais caro para o consumidor que, ao fim, tem e pagar a conta. Contudo, o investimento em sustentabilidade aumenta a eficiência da cadeia entre 40% e 80%”, explicou.

Agenda sustentável 2018

O que fazer, então, para a indústria de moda ser mais sustentável. Tochtermann afirma que há uma agenda para os CEOs em torno do tema. “É uma agenda que está definida, mas é complexa, porque são necessárias mudanças sociais, de negócios, mas as soluções já existem e essa é a boa notícia”, afirmou o especialista.

“Se você está na indústria fashion, precisa entender o impacto que a sua cadeia de valor gera”, disse. “Temos de pensar mais no começo, no desenvolvimento dos produtos, o que acontece com eles no final, quando são descartados”, disse.

Transformação digital

O que a transformação digital tem a ver com tudo isso? Há muita conexão entre o digital e a sustentabilidade e a indústria precisa fazer essa grande mudança para ser mais sustentável, segundo o especialista. Segundo ele, em 2020, a maior parte da manufatura será formada por robôs.

“A transformação digital é um trigger para a indústria e isso inclui a performance da companhia. Quando as empresas são mais produtividade, elas geram um impacto menor”, disse. Segundo ele, a aplicação do digital pode reduzir em 48% o tempo que um item leva para passar por toda a cadeia – com essa redução, produz-se apenas aquilo que de fato é demanda e há menos desperdício. “A transformação digital nos ajuda a fazer mudanças profundas na indústria, porque mudanças incrementais não são mais suficientes. Mas vale o investimento”, afirmou.

Fonte: Novarejo
Varejo & Franquias Postado em terça-feira, 19 de junho de 2018 às 06:50
A multicanalidade já é uma realidade no Brasil. É raro encontrar uma varejista consolidada que não tem vendas em diferentes canais. A omnicanalidade, no entanto, é algo dificílimo de encontrar. Um problema: a convergência e a integração dos canais são necessidades das varejistas atuais e quem não está se mexendo com certeza está ficando para trás.

Essa discussão foi feita no painel “Melhores estratégias para uma incrível experiência omnichannel”, conduzido por Alessandro Gil, CXO da VTEX, e que teve a participação dos executivos Felipe Cohen, diretor de planejamento e operações do Magazine Luiza e Adriano Tavollassi, diretor de e-commerce da Tok Stok.

Aquela imagem conhecida de shoppings e lojas lotados, especialmente nas datas comemorativas, está sendo cada vez menos frequente. E não é só por conta da crise econômica brasileira. Esse movimento está sendo visto no mundo inteiro. “Nos Estados Unidos, os shoppings estão apresentando queda no número de frequentadores”, diz Gil, da VTEX.

Isso significa que as empresas estão vendendo menos? Claro que não. As pessoas estão em busca da facilidade: querem tudo com um clique e na porta da sua casa. E trazer a experiência da loja física para a virtual é fundamental. “Os clientes não enxergam online e offline, é uma coisa só”, diz Cohen, do Magazine Luiza.

Na frente da concorrência

Os números registrados pelo Magazine Luiza nos últimos balanços somados à forte valorização de suas ações na bolsa de valores evidencia que a empresa está entendendo esse novo momento antes de suas concorrentes. Frederico Trajano é o líder desse movimento. A empresa entendeu que as suas lojas precisavam caminhar juntos com o e-commerce.

Logo, uma experiência convergente foi experimentada. Soluções como “compre na internet e retire na loja” passaram a ser frequentes. Houve casos até mesmo que a empresa dava uma corrida de táxi para o cliente retirar os seus produtos em uma unidade Magazine Luiza.

As vendas na internet da empresa só vem crescendo. Mas isso não significa que o movimento nas lojas físicas seja oposto. Muito pelo contrário. “Enquanto alguns falam que não existirá lojas, continuaremos abrindo novos pontos”, diz Cohen.

A questão é como aumentar a eficiência desses pontos. Uma das estratégias que a empresa está colocando em prática é o “Ship from store”. Ou seja, os centros de distribuição da varejista seriam descentralizados. Afinal, por que uma geladeira precisa viajar 2 000 quilômetros se há momentos em que uma loja a 200 metros de distância pode resolver o problema?

Os insights e os desafios da omnicanalidade

Os custos operacionais não são o único ganho de um bom plano e execução de omnichannel. Muitas ideias podem surgir com o cruzamento de dados. Um produto que era ignorado anteriormente, por exemplo, pode se mostrar uma ótima isca para atrair novos frequentadores para as lojas. Tudo passa pelo termômetro dos dados.

Algo similar aconteceu com a Tok&Stok. Antes totalmente focada nas lojas físicas, a empresa vem apostando cada vez mais no mundo digital. O resultado vem aparecendo, segundo Tavollassi. As dificuldades, contudo, sempre aparecem.

A questão principal é pensar em uma jornada completa para o cliente. Há, por exemplo, a jornada feliz: aquela em que o cliente compra o produto pela internet, decide ir à loja no dia seguinte retirá-lo e sai contente com a escolha. Ao mesmo tempo, contudo, há uma série de pontos a serem analisados.

Imagine, por exemplo, se o cliente não gostar da cor e quiser trocar na hora. Ou pior: e se ele quiser cancelar? Pensando de uma maneira mais positiva, talvez ele queira comprar mais coisas, logo como fazer para essa compra ter o mínimo de fricção? “Por isso, quem quiser partir para a omnicanalidade, tem que pensar em uma mapa completo da jornada”, diz o executivo da Tok&Stok.

Fonte: Novarejo