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Gestão & Liderança Postado em quarta-feira, 05 de fevereiro de 2025 às 18:12


Buscando compreender o cenário que espera o mercado de consumo no mundo, mais de 4,7 mil líderes foram ouvidos pela PwC em 100 países, incluindo o Brasil. Como resultado, a empresa divulgou a 28ª Global CEO Survey, pesquisa anual, que aponta que a carência de mão de obra qualificada é vista como uma das maiores ameaças ao desenvolvimento econômico para o varejo em 2025.

De acordo com a pesquisa, há uma expectativa de aceleração econômica para pelo 62% desses líderes no Brasil (a média nacional é de 73%), enquanto 33% não acreditam na viabilidade dos negócios do setor nos próximos dez anos – se mantidos os rumos atuais das empresas.

Este otimismo é maior em relação ao crescimento da economia local do que da global: 59% dos líderes desse setor projetam uma aceleração da economia global nos próximos 12 meses, abaixo da média nacional de 68%, mas próximo da média mundial de 58%.


Desquilíbrio entre expectativa e realidade

Ao serem questionados sobre possíveis perdas financeiras, a escassez de mão de obra qualificada foi indicada por 41% dos CEOs de empresas de consumo no Brasil. A média nacional de todos os setores para esta mesma pergunta é de 30%.
A segunda maior preocupação dos líderes do setor é a segurança cibernética, apontada por 31% dos líderes de empresas de consumo.

Sobre isso, Luciana Medeiros, sócia e líder da indústria de consumo e varejo da PwC Brasil, explica que a situação vai além da capacitação, o que deixa os líderes atentos aos riscos. Segundo ela, “a questão é tão predominante que outras ameaças, como riscos cibernéticos e disrupção tecnológica, que são preocupações importantes na indústria, são percebidas com menor intensidade neste estudo”.
Exemplo disso é o dado de que 59% dos líderes do setor planejam aumentar as suas equipes, um percentual acima da média nacional.


Papel da Inteligência Artificial

Além disso, o uso da Inteligência Artificial para aprimorar estratégias relacionadas à força de trabalho e ao desenvolvimento de competências é apontado por 82% dos CEOs do setor.

“Esta movimentação, tanto em relação a procura por mão de obra quanto por tecnologia se conectam com uma busca das empresas do setor por eficiência. Os resultados desta pesquisa nos refletem bem esta movimentação”, completa Medeiros.

A IA está sendo bem-vista por este mercado, principalmente pela possibilidade de otimizar tarefas antes lentas e/ou custosas. Hoje, 63% dos CEOs da área varejista brasileira entendem que a IA generativa resultou em ganhos de eficiência no uso do tempo dos funcionários. A média geral no país é de 52%.

Além disso, 41% dos executivos das empresas de consumo identificaram aumento na receita (34% no Brasil) e 34% na dizem que a IA gerou mais lucratividade (31% no Brasil). Os resultados ainda estão abaixo das expectativas do ano passado, mas o otimismo persiste: 57% dos CEOs do setor e 61% no Brasil esperam que a IA generativa impulsione a lucratividade de suas empresas nos próximos 12 meses.

Para Medeiros, a principal aplicação das novas tecnologias está nas soluções de supply chain, mas existem avanços perceptíveis em outras áreas, como no marketing e na experiência do cliente. O nível de confiança dos CEOs do setor em integrar a IA aos processos essenciais da empresa é semelhante ao da média geral brasileira: 51%.


Novos cenários e competições do setor

Para os CEOs, há um aumento na competitividade: 33% perceberam que suas empresas estão competindo em pelo menos um novo setor nos últimos 5 anos. A média geral brasileira, no entanto, é de 45%. Apesar das dificuldades, existe uma oportunidade de diversificar a cartela de opções oferecidas ao consumidor, como serviços financeiros, carteiras digitais e soluções de crédito.

“O setor de consumo é mais vulnerável à entrada de novos players devido à sua conexão direta com o público final – empresas de outros setores podem facilmente integrar serviços de consumo em seus portfólios, intensificando a concorrência. O setor está mais propenso a ser um alvo de novos competidores, enquanto é menos agressivo em explorar mercados além de sua área tradicional de atuação”, elucida Medeiros.


Resultados e sustentabilidade

O recorte brasileiro para a indústria de consumo da CEO Survey também mostra que iniciativas de baixo impacto climático trazem resultados positivos. Para 51% dos líderes do setor, os investimentos de baixo impacto climático levaram à redução de custos ou a um impacto irrelevante. O percentual está levemente abaixo da média brasileira de 69%, o que demonstra uma oportunidade de crescimento para o setor.

Outro dado relevante é que 62% dos CEOs do país no setor (59% no Brasil) afirmaram que sua remuneração variável está vinculada a métricas de sustentabilidade. Essa relação reforça uma tendência clara: quanto maior o percentual da remuneração atrelado a esses indicadores, maior a probabilidade de ganhos de receita associados a investimentos climáticos.

Fonte: Ecommerce Brasil
Gestão & Liderança Postado em segunda-feira, 30 de setembro de 2024 às 11:04


No competitivo mundo do e-commerce, a Shein emergiu como um gigante global, conquistando milhões de consumidores com preços acessíveis e tendências rápidas. Fundada em 2008 na China, a empresa alcançou um valor estimado de US$ 100 bilhões em 2022, rivalizando com marcas estabelecidas há décadas¹. Mas qual é o segredo por trás desse sucesso estrondoso?


Uma abordagem inovadora ao ultra-fast fashion

A Shein redefiniu o conceito de fast fashion, introduzindo o ultra-fast fashion. Enquanto marcas tradicionais levam de três a seis meses para lançar novos produtos, a Shein consegue colocar novas peças no mercado em apenas sete dias². Diariamente, a empresa adiciona entre 500 e 2.000 novos itens ao seu catálogo³, mantendo-se sempre atualizada com as últimas tendências.

Essa agilidade é possível graças a uma cadeia de suprimentos altamente eficiente e integrada. A Shein utiliza dados em tempo real para identificar tendências emergentes, analisando o comportamento de mais de 43,7 milhões de seguidores no Instagram e 32,4 milhões no TikTok4. Isso permite uma resposta rápida às demandas do mercado, mantendo a marca relevante e desejada pelos consumidores.


Marketing digital e engajamento nas redes sociais

A presença digital da Shein é robusta. A empresa investe fortemente em marketing de influência, colaborando com mais de 6.000 micro e macro influenciadores globalmente5. Essa estratégia aumenta o alcance da marca e constrói confiança com o público-alvo.

Campanhas como o #SHEINhaulfie no TikTok acumularam mais de 5,5 bilhões de visualizações, incentivando os usuários a compartilharem suas compras e experiências com a marca6. Além disso, a Shein realiza eventos online, como o SHEIN X 100K Challenge, um reality show de design de moda que atraiu milhões de espectadores7.


Foco no mobile commerce e na experiência do usuário

Reconhecendo que mais de 80% das compras online são realizadas via dispositivos móveis8, a Shein adotou uma abordagem mobile-first. Seu aplicativo foi baixado mais de 200 milhões de vezes e frequentemente supera gigantes como Amazon e Walmart em downloads nos EUA9.

O aplicativo oferece uma experiência personalizada, utilizando algoritmos de inteligência artificial para recomendar produtos com base no histórico de navegação e compras. Elementos de gamificação, como pontos de fidelidade e minijogos, incentivam a interação contínua, aumentando o tempo médio gasto no aplicativo para 8,5 minutos por sessão10.


Logística eficiente e alcance global

A Shein atende clientes em mais de 220 países e territórios¹¹, graças a uma rede logística global. A empresa estabeleceu centros de distribuição em regiões estratégicas, reduzindo o tempo de entrega para 10 a 15 dias, mesmo em mercados distantes¹².

Além disso, a Shein oferece frete gratuito em pedidos acima de um valor mínimo e facilita devoluções, melhorando a satisfação do cliente. Essa eficiência logística é um diferencial competitivo crucial no e-commerce internacional.


Estratégias de preço competitivo

Oferecer preços acessíveis é central na estratégia da Shein. Com itens custando em média 60% menos do que concorrentes diretos¹³, a empresa atrai um público sensível a preços sem sacrificar a variedade ou a qualidade percebida.

Promoções frequentes, como descontos de até 80% em vendas sazonais, e programas de fidelidade aumentam as conversões e incentivam compras repetidas. Em 2021, a Shein registrou um faturamento estimado em US$ 15,7 bilhões, um aumento de 60% em relação ao ano anterior14.


Lições para empreendedores do e-commerce

A trajetória da Shein oferece insights valiosos:
– Data-driven marketing: utilizar dados para entender o consumidor permite personalizar ofertas e antecipar tendências.
– Agilidade operacional: uma cadeia de suprimentos flexível é essencial para responder rapidamente às demandas do mercado.
– Engajamento digital: estratégias eficazes de marketing de influência e conteúdo gerado pelo usuário aumentam a visibilidade e a confiança na marca.
– Experiência mobile: investir em aplicativos móveis pode aumentar significativamente o engajamento e as vendas.
– Expansão global: adaptar-se a diferentes mercados culturais e investir em logística global ampliam o alcance e o potencial de crescimento.

A Shein demonstra que uma combinação de tecnologia, marketing inovador e operações eficientes pode levar ao sucesso no e-commerce em escala global. Para empreendedores, a chave está em aproveitar dados para orientar decisões, ser ágil na operação e focar na experiência do cliente. Em um mercado digital cada vez mais competitivo, essas estratégias podem fazer a diferença entre o sucesso e a estagnação.

Fonte: Ecommerce Brasil